sábado, 2 de novembro de 2013

Igreja e Estado - por José Pedro Galvão de Sousa

Igreja e Estado* 


por José Pedro Galvão de Sousa (*1912 - +1992)

A Sociedade civil tem um fim temporal. Os homens nela reunidos, através das famílias e de outros grupos que a compõem, procuram os bens de que carecem, mediante um esforço comum coordenado pela autoridade que a governa. 

Esse mesmos homens têm um fim sobrenatural. Acham-se de passagem neste mundo. Peregrinos em demanda da Eternidade, conforme o seu viver terreno receberão a eterna recompensa ou o castigo eterno.

A graça de Deus permite-nos vencer a nossa própria natureza, que, em consequência da queda dos nossos primeiros pais, se tornou rebelde e inclinada para o mal. Essa vitória sobre o "eu", sobre o homem velho do pecado, que está em cada um de nós, significa o vivermos a vida do homem novo pela graça de Cristo Redentor. É, pois, uma vitória sobre a natureza corrompida pelo pecado; é a elevação do homem, alcançando a sua perfeição, pela união com Deus, a cuja imagem e semelhança ele foi criado.

A ordem da graça é infinitamente superior à ordem natural dos sentidos (vida corporal) ou à da inteligência.

O naturalismo dos nossos dias quer reduzir a vida humana a estas ordens inferiores. Daí provém, na organização das sociedades políticas, a concepção do Estado leigo ou secularizado, que fecha os olhos ao fim sobrenatural do homem.

O Estado tem um fim precipuamente temporal, que, por isso mesmo, se subordina ao fim superior e último do homem. Cabe-lhe, pois, proporcionar a todos condições de ordem temporal que não prejudiquem, mas antes favoreçam o bem espiritual.

Daí as relações entre a sociedade política e a sociedade religiosa ou a Igreja.

*Excerto do livro SOUSA, J. P. Galvão. Iniciação à teoria do estado : roteiro de princípios. São Paulo: J. Bushatsky, 1967. Pág. [37]-38

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

HOMILIA NO ENCERRAMENTO DA FASE DIOCESANA DO PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO E CANONIZAÇÃO DE DOM VITAL


