sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Um dever de todos

Um dever de todos

(Autoria de Anacleto González Flores.
Publicado no Editoriales de La palabra,
7 de julho de 1918)


A reconstrução da sociedade é algo que interessa a todos os homens, porque a sociedade é o meio providencial do qual temos de nos servir para conseguir alcançar nosso desenvolvimento e o bem-estar de nossos filhos. Em uma sociedade extraviada, corrompida, muito longe de esperar a elevação espiritual, científica, moral, artística de que temos necessidade para alcançar o máximo de nosso desenvolvimento, corremos o perigo eminente de cair na mais vergonhosa das degradações, de atrofiar nossas faculdades, de sermos arrastados pela corrente devastadora que deixa os povos a beira da ruína. Convém, pois, trabalhar com afinco e se quisermos que nossa perfeição chegue a ser uma realidade; devemos querer o quanto antes que a corrente intelectual que inunda nosso país se purifique e deixe longe o lodo que transborda dos lábios e das canetas dos propagadores do erro e do mal, dos que merecem acertadamente serem chamados de enganadores do povo.

Visto isso, o dever em se consagrar a ação social pesa sobre todos; sobre os homens, sobre as mulheres, sobre os sábios, sobre os ignorantes; em fim, sobre todos. É claro que a forma como cada irá fazer varia muitíssimo; uns como pais de família se dedicaram ao trabalho social cumprindo com seus deveres do lar, preocupando-se de coração em educar seus filhos; as mulheres podem colocar em ação suas energias para contribuir para o estabelecimento da ordem social; os homens sem trabalho procurando emprego, as leituras e os meios que lhes permitirá sair de sua ignorância e de sua miséria; em fim, cada um dentro de suas possibilidades poderá ajudar na reconstrução da sociedade. Ao tocar neste ponto não podemos deixar de dar ênfase sobre  o peso do dever que pesa sobre as classes que dirigem e sobre os que podemos chamar de aristocratas. 

Sobre estes pesam uma obrigação maior que sobre os demais homens, pois sua missão é orientar, dirigir, indicar, fixar o caminho que os demais terão de seguir, e sacrificar-se constantemente para servir de modelo, com sua vida cheia de amor ao bem e a virtude, a toda a sociedade. Sem a ação das classes dirigentes que canalizem e orientem as energias humanas até a ordem isso será impossível e os esforços que façam os demais não serão tão fortes como desejado. Para as classes dirigentes foram escritas estas palavras formidáveis, que traçou a caneta do insigne Giuseppe Toniolo[i]: reformar ou desaparecer. 


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[i] Sociólogo e economista italiano de fama internacional (1845-1918), fundou em 1889 a União Católica para os Estudos Sociais na Itália; em 1894 sentou as bases da primeira Democracia Cristã. Escreveu em 1908 a obra Tratado de Economia Social. 

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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 544-545.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

CONSERTANDO O MUNDO COM CHESTERTON

Entrevista com o padre Ian Boyd, especialista no escritor católico


MECOSTA, segunda-feira, 20 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – Este ano celebra-se o centenário da publicação de uma coletânea de ensaios do popular escritor G. K. Chesterton, intitulada “O que está mal no mundo”.

O presidente do Instituto Chesterton pela Fé e a Cultura, da Universidade Seton Hall, em Nova Jersey, padre Ian Boyd, falou com ZENIT sobre as advertências de Chesterton e o caráter profético de sua obra.
ZENIT: Que faz o Instituto Chesterton?
Padre Boyd: O instituto foi fundado durante o centenário do nascimento de Chesterton, em 1974, para responder a uma sugestão de T. S. Eliot na ocasião da morte de Chesterton, que disse que nós deveríamos continuar fazendo hoje o que Chesterton iniciou. A ideia básica do instituto é, através das publicações e conferências, continuar hoje o trabalho comunitário de Chesterton.
ZENIT: A cem anos da publicação do livro referido de Chesterton, o texto ainda contém elementos que se podem aplicar hoje?
Padre Boyd: Em todos os escritos de Chesterton há um caráter profético. Ele foi uma importante figura de seu tempo, especialmente na época anterior à Primeira Guerra Mundial. Converteu-se em um autor clássico de seu tempo. 
Chesterton viu que seus contemporâneos eram como ovelhas sem pastor, enganadas por falsos pastores. Penso que Chesterton viu sua missão como realmente apostólica, porque muitos não se dão conta do tesouro que têm em sua fé cristã.
A obra “O que está mal no mundo” tem algo a dizer ao mundo de hoje por um motivo: contém uma teologia social. Chesterton e seus amigos anglicanos, muito antes de que se tornasse católico, estavam preocupados em evangelizar a cultura. Reconheciam que a maioria das pessoas absorvia o pensamento e a conduta da cultura em que estavam imersas, de modo que uma cultura tóxica afeta quem é parte dela. Há 50 anos, inclusive os não crentes e agnósticos consideravam o aborto algo vergonhoso. Agora é aceito por muita gente. Não penso que nossos contemporâneos sejam piores, mas que uma cultura sadia se converteu em tóxica.
Tem de nos preocupar, como a Chesterton, a limpeza da mente e da imaginação coletiva. Isso é o que entendemos quando Chesterton e outros escritores falavam sobre evangelizar a cultura. 
ZENIT: Grandes escritores católicos como Chesterton podem ter seguidores em países decididamente não católicos, como a Inglaterra?
Padre Boyd: Toda esta notável literatura católica surgiu de uma cultura não católica. Eram muito bons escritores e também escritores sacramentais, no sentido de que ensinavam a verdade católica sem falar diretamente de religião. O próprio Chesterton é um grande professor religioso que nunca é sectário, que apresenta a verdade cristã indiretamente.
Chesterton, como os russos diziam dele, é um mestre da esperança. A sociedade humana, dizia, está em construção. Os humanos têm o poder, como subcriadores, de transformar uma sociedade. Não estamos condenados ao fracasso. Se algo vai mal no mundo, tratamos de corrigir.
(Andrea Kirk Assaf)
Fonte: zenit.org 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Eleições: NÃO MATAR

Dom Miguel Ângelo Freitas Ribeiro
Bispo diocesano de Oliveira



São quatro os direitos fundamentais da pessoa humana: direito à vida; direito à propriedade; direito à liberdade e direito à honra. “Quando se denota a ausência de um deles, a pessoa desaparece: sem vida não existe, sem propriedade não subsiste, sem liberdade, principalmente a religiosa, não se desenvolve, e sem honra não se relaciona.” (Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto Alegre: Os sem. Comunicador, junho 2010, p 1). Entre os quatro direitos, o primeiro é o mais importante porque é a base de todos os outros.

Os Dez Mandamentos da Lei de Deus expressam em sua totalidade esses direitos fundamentais e seus desdobramentos. O direito à vida ocupa um lugar especial no quinto mandamento: Não matar; que nos obriga à defesa da vida humana desde a sua concepção no ventre materno até sua natural consumação na morte. Aborto e eutanásia, assim como tudo que fere a vida humana, são pois, condenados por Deus.

A Didaché, catecismo cristão do século II, afirma: “Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém nascido.” Por ser gravíssima desordem moral, a Igreja penaliza com a excomunhão não somente aqueles que provocam o aborto mas quem colabora de algum modo com a sua execução. “Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sentenciae”, isto é automática, afirma o Canon 1314, do Código de Direito Canônico. A excomunhão significa o estado objetivo de pecado grave e a separação da Igreja, corpo místico de Cristo, com a consequente chamada do pecador à penitência e reconciliação.

