quarta-feira, 13 de abril de 2022

Jacques Fesch - Diário - TUDO VER À LUZ DA PAIXÃO DE JESUS

Quem foi Jacques Fesch? Parece um enredo fictício de livro ou filme de drama; a história, porém, é real. Você não será o mesmo-eu garanto - após ler a vida e o diário de Jacques Fesch. Este jovem, rico, bonito, com futuro promissor, ver-se-ia preso nas teias das seduções mundanas (dinheiro, sexo, bebidas, prazeres) e insatisfeito com tudo e consigo, comete uma loucura tão propensa aos jovens... Fesch nasceu em 1930, em Saint Germain-en-Laye, uma cidade nos arredores de Paris. Casou-se com Pierrette Polack e teve uma filha, a linda Verônica. Porém, teve outro filho fora do casamento, chamado Gerard Fesch. Frustrado com sua vida, deseja se lançar em uma aventura: viajar pelo mundo em um veleiro. Para isso, pede dinheiro aos seus pais, que lhe recusam devido à sua irresponsabilidade. Com alguns amigos, planeja um assalto; seus amigos, porém, o abandonam no meio do ato e ele se vê desnorteado; ataca o dono da loja e, na fuga, acerta um tiro em cheio no coração de um policial. A pressão política e social foi enorme. Todos queriam sua condenação. Aos 27 anos, Jacques se vê condenado à morte por guilhotina. Na prisão é atendido por um advogado católico. Jacques debocha de sua Fé. Sua esposa que havia sido abandonada o visita e vê que, ao longo dos dias, sua fisionomia e estado de espirito vão mudando. Fesch de súbito converte-se! Ele teve uma graça extraordinária. Seu diário relata exatamente isso. Acreditamos que a vida de Jacques Fesch possa servir para mudar corações que passam por momentos de fraquezas e tristezas. Este é o nosso desejo!

Para comprar: Amazon  ; Livraria Benedictus


A Editora Santo Thomas More nos autorizou a publicar esse trecho.


TUDO VER À LUZ DA PAIXÃO DE JESUS

Sexta-feira, 13 de setembro

 

Meditei muito na Paixão esta manhã e dela tirei muitas forças. Aliás, importa notar que me aproximo um pouco mais de Jesus Crucificado, pois também eu, embora inteiramente indigno, vou ter a graça de viver o meu pequeno Gólgota. Quando vejo que eles escarraram em Cristo e lhe deram bofetadas, eu me vejo nas mãos dos agentes a receber pancadas e escarros, e compreendo melhor os sofrimentos de Jesus. A justiça, e as estiradas oratórias, as indignações fictícias dos mercenários a soldo do diabo que se chama dinheiro, publicidade e oportunismo, fazem-me pensar em Caifás a rasgar as suas vestes para manifestar sua indignação! Bem entendido que eu sou, culpado e em nada me pretendo pôr em paralelo com Jesus. Só que, quem compreenderá melhor a crucifixão e todas as dores que ela implica, do que o bom ladrão que estava pregado no madeiro ao lado do meu Salvador? E para quem Jesus Cristo veio, na realidade? É preciso não esquecer que o primeiro eleito foi um bandido, executado como tal, e que os bem-comportados ou os que se julgam como tais, se viram tratados por sepulcros caiados de branco por fora e podres por dentro e por outras coisas do gênero! Que dizer, então? Que é preciso ser um criminoso para ser um eleito? De modo algum! Só que este mesmo pária que pecou, muitas vezes sem ter toda a responsabilidade dos seus atos, encontrará no seu arrependimento e no sofrimento, e sobretudo na consciência da sua miséria, um caminho mais direto para chegar ao Coração de Jesus. O bem-comportado, esse se contentará com o pouco e, julgando-se justo aos olhos da sociedade, será persuadido de que será julgado da mesma forma por seu Pai Celeste.

“Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós somos fracos e vós fortes; vós nobres, e nós desprezíveis. Até esta hora, sofremos fome, sede e nudez; somos esbofeteados, andamos vagabundos, e cansamo-nos a trabalhar com as nossas mãos. Amaldiçoados, bendizemos; perseguidos, suportamos; difamados, consolamos. Tornamo-nos como o lixo do mundo, a escória de todos até agora” (1 Coríntios 4, 10-13).

No fundo de mim mesmo, sinto com intensidade toda a injustiça e estupidez dos juízos humanos. Muitas vezes gostaria de dar livre curso aos meus rancores, demonstrar a vaidade e a presunção dos que se atrevem a julgar; e imediatamente, vejo o próprio Jesus, o amor feito homem a sofrer, sem uma única palavra, os piores ultrajes, as piores injustiças e engulo a minha raiva, entregando toda a justiça às mãos do meu Deus, e alegrando-me por eu mesmo ter também qualquer coisinha a oferecer, em reparação dos pecados. É simplesmente necessário que eu me prepare para bem morrer, que não resista em nada à Vontade de Deus e que abandone toda a preocupação, todo o temor, nas mãos de Jesus, que me conduzirá “Sem que meu pé choque com a pedra” do redil celeste, em que as pastagens são tão abundantes. Que força não tiraremos então de Jesus crucificado?

“A própria inocência foi condenada à morte, como responsável de crimes odiosos; o salvador de Israel e do mundo foi proclamado, a face de todos, um perigo e uma ruína por aqueles que mais O deviam amar! Ó lição formidável para o orgulho da razão humana! Ó consolação inefável para as almas que se sentem esmagadas sob o peso da injustiça, da calúnia e da perseguição! Haverá porventura um momento mais próprio para repetir, com o Príncipe dos Apóstolos de joelhos, diante do Mestre abandonado: “A quem iremos nós, para encontrar a luz e a força, uma vez que só vós tendes palavras de vida eterna?” (São João 6, 68).

Cada ato, cada momento da minha execução e de seus preparativos, devo relacioná-los com Jesus. Que bela imitação a fazer! A longa expectativa, sozinho na noite, será a minha agonia no Jardim das Oliveiras; os preparativos, o caminho para o Calvário e, enfim, o instrumento de morte... Jesus conheceu a angústia, eu também a conheci; mas estou certo de que, aconteça o que acontecer, o próprio Jesus me dará a força para vencer toda essa angústia. E como é que Jesus sofreu?

“Agora, diz Ele, a minha alma está perturbada”. Por consequência, será que um véu lhe caiu dos olhos, mostrando-lhe toda a profundeza do abismo em que iria cair? A resposta não é difícil, por pouco que se reflita. Até esta hora, a morte estava à distância: agora, estava ali mesmo à mão, para se apoderar da sua vítima, e o frio do seu hálito enregelava a fronte de Jesus. Ele não teria verdadeiramente sido homem, se não tivesse impressionado tanto, quanto as circunstâncias da sua imolação se apresentavam ao seu espírito com essa particular clareza que provoca a aproximação da última hora. Sem esforço algum para as definir, Ele mesmo via ou antes, as adivinhava a todas e cada uma delas ao mesmo tempo, assaltado como que por um voo de aves fúnebres cujos gritos e agitações eram para Ele uma fadiga insuportável. A morte aí estava: sem nunca a ter receado, é natural que estremeça com a sua aproximação e que se sinta com uma verdadeira pena ou dificuldade, pela grande confusão com que se lhe apresenta. E como nota São Jerônimo: “Se Ele não tivesse tido essa emoção tão natural ao homem, não teria sido suficientemente experimentado a realidade da sua Encarnação”. Por isso se perturbou sem medida por quatro paixões diferentes: pelo aborrecimento, pelo temor, pela tristeza e pelo definhamento. O aborrecimento lança a alma numa certa pena e mesmo dor que faz com que a vida seja insuportável e que todos os momentos sejam difíceis de suportar; o temor apavora a alma até as suas profundezas, pela imagem de mil tormentos que a ameaçam; a tristeza cobre-a com um espesso véu, que faz com que tudo lhe pareça uma morte; e, enfim, esse definhamento, esse fracasso é uma espécie de acabrunhamento e como que um desalento de todas as forças. Eis o estado do Salvador das almas, no Jardim das Oliveiras! Todos os estremecimentos da nossa carne, todas as agitações do nosso espírito, sentiu-os o próprio Jesus Cristo, com a única diferença de que a sua razão se não deixará perturbar, e a emoção, por violenta que tenha sido, jamais conseguirá dominar-lhe a vontade”.

