sábado, 15 de outubro de 2011

Uma observação importante

Por Beato Anacleto González Flores
Publicado no Editoriales de la Palabra
24 de março de 1918

Um grande e freqüente erro daqueles que não se dedicam a procurar o desenvolvimento da sociedade em que vivem e o de somente se limitar a lamentar os desastres que padecem e a propor soluções para que a regeneração social seja um fato, uma realidade. É evidente que a difusão das idéias deve proceder a toda transformação, e essa difusão deve ser feita sem descanso, sem trégua, por todos os meios possíveis; mas pensar que todo se resume em discursos, em debates, e na imprensa analisar as enfermidades sociais e ainda indicar o remédio, é equivocar-se muito e fazer as coisas pela metade. 

Nas iniciativas que tem por objetivo salvar a nossa sociedade são de mais valor as ações do que as palavras, por mais brilhantes e eloqüentes que elas sejam, de tal maneira que por mais que se diga e escreva muito pouco ou nada se conseguirá, se não põem especial cuidado em dedicar tempo e energia ao aspecto prático, fazendo grandes esforços para que as idéias se convertam em fatos. Para contrapor esta verdade temos avançado muito pouco e até agora só temos feito 1 centésimo do que podemos fazer.

Em algum livro, em um discurso ou em alguma conversa pode surgir algum pensamento que entusiasma e inspira a fundação de alguma associação. Muitas vezes esta se funda e inicia com um florescimento cheio de alegria e de esperança; mas passa o primeiro movimento, que é o da novidade e a instituição definha, seus sócios se desanimam, e se retiram pouco a pouco e chega um momento em que a obra fica reduzida a uma lembrança e a um novo fracasso. Então é quando se exige o influxo dos homens de ação, então quando é necessário que em cada associação, mais que discutir e falar, deve-se procurar manter vivo o entusiasmo do primeiro dia, por exemplo, e afastar a preguiça e a inconstância, motivando aos sócios, habituando-os para que cumpram seus compromissos e conquistando novas almas para a organização.

Para encontrar a causa da diminuição das associações basta fixar-se no fato de que nem sempre tem nelas homens de ação que constantemente motivem, impulsione e convidem os demais; e quando chega o momento em que a inconstância provoca a dissolução,  atraem aos demais para que descumpram seus compromissos. Falamos com muita freqüência sobre a desorganização de nossa sociedade, escrevemos para revelar as gerações os problemas mais importantes de nossos dias e para dar a conhecer sua solução; mas não duvidamos jamais que se não empreendermos uma ação vigorosa e incontrastável para organizar e para não deixar perecer as organizações que se fundam; pois, do contrário, nossa palavra será um som, uma vibração que se perderá no vazio. Sejamos, sobretudo, homens de ação! 

FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. 522-523 p.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Gianna Jessen - Sobrevivente de um aborto


Pe. Paulo Ricardo - “Nossa Senhora da Conceição Aparecida Imperatriz do Brasil”

Pregação: “Nossa Senhora da Conceição Aparecida Imperatriz do Brasil”

 


"Em 1930, o Papa Pio XI declarou Nossa Senhora de Aparecida como padroeira e rainha do Brasil. Neste dia 12 de outubro, mais uma vez nos deparamos com uma escolha: como país somos chamados a viver como filhos da Nossa Senhora ou como filhos da serpente. Acolhamos o presente que o Senhor nos entregou do alto da cruz, pois somos a Terra de Santa Cruz: ‘Filhos, eis aí a Vossa Mãe’!!!"

Escute aqui

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

sábado, 8 de outubro de 2011

A ação da mulher

Por Anacleto González Flores
Publicado no Editoriales de La Palabra
23 dezembro de 1917


Em outra ocasião tratei brevemente sobre o influxo poderoso e decisivo que a ação da mulher poder fazer sentir nas sociedades e nos destinos da humanidade. Agora vamos indicar o mais exato que nos seja possível o programa prático que deve ser desenvolvido para que a beleza, a ternura, o amor e todos  os encantos da que tem sido dada ao homem como companheira, contribua para a regeneração da sociedade.

A primeira tarefa que cabe a mulher é a de formar a si mesma, porque de outra maneira seu influxo não será tão eficaz como é de esperar e sua ação muitas vezes resultará estéril. Para formar-se a si mesma, a mulher necessita dedicar com grande empenho a estudar detidamente tudo o que lhe corresponde saber, tanto no que se deve a seus deveres como filha, como esposa e como mãe, como no que concerne aos problemas sociais, pois seja uma vez mais dito que não deve haver nenhum membro da sociedade que ignore sua missão, e o pouco ou muito que  tem que fazer para que exista a ordem social.