Estamos em ano eleitoral no qual vamos eleger o Presidente da República e seu vice, senadores e deputados federais e estaduais. Entre os candidatos não são poucos, de diversos partidos, que defendem o aborto, como já declararam em entrevistas à imprensa ou reduzem sua aprovação a um eventual plebiscito como se a objetividade do bem se definisse pela opinião da maioria ou pela estatística e não pela objetividade da Lei de Deus e da lei natural impressa no coração de todos os homens.

Entre os partidos, o Partido dos Trabalhadores inclui o aborto em seu programa partidário. O PT em seu 3º Congresso ocorrido em setembro de 2007 afirma-se “por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais” que inclui “a defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público (Resoluções do Congresso do PT, p. 80 in site do PT).

A Igreja Católica, afirma a Constituição Pastoral Lumen Gentium do Concílio Vaticano II “não se confunde de modo algum com a comunidade política (GS no 76)” e respeita os cidadãos em suas “opiniões legítimas, mas discordantes entre si, sobre a organização da realidade temporal (GS no 75)”. Mas também afirma que “faz parte da missão da Igreja emitir um juízo moral também sobre as realidades que dizem respeito à ordem política,quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas (Catecismo, no 2246 citando GS, 76)”.

Diante da grave situação em que estamos, cada eleitor católico tem a gravíssima obrigação de ao escolher seus candidatos, observar também seus compromissos com a defesa da vida e com aqueles pontos “que não admitem abdicações, exceções ou compromissos de qualquer espécie” como o caso das leis civis do aborto; da eutanásia; de proteção do embrião humano; da tutela da família como consórcio natural e monogâmico de um homem e uma mulher, portanto contra o reconhecimento da união civil de homossexuais e a adoção de crianças pelos mesmos; da liberdade de educação dos filhos pelos pais; da liberdade religiosa e de uma economia a serviço da vida.

Cada um examine diante de Deus e de sua consciência para bem escolher nossos governantes de modo a escolher o melhor pelo Brasil. Não podemos nos furtar diante da verdade e da justa defesa da vida e da Lei de Deus.

Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro
Bispo diocesano de Oliveira

Fonte: http://www.cnbbleste2.org.br/

sábado, 11 de setembro de 2010

Biografia de Gilbert Keith Chesterton

* Do Pessimismo ao Otimismo

G.K. Chesterton
(1874-1936)


**Agnes de La Gorce

UMA LEMBRANÇA DA INFÂNCIA

Um dia, em Londres, um pequeno que passeava com seu pai via surgir um estranho personagem:
Uma multidão tinha se reunido perto de um portão estreito e sombrio. Eu já conhecia as multidões: sabia que gritam e se empurram. Mas, não estava preparado para a cena que assisti. Um movimento se espalhou, e eis todos estes excêntricos de joelhos sobre o pavimento! Eu nunca tinha visto isso, exceto no interior das Igrejas. Minha atenção redobrou. Uma pequena viatura parou diante desta porta: saiu um espectro vestido de chamas. Minha pobre caixa de lápis de cores não poderia me fornecer uma tal riqueza de escarlate.
E o personagem avançava com suas vestes espantosas, como uma nuvem ao crepúsculo, bendizia a massa elevando sobre ela seus dedos longos e delicados.
Eu olhava para seu rosto e meu espanto crescia, porque esta face tinha a palidez morta do marfim; era velha, sulcada de riscos, um montão de nervos, ossos e músculos, com olhos cavos perdidos a sombra; não era feio, era talvez a ruína de uma grande beleza. Uma face tão extraordinária que eu esquecia a bizarra vestimenta escarlate.
Nós passamos e meu pai disse: “sabes quem era? O cardeal Manning”.
Assim, em suas Memórias, Gilbert Keith Chesterton evocou esta aparição, com todo o romantismo reconstituído de sua infância. Este dignitário da misteriosa Igreja Romana parecia-lhe pertencer ao mundo das fábulas. E, entretanto, cerca de meio século mas tarde, na catedral católica onde Manning tinha oficiado e pregado com tanto brilho, seria pronunciação o elogio fúnebre desta criança que, nascida no anglicanismo e transformado em escritor de grande renome, colocou sua verve e sua potência intelectual a serviço da fé católica. Por que caminhos longos e sutis?

CIDADÃO DE LONDRES

Nascido a 29 de maio de 1874, Gilbert Keith Chesterton era de Londres. Em sua família estabelecida em Kensington, o mesmo negócio imobiliário se transmitia de pai a filho havia várias gerações. Menos sólidas que esta empresa familiar, as crenças hereditárias se diluíam em agnosticismo, apesar do respeito às aparências e à forma. O humor de Chesterton tratará um dia, de um excelente homem de suas relações, que do domingo de manhã ao domingo de tarde passeava com o livro de missa ostensivamente debaixo do braço, mas não entrava em nenhuma Igreja! É para dar o exemplo, dizia ele...

Bem ao contrário de uma criança prodígio, Chesterton descreveu com ternura – que não excluiu uma leve e doce ironia – os burgueses da capital, solidamente enraizados em suas profissões, seu bairro, sua honra exata, seu contentamento em ser o que eram, nem mais nem menos. De seu avô paterno, traçou este delicado esboço:

“Era um velho bonito, de cabelos brancos, barba branca, maneiras que lhe conferiam uma solenidade bem em harmonia com os usos e sentimentos de outrora. Ele conservava o velho costume cristão de cantar depois das refeições, e não era raro ouvi-lo cantando pomposas canções, que datavam da época de Trafalgar ou de Waterloo”...

UMA PALAVRA DO AVÔ

Bem diferente, o avô materno. Convertido, Chesterton exprimirá seu reconhecimento para com este Escocês, antigo pregador wesleiano, que não devia querer muito bem à Igreja Romana. Um dia em que jovens filósofos criticavam em sua presença as fórmulas de ação de graças inscritas no Prayer-book, o velho evangelista – tão avançado em idade que quase nunca saía de seu silêncio – pronunciou lentamente estas palavras: “Quanto a mim, agradeceria a Deus por me haver criado, mesmo se soubesse da perdição de minha alma.” Seu neto jamais se esqueceria deste ato de fé tocante, na bondade da vida.

Descobrindo o segredo essencial de sua evolução religiosa, Chesterton confessa em sua Autobiografia que o otimismo que irradia de sua obra, longe de ser uma disposição natural, foi uma conquista sobre a desesperança, como o resultado de um combate vitorioso:

Na verdade, a história de meu otimismo é uma aventura estranha. Mergulhado nos mais profundos abismos do pessimismo contemporâneo, experimentava um sobressalto de revolta; eu queria repelir o demônio, livra-me do pesadelo. Mas enquanto eu refletia, tirando minhas idéias de mim mesmo, sem ajuda filosófica ou religiosa, eu fabricava uma crença mística rudimentar: a idéia de que a vida, mesmo reduzida à sua expressão mais primitiva, era suficientemente extraordinária para ser maravilhosa. Todas as coisas eram magníficas em relação ao nada. Se a luz do dia não era mais que um sonho, era por certo um sonho luminoso e não o pesadelo de uma noite...
De fato, meu estado de espírito aproximava-se do de meu avô, o puritano, quando dizia que agradeceria a Deus por tê-lo criado, mesmo que sua alma se devesse perder. Assim, ligava-me à religião, por tênue fio de gratidão”.

