Mostrando postagens com marcador Chesterton. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chesterton. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O distributismo pode ser um sonho

"O distributismo pode ser um sonho; três alqueires e uma vaca, uma piada; as vacas podem ser animais fantásticos; a liberdade, um nome; a iniciativa privada pode ser um desvairado correr atrás do vento que a humanidade já não pode suportar. Mas quanto àqueles que falam como se a propriedade e a iniciativa privada fossem os princípios agora em operação - esses estão já tão cegos, surdos e mortos para todas as realidades de suas próprias existências diárias que podemos, com justeza, ignorá-los.

Nesse sentido, portanto, somos realmente utópicos; no sentido de nossa tarefa estar possivelmente mais distante e ser certamente mais difícil. Somos revolucionários no sentido de que uma revolução significa inversão: uma inversão de direção, mesmo se acompanhada de um ritmo mais vigoroso."
G. K. Chesterton, Um Esboço da Sanidade, editora Ecclesiae.

domingo, 7 de junho de 2015

Atualidade de Chesterton



domingo, 27 de julho de 2014

Escolas modernas - G. K. CHESTERTON



“O problema de muitas de nossas escolas modernas é que o Estado, uma vez controlado tão particularmente por uns poucos, permite que excentricidades e experimentos entrem diretamente nas salas de aula, sem jamais terem sido submetidos à apreciação do Parlamento, dos pubs, da igreja, das praças públicas. Obviamente, às pessoas mais jovens dever-se-ia ensinar as coisas mais velhas, as verdades seguras e experimentadas que se ensinam primeiro aos bebês. Mas na escola de hoje o bebê tem de se submeter a um sistema que é ainda mais jovem do que ele próprio.” 

G. K. Chesterton, “O que há de errado com o mundo”, Editora Ecclesiae.

domingo, 2 de junho de 2013

Alegria de Cristo - Gilbert Keith Chesterton


“A alegria, que foi a pequena publicidade do pagão, é o gigantesco segredo do cristão. E no fechamento deste caótico volume torno a abrir o estranho livrinho do qual proveio o cristianismo; e novamente sinto-me assombrado por uma espécie de confirmação. A tremenda figura que enche os evangelhos erguese altaneira nesse respeito, como em todos os outros, acima de todos os pensadores que jamais se consideraram elevados.

A compaixão dele era natural, quase casual. Os estóicos, antigos e modernos, orgulhavam-se de ocultar as próprias lágrimas. Ele nunca ocultou as suas; mostrou-as claramente no rosto aberto ante qualquer visão do dia-a-dia, como a visão distante de sua cidade natal. No entanto, alguma coisa ele ocultou. Solenes super-homens e diplomatas imperiais orgulham-se de conter a própria ira. Ele nunca a conteve. Arremessou móveis pela escadaria frontal do Templo e perguntou aos homens como eles esperavam escapar da danação do inferno. No entanto, alguma coisa ele ocultou. Digoo com reverência; havia naquela chocante personalidade um fio que deve ser chamado de timidez. Havia algo que ele encobria constantemente por meio de um abrupto silêncio ou um súbito isolamento. Havia uma certa coisa que era demasiado grande para Deus nos mostrar quando ele pisou sobre esta nossa terra. As vezes imagino que era a sua alegria.” G. K. Chesterton - Ortodoxia

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Chesterton sobre o Feminismo

Confira sobre Chesterton no site www.sociedadechestertonbrasil.org 

sábado, 2 de julho de 2011

A Filosofia para a Sala-de-Aula

G.K. Chesterton
Publicado originalmente no Daily News, 22 de junho de 1907
Tradução de Gabriele Greggersen
Retirado do site: CHESTERTONBRASI.ORG



O que o homem moderno precisa compreender é simplesmente que toda a argumentação começa com uma afirmação ponto-de-partida; isto é, com algo de que não se duvida. Pode-se, é claro, duvidar da afirmação base, mas, nesse caso, já estaria dando início a outra argumentação diferente, propondo que se parta de outra suposição. Todo argumento inicia por um dogma infalível, e esse dogma absoluto, por sua vez, só pode ser discutido, se recorrermos a outro dogma infalível: nunca se pode provar o primeiro ponto-de-partida (senão não seria ponto-de-partida).

Este é o be-a-bá do raciocínio lógico. E tem esta vantagem especial de que pode ser ensinado na escola, como qualquer outro be-a-bá. Não dar início a qualquer discussão sem antes declarar abertamente os postulados de cada um, é uma regra a ser ensinada tanto na filosofia, quanto na matemática de Euclides, ou em qualquer aula comum, usando giz e lousa. E penso que esse princípio poderia ser ensinado de forma simples e racional até mesmo ao jovem, antes de aventurar-se pelo mundo, à mercê da "lógica" e da filosofia imposta pela mídia.

Muitas das desorientações e dúvidas no campo religioso, surgem pelo fato de os céticos de hoje começarem sempre, falando sobre tudo aquilo em que eles não acreditam. Mas, mesmo de um cético, o que queremos saber primeiro é em que ele realmente acredita. Antes de começar a discutir, é preciso saber o que é que não se discute. Essa confusão aumenta infinitamente pelo fato de que todos os céticos de nosso tempo são céticos em diferentes graus dessa dissolução que é o ceticismo.