De momento, eu não sofro de forma alguma, por saber a morte tão próxima; vivo apenas o momento presente. Quando o tempo vier, será provavelmente necessário que eu beba na angústia o cálice inteiro.

Instagram: editorathomasmore

terça-feira, 12 de abril de 2022

Beato Tito Bradsma - um servo de Deus no campo de concentração nazista

Beato Tito Brandsma

Nasceu em Bolsward, Holanda, em 1881. Filho de uma família católica. Devoto fervoroso de Nossa Senhora, decide entrar na Ordem do Carmo. Ordena-se em 1905. Inteligente e sempre dedicado aos estudos, ele revela uma admirável vocação para o jornalismo. Escreve artigos para jornais e revistas. Em Roma, doutora-se em filosofia e Sociologia. Ao voltar para a Holanda, torna-se professor, escritor, pregador e editor de revista. Em 1932, é eleito Reitor da Universidade Católica de seu País. Escreve o livro “Exercícios Bíblicos com Maria para chegar a Jesus”, um pequeno tratado de Mariologia. Esta publicação é fruto de suas orações e meditações que ele jamais descuidava, apesar de sua intensa atividade apostólica: missões, união das igrejas, escola e educação católica, meios de comunicação.
Os problemas começaram quando os nazistas invadem a Holanda, em 1940. Na época, Frei Tito era Presidente da União dos Jornalistas Católicos. Protestou corajosamente contra a invasão. Foi preso dia 19 de janeiro de 1942. Passou pelos presídios de Scheveninguem, Amersfoort, Kleve e Dachau. Foi espancado, submetido à fome e ao frio. Nos interrogatórios deu testemunho de fé, de suas convicções católicas em defesa da justiça. Foi um exemplo de ânimo, de paciência até para aqueles que eram inimigos de sua religião. Seu corpo serviu de cobaia para experiências bioquímicas. Esteve em estado de coma durante dois dias. Antes de morrer, exclamou: “Faça-se a Tua vontade, não a minha”. Faleceu a 27 de julho de 1942, aos 61 anos. Foi beatificado dia 3 de novembro de 1985, pelo Papa João Paulo II.

Oração feita diante da imagem de Cristo na prisão

“Ó Jesus, quando te contemplo,
Eu redescubro, a sós contigo,
Que te amo e que teu coração
Me ama como a um dileto amigo.

Ainda que a descoberta exija
Coragem, faz-me bem a dor:
Por ela me assemelho a ti
Que ela é o caminho redentor.

Na minha dor me rejubilo:
Já não a julgo sofrimento,
Mas sim predestinada escolha
Que me une a ti neste momento.

Deixa-me, pois, nessa quietude,
Malgrado o frio que me alcança.
Presença humana não permitas,
Que a solidão já não me cansa,

Pois de mim sinto-te tão próximo
Como jamais antes senti.
Doce Jesus, fica comigo,
Que tudo é bom junto de ti”.