A CRISE JUVENIL

Por volta de seu vigésimo aniversário ocorreu a crise que abalou seu agnosticismo inicial e o encaminhou à conversão da religião anglicana. Ele terminara seus estudos no colégio Sant-Paul. Hesitava entre uma carreira literária e uma carreira artística. Não cessará de manejar o lápis, mas contentar-se-á com ilustrar seus livros com esboços.

De fato, nenhuma vocação se afirma com mais brilho que a sua: ele é polemista nato e, nas reuniões de estudantes, tão parecidos em toda parte, sobressai e se impõe. Acontece-lhe discutir noites inteiras com Cecil, seu irmão, mas moço cinco anos, jornalista também, por vocação.

Sobre esta efervescência intelectual, passa a nuvem sombria: a obsessão do nada. A Autobiografia de Chesterton não é de nenhuma maneira uma confissão pública, cheia de revelações íntimas. Apenas, na recapitulação dos anos passados, todo um período perturbado de sua vida aparece “como ego suicídio espiritual”.

Mas eis que se apresentam os sintomas da cura, os pensamentos que ele anota sobre um caderno. Chesterton está já entregue por completo a estas efusões juvenis que abunda nos temas principais de sua obra. Folheemos este Note-Book tão revelador. Encontraremos – legado espiritual dos ancestrais puritanos – uma ligação espiritual dos ancestrais puritanos – uma ligação sentimental à pessoa de Cristo, independente de toda adesão às verdades reveladas:

“Um homem viveu, há séculos, no Oriente. Eu não posso olhar para uma ovelha, para uma andorinha, para uma açucena, para um campo de trigo, uma vinha, uma montanha, sem sonhar com Ele...”

E eis os primeiros acordes deste hino à virtude da humildade que vai amplificar e ressoar em toda a obra de Chesterton:

“Grande Deus que fazes inclinar o céu e a estrela, inclina para Ti nossos pensamentos altaneiros...”

Ele já compreendeu – o que não é a ordinária compreensão dos vinte anos – que esta virtude era, não o refúgio dos fracos, mas o pão dos fortes, “a descoberta estimulante, o paradoxo elevado do cristianismo”. Sobretudo, estas páginas de juventude encerram já o que é a mensagem essencial de Chesterton: “convicção primordial, quase mística, do milagre que é a existência”.

Sim, é bem um místico – ou quase um místico – por temperamento. Seu ato de adoração antecipa seu ato de fé. Bem antes de aderir ao Credo de uma Igreja, ele se associa ao “élan” do Te Deum, ao hino de gratidão pela permanência do ato criado.

Enquanto sua inquietude o conduz aos teósofos e aos espíritas, uma reação se esboça nele contra a delinqüência de seu tempo. Contra o pessimismo que reina na literatura em voga (paradoxos desabusados de Oscar Wilde, blasfêmia de Swinburne, desespero que leva ao suicídio os personagens de Thomas Hardy), Chesterton forja suas armas das quais a principal é um humor que lhe é próprio e que consiste em lançar, como paradoxos surpreendentes, verdades desprezadas.

COMEÇOS DA CELEBRIDADE

A aurora do século coincide com o início de sua notoriedade. Como não assina mais que suas iniciais em seus artigos no Speaker, perguntam que será G.K.C. A guerra do Transvaal fornece-lhe ocasião de descer à arena.

Torna-se um dos mais fogosos representantes do partido pró-bôer, que recruta um certo número de adeptos entre os intelectuais ingleses, e particularmente entre os católicos e simpáticos. Assim, um religioso anglicano que se encaminha para abjuração, Robert Hugh Bensnon, ousa, em seus sermões, chamar de “pecado” a guerra que os ingleses conduzem contra os Bôers.

Os artigos de Chesterton opõem o imperialismo ao patriotismo, a fugacidade das conquistas longínquas à continuidade da nação. Sua eloqüência, tanto mais calorosa quanto mais fustiga a opinião pública, invoca o dia em que o British Empire se reduzirá a pó: neste dia ainda se encontrarão, diz, homens prontos a morrerem pela Inglaterra.

A filosofia de Chesterton procura fixar os limites que nos impõem a nossa natureza e o nosso destino. Ele é apologista das comunidades pequenas, da vila, da pequena propriedade rural: O homem que trabalha em sua horta, e para quem o desconhecido começa além de sua cerca, é o homem de grandes idéias.”

É também defensor da família, não porque ela seja asilo de paz, muito ao contrário, porque é um campo fechado onde se temperam os caracteres...E a ilha sem recursos de Robinson interessa-o mais que os mares freqüentados.

Enquanto quebra lanças com os seus entusiastas de um Império Britânico indefinidamente crescente – Kipling à frente – Chesterton compõem seu primeiro romance: The Napoleon of Notting Hill (publicado em 1904). Suas idéias pedem imagens, sua filosofia ilustra-se de ficções. Aqui, Chesterton se inspira em um anacronismo: a autonomia administrativa de Londres. A epopéia do quarteirão contra a cidade, de cada quarteirão, cioso de suas tradições e de sua independência, torna-se alegoria do nacionalismo.

CHESTERBELLOC

Frente aos seus adversários, encontrou um irmão de armas que serve às mesmas causas com o mesmo espírito: Hilare Belloc. Foi em 1906, em um restaurante de Soho onde se encontra “a boa comida francesa” que eles se conheceram. Meio que combatia o imperialismo e se declarava a favor dos Bôers. Quatro anos mais velho que Chesterton, este conversador sem par, este lançador de ideias dotadas de potência persuasiva, adquiriu sobre ele uma influência em todos os domínios, inclusive nos da religião. Belloc era católico. Não havia desacordo em sua colaboração. Quando seu adversário Bernard Shaw quis sua pulverizar suas doutrinas, dirigiu seus ataques contra uma dragão de duas cabeças que batizou de “Chesterbelloc”! Bernard Shaw, Wells, Kipling e alguns outros: estes são os profetas do erro que Chesterton enfrenta em seu livro Heretics (1905). Ele os acusa, em resumo, de inventarem novas religiões. Na vaidade das crenças, os super-homens e os gigantes de Shaw e de Wells degradam a medida humana que coincide precisamente a harmonia da cristandade. Ataques rudes, misturados de zombarias, conduzidos com o cuidado de não infligir feridas pessoais. Este combate de pena é justa em que, em uma alegoria de Chesterton, The Ball and the Cross, o cristão e o ateu combatem incansavelmente. De fato – e o que é uma honra para uns e outros – Chesterton contínuo, entretanto, a manter relações cordiais com seus “Heréticos”, Wells e Shaw, sobretudo.

NA FASE DO ANGLO-CATOLICISMO

Heretics é uma refutação (se retirarmos desta palavra o que ela tem de didático), enquanto o livro Ortodoxy, o livro mais importante de Chesterton (1908) – passado de moda mas que surpreende por sua frescura e espontaneidade – quer restabelecer os verdadeiros valores humanos que são ao mesmo tempo, no pensamento do autor, os valores cristãos, especificamente católicos.