Agora, nós temos (espero), uma vantagem sobre todos esses novos filósofos sabidos: mantemo-nos em sã consciência. Acreditamos que existe, de fato, a catedral de São Paulo; e grande parte de nós acredita em São Paulo. É preciso deixar bem claro que acreditamos em muitas coisas que, embora façam parte de nossa existência, não podem ser demonstradas. Nem é preciso meter religião na história. Diria até que todos os homens de bom senso, acreditam firme e invariavelmente em umas quantas coisas que não foram provadas e que nem sequer podem ser provadas.

De forma resumida, são elas:

(1) todo ser humano em sã consciência acredita que o mundo e as pessoas ao redor dele são reais e não um produto da sua imaginação ou de um sonho. Ninguém começa a incendiar Londres, se está convencido de que seu criado logo o acordará para o café da manhã. Mas não temos provas, em nenhum momento, de que tudo não passa de um sonho. Que algo exista além de mim é uma afirmação que não está comprovada (nem se pode comprovar...).

(2) Todo homem em sã consciência, acredita não somente que este mundo existe, mas também que ele tem importância. Todo homem acredita que há, em nós, um tipo de obrigação de nos interessarmos por esta visão da vida. Não concordaria com alguém que dissesse, "Eu não escolhi esta farsa e ela me aborrece. Fiquei sabendo que uma senhora idosa está sendo assassinada no andar de baixo, mas eu vou é dormir ". O fato de que há um dever de melhorar coisas não feitas por nós é algo que não foi provado e não se pode provar.

(3) Todos os homens em sã consciência acreditam que existe uma certa coisa chamada eu, self ou ego e que é contínua. Não há nenhum centímetro de meu cérebro igual ao que era há dez anos atrás. Mas se eu salvei a vida de um homem numa batalha há dez anos atrás, fico orgulhoso; se me acovardei, sinto-me envergonhado. A existência desse "eu" axial nunca foi comprovada e não pode ser comprovada. Trata-se de uma questão mais do que "improvável" e que é muito debatida entre os metafísicos.

(4) Finalmente, a maioria dos homens em sã consciência acredita, e todos o admitem na prática, que têm um poder de escolha e responsabilidade por suas ações.

Seguramente é possível elaborar algumas afirmações simples como as acima, para que as pessoas possam saber a que se ater. E se os jovens do futuro não vão ter formação em religião, pode-se-lhes ensinar, pelo menos, de forma clara e firme, um pouco de bom senso, três ou quatro certezas do pensamento humano livre.

-------------------
1. "- Lógica, disse o professor para si mesmo. – Por que não ensinam mais lógica nas escolas" (C.S. Lewis, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. São Paulo: Martins Fontes, 1997,p. 50) e, no final da história, o professor comenta novamente, agora em alto e bom tom:
" - Céus! O que é que estão ensinando às crianças na escola?" (Idem, p. 180).

terça-feira, 17 de maio de 2011

Elogio de Antônio Gramsci a obra de G.K. Chesterton

Retirado do livro Cartas do Cárcere*

Penitenciária de Turim, 6 de outubro e 1930

Querida Tânia,

Fiquei contente com a vinda de Carlo. Ele me disse que você esta se restabelecendo bem, mas gostaria de ter notícias mais precisas sobre suas condições de saúde. Agradeço-lhe por tudo o que me mandou. Os dois livros ainda não me foram entregues: a biografia facista e as novelas curtas de Chesterton que lerei de bom grado e por duas razões. Primeiro, porque imagino que sejam interessantes pelo menos quanto à primeira série, e, segundo, porque procurarei reconstruir a impressão que deve ter causado sobre você. Confesso-lhe que este será meu maior deleite. Recordo exatamente o seu estado de espírito ao ler a primeira série: você estava disposta de maneira feliz para receber as impressões mais imediatas e menos complicadas dos sedimentos culturais. Nem sequer chegava a perceber que Chesterton escreveu uma delicadíssima caricatura das novelas policiais mais que novelas policiais propriamente ditas. O padre Brown é um católico que zomba do modo mecânico de pensar dos protestantes e o livro é fundamentalmente uma apologia da Igreja Romana contra a Anglicana. Sherlock Holmes é o policial “protestante” que encontra o fio da meada do crime partindo do exterior, baseando-se na ciência, no método experimental, na indução. O padre Brown é o sacerdote católico que através de refinadas experiências psicológicas fornecidas pelas confissões e pela trabalhada casuística moral dos padres, embora sem menosprezar a ciência e a experiência, mas baseando-se especialmente na dedução e na introspecção, supera Sherlock Holmes em cheio, fazendo-o aparecer como um rapazola pretensioso, revelando sua angústia e mesquinhez. Por outro lado, Chesterton era um grande artista, enquanto Connan Doyle era um escritor medíocre, ainda quando elevado a baronete por méritos literários; por isso existe em Chesterton um distanciamento estilístico entre o conteúdo, o enredo policial e a forma, portanto, uma sutil ironia em relação à matéria tratada que torna mais saborosas as narrações. Não acha? Recordo que você lia estas novelas como se fossem crônicas de fatos verdadeiros e se identificava até ao ponto de exprimir uma franca admiração pelo padre Brown e por sua argúcia maravilhosa de modo tão ingênuo que me divertia extraordinariamente. Não vá se ofender, porque nessa diversão havia uma ponta de inveja por esta sua capacidade de puro e fresco impressionismo, por assim dizer.

Abraço afetuosamente.

Antônio Gramsci

*Cartas do Cárcere. Disponível no livro de GRAMSCI, Antoni. Cartas do carcere. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1987. 168-169 p.

Retirado do site ChestertonBrasil.org