Cardeal Eugênio de Araújo Sales
Arcebispo do Rio de Janeiro
Esta solene concelebração de ação de graças pelo encerramento da fase diocesana do Processo de Beatificação e Canonização de Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira se insere entre as efemérides notáveis desta Província, deste Estado, da Arquidiocese de Olinda e Recife. Para o Brasil, a exaltação deste Servo de Deus é um fator importante no fortalecimento da estrutura moral, pelo exemplo dado no cumprimento do seu dever como sucessor dos apóstolos. Mas ainda valiosa a contribuição à vida da mesma Igreja, em nossa Pátria e em nossos dias. O pastor se sacrificou a serviço da fidelidade à doutrina, à disciplina eclesiástica. Com coragem e prudência arrostou, entre outros sofrimentos, a perda da liberdade.
Muito me honra o convite do zeloso pastor, Dom Frei José Cardoso Sobrinho, para presidir essa concelebração. A Arquidiocese do Rio de Janeiro está profundamente vinculada a esta Igreja de Olinda e Recife. Do Rio veio Dom Helder Camara; do Rio, veio Dom Leme, que retornou à então Capital do País como sucessor de Dom Arcoverde, filho deste Estado  de Pernambuco e primeiro cardeal da América Latina. Por outro lado, Dom Vital, em janeiro, prisioneiro no Arsenal da Marinha, foi assim saudado por Dom Pedro Maria de Lacerda, ao visitá-lo: “Excelência, tem toda a jurisdição nesta terra. Vejo em Vossa Excelência um prisioneiro de Cristo; meu clero, meu cabido serão felizes, pondo-se às suas ordens”.
A amizade fraterna e a comunhão na defesa da verdade e da liberdade da Igreja uniram, desde então, Dom Vital, Bispo de Olinda e a Diocese do Rio de Janeiro.
A primeira leitura, da 2ª Carta de São Paulo ao dileto filho Timóteo, escrita na prisão, já no acaso da vida, no capítulo IV, que ouvimos há pouco, é uma solene admoestação perfeitamente posta em prática por Dom Vital. A resposta do Servo de Deus a esse trecho da Carta do Apóstolo foi admiravelmente afirmativa. E hoje, pelo exemplo, ele encarece à Igreja do Brasil, ao Episcopado em particular, a observância das diretrizes dadas por Paulo. Neste momento quero recordar a atitude de um sucessor dos apóstolos, obedecendo às normas dadas por Paulo a Timóteo.
O Imperador Dom Pedro II, querendo demonstrar gratidão pelo grande trabalho que os capuchinhos realizavam no Império, desejou que um de seus membros fosse elevado ao episcopado. Vacante a Sé de Olinda, a escolha recai sobre o jovem frade brasileiro. Dom Vital tinha apenas 27 anos, nessa oportunidade.
Proposto o seu nome, o Papa Pio IX confirma-o na função e profeticamente lhe escreve: “Hás de estrenuamente defender a causa de Deus e nada omitir do que possas dizer a respeito da causa da salvação em proveito do rebanho a ti confiado”. Ordenado bispo na Catedral de São Paulo, a 17 de março de 1872, teve como sagrante o bispo do Rio de Janeiro, Dom Pedro Maria de Lacerda, que durante o duro período da “Questão Religiosa” lhe seria amigo, irmão fiel. A 24 de maio do mesmo ano toma posse da Sé de Olinda, escrevendo, então, sua primeira Carta Pastoral aos diocesanos onde transparece todo o seu zelo: “Saúde, forças, faculdades e até a própria vida, tudo, tudo agora pertence a vós!”.
Período difícil e conturbado encontra Dom Vital ao assumir o seu múnus episcopal. O regalismo criara intromissões lastimáveis na vida eclesial, acarretando dependência da Igreja ao poder civil, enfraquecendo a disciplina eclesiástica e multiplicando abusos. Ao ser suspenso um sacerdote no Rio de Janeiro, após participar de grande festa maçônica, toda uma manifestação anticlerical se fez propagar por todo o país. Graves ofensas á religião foram veiculadas e os bispos afrontados em sua autoridade pastoral. Em Plinda e Recife, esgotados todos os expedientes paternos, Dom Vital lança, por fim, o interdito sobre algumas Irmandades rebeldes. Estas, por sua vez, apresentaram recursos ao Imperador contra a decisão do bispo. Era o estopim da chamada “Questão Religiosa”.
O ministro do Império e amigo pessoal de Dom Vital, Conselheiro João Alfredo, escreve-lhe pedindo que transija. A resposta do bispo é digna de quem segue as diretrizes do apóstolo Paulo, em sua epístola a Timóteo: “Que fazer diante do dever? Quando mesmo já fosse eu um bispo octogenário, tendo apenas alguns dias de vida, não trairia os deveres de minha missão”. E mais adiante: “Compreenda Vossa Excelência que esta questão é de vida ou morte para a Igreja do Brasil. Cumpre-nos antes, arcar com os maiores sacrifícios que afrouxar. Procederei sempre com muita calma, prudência e vagar: porém ceder, e não ir avante é impossível. Não vejo meio termo”. Esta carta traz a data de 27 de fevereiro de 1873.