Ele confessava que, quanto mais progredia no conhecimento da vida, mais lamentava o desaparecimento da antiga fé católica de seu país. Parece correto dizer que Chesterton passou um só golpe, da descrença à guarda avançada da Alta Igreja Anglicana, ponta extrema bastante próxima do catolicismo pela doutrina e pelo ritual.

Esta primeira conversão se realizou sob a influência de Miss Francês Blogg, que Chesterton se desposou em 1901 – com vinte e sete anos de idade. Sua mulher era anglo-católica praticante e zelosa.

O anglo-catolicismo é uma posição intermediária entre o anglicanismo e o catolicismo, posição que parece à primeira vista desafiar a lógica, mas que se harmoniza com a psicologia anglo-saxônica. Seus adeptos, permanecendo oficialmente desligados de Roma, deploram a dilaceração do cristianismo no século dezesseis; eles sonham com uma reconciliação entre Roma e Cantorbery, sob a forma de uma aliança que salvaria o orgulho nacional.

O anglo-catolicismo vem do Movimento de Oxford, que lhe deu sua organização; mas na realidade, sua origem é ainda mais longínqua – talvez da própria Reforma, que a alma tradicional e religiosa do inglês não aceitou sem reservas. O anglicanismo, fiel aos vestígios que recusava abolir, é um meio-termo que devia provocar em seguida outros compromissos; o mais audacioso, o mais paradoxal, é precisamente o anglo-catoliscimo, inicialmente chamado de Puseyismo, devido ao nome de Eduardo Pusey, o amigo de Newman que tinha recusado imitar sua abjuração (1845), para se dedicar à tarefa de catolicizar o anglicanismo por dentro. Seus discípulos se dedicam a restaurar o uso perdido da confissão, a fundar conventos, e transformar templos em verdadeiras Igrejas, decoradas, preparadas para a celebração do sacrifício essencial: a Missa. Um estudante de Christ Church, Charles Wood – mais tarde Lord Halifax, -- recolhe a herança espiritual de Pusey e continua sua obra que, sob seu impulso, recebeu grande desenvolvimento. Em 1980, a liga presidida por Lord Halifax – a English Church Union – que trabalha neste movimento de retorno para um passado católico, conta com trinta mil pessoas. E Lord Halifax, por intermédio de um Lazarista francês, o abade Portal, entabulará conversações com Roma. Uma comissão de inquérito, formada de teólogos e historiadores, colocou em estudo a questão da validade da ordenação sacerdotal recebida pelos pastores anglicanos e preparou um memorial para Leão XIII. O resultado se revelou desfavorável: a 18 de setembro de 1896, a bula Apostolicae curae proclama a não validade dessa ordenação. Duro golpe para Lord Halifax, mas ele é um paciente que conserva esperança.

Não parece supérfluo relembrar estes fatos, porque é muito significativo que Chesterton se tenha reaproximado dos anglos-catolicos, vários anos antes desta derrota. Ele se engajava em um caminho se saída, mas gostava das causas perdidas. Admirador do mundo medieval exaltado por estes catolizantes, campeão dos corajosos clérigos que combatem a hostilidade da massa protestante e de seu velho grito de guerra: No Popery (abaixo o papismo).

Há rixas nos adros: seguem-se processos. E isto por causa de casulas, círios, alguns grãos de incenso! Mas a massa, insurgida contra o ritual anglo-católico que denomina idolatria, rende assim uma homenagem inconsciente à força dos símbolos.

Chesterton, o combativo, apaixonou-se. Como os santuários levantados por seus novos amigos, seu pensamento também se desligou do protestantismo. Até 1922, ele permanecerá este quase católico, este católico inacabado.

TRABALHO INCESSANTE

E os livros se sucedem em uma cadência de três, de quatro ou mesmo de cinco ou seis por ano. Ficções simbólicas em que o sentido sagrado se mistura curiosamente aos trabalhos de humor (The Man Who Was Thursday, 1908), The Ball and the Cross, 1909; Manalive, 1912); curtas biografias onde Chesterton exerce seu dom de atingir o essencial (Robert Browning, 1903; Charles Dickens, 1906; Willian Blake, 1910, etc.); sobretudo ensaios.

O título de uma coletânea poderia servir a toda sua obra: Waht’s wrong with the world (1910). O que está errado no mundo: eis o que obseca Chesterton. Este sentimento de incoerência, de instabilidade, ele evoca em seus livros, artigos, conferências, com uma insistência que as imagens poéticas salvam da monotonia:

“Parece que a ação de uma feitiçaria aniquilou as roseiras para deixar suspensas no ar rosas, feridas de morte pelo sol, e que subsistem apenas os raios; que, em sumo, o essencial e as causas essenciais estejam perdidas, enquanto permanecem os resultados transitórios e secundários. Sim, a desordem vem de que os campanários e os palácios permanecem intactos, mas privados de suas fundações. Nós sofremos de um mal que ataca unicamente a ossatura.
As aparências estão fora do nosso alcance. Como por exemplo o brilhante espetáculo do casamento: mas o casamento em si mesmo está enfraquecido. E se a aristocracia é conservada, é com esta condição: cessar de ser aristocrática...”

Um mundo que perdeu suas razões de ser, um mundo que as catástrofes rondam. O famoso “otimismo” de Chesterton é relativo: o retorno incondicional ao cristianismo é o único remédio.

Em um de seus clubes onde se reúnem para debates contraditórios, Chesterton é acusado de depreciar muito o presente e de superestimar o passado. Crítica que não é sem motivo. A influência do anglo-catolicismo, posição estática, arcaica, Chesterton deve, talvez, certas paradas de seu pensamento na nostalgia medieval; mas ele se instrui durante todas as controvérsias, a ponto de dizer que verdadeiramente aprendeu o cristianismo na escola de seus adversários.

Tal é a vida sobrecarregada trepidante, mas uniforme, de um escritor, jornalista e conferencista – Chesterton será até editor de seu próprio jornal! Mas, como gosta dele! “O jornalismo, exclamava, é a maior obra anônima depois das catedrais!”

RAZÕES DE UMA CONVERSÃO

Os grandes acontecimentos de uma tal existência passam-se no pensamento. A aventura espiritual de Chesterton, é ter transposto, depois de longas incertezas, o passo decisivo que separa o anglo-catolicismo do catolicismo romano.

Quando lhe perguntavam porque se tinha convertido, respondia laconicamente: “To get rido f my sins: para me desembaraçar de meus pecados”. O Beneditino Father Rice, que recebeu sua abjuração, sublinha este motivo determinante: Ele se tornou católico, nos diz, por causa da ação eficaz da Igreja sobre o pecado. Não é o sentimento de um ilogismo que o desaloja do meio-termo anglo-católica. Mas preocupado com a psicologia que com a apologética, inglês influenciado antes de tudo pelas razões da experiência, Chesterton escolheu a Igreja de Roma porque ele perscruta os mistérios do coração humano, mais profundamente que qualquer outra comunhão cristã, com uma acuidade de intuição sobrenatural que confessava não ter encontrado em nenhum outro lugar em tão elevado grau.

E porque ela possui, da maneira mais autêntica, os ritos purificados que permitem a renovação da alma.