Ao menos não deve faltar a mulher elementos para formar-se; como com isso já se haverá conseguido muito, quase tudo; e assim como temos dito em outras ocasiões que na fisionomia dos indivíduos nos encontramos sempre a mão da mulher, assim também não tememos afirmar que nos desastres que sofremos, muito se deve a indiferença da mulher. A história e a experiência diária nos ensinam que com uma resolução firme e decidida, a mulher tem conseguido superar todos os obstáculos e desarmar todas as vinganças e resistir todas as resistências; daqui que se no lar, no trabalho ou em qualquer outra parte, como sucede na Europa, a mulher chega a entender seu papel e a fazer-se apóstolo incansável da verdade e do bem, a transformação social tão desejada não esperaria tanto tempo. O que é que tem acontecido? Tem acontecido que a mulher, assim como o homem, não compreendeu plenamente sua missão, porque se isto houvesse acontecido a humanidade estaria muito avançada no caminho da civilização. Mas a preguiça, a apatia, as frivolidades e a ânsia de prazeres tem impendido que muitas mães vivam constantemente impulsionado a seus filhos até o bem, que muitas esposas com sua doçura  e seu amor conquistem a seus esposos para Deus e muitas filhas para seus pais. Venturia [1] salvou Roma, Clotilde [2] converteu seu esposo; de igual maneira, o dia que a mulher de nossos tempos queira ser Ventúria ou Clotilde a humanidade se salvará.

[1] Santa Clotilde, esposa do Rei Clóvis I  477 † 3 de Junho de 546, rei dos francos.

[2] Venturia a mãe de Coriolano, um lendário general romano que viveu no século V d.C., cuja história foi relatada por Plutarco, Lívio e Shakespeare

FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. 506 p.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Papel humanista da Igreja durante a Idade Média

Agostino Nobile

Coisas da Idade Média! Mentalidade medieval! A Idade das Trevas de que a Europa deve ter vergonha! Isto, mais ou menos, o que podemos aprender com os mídia e nas escolas, afinal a mão pública dos maçons e dos marxistas. 

A historiadora Régine Pernoud, uma das principais especialistas da Idade Média, nas primeiras páginas do seu breve, mas bem documentado "0 mito da Idade Média" ( Ed. Europa-América) sobre a história ensinada nas escolas, escreve: «O contributo da história na educação poderia ser imenso para a maturidade intelectual (...) salvaguardando a condição de que a história escrita seja verdadeira e não opiniões pré-fabricadas daqueles que com generosidade as prodigalizam no ensino.» 

Chefes de Estado, ministros da cultura, professores, artistas, sacerdotes "modernos" até os lojistas, repetem a mesma rima dos "séculos obscurantistas". Escritores famosos corno Umberto Eco e Ken Follett, autores abertamente anti-católicos, fazem dinheiro descrevendo a Idade Média como um período rude, sujo e violento. 

Mas com um pouco de paciência e estudo podemos fazer emergir com clareza as razões pelas quais os maçons e os marxistas denigrem a Idade Média: os mil anos que vão desde o século V até o XV foram inspirados pela fé do Evangelho. 

Assim enlameando a instituição católica se valoriza tudo o que veio depois da Idade Média. Na realidade, o verdadeiro Renascimento (um termo criado pelo pintor e historiador Giorgio Vasari) não começou no século XV, mas durante a Idade Média. Não é por acaso que, a fim de sublinhar a beleza e a grandeza da arte medieval, o pintor Henri Matisse, com uma pitada de sarcasmo, disse: «O Renascimento é a decadência».

Os factos históricos

Vemos muito brevemente os factos históricos. 

Quando Alarico, rei dos Visigodos, a 24 de Agosto de 410 saqueou Roma, o Império caiu na desorganização e na miséria, foi então que as instituições da Igreja tornaram-se responsáveis por todas as funções sociais. 

No século VI São Bento, padroeiro da Europa, criou os mosteiros que durante séculos foram um refúgio seguro para os necessitados. Os monges não se limitaram ao acolhimento e à oração, as suas invenções levaram o desenvolvimento onde se estabeleciam. Se os nossos ancestrais tivessem feito uma pesquisa nas bibliotecas dos monges, especialmente nos mosteiros irlandeses, onde não sofreram a violência dos bárbaros, não teriam esperado pela chegada dos árabes para descobrir alguns textos dos mestres Gregos. 

A forma actual do livro, o codex, nasceu na "Idade das Trevas". No "scriptorium" os monges transcreveram Bíblias, copiaram os textos dos grandes escritores Gregos e Latinos, os escritos dos Padres da Igreja, obras de matemática, medicina e astronomia. 