Esta oração foi escrita por Frei Tito, na passagem do dia 12 para 13 de fevereiro de 1942, na prisão de Scheveningen. Tradução de Lacyr Schettino, terceira carmelita.
Fonte: FradesCarmelistas

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Obra de Deus: abelhas fazem mel em ícones

Abelhas do senhor, bendizei o Senhor

🐝🍯As abelhinhas fizeram mel, mas não em cima dos rodos dos ícones.


Um apicultor grego decidiu colocar um ícone de Jesus Cristo em uma de suas colmeias. Depois de um tempo, quando abriu a colmeia, ficou maravilhado.

As abelhas mostraram grande reverência pela imagem sagrada. Elas cobriram todo o ícone com cera, exceto a parte onde o rosto e o corpo de Cristo estão representados.

Depois de ver isso, toda primavera Timinis decidiu colocar os ícones do Salvador, da Mãe de Deus e dos santos, e o resultado é sempre o mesmo - as imagens permanecem intactas.

Certa vez, ele colocou um ícone representando o Gólgota com as três cruzes. As abelhas cobriram toda a superfície do ícone com cera, deixando uma visão clara da cruz na qual Cristo foi crucificado e o ladrão arrependido pintado à direita. E o ladrão da esquerda está coberto com uma espessa camada de cera, diz Isidoros.

E a última vez que o apicultor grego deixou o ícone de Santo Estêvão e as abelhas novamente prestaram seus respeitos.

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sexta-feira, 1 de abril de 2022

Universidade segundo o Cardeal Newman

Se me pedissem uma descrição breve e popular do que seja um Universidade, derivaria minha resposta da antiga designação, Studium Generale, ou “Escola de Conhecimentos Universais”. Esta descrição supõe a reunião de estrangeiros de todas as procedências em um lugar: de todas as procedências, do contrário, como se encontrariam professores e estudantes para todos os departamentos do saber? E num lugar, senão como poderia haver realmente uma escola? Consonantemente, em sua forma simples e rudimentar, é uma escola de toda sorte de saber, contando com professores e mestres de todos os quadrantes. Muitos são os requisitos para completar e satisfazer a ideia incorporada nesta descrição; porém sem mais vemos que uma Universidade em sua essência parece ser um lugar para a comunicação e circulação do pensamento, mediante a comunicação pessoal, dominando uma vasta extensão do país.

Nada há de rebuscado e irrazoável nesta nossa concepção assim apresentada. E se tal é uma Universidade, pois então a Universidade vai bem de encontro a uma necessidade de nossa natureza, e não é mais do que a concretização num determinado setor, do que poderia tornar outras formas em outros para prover à mesma necessidade, pois a educação mútua, no sentido lato da palavra, é uma das grandes incessantes ocupações da sociedade humana, a que o homem se entrega já de per si, já intencionalmente um geração forma a seguinte; e a geração existente está perpetuamente agindo e reagindo sobre si própria na pessoa de cada membro. Neste processo educativo, não será preciso dizer, que os livros, a Littera Scripta, são um dos instrumentos.

[...] O campo e o inestimável serviço da Littera Scripta, é o de ser o arquivo da verdade, uma autoridade a que se apelar, um instrumento de ensino nas mãos de um professor; mas se queremos ser exatos e nos torna plenamente equipados em qualquer ramo do conhecimento que seja variado e difícil, temos que consultar o homem vivo e ouvir a sua viva voz.

[...] Livro algum poderá carrear o espírito peculiar, e as delicadas particularidades do seu tema com a rapidez e a certeza que animam a simpatia de uma mente com a outra, através do olhos, da expressão, da tonalidade, da maneira, nas fórmulas casuais saída de improviso e os giros espontâneos da conversação familiar.