O PADRE BROWN, PADRE DETETIVE

Aquele que contribui muito a firmá-lo nesta convicção de que a Igreja é a única capaz de renovar as almas, é um simples cura de aldeia, Father O’Connor encontrado por acaso em casa de amigos, durante um fim de semana. Um padre apareceu, com ar desajeitado e ingênuo, um enorme guarda-chuva sob o braço, cheio de embrulhos.

Mas, em seguida a um passeio em sua companhia sobre planaltos do Yorkshire, Chesterton verifica que este pequeno eclesiástico inocente, guiado por sua experiência das almas, sabia melhor os segredos do vício e do crime que o mais experimentado policial de Londres. A fantasia de Chesterton inspirou-se em um detetive imaginário, o Padre Brown. O escritor, caricaturando seu aspecto físico, rendia homenagem à santidade do padre que foi seu conselheiro e amigo.

O Padre Brown! Nós vemos se desenhar sua silhueta inesquecível em uma quarentena de contos reunidos em vários volumes (The Innocence of Father Brown). Não são os melhores livros de Chesterton, (quantas bizzarias e coisas inverossímeis!) mas pode ser que sejam aqueles menos envelheceram. Brown aparece no local de um roubo ou de um assassinato. Faz perguntas que parecem absurdas. Ninguém lhe dá atenção; que, esclarecido por um instinto místico, desmascara os atos, as palavras, as fisionomias, as atitudes. Termina por designar os verdadeiros culpados!

ABJURAÇÃO 1922

A história da conversão de Chesterton é pontilhada de encontros decisivos: Frances Blogg, a jovem anglo-católica fervorosa que ele esposa, Hillare Belloc, Father O’Connor.

Notamos também a influência de uma viagem. Foi em 1919. O irmão mais moço de Chesterton, Cecil, jornalista famoso pela violência de suas polêmicas, vítimas da guerra, morreu na religião católica, no hospital de Boulogne-sur-Mer. Chesterton visitou a Palestina, e retornou decidido à abjuração. Escala em Brindisi: entra em um santuário, e , diante de uma pobre imagem de Nossa Senhora, formula uma promessa, que cumprirá, três anos mais tarde.

Dois amigos precederam-no sobre o caminho que ele toma. Foi Ronald Knox, filho de um bispo anglicano, antigo capelão de Trinity College em Oxford, que contou em sua Eneida espiritual as perplexidades que o levaram a sua conversão. O outro amigo, que lhe estenderá a mão na hora decisiva, é o romancista Maurice Baring. Chesterton pinta-o em suas memórias como um alegre companheiro; foi confidente de seus pensamentos graves, e exerceu diretamente seu proselitismo, se podemos julgar por uma resposta de Chesterton a uma de suas cartas, em 1920: “Eu tinha até então pensando que se podia ser anglo-católico e católico por dentro, em seu íntimo. Mas se isto não é mais que permanecer no pórtico, menos ainda um pórtico separado do edifício principal.”

A mulher de Chesterton também sonhava com a conversão, mas não encontrava o caminho “bastante claro”. Suas hesitações não faziam mais que prolongar as de seu marido. A sua coletânea de poemas, The Ballad of the White Horse, uma de suas primeiras obras, assim “A ti que me trouxeste a cruz de Cristo”. Reconhecia assim a parte de sua mulher em seu retórico – ou melhor, em seu acesso à fé.

Em 1922, Chesterton pronunciou sua abjuração; algum tempo depois, sua mulher imitou seu exemplo.

“Tanto quanto um homem possa ter orgulho de uma religião que tem raízes na humanidade, eu sou orgulhoso da minha e muito particularmente do que se detrata sob o nome de “superstição”. Sim, sou orgulho por estar cercado pelos dogmas “vetustos” (assim falam meus confrades em jornalismo!), porque sei bem que são as heresias que morrem, e os dogmas razoáveis são os que vivem bastante tempo para que possam olhar para eles como se fossem antiguidades.”

Ele exprimiu, em termos felizes, o que sente o convertido no momento de entrar na Igreja:

“As pessoas de fora pensam ver o convertido entrar de cabeça baixa em um pequeno templo cujo interior – elas estão convencidas – é guarnecido como uma prisão, ou como uma câmara de tortura. Mas, tudo o que sabem a este respeito, é que ele atravessou uma porta. Não sabem que ele se dirigiu não para uma obscuridade interior, mas para a luz de um grande dia.
Por certo, no último minuto, o convertido tem muitas vezes a sensação de olhar através de uma janela de leproso. Ele olha por uma pequena fenda ou um orifício tortuoso que parece torna-se menor quando o fixa; mas é uma abertura que leva ao altar.
É apenas quando penetra na igreja que descobre que a Igreja é bem maior por dentro do que fora. Ei-lo sob vastas cúpulas, tão abertas como a Renascença, e tão universais como a república do mundo.
Pode dizer então, em um sentido de desconhecimento a todos os homens modernos, certas palavras antigas, cheias de serenidade: Romanus civis sum; eu não sou escravo...”

Chesterton afirma daí em diante, com seu humor alegre e combativo, a fé que possui e professa. Os livros que publicará em seguida retomarão os temas que foram os de suas polêmicas precedentes: absurdo das teorias que admitem um universo sem Criador, ligação ao Cristo, aos valores cristãos, à Igreja. Assim, em The everlasting man (1925), onde mostra em largo afresco o desenvolvimento da idéia religiosa através das civilizações.

A IGREJA CATÓLICA

Sua admiração pela Igreja católica saia muitas vezes de sua pena sobretudo em seu opúsculo The Catholic Church and Conversion:

"A Igreja católica é a única coisa que poupa ao homem a escravidão degradante de ser uma criança de seu tempo. As novas religiões são, na maioria, adaptadas às novas circunstâncias, mas quando as circunstâncias tiveram mudado no espaço de um século, os pontos sobre os quais elas insistem hoje, serão talvez quase sem interesse...
Quando a nova religião semeou seu único campo de aveia, que o vento leva geralmente para longe, ela se torna estéril. Ao contrário, a Igreja católica possui uma grande variedade de riquezas; ela pode fazer uma seleção entre os séculos e salvar uma época por outra. Ela pode fazer apelo ao velho mundo para restabelecer de novo o equilíbrio...
A Igreja defendeu a tradição, em uma época que rejeitava e desprezava estupidamente esta mesma tradição. Mas foi simplesmente porque a Igreja é sempre única a defender tudo o que é, no momento, estupidamente desprezado.
E ela começa já a única campeã da razão no século XX, como foi a única campeã da tradição no século XIX...No meio de todas as filosofias irracionais, a nossa permanece a filosofia racional.”

Longe de esmagar seu pensamento, a Igreja ensina-o a usá-lo melhor:

“Tornar-se católico não quer dizer parar de pensar, mas aprender a pensar. Pela primeira vez, o convertido tem um ponto de partida para pensar correta e seriamente. Pela primeira vez, tem um método para provar a verdade de não importar que questão...
O que chama atualmente de livre pensamento, é apreciado por alguns, não porque seja o pensamento livre, mas porque é a liberação de pensar, a livre ausência de pensamento...”