Dom Vital é para nós um exemplo e um estímulo. Seu testemunho de fidelidade ao Evangelho, sem concessões nem desvios, é sempre atual. Ele procura a autenticidade eclesial, a autonomia da Igreja diante do poder civil, a afirmação de seus direitos. Ao tomar posição firme e esgotados os recursos da caridade, Dom Vital tornou-se o bispo da opção. Entre acomodar-se e transigir, preferiu resistir.
A figura de Dom Vital é modelo digno de ser apresentado aos nossos jovens: “Hoje dizia ele, em sermão pronunciado em Versailles, o padre há de ser homem de sacrifício: há de fazer a Deus o sacrifício de seu corpo e de sua vida. Ele deve acostumar-se a olhar o martírio sem receio. Somente com esta condição poderá cumprir sua missão de defender, até o fim, os direitos da Igreja e da verdade”. Coerente consigo mesmo e com a sua vocação, Dom Vital foi fiel até o fim: “Se no início de minha vida religiosa tivesse previsto a estranha sorte dolorosa que estava reservada, ainda com melhor vontade, teria desejado cumpri-la”. Exemplos como este devem ser recordados às novas gerações, porquanto são fruto da autenticidade cristã.
O Evangelho de São João, lido nesta missa solene, nos descreve Jesus o Bom Pastor. Dom Vital seguiu os passos do Senhor. Ele, que deu a vida pelas ovelhas, defendendo-as do erro, “abre a porta do redil das ovelhas; quem sobre por outro lugar é ladrão ou assaltante (10,1)”.
O pastor é arrancado do seu rebanho. Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira, o bispo de Olinda, está em sua residência, o Palácio da Soledade. Às 13 horas e um quarto, de 2 de janeiro de 1874, recebe ordem de prisão. Toma as vestes pontificais, com mitra e báculo. Prepara e lê um protesto, declarando que “em face de nosso rebanho muito amado e de toda a Santa Igreja de Jesus Cristo, da qual somos bispo, posto que muito indigno, só deixamos esta cara diocese que foi confiada à nossa solicitude e vigilância, porque dela fomos arrancados violentamente pela força do Governo”. Impedido pelo Juiz de ir a pé, é transportado para a corveta “Recife”, conduzido ao Rio de Janeiro, encarcerado no Arsenal da Marinha.
Memorável é este dia para esta Arquidiocese de Olinda e Recife e de todo o Brasil, quando é encerrada a fase diocesana do Processo para a Beatificação deste Servo de Deus. No passado, o grande propugnador da Causa de Dom Vital foi Frei Félix de Olívola. Além de sua obra de fôlego, a biografia, preparou valiosa documentação e viajou a Roma para entregá-la aos capuchinhos, na expectativa da beatificação do 20º bispo de Olinda. Na viagem por navio, teve morte súbita. Seu corpo foi jogado ao mar, com toda a bagagem. Fracassou, assim, a primeira tentativa concreta.
Em 24 de julho de 1953, o então arcebispo de Olinda e Recife, Dom Antônio de Almeida Moraes Junior, nomeou uma comissão para recolher o material histórico. Em 1960, instaurou o Processo sobre os escritos e constituiu um Tribunal arquidiocesano.
Lamentavelmente, os trabalhos foram paralisados no fim da década e o movimento em torno de Dom Vital arrefeceu. A atitude heroica dessa figura notável de pastor fiel é hoje quase desconhecida, especialmente da juventude, tão carente de bons exemplos. Dom Vital foi extraordinário em sua fidelidade à Igreja e obediência ás suas normas, mesmo a custas de grandes sofrimentos. O conhecimento desse Processo ajuda-nos no cumprimento de nossos deveres de cristãos. Oportuno, portanto, reavivar a memória nacional no tocante a esse episódio da história, perseguição e encarceramento de um sucessor dos apóstolos, por urgir, no interior da própria Igreja, o cumprimento da legislação eclesiástica.
Felizmente – e é merecimento do atual arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho – foi reaberto o Processo, a 14 de janeiro de 1992. Para fundamentar o pedido de reconhecimento das virtudes heroicas de Dom Frei Vital,por parte da Santa Sé, a Comissão Especial teve a incumbência de realizar uma pesquisa histórica a respeito das etapas do mesmo Processo, concluído no passado. Em 1993, Monsenhor Francisco de Assis Pereira, do clero potiguar, foi designado “postulador da Causa”.
Aqui estamos agradecendo ao Senhor o término da fase diocesana deste Processo. Agradecemos a Deus o extraordinário e benemérito trabalho realizado. E pedimos ao Senhor Jesus as graças necessárias para alcançar o êxito desejado: a elevação à honra dos altares do Servo de Deus Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira. Esse reconhecimento de suas virtudes heroicas muito beneficiará a Igreja e nossa pátria. A desejada beatificação será a proclamação dos méritos do grande bispo. Ele é um testemunho claro e explícito de nossa fé.
A coragem, quando unida à prudência, é uma das virtudes de grande importância na vida eclesial, também em nossos dias. No ambiente reinante no mundo de hoje, muitas vezes a criatura – e não o Criador – encontra defensores. Dom Vital lutou até ao sacrifício da própria vida, em favor da obra de Cristo.
Homilia Proferida na Basílica de N. Sra. da Penha, em Recife-PE, no dia 04/07/