[...] Os princípios gerais de qualquer matéria podem ser estudados em casa num livro; mas o por menor, a cor, o tom, o ar, a vida que a faz viver em nós, temos que captar tudo isso daqueles em que já está vivendo. Temos que fazer como o estudante francês ou alemão, que não contente com sua gramática, vai a Paris ou Dresden; ou como o jovem artista ansioso por visitar os grandes mestres em Florença e em Roma. Enquanto não se houver descoberto um espécie de fotografia intelectual que retrate o andamento do pensar, e a forma, os lineamentos, as feições da verdade e isto tão completa e minuciosamente como o aparelho ótico reproduz o objeto sensível; não há senão ir aos mestres da sabedoria para aprender a sabedoria, senão recorrer à fonte e daí beber. Doses podem ir daqui aos confins da terra levado por livros; mas a plenitude está só num lugar (: a Universidade). Os mesmo livros, obras mestras do gênio humano são escritos, ou pelo menos têm origem em tais ajuntamentos e congregações da inteligência.

[...] Uma universidade é o lugar de concurso, onde estudantes vêm de todos os cantos em busca de todo o gênero de conhecimentos. Impossível terem em toda a parte o melhor de tudo... Por força das coisas, grandeza e unidade vão juntas: a excelência supõe um centro... a Universidade é o lugar para onde colaboram mil escolas; no qual a inteligência facilmente pode ter surto e especular, certa de achar seus iguais nalguma atividade rival, e o seu juiz no tribunal da verdade. É o lugar onde a investigação é incentivada, as descobertas verificadas e aperfeiçoadas, o arrojo feito inofensivo, o erro indigitado, pela colisão de mente com mente, e de conhecimento com conhecimento. O lugar onde o professor se faz eloquente, é missionário e pregador, apresentando o seu saber pela forma mais completa e sedutora, vertendo-o com zelo do entusiasmo, e acendendo o próprio amor no seio dos ouvintes. Lugar em que o catequista solidifica o caminho ao passo que progride, martelando a verdade dia a dia na memória pronta, como que entalando-a e apertando-a na razão em desenvolvimento. Lugar que arrebata por sua celebridade a admiração dos moços, inflama por sua beleza as afeiçoes dos de meia idade e assegura por suas associações a fidelidade dos velhos. Ela é a Sede da sabedoria, luz do mundo, ministra da fé, a Alma Mater da geração que sobe. Isto e muito mais é uma Universidade a pedir melhor talento e mão do que a minha para descrevê-la. Assim é um Universidade em sua essência e em seu fim, e em boa parte assim tem sido de fato até agora. Sê-lo-á de novo?

CARDEAL JOHN HENRY NEWMAN, Idéia da Universidade, Dublin, 1858

Em ano de eleição: Existe o voto católico?

Reprodução/Pinterest


Existe o voto católico? A pergunta pode ser respondida em diversos níveis. Queremos agora nos fixar em dois deles. No primeiro nível, o sociológico, a resposta é relativamente simples: se, por "voto católico" se entende o sufrágio que os católicos efetuam nas urnas durante as eleições, é claro que existe o "voto católico", entendido como o "voto dos católicos", porque muitos católicos votam ali onde vivem, como votam também muitas pessoas que pertencem a outras religiões ou crenças.

Porém, com esta primeira resposta, quem sabe se dilui o ser católico como um dado marginal que não tem especial importância na hora de dar o voto. Isso porque, os votantes, segundo alguns, participam nas eleições simplesmente como cidadãos, não como católicos ou como muçulmanos ou como protestantes, ainda que sociologicamente possamos dizer que votaram católicos, mulçumanos e protestantes.

Por isso, podemos buscar uma segunda resposta num nível mais profundo: o "voto católico" consistiria num modo de valorizar e decidir sobre as diferentes possibilidades eleitorais segundo a visão que nasce a partir da própria fé católica. Esta segunda resposta nos joga numa nova pergunta: Existe no Cristianismo, na Igreja Católica, uma doutrina que tenha conseqüências sociais, políticas, eleitorais?