Por outro lado, ele não é terno para com aqueles que abandonam a Igreja:

“Alguns especialmente entre os jovens, abandonam a prática do catolicismo. Mas nenhum deles o abandona pelo protestantismo.
Eles abandonam por coisas, não por teorias; e quando tem teorias, elas podem ser, por vezes, teorias bolchevistas ou futuristas, mas não são praticamente as teorias teológicas do protestantismo.
Eu não diria que ele abandona o catolicismo pela cerveja e o jogo, porque o catolicismo nunca proibiu, como o protestantismo, estas instituições. Eles abandonam para se darem à boa vida...
Sei que os velhos racionalistas pretendem que sua razão os impeça de retornar à fé, mas é falso: não é a razão, mas a paixão...
Eles sentem, de maneira que não é desarrazoada, que o fato de se colocar face a face com o catolicismo significa tomar responsabilidades que agem constantemente como um freio.”

ÚLTIMOS TRABALHOS

O último período literário de Chesterton é dominado por duas efígies de santos: seu S. Francisco de Assis, e o seu S. Tomás de Aquino, os monges da Idade Média, o gordo e o magro, que opõe em um pitoresco contraste!

Não se preocupe nem a erudição, nem mesmo a narração histórica nestes retratos, desenhados em linhas simplificadas. Em nenhum outro lugar Chesterton manifestou a força de síntese que é o seu dom mais surpreendente. Em seus S. Tomás de Aquino, a intuição genial supera a ciência, de tal forma que um tomista famoso, Ètienne Gilson, podia dizer: “Estudei S. Tomás de Aquino durante toda minha vida, e contudo não seria capaz de escrever um livro como este.

A intenção apologética inspira igualmente estas duas obras. Fazendo alusão a seu próprio itinerário espiritual, escreve nas primeiras páginas de seu livro sobre S. Francisco: “...este volume...dirigi-se unicamente àquela parte do mundo moderno que pode admirar S. Francisco, mas aceitá-lo mal, ou que pode aceitar o santo, com exclusão por assim dizer, da santidade.
E meu único direito de tentar esta tarefa, é que tenho, de minha parte, conhecido por muito tempo esta atitude, sob formas diversas. Milhares de coisas que agora compreendo em parte, pensei que fossem totalmente incompreensíveis; muitas coisas que agora considero sagradas, teria banido como simples superstições, muitas coisas que me parecem límpidas e luminosas, hoje que estão esclarecidas dentro de mim, tê-las-ia, de boa fé, tratado com obscuras ou bárbaras quando as via de fora, nos dias longínquos de minha infância, onde a glória de S. Francisco de Assis inflamou, pela primeira vez, minha imaginação...
...A figura de S. Francisco eleva-se sobre uma espécie de ponte que liga minha infância e minha conversão e muitas outras coisas...”

FIM DE UMA VIDA

Como os anos Chesterton tornou-se um colosso obeso que divertia – embora se tratasse de uma verdadeira enfermidade – com sua corpulência e seu peso, o olhar azul brilhando atrás de um “lorgnon” de ouro, trajos negligentes, excêntricos e célebre por suas distrações. O que ele diz de Dickens convém a si mesmo: “'”.

Um gigante que assesta duros golpes, mas sem despertar animosidades.

Quando entra em uma peça, acende seu charuto, começa a beber uma xícara de café, nota-se que esboça um sinal da cruz, marcada da gratidão para com a criação contínua. Este gesto original lembra seu ponto de partida espiritual: este Credo de encantamento que se encontra na origem de sua conversão. Ele não esquece nunca que tudo que existe pode ser, de um instante para outro, mergulhado no nada. E as estrelas lhe aparecem como jóias, perpetuamente salvas de um naufrágio. Gasto por um trabalho excessivo, coração doente, Chesterton falece subitamente, sem sofrimento, a 14 de junho de 1936. sobre os lábios do moribundo, captaram estas palavras premonitórias: “Um combate se engajou...trevas e luzes... Qual será o resultado?”

Os mortos vão rápido, e é o destino dos polemistas, passar ainda mais depressa. O que resta de inalterável na obra de Chesterton, é menos o detalhe que um ritmo geral, um impulso, o dinamismo mesmo que liga a seu nome, uma explosão de alegria sobrenatural, um hino à vida dada por Deus.

BIBLIOGRAFIA

O trabalho de Cheterton é muito grande para que enumeremos aqui todas as suas obras.
Eis as principais, traduzidas em francês:

Charles Dickens, Paris 1906, (Delagrave) – Héretiques, Paris, 1930. (Plon) – L’Homme éternel, Paris, 1927, (Plon) – Napoléon de Notting Hill, Paris, 1912, (Edições da Nouvelle Revue Française) – Orthodoxie, Paris, 1923, (Rouart et Watelin) – La Sphere et la Croix, Paris, 1921. (Cres) – Saint François d’Assie, Paris 1925, (Plon) – Sant Thomas d’Aquin, Paris, 1935, (Plon) – Ce qui cloche dans le monde, Paris 1948 (Gallimard) – La sagesse du père Brown, 1936 (Gallimard) – Poèmes choisis (Introdução e tradução da senhora E. M. Dennis-Graterolle) (cahiers dês Poetes catholiques, Paris-Bruxelles, 1938) – L’Eglise catholique et la conversion (Bonne Presse 1952).

Sobre Chesterton:

Antes de tudo, sua história contada por ele mesmo Autobiography (Londres 1937), traduzida em fracês sob título; L’Homme à la clé d’or – Autobiography (Paris 1939, desclée de Brouwer).

A biografia verdadeiramente completa é a de Maisie Ward: Gilbert Keith Chesterton (New York, 1943 – Londres, 1944).

Entre os numerosos ensaios críticos, mencionamos J. de Tonquédec, Chesterton, suas idéias e seu caráter (Paris, 1920) e o notável estudo de André Chevrillon: Une Apologie du Christianisme (escrita em 1909), publicada mais tarde em Lês Nouvelles études anglaises, 1918, e que parece ter sido a primeira ou uma das primeiras revelações de Chesterton ao público francês.

Em português; – O homem que era Quinta-feira – Ed. AGIR, 1957.

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*Capítulo retirado da obra “Convertidos do Século XX”, de F. Lellotte S. J., Ed. AGIR - 1960, P. 139-152.

** Sócia das Gens de Lettres e membro do júri Femina, Agnes de La Gorce publicou muitas obras de grande valor literário, orientadas para a História e a Psicologia religiosa. Ela é filha do historiador e acadêmico Pierre de La Gorce. Entre suas obras citamos: Robert Hugh Benson, prêtre et romancier; trouve la joie; saint Benoit Labre (Plon); Wesley, maitre d’um peuple (Albin Michel). O mais recente e o mais importante: Camisards et Dragons du roi (Albin Michel).

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Compreenda o que é o gramscismo e marxismo cultural

"As duas últimas décadas conheceram, todavia, uma evolução importante na ideologia (a praxis) do marxismo. Trata-se da obra que o marxista Antônio Gramsci (1891-1937) escreveu durante seus útimos anos nos cárceres da Itália fascista. Nela se da uma moderação das tesis rigorosas do materialismo histórico com fins mais táticos. Para Gramsci as idéias e crenças não são simples emanação passageira da economia, se não que possuem uma realidade que constitui a cultura em que cada homem e cada povo vive imerso.