Na "Idade das Trevas" inventaram os óculos (que, entre outras coisas, prolongaram a vida de trabalho dos artesãos), o relógio, o moinho de água, o papel realizado mecanicamente, a técnica de drenagem através dos moinhos de vento, e o arado com rodas que aumentou consideravelmente a produção agrícola. 

Os monges construíram bacias e lagos artificiais para a reprodução de peixes.
Através da invenção da chaminé foram criados os fogões e fomos. 
A bússola foi inventada na China onde era usada para rituais de magia, na Europa acrescentaram o quadrante e o visor usando-a para a navegação e, pouco depois, criaram os mapas gráficos náuticos. 
A anotação musical, a polifonia, e, em seguida, a harmonia, o cravo, o violino e outros instrumentos de corda, a forma do romance literário, foram inventados na "Idade das Trevas". 
Na arte bastaria lembrar a arquitectura: as catedrais românicas e góticas enriqueceram de beleza todos os cantos da Europa. 
A "Idade das Trevas" deu à luz as primeiras universidades, apesar de terem sido dirigidas somente por religiosos, também é verdade que qualquer pessoa poderia aceder e renunciar, possivelmente, à vida religiosa. 
Hoje as universidades, quase todas administradas por laicos, são verdadeiras escolas ideológicas, e as universidades mais cobiçadas só podem ser pagas por aqueles que têm um suporte económico substancial.

Dado que o Cristianismo proíbe o aborto e o abandono de recém-nascidos, na Idade Média foram criados asilos para crianças abandonadas. As "rodas dos expostos" situadas no exterior das igrejas e dos mosteiros, foram usadas para deixar os bebés que, doutra maneira, teriam sido mortos. 

Além de cuidar dos pobres, viúvas e estrangeiros, a Igreja Católica criou os hospitais, e os hospitalizados foram admitidos também nos mosteiros e os monges aprenderam a produzir medicamentos com ervas. As invenções e o desenvolvimento que ocorreram nesses séculos deram à Europa o impulso para se tornara a primeira expressão científica e económica mundial.

Defender a verdade

Apesar de tudo o que foi mencionado, hoje os representantes de algumas minorias, tais como feministas, homossexuais, pacifistas, manifestantes descontentes de todo o planeta, cientistas, humanistas, filósofos, ambientalistas, moralistas ateus, são todos contra a Igreja.
A este respeito, o grande historiador medievista Léo Moulin, avisa: «Vocês católicos deixaram de representar a História, muitas vezes adulterada ou falsificada até ao ponto de paralisar a vossa possibilidade de defesa. Todos os problemas, ou erros, ou sofrimentos que aconteceram na História foram sempre atribuídos aos católicos. E vocês, tantas vezes ignorantes do vosso passado, chegaram a acreditar neles, talvez para dar-lhes ajuda. Mas eu (agnóstico, mas historiador que tenta ser objectivo) digo que vocês têm de reagir, em nome da verdade. De facto, muitas vezes, os inimigos do catolicismo não dizem a verdade. E se também às vezes no seu discurso existir a verdade, é também verdade que num orçamento de vinte séculos de cristianismo, as luzes prevaleceram sobre as sombras. Mas então, por que não pedir contas a todos aqueles que sendo vossos inimigos vos acusam sistematicamente? Talvez porque certamente os resultados não seriam melhores! De que púlpitos vocês escutam, contritos e mortificados, certos sermões?»

O Contraste dos novos tempos

Vamos dar um gostinho dos "exemplos milagrosos" daqueles que acusam a Igreja.
Na Idade Média era proibido fazer guerras nas cidades, entre os civis, mas se os governantes queriam degolar-se, poderiam fazê-lo no "campo de batalha". Ainda hoje, os lugares de conflito são chamados assim, mas incorrectamente. De facto, após a Idade Média, especialmente desde a Revolução Francesa, exterminavam homens, mulheres e crianças indefesas.

No século passado, os filhos das ideologias ateias mataram, das formas mais horrendas, milhões de seres humanos, arrasaram cidades, juntamente com hospitais, escolas, estradas e pontes, tudo reduzido a cinzas pelos bombardeios indiscriminados. 

A escravidão, que desapareceu quase completamente na Idade Média, reapareceu depois do Renascimento. 
Hoje o tráfico dos escravos e da prostituição, ramificado em todo o planeta, é um mercado tão lucrativo que poderia ser cotado nas bolsas internacionais.
A isso somamos o tráfico de drogas que destrói as vidas de milhões de seres humanos. Se o mundo progredir no respeito pelo Homem, muito provavelmente os historiadores do futuro usarão o termo "Idade das Trevas" para indicar a história ateia dos últimos dois séculos.

Retirado do Jornal da Madeira

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