Se voltamos à primeira resposta, constataremos, com certa perplexidade, que, no passado e no presente, infelizmente alguns católicos deram seu voto a propostas políticas muito diferentes entre si, inclusive algumas gravemente imorais. Por exemplo: na Alemanha, houve católicos que ofereceram seus votos a um partido claramente anticatólico, o Partido Nacional Socialista Operário Alemão. Em outros países, houve e há católicos que votaram em partidos políticos que promovem o ódio de classes, como no Comunismo, ou que defendem o aborto, ou que estão a favor de um capitalismo selvagem que esmaga os direitos dos trabalhadores, ou que se caracterizam por uma mentalidade belicosa que gera guerras injustas e sumamente daninhas, ou que faltam gravemente ao respeito que merece a liberdade religiosa e de consciência, ou que fomentam a destruição da família.

Diante desta situação, nos damos conta de que o voto católico não pode ser visto simplesmente em chave sociológica, senão que a identidade própria da fé cristã deve se fazer visível e ter conseqüências práticas nas eleições políticas.

Um católico que vote realmente como católico, por exemplo, tem que deixar de lado os partidos que defendem o aborto e apoiar os partidos promotores dos direitos dos nascituros. Um católico que vote como católico estará contra qualquer partido racista ou classista, e escolherá partidos que defendem a igual dignidade de todos os seres humanos. Um católico que vote como católico promoverá as opções e os candidatos que favorecem a paz nacional e internacional e excluirá de seu voto qualquer partido político que promova guerras e agressões injustas dentro ou fora de suas fronteiras.

Causa uma profunda dor descobrir que muitos católicos não chegam a compreender o nexo que existe entre sua fé, com todas as riquezas que contém, e seu modo de participar da vida política. Às vezes, isto ocorre porque existe muito pouca formação e o batizado se deixa levar por uma propaganda ou por idéias dominantes. Outras vezes, se dá uma autêntica prostituição da consciência pela qual se chega a ver como bom algo intrinsecamente mau e injusto. Outras vezes, existe uma atitude covarde quando alguém é chamado a defender as próprias convicções e prefere optar pelo que parece conveniente, ou politicamente correto, sem se fixar nos princípios básicos que todo católico deveria defender na vida social.

Frente a esta situação, é urgente uma esmerada preparação dos católicos que lhes permita participar na vida política com idéias claras e com convicções fortes. Não podemos ver com indiferença o fato de que existem países onde a maioria da população é católica e, ao mesmo tempo, governados por partidos políticos que promovem o aborto, que atacam a família, que não garantem os direitos trabalhistas, que aprovam leis que fomentam a imoralidade pública. Existem, para os católicos, uma série de princípios irrenunciáveis a partir dos quais podem julgar os partidos políticos. Aqueles partidos ou candidatos que não respeitam nem defendem esses princípios não podem ser votados pelos católicos. Aqueles partidos ou candidatos que, sim, os promovem e garantem, podem ser escolhidos pelos católicos.

Quais são esses princípios? Podemos resumi-los, a partir de um documento importante da Igreja, a Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao compromisso e conduta dos católicos na vida pública, da Congregação para a Doutrina da Fé, publicada 24 de novembro de 2002. [Tomando o número 4 do documento, os seguintes pontos devem ser considerados exigências éticas fundamentais e irrenunciáveis:]

1. O respeito à vida, também dos embriões humanos, e a clara oposição ao aborto e à eutanásia.

2. A tutela e a promoção da família, fundada no matrimônio monogâmico entre pessoas de sexo oposto e protegida em sua unidade e estabilidade, frente às leis modernas sobre o divórcio.

3. A liberdade dos pais na educação de seus filhos é um direito inalienável, reconhecido nas Declarações Internacionais dos Direitos Humanos.

4. A tutela social dos menores" e a libertação das vitimas das modernas formas de escravidão, pense-se, por exemplo, na droga e na exploração da prostituição.