A idéia propulsora do pensamento gramsciano é a de que Revolução nunca se realizará verdadeiramente enquanto não se produza de um certo modo orgânico e dialético dentro do que  Gramsci chama uma cultura, que é o que haverá que desmontar e substituir ao próprio tempo que se utiliza. Se a revolução brota de um ato violento ou de uma ocupação militar, sempre será superficial e precária, e se manterá assim mesmo em um estado violento. O homem não é uma unidade que se justapõem a outras para conviver, se não um conjunto de inter-relações ativas e conscientes. Todo homem vive imerso em uma cultura que é organização mental, disciplinada através de uma autocrítica, que será motor de mudança. A vida humana é um emaranhado de convicções, sentimentos, emoções e idéias; ou seja, criação histórica e não natural. Daí o interesse de Gramsci pelo cristianismo ao que considera germe vital de uma cultura histórica que penetra na mente e na vida dos homens, suas reações profundas. Será preciso, para que a revolução seja orgânica e “cultural”, adaptar-se ao existente e, pela via da crítica e a autoconsciência, desmontar os valores útimos e criar assim uma cultura nova. O aríete para essa transformação será o Partido, vontade coletiva e disciplinada que tende a fazer-se universal. Sua missão será a infiltração na cultura vigente para transformá-la em outra nova materialista, a margem da idéia de Deus e de tudo de valor transcendente.

Sua arma principal será a lingüística (a gramática normativa) que penetre na linguagem coloquial, alterando o sentido das palavras e suas conotações emocionais, até crer em quem fala uma nova atitude espiritual. Se se muda os valores, se modifica o pensamento e nasce assim uma cultura distinta. O meio em que esta metamorfose pode realizar-se é o pluralismo ideológico da democracia, que deixa indefeso o meio cultural atacado. Porque, nela só existem “opiniões” e todas são igualmente válidas. Esse trabalho se alcançará atuando sobre os “centros de irradiação cultural” (universidades, foros públicos, meios de difusão, etc.) nos que, aparentando respeitar sua estrutura e ainda seus fins, se inoculará um criticismo que lhes leve a sua própria autodestruição. Se se consegue infiltrar a democracia e o pluralismo na própria Igreja (que tem nessa cultura o mesmo papel reitor que o Partido na marxista), o êxito será fácil. A democracia moderna será como uma anestesia que impossibilitará toda reação no paciente, ainda quando esteja informado do sistema que está sendo penetrado em sua mente.

Esta é a revolução cultural, meta principal do atual marxismo, e movimentos como Cristiano para el socialismo e outros semelhantes que desejam o que se tem chamado autodemolizione da Igreja.

Traduzido do espanhol pelo Amigo  da Cruz.
CIUDAD, Rafael Gambra. Historia sencilla de la filosofia, Madrid: Rialp. 22 ed., 1997, p. 212-214

sábado, 4 de setembro de 2010

Oração, frases, Biografia, fotos, vídeo e sites sobre Pier Giorgio Frassati

Pier Giorgio Frassati

Oração a Deus, com a intercessão do Bem-aventurado Pedro Jorge Frassati

Pai Celeste, nós vos agradecemos pela vida do Bem-aventurado Pedro Jorge Frassati, cujo zelo pela vida e o comprometimento à sua fé estavam unidos ao amor pelos pobres, doentes e necessitados. Que nós possamos imitar esta caridade alimentada pelo seu amor à Eucaristia, devoção à Nossa Santa Mãe e uma confiança inabalável em Vós, Pai.
Graças a seu testemunho comprometido de alegria e verdade; e fortalecido pelo Espírito Santo, Pedro Jorge viveu a vida como maravilhosa aventura provando que a santidade é possível a todos. Que nós possamos também, através de suas orações e testemunho do Evangelho, viver uma vida que alcance o alto! Nós vos pedimos por Cristo, nosso Senhor, Amem.

Bem-aventurado Pedro Jorge Frassati, rogai por nós.

Oração pela Canonização de Pedro Jorge

Ó Deus misericordioso, que em meio aos perigos do mundo
conseguistes preservar por Vossa graça o Vosso servo Pedro Jorge Frassati puro
de coração e ardoroso na caridade, escutai, nós Vos pedimos, às nossas orações e, se for de Vossa vontade que ele seja glorificado pela Igreja, mostre-nos o Vosso querer, nos dando as graças que Vos pedimos, por sua intercessão. Pelos méritos de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.”

Imprimatur, 1932 + Maurillo, Arcebispo de Turim


 FRASES E TRECHOS SELECIONADOS

“Jesus vem a mim a cada manhã na Santa Comunhão e eu O retribuo de uma maneira pequena visitando os pobres” (disse Pedro Jorge a um amigo)

“Ele testemunha que a santidade é possível para todos...Esforçai-vos para conhecê-lo! Eu confio vosso compromisso missionário a ele” (João Paulo II)
Se meus estudos permitirem, quero passar dias inteiros nas montanhas, contemplando naquele ar puro a grandiosidade do Criador” (carta a Marco Beltramo, 6 de agosto de 1923)

Impressionada, as pessoas viam esse jovem nas ruas de Turim  ajudando os pobres a procurar uma casa; puxando carroças cheias com seus pertences”.

Quando um amigo o perguntou como ele podia agüentar os odores e a sujeira das favelas, ele respondeu: “Nunca esqueça que mesmo sendo a casa miserável, você está se aproximando de Cristo. Em meio aos doentes e desafortunados, vejo uma luz peculiar, uma luz que não temos.

Viver sem uma fé, sem um patrimônio para defender, sem um esforço constante, pela verdade, não é viver mas somente existir.” (carta a I. Bonini, 27 de fevereiro de 1925)

Não são aqueles que sofrem violências que devem temer, mas aqueles que as praticam. Quando Deus está convosco, nós não precisamos ter medo.”

A fé dada a mim no batismo me sugere com uma voz segura: Por suas próprias forças, você nunca fará nada, mas se você tiver Deus como centro de suas ações, então sim, você alcançará o objetivo.” (carta a I. Bonini,, 15 de janeiro de 1925)

Na oração a alma se eleva acima da tristeza da vida.” (uma dedicação em um livro dado por Pedro Jorge a um amigo)

Quanto mais alto formos, melhor nós ouviremos a voz de Cristo.”

Nós costumávamos visitar os leprosos do Hospital de São Lázaro – nos deparamos com um jovem, 20 anos, cuja face estava destroçada pela lepra...temos o dever de colocar nossa saúde a serviços daqueles que não a tem; pois agir de outra forma seria trair o dom de Deus e de Sua bondade.” (T. Vigna, amiga de Pedro Jorge)

Eu não hesitaria em dizer que o segredo da perfeição espiritual de Pedro Jorge deve ser encontrado em sua devoção a Maria...Nunca se passou um dia sem que ele estivesse aos pés de sua Mãe celestial com seu terço, sua oração favorita, entrelaçado em seus dedos...” (Marco Beltramo, amigo de Pedro Jorge)

Eu suplico a vocês com toda a força da minha alma que se aproximem da Mesa Eucarística tanto quanto possível” (Aos jovens católicos de Pollone, 1923)

Eu também amei assim” (Pedro Jorge sofreu por não ter conseguido concretizar seu amor por uma garota em particular e teve que entregar isso a Deus)

E peço que reze para que Deus me dê a força cristã para suportar tudo isso serenamente e que Ele a dê toda alegria terrena e a força para finalmente alcançar o fim para o qual fomos criados.” (de uma carta a I. Bonini, 28 de dezembro de 1924)

Na vida terrena, depois dos pais e das irmãs, uma das mais bonitas formas de afeição é a amizade.” (carta a I. Bonini, 10 de abril de 1925)

Você me pergunta se eu sou feliz. Como não poderia ser, enquanto minha fé  me der força...pois o sofrimento é algo bem diferente da tristeza, que é a pior doença de todas. É quase sempre causada pela falta de fé”. (Carta à sua irmã Luciana, 14 de fevereiro de 1925)

Verso l’alto – “Em direção ao alto” (frase profeticamente escrita por Pedro Jorge atrás de uma foto poucas semanas antes de morrer. Esse tornou seu lema.)