terça-feira, 1 de outubro de 2013

RETÓRICA E ELOQUÊNCIA - Mário Ferreira dos Santos

De Mário Ferreira dos Santos
Capítulo do livro "CURSO DE ORATÓRIA E RETÓRICA"


Uma das mais justas e nobres aspirações de todos é ter o pleno domínio das ideias e dos meios de expres-são. A maioria sente dificuldade em escrever, falar e argumentar. E não são poucos aqueles que, em face de outras pessoas, sentem-se inibidos, faltam-lhe as palavras no instante preciso, que, momentos depois, surgem abundantes e nítidas.

Factos como esses provocam insatisfações e servem apenas para aumentar o poder inibidor, pela falta de confiança em si mesmo que se apodera de quem passa por tais experiências.
Entretanto, são elas tão frequentes, tão comuns, em todas as épocas e ocasiões, que há necessidade de evitarem-se tais malogros, e permitir e auxiliar que as ideias surjam vivas e eficientes, revestidas de pleno brilho pelo emprego justo de palavras correspondentes.
Impõe-se, por isso, sempre o estudo da Retórica e da Eloquência.

Muitos professores julgam suficientes os métodos práticos, em contraposição ao excesso de teoria que se ministrava antigamente.

Depois de percorrermos, por uma análise cuidadosa, muitos cursos, nacionais e estrangeiros, e considerando as nossas típicas condições psicológicas, organizamos um programa que não dispensa nem a parte teórica nem a prática, embora considere da primeira apenas o essencial, e inclua, na segunda, tudo quanto de melhor tem revelado a experiência de famosos oradores.

Não se pode excluir o estudo teórico e apresentar apenas o prático, porque aquele fundamenta a aplicação do segundo e dá ao estudioso meios de novas investigações.
É a palavra um meio maravilhoso de aperfeiçoamento do espirito: todas as palavras são sinais de ideias, e corno partimos das Ideias, para revesti-las com palavras, também podemos partir das palavras pura construir novas Ideias

O manejo simples e o domínio pleno das palavras abre um campo imenso ao progresso individual, pois em todas as eras ela foi, como ainda é, o meio mais eficaz de comunicação entre os homens.

O primeiro cuidado de quem deseja ser estimado como escritor, atrair a atenção como orador, consiste em enriquecer o vocabulário e as ideias. E todas as ocasiões devem ser aproveitadas para esta atividade tão frutuosa. Além disso, para comunicar suas ideias, desde que tenha alguma coisa a dizer, a linguagem deve ser clara, agradável, compreensível e interessante.

Ora, tais qualidades podem ser obtidas, apesar de exigirem esforço, trabalho e muita prática. Não se pode construir uma boa retórica sem uma base lógica e uma sólida dialéctica.

Esta é a razão por que desde o início queremos chamar a atenção para os exercícios práticos que são oferecidos neste livro. Eles devem ser seguidos à risca e repetidos constantemente, até quando julgados fáceis.

Um dos graves defeitos de todos os que estudam qualquer matéria é não dar maior atenção aos exercícios. Referem-se estes à parte somática, cuja constante repetição cria o hábito. Compreender cabe ao espírito. É muito; porém não é tudo. É preciso realizar o prático. Quem fala bem, não é acaso aquele de quem dizemos ter "o hábito de falar em público?"

Além disso, o raciocínio deve ser claro, sem ideias confusas, revestido depois por palavras correspondentes. Como pode convencer a outrem quem não sabe expressar o que pensa? Quem não é senhor do que pensa, como pode ser senhor do que diz?

Pensar claro e expressar claro. Dar nitidez às ideias em primeiro lugar, depois procurar formas que as revistam sem empanar essa diafaneidade.

E como se consegue este domínio? Em primeiro lugar, não falar nunca do que se desconhece. Nada há mais aborrecido que ouvir um orador falar do que não sabe.

O domínio do tema é um ponto de partida importante. Depois, outros virão. . .

Comecemos, pois, nosso caminho, para percorrê-lo. 

* * *

Pode o gosto ser definido como "a faculdade de receber uma agradável impressão das belezas da natureza e da arte". Todos os homens são dotados de gosto, pois todos avaliamos, estimamos, valoramos.