5. O direito à liberdade religiosa e de consciência.

6. O desenvolvimento de uma economia que esteja a serviço da pessoa e do bem comum, respeitando o direito à propriedade e deveres para com a justiça social, o princípio de solidariedade humana e de subsidiariedade.

7. O tema da paz, que é obra da justiça e da caridade, e que exige a recusa radical e absoluta da violência e o terrorismo, e requer um compromisso constante e vigilante por parte dos que têm a responsabilidade política.

O "voto católico" será, portanto, verdadeiramente católico se sabe respeitar estes setes pontos básicos para a vida social, que valem não somente para os católicos, mas para todos os homens e mulheres que fazem parte de um Estado. São pontos segundo diz a Nota doutrinal antes citada, que "não admitem derrogações, exceções ou compromisso algum". Isto é, são pontos não negociáveis, sobre os quais um verdadeiro católico não pode ceder na hora de por seu voto numa urna. A fé, temos de ter isso presente, ilumina e permite viver mais a fundo a justiça.

Um católico, nesse sentido, se sente chamado a construir um mundo que esteja de acordo com a verdade sobre o homem e sobre a sociedade, que respeite seriamente os direitos humanos. Por isso, seu voto será responsável: excluirá qualquer opção e partido que vá contra os princípios que acabamos de recordar, e escolherá e promoverá aquelas opções e aqueles partidos que defendam programas nos quais sejam respeitados os pontos não negociáveis e ofereçam garantias administrativas, legais e jurídicas para a tutela dos mesmos.

Dr. Pbro. Fernando Pascual, é docente de filosofía e bioética no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, em Roma.

quinta-feira, 31 de março de 2022

Enirque Shaw - Rico e santo: empresário é reconhecido por virtudes heróicas

Enrique Shaw foi um pai e empresário que queria levar o mundo dos negócios a Jesus Cristo

Enrique Ernesto Shaw nasceu em 26 de fevereiro de 1921, em Paris, França. Ele era um dos dois filhos de pais argentinos, Alejandro Shaw e Sara Tornquist Altgelt. A família voltou para a Argentina em 1923. Infelizmente, Sara faleceu em 1925. Antes de morrer, ela fez o marido prometer que confiaria a educação religiosa do menino a um padre Sacramentino. O pai de Enrique manteve sua promessa.

Enrique foi matriculado no Colegio de La Salle em Buenos Aires. Ele não foi apenas um aluno notável, mas sua profunda fé religiosa se destacou. Ele participava da missa todos os dias e recebia a sagrada comunhão.

Enrique desejava ingressar na Escola Militar Naval. Seu pai objetou, mas Enrique persistiu e, aos 14 anos, começou seu treinamento como cadete naval. Seu campo de treinamento era o mar bravio do Atlântico Sul. Foi ali que ele treinou como oficial da Marinha e realizou trabalho apostólico, dando continuamente um poderoso testemunho de fé. Ele estava entre os três primeiros de sua classe e se tornou o mais jovem da escola a se formar.

Sua “conversão”

Leitor ávido que absorvia livro após livro desde muito jovem, Enrique nunca encontrava seu tema favorito. Ele havia lido livros sobre política, filosofia, história e ciência. Finalmente, aos 16 anos, ele pegou um livro sobre a Doutrina Social da Igreja. Foi quando ele soube que havia encontrado o tema que buscava. Ele chamou esse momento de sua “conversão”.

Enrique e alguns amigos tinham ido a Buenos Aires algumas vezes quando receberam licença. Foi numa dessas visitas que conheceu Sara. Eles se apaixonaram e se casaram em 23 de outubro de 1943. Eles teriam nove filhos juntos, sendo um deles sacerdote. Enrique ensinou-lhes toda a importância do Rosário e fez questão de levá-los à igreja todas as semanas. Ele deu um excelente exemplo como pai católico.