“A glória de Deus é o homem completamente vivo” (Santo Irineu. Adv. Haeres 4, 20)

Luciana Frassati se recorda que, nas útimas horas de sua vida, Pedro Jorge “mal conseguia falar, mas um traço de vida permanecia em seus olhos, que estavam fixos na face de Nossa Senhora.”

O dia de minha morte será o dia mais bonito da minha vida.” (falado rotineiramente por Pedro Jorge)

o melhor homem do mundo está morto” (do diário de Alberto Falcheti um menbro italiano do parlamento quando Pedro Jorge morreu)

Oração e contemplação, silêncio e recepção dos sacramentos deram o tom e a substância para seus variados apostolados; e  sua vida, animada pelo espírito de Deus, é transformada em uma aventura maravilhosa.” (Papa João Paulo II – Roma, 20 de maio de 1990)



 BIOGRAFIA

Os que pensam que os santos são pessoas tímidas e solitáras, que desprezam esta vida só pensando na outra, ficarão surpreendidos diante da figura do beato Pedro Jorge Frassati.

Verdadeiro brincalhão, apelidado de “Robespierre” por seus amigos, com quem formou a associação denominada “Tipi Loschi”, os tipos de arruaceiros. Frassati foi um amigo dos pobres e via neles o Cristo. São especialmente os jovens, que, em sua busca por um modelo, encontram alguém com quem se identificar. Pedro Jorge fez de sua curta vida uma “aventura maravilhosa”.

Pedro Jorge Frassati nasceu em Turim, Itália, em 6 de abril de 1901. Sua mãe, Adelaide Ametis, era pintora. Seu pai, Alfredo, agnóstico, foi fundador e diretor do jornal liberal “La Stampa”. Homem influente entre os políticos italianos, desempenhou também os cargos de Senador e Embaixador da Itália na Alemanha.

Pedro Jorge estudou em casa antes de ingressar em uma escola estatal junto com sua irmã Luciana, posteriormente freqüentou uma escola dirigida por jesuítas. Ali se associou à Congregação Mariana e ao Apostolado de Oração, chegando a comungar diariamente.

Pedro Jorge desenvolveu uma profunda vida espiritual que nunca deixou de compartilhar com seus amigos. A Santa Eucaristia e a Virgem Maria foram pólos de seu mundo de oração. Aos 17 anos de idade, em 1918, ingressou na Sociedade São Vicente de Paulo e dedicou a maior parte de seu tempo livre ao serviço dos doentes e necessitados, cuidando dos órfãos e dos soldados da primeira guerra mundial que voltavam para suas casas. Decidiu se graduar em engenharia mineral na Universidade Politécnica de Turim, com a finalidade de “servir melhor a Cristo entre os mineiros”, como expressou a um amigo.

Mesmo seus estudos, que considerava sua prioridade, não o apartaram da sua inflamada atividade social e política. 1919 se associou à Federação de Estudantes Católicos e à Ação Católica. Diferenciando-se das idéias políticas de seu pai, chegou a ser membro verdadeiramente ativo do Partido Popular, que promoveu os ensinamentos da Igreja Católica embasados nos princípios da “Rerum Novarum”. Também concebeu a ideia de unir a Federação de Estudantes Católicos à Organização Católica de Trabalhadores. “A caridade não basta: necessitamos de uma reforma social”, costuma dizer trabalhando para ambas.

Os pobres e os sofredores eram seus donos e ele foi para eles um verdadeiro servo, vivendo essa ocupação como um privilégio. Em Pedro Jorge, a caridade não consistia só em entregar algo para os demais, mas, antes em se entregar a si mesmo por  inteiro. Essa caridade se sustentava diariamente com Jesus Cristo Eucaristia, com a freqüente adoração noturna, com a meditação do hino da caridade de São Paulo e com férias na casa de verão da família Frassati, no vilarejo de Pollone, já que “Se todos saem de Turim, quem vai se encarregar dos pobres?”.

Pedro Jorge era um entusiasta esportista: um dos seus esportes favoritos o alpinismo.
As excursões que organizava com seus amigos, os “Tipi Loschi”, eram para ele uma ocasião concreta de apostolado.

Costumava ir ao teatro, à ópera e aos museus: amava a arte, a música e proclamava versos inteiros de Dante. Os veementes sermões de Savaranola e os escritos de Santa Catarina de Sena o impulsionaram a ingressar em 1922 na Terceira Ordem Dominicana. Quis se chamar Jerônimo, como o missionário dominicano e reformador do Renascimento florentino, Jerônimo Savanarola. “Sou um fervoroso admirador desse frei, que morreu como santo na fogueira” escreveu um dia a um amigo.

Tal qual seu pai, foi um vigoroso antifascista e nunca escondeu suas idéias políticas. A princípio se viu envolto em disputas contra os anticlericais, comunistas primeiro e fascista depois. Ao participar de uma demonstração organizada pela Igreja em Roma, sofreu a violência e foi preso pela polícia.

“Em Píer Giogio vemos o homem das oito bem-aventuranças, que traz consigo a graça do Evangelho, da alegria da salvação oferecida pelo Cristo”. João Paulo II.

Seu funeral foi um triunfo, as ruas da cidade se encheram de gente que chorava sem consolo e que sua família não conhecia: eram os pobres e necessitados que ele havia atendido sem desânimo durante sete anos; muitos deles ficaram surpreendidos ao se inteirarem de que o jovem que conheciam pertencia a uma família tão poderosa. Numerosos peregrinos, em especial jovens estudantes, vão ao túmulo de Pedro Jorge para solicitar favores e coragem para seguir seu exemplo. Em 1982, como última etapa do Processo Apostólico, foram exumados seus restos mortais, encontrando-se o corpo de Pedro Jorge intacto, com um sorriso iluminado.

O  Papa João Paulo II, depois de ter visitado seu túmulo em Pollone, em 1989 disse: “Quero render homenagem a um jovem que soube ser testemunho de Cristo com singular eficácia no nosso século. Eu também conheci, na minha juventude, a benéfica influência de seu exemplo cristão”.

Em 20 de maio de 1990, na Praça de São Pedro, diante de dezenas de milhares de fiéis, o Papa João Paulo II beatificou Pedro Jorge Frassati, considerando-o como “O Homem das oito Bem-Aventuranças”. Seus restos mortais foram trasladados do túmulo da família Frassati em Pollone para Catedral de Turim.

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Retirado do folhetim entregue aos jovens reunidos na Jornada Mundial da Juventude em Sidney, Austrália, no ano de 2008. O mesmo possuía autorização da Associazione Píer Giorgio Frassati

FOTOS

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