Há um sentimento de beleza, que é comum a todos, embora em graus diferentes. Uns têm mais aptidão, mais capacidade de apreciar, mais requinte no gosto, outros menos. Uns sentem a beleza na harmonia, nas belas proporções, para as quais outros são quase cegos.
Mas sempre, até no mais estúpido dos seres humanos, há um ponto em que a admiração é despertada, em que é capaz de sentir e gozar da beleza das coisas. Não basta para bem apreciar ter sentidos agudos, boa percepção. Impõe-se a educação requintada do gosto que é mental, como nos mostra a psicologia. Um semi-surdo pode ser um grande apreciador de música, e entendê-la e criá-la (como Beethoven). A educação é mental e não meramente dos sentidos, que apenas servem de meios para nos transmitirem os estímulos exteriores.

Não há dúvida que a sensibilidade pessoal é decisiva em muitos pontos. Quem nasce com predisposição artística tem naturalmente possibilidades maiores. Mas a educação pode preparar-nos ("educar o gosto", como se diz) para aumentar o grau de apreciação e de prazer que oferece a contemplação da beleza.

O gosto sofre modificações não só de indivíduo para indivíduo, como de época para época. Na Idade Média, o gótico suplantou no gosto dos povos europeus a arte grega, que ressurgiu, depois, no Renascimento. Quando Milton escreveu o "Paraíso Perdido", a simplicidade majestosa de sua obra passou despercebida, enquanto autores, hoje esquecidos, como Cowley, Wallaer, Suckling e Etheridge, conseguiram interessar mais aos leitores de então. É o que se dá ainda em nossos dias. Vemos meteoros surgirem deslumbrantes no céu, mas passarem com a velocidade dos meteoros. Obscurecem, por momentos, o brilho pálido das estrelas, mas este é eterno.

Como o gosto depende da subjetividade, costuma-se dizer que "de gostos não se discute". Realmente, o gosto, apenas por seu aspecto subjectivo, não é passível de discussões sérias. Mas a obra de arte, a beleza que esta na obra de arte, é discutível. O que o gosto procura e a beleza. Encontrá-la é a missão do verdadeiro artista. Numa época como a nossa, uma época de transição, era que todos os valores estão colocados na mesa para serem analisados, em que uma torrente de opiniões mal dirigidas perturba a humanidade, em que ideias das mais diversas procedências disputam entre si uma prioridade duvidosa, é natural que a confusão em questões de gosto seja premente e impeça um critério firme que nos oriente através do acúmulo de pontos de vista dos mais contraditórios. Tal, no entanto, não impede que estudemos, calma e serenamente, a beleza que sempre tem sido a meta desejada pelos homens, fugindo quanto possível a sugestão das formas da moda.

* * *

A maneira mais simples, sob a qual podemos avaliar a grandeza nos objetos, é a de uma extensão imensa, por exemplo, a de um grande campo onde a vista se perde na distância. As coisas vastas fazem nascer a impressão do sublime, É essa a impressão que dá o cimo de uma montanha, um abismo profundo, um grande rio, cujas margens desaparecem na distância, o firmamento, o oceano, o universo estrelado. Foram sempre esses os temas mais sublimes que a literatura empregou. Assim como a proporção exata das partes constitui quase sempre a beleza, o sublime desdenha essa proporção. O sublime aceita o desproporcionado, o imenso, o ilimitado. Uma catedral gótica, com suas torres esguias, penetrando pelo céu, dá-nos sempre uma impressão do sublime.

Contudo, o sublime não é somente revelado nas coisas, mas também no estilo. O sublime só se verifica no estilo quando há plena concordância deste com o objecto que deseja expressar, e esse objecto é já sublime. No sublime, sentimos que ultrapassamos a nós mesmos, como se nos fosse dado apreciar o que sentimos muito mais elevado ou longe de nós. Os estudiosos clássicos da retórica davam cinco fontes do sublime. Vamos sintetiza-las:

1.a) a audácia ou grandeza nos pensamentos;
2.a) o patético;
3.a) o emprego conveniente das figuras;
4.a) o uso de tropos e expressões ricas;
5.a) a construção harmoniosa das palavras.

O estilo sublime não necessita de ornamentos. É na simplicidade que está muito da sua grandeza. O homem de hoje não se impressiona tão vivamente com os factos da existência como um homem primitivo, para o qual cada facto encerrava em si mistérios insondáveis e a natureza não tinha aquele sentido lógico e legal que nós lhe damos.