No final da Segunda Guerra Mundial, Enrique iniciou seu negócio. Em 1952, ele estabeleceu a Associação Cristã de Executivos de Negócios. Ele fez isso com a ajuda do arcebispo Joseph Cardijn, da Bélgica, que mais tarde se tornaria cardeal. Enrique também se tornou um escritor prolífico, publicando muitos livros que tratam da justiça e da honra no local de trabalho. Promoveu intensa evangelização voltada para a classe empresarial na Argentina e na América Latina.

Amado pela classe trabalhadora

Enrique Shaw foi um dos fundadores do Movimento da Família Cristã na Argentina e foi presidente da Ação Católica Argentina. Ele também estabeleceu entre suas iniciativas empresariais um fundo de pensão, um plano de saúde e ajuda financeira em caso de doença e parto.

Em 1957, Enrique foi diagnosticado com câncer. Sua atividade de trabalho limitava-se a falar em conferências e escrever. Ele era tão admirado pelos trabalhadores que em 1962, quando estava chegando ao fim de sua vida, 260 trabalhadores apareceram no hospital para doar sangue para uma transfusão que salvou sua vida. Enrique diria o quão feliz ele estava pelo fato do sangue de seus trabalhadores correr em suas veias. Ele morreu em 27 de agosto de 1962, com apenas 41 anos.

Em 24 de abril de 2021, o Papa Francisco declarou Enrique Ernesto Shaw um homem de “virtudes heróicas”, elevando-o ao título de Venerável. O Papa já conhece a trajetória deste santo homem, tendo sido o arcebispo encarregado de supervisionar a etapa diocesana de seu processo de beatificação, em Buenos Aires.

Em uma entrevista em 2015, o Papa disse sobre ele: “Enrique Shaw era rico, mas santo. Uma pessoa pode ter dinheiro. Deus concede para que o administre bem, e este homem administrou bem.”

A filha de Enrique, falando com Aleteia sobre o reconhecimento das virtudes heróicas, disse que isso a encheu de paz. “Porque desde que ele morreu, eu já pensava que ele era um santo. Não é uma surpresa. É maravilhoso saber que sua vida ficará registrada, tudo o que ele fez, e isso será compartilhado. Ele não pertencerá apenas à nossa família.”

“Meu pai não fez muitas coisas extraordinárias”, refletiu ela. Ele simplesmente “valorizava e amava muito seus filhos.”

Venerável Enrique Shaw, rogai por nós.

Fonte: Aleteia.org 


Para saber mais sobre Enrique Shaw: https://enriqueshawbr.wordpress.com/

Instagram: https://www.instagram.com/enriqueshaw.br/









quarta-feira, 30 de março de 2022

LANÇAMENTO EDITORIAL - Padre Pio e seu Anjo da Guarda


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Com alegria divulgamos esse novo lançamento editorial!

São Pio de Pietrelcina é um santo místico e estigmatizado que mantinha comunicação frequente e fraternal com seu Anjo da Guarda. Neste livro, desejamos detalhar o relacionamento do Padre Pio com o seu anjo e com os anjos de seus filhos espirituais. Seus seguidores já sabiam que, em caso de qualquer dificuldade, deveriam enviar seu anjo ao Padre Pio para comunicar sua necessidade e o sacerdote providenciaria o que fosse mais conveniente.

O Anjo da Guarda do Padre Pio comunicava-lhe os pecados de seus penitentes, traduzia-lhe cartas, conferia-lhe o dom da bilocação e realizava uma infinidade de serviços por ele quando ele estava enfermo. O anjo custódio foi certamente um verdadeiro amigo que sempre esteve ao lado do venerável sacerdote italiano. Por isso, devemos lembrar que também temos um anjo oferecido por Deus para nos ajudar e que, se não o invocarmos, perderemos muitas bênçãos que o Senhor quer nos dar por meio dele.



Ficha Técnica:
ISBN: 9788553019205
Editora: Santo Thomas More
Dimensões: 14.00 x 21.00 cm
Idioma: Português
Páginas: 100