Por isso é tão raro o sublime hoje. Só em certos momentos êle nos surge, às vezes, num pequeno facto que nos exalta e nos leva a sobrepassar a nós mesmos. No décimo-sétimo salmo, temos o sublime em toda a sua simplicidade, como o temos nas descrições da Ilíada. No entanto, o sublime pode ficar desmerecido pelo estilo do autor quando os termos não estão à altura da ideia. Pode encontrar-se ainda o belo, mas o sublime já não existe mais.

** * 

A simplicidade, a concisão são necessárias para aparelhar a ideia sublime, a ideia que nos exalta. Assim nesta frase de Nietzsche: "Deveis buscar o vosso inimigo e fazer a vossa guerra, uma guerra por vossos pensamentos; e se vosso pensamento sucumbir, vossa lealdade, contudo, deve cantar vitória", há muito do sublime como o entendemos hoje: a simplicidade permite que o sublime da ideia ressalte. Um outro autor encheria de frases, de tropos, de imagens, e diluiria a sublimidade para ressaltar apenas a beleza.

Essa a razão por que a poesia rimada oferece tantos perigos e tantos males ao sublime. É que a necessidade da rima leva muitas vezes a frases desnecessárias e a simplicidade é prejudicada.

Um outro aspecto não se deve deixar de lado. O grande escritor é aquele que é capaz de tornar sublime o que, nas mãos de um medíocre, não tem sublimidade. Temas aparentemente simples tomam um caráter complexo nas mãos do grande escritor. E como se consegue isso?

Consegue-se ao fixar em cada ideia o seu aspecto mais elevado, aquele que é capaz de ultrapassar o tempo, aquele que tem um significado que ultrapassa o transeunte, o trivialmente comum. Assim, digamos que alguém quer referir-se a certas suspeitas surgidas por entre os pensamentos. Sabemos que elas surgem nos momentos de desfalecimento, ou quando o pensamento não consegue, com certa força, traduzir o seu objecto. No entanto, um Byron, aproveitando-se desse facto, expressa-o assim: "As suspeitas são entre os pensamentos o que os morcegos são entre os pássaros: só voam ao crepúsculo".

A mesma ideia é expressa, com tal tom, que nos eleva imediatamente, isto é, nos dá a emoção do sublime, e não da trivialidade. Assim vimos que há um sublime na natureza, mas há um sublime nas ideias.

O sublime das ideias está nas ideias e não nas palavras. O segredo do sublime está em expressar grandes pensamentos com termos simples e bem claros. Os escritores mais sublimes no pensamento foram os mais simples nas palavras.

E os exemplos que demos já nos mostraram. Uma ideia, expressada chãmente, poderá transformar-se numa trivialidade, mas se dermos uma harmonia e aquele ímpeto que nos eleva, ela pode tornar-se sublime. Vamos a um exemplo: todos os homens são ambiciosos e o ser humano quereria ter tudo, ser tudo, apossar-se de tudo. No entanto não o pode. Que deve fazer senão conformar-se com os limites que lhe são naturais? Mas vejamos essa mesma ideia exposta acima, tão simples, trivial até, dita no Ramayana com sublimidade: "Nem todo o ouro do mundo, nem todo o trigo, nem todas as mulheres são bastantes para um só homem; lembra-te e resigna-te".

Há aí, na harmonia, e no ímpeto da frase, uma beleza que torna a ideia sublime. Há um calor que nos inflama, que se nos comunica.

Analise o leitor todas as ideias enunciadas que o arrebataram, que o elevaram, que o colocaram num certo instante acima de si mesmo, como sentindo-se pairar acima do comum, e verá que, em todas elas, há esse ímpeto ao lado da harmonia e da simplicidade. E este exercício já é uma preparação para o domínio do sublime.

sábado, 15 de junho de 2013

DA BELEZA - Mário Ferreira dos Santos

De Mário Ferreira dos Santos
Capítulo do livro "CURSO DE ORATÓRIA E RETÓRICA"

Falamos nas páginas anteriores da beleza muitas vezes, sem que a tivéssemos estudado. Assim como o sublime, a beleza é uma fonte de agradáveis prazeres para a imaginação humana. A emoção da beleza é diferente da emoção do sublime, embora, como nos últimos exemplos que fornecemos, o belo e o sublime conheçam um ponto de contacto, o que aliás é comum observar-se. Quando o homem, em épocas mais recuadas, era capaz de assombros, o sublime predominava. Mas o homem moderno, sobretudo o das grandes cidades, é um tanto céptico, menos emocional em relação ao sublime. Um temporal que, no campo, é uma coisa sublime, na cidade perde grande parte de seus caracteres para nos parecer algo de impróprio, de inconveniente, de desajustado. É que a metrópole impõe sempre o seu gosto (ou melhor o seu mau gosto); é o estado do artificial, do apócrifo. Por isso o homem moderno, até quando vive nas pequenas cidades, não tem capacidade de captar facilmente o sublime.

Enquanto o sublime eleva o espírito, exalta, arrebata, a beleza dá uma emoção agradável, suave. O sentimento que pode engendrar o sublime, por ser violento, é menos durável que o prazer que dá a beleza. Os trechos que citamos participam tanto do sublime como da beleza. Elevam-nos e nos dão uma emoção agradável, perdurável, de tranquilo bem-estar. É que, como dissemos, não há fronteiras delimitadas entre o sublime e a beleza, pois se confundem muitas vezes.

Em que consiste a beleza? Se lermos as obras dos estetas, veremos que há uma grande divergência sobre o que consideram belo e qual o conceito que dele formam. E a dificuldade é simples de explicar: é que o belo não consiste em alguma coisa, que está aí. O belo é um valor, o belo vale. Quando dizemos que uma coisa é bela,nada acrescentamos nem tiramos da coisa. Se dizemos que um objecto é azul, o azul está no objecto, e se dizemos que não é azul, é que o azul não está nele. Mas quando dizemos que é belo, não o encontramos no objecto, que continua com as suas mesmas características como se não tivéssemos dito nada. O belo não o encontramos aqui ou ali. Então o belo é uma relação entre o objecto e o sujeito? Também não, porque o belo não depende apenas das apreciações subjectivas. O facto de alguém não perceber o belo de uma coisa, não quer dizer que essa coisa não seja bela. É êle um valor e os valores, na filosofia, são estudados diferentemente dos outros objectos, porque os valores, em suma, valem. Mas deve haver uma base real, de res, de coisa, no belo? Sim, há. E o que há é uma disposição harmoniosa de aspectos que permite despertar uma emoção estética, a qual nos leva a declarar belo um objecto porque tem beleza. Todos nós sabemos o que é belo, quando nos perguntam o que êle é, e não sabemos quando queremos dizer o que é. Dá-se com o belo o que se dava com o tempo para Santo Agostinho; todos o sentimos, mas não sabemos defini-lo.
Este tema transcende os limites da retórica, e cabe à filosofia da arte estudá-lo. Procuraremos simplificar quanto possível para tentar uma explicação singela.

Os estetas têm dificuldades em definir o belo, e é fácil ver-se por que. Alguns (são os cépticos), negam qualquer possibilidade de definição ou de encontrar-se nele um caráter objectivo. Vamos analisar.
Todos sentimos o que é belo. Há assim, em todos nós uma intuição do belo. Acreditamos que há coisas belas, que conhecemos e que não conhecemos. Sentimos que o belo é tudo quanto é capaz de nos provocar uma emoção estética. Em face de um objecto que nos provoca essa emoção, não trepidamos em chamá-lo de belo. Neste caso, procedemos a uma apreciação estética do objecto. Outro, porém, poderá dizer o contrário, isto é, apreciar diferentemente o mesmo objecto e dizer, dele, qeu não vale o ser-belo, que é uma obra sem beleza. O conceito do belo, intuitivamente formado por um e por outro, é o mesmo, mas, quando em relação ao objecto, um afirma que vale o ser-belo e outro afirma o contrário. Nesses casos, é a emoção estética, de um e de outro, quedeu o valor, valorou o objecto. Se examinarmos a história da humanidade, veremos que essas valorizações variam de uma época para outra, de uma classe para outra, de um povo para outro. São esses factos que fundamentam a opinião dos cépticos, na estética.

No entanto, há coisas chamadas belas que são belas em todas as eras e em todos os povos e para todas as classes.

Então, essas são dotadas da verdadeira beleza? Ora, não esqueçamos que o ser humano é sempre o ser humano. Há uma parte dele que varia, modifica-se através do tempo, mas há outra que permanece invariante. Quando a beleza é da primeira parte, é variante também; quando da segunda, atravessa o tempo.
Um crepúsculo de cores maravilhosas e cambiantes será belo em todas as eras humanas, independentemente do histórico, enquanto o homem fôr homem. Quando algum objecto é capaz de nos provocar a emoção estética mais elevada, chamamo-lo de belo. E êle realmente o será quando obedeça a essa parte invariante, quando fôr capaz de atravessar os tempos, quando tenha, em suma, o que chamamos de "eternamente actual".

Em que consiste esse "eternamente actual?" Consiste em ser actual sempre, não agora, nem ontem, mas sempre. A emoção estética, já vimos, ou nos arrebata pelo sublime ou nos dá esse estado agradável, manso, que é próprio da beleza. O homem sempre se emocionou esteticamente com o sublime e com o harmonioso, com o profundo e sábio, com o que o exalta, com o que lhe dá uma emoção de superação, e lhe modifica o estado interior sem um fim utilitário, sem que o utilize sempre que a contemplação se faça, não exigindo um esforço desagradável. Em suas linhas gerais, o "eternamente actual" e o instante que a arte toma e tira o tempo, liberta do tempo, do fluxo do tempo, do que se passa, para torná-lo eterno, imutável. Como esses temas pertencem à estética, bastam, para o estudo da retórica, os elementos que demos acima, que são suficientes para empreendermos outras análises de ordem teórica.

sábado, 8 de junho de 2013

Frases de São João Bosco

Frases de São João Bosco

1 ."Se fizermos o bem, encontraremos o bem nesta vida e na outra"

2. "Uma educação eficaz apóia-se inteiramente na razão, na religião e na bondade"    

3. "Lembrai-vos de que a educação é questão de coração, do qual somente Deus pode dar-vos as chaves"

4 ."Os jovens não só devem ser amados, mas devem saber que são amados. A primeira felicidade de um menino é saber-se amado"

5. "Quem quer ser amado ama. E quem é amado tudo alcança, sobretudo dos jovens"

6. "Diante da verdade não tenho medo de ninguém"

7. "Em todo jovem mesmo no mais infeliz, há um ponto acessível ao bem e a primeira obrigação do educador é buscar esse ponto, essa corda sensível do coração, e tirar bom proveito".

8. "A prática desse sistema é toda apoiada sobre as palavras de São Paulo, que diz: A caridade é paciente, é benigna, tudo sofre, tudo espera e suporta qualquer incômodo".

9. "Consideremos (nossos alunos) como filhos, pondo-nos a seu serviço, e não dominando".

10. "Familiaridade com os jovens especialmente no recreio, sem familiaridade não se demonstra afeto, e sem essa demonstração não pode haver confiança. Quem quer ser amado deve demonstrar que ama. O mestre visto apenas na cátedra é mestre e nada mais, mas, se está no recreio com os jovens torna-se irmão..."

11. "Meus caros jovens, eu vos amo de todo coração, basta-me saber que sois jovens para que vos ame profundamente".

12. "Essa querida juventude foi sempre terno objeto de minhas ocupações, dos meus estudos, do meu ministério sacerdotal e da nossa congregação".

13. "Fiz tudo quanto soube e pude pelos jovens, que são o amor de toda minha vida".

14. "Conseguir-se-á mais com um olhar de bondade com uma palavra animadora, que encha o coração de confiança, do que com muitas repreensões que só trazem inquietações e matam a espontaneidade".

15. "Que os jovens não sejam amados, mas que eles próprios saibam que são amados..."

16. "Que, sendo amados nas coisas que lhe agradam, aprendam a ver o amor nas coisas que naturalmente pouco lhe agradam...

17. "O meu sistema? Simplicíssimo: deixar aos jovens plena liberdade de fazer o que mais lhe agrada. O problema é descobrir neles germes de boa disposição e procurar desenvolve-los".

18. "Geralmente os professores tendem a ser comprazer como os alunos que se sobrassem nos estudos e na capacidade, e na explicação têm vista só esses..."

19 ."Eu sou do parecer oposto. Creio que seja dever de todo professor olhar mais os mais fracos dar aula..."

20. "Basta que sejais jovens para que eu vos ame."

21. "Nossa vida é um presente de Deus e o que fazemos dela é o nosso presente a Ele."

22. "Deus nos colocou no mundo para os outros"

23. "Dai-me almas, ficai com o resto"

24. "Descansaremos no céu"

25. "Foi ela (Maria Auxiliadora) quem tudo fez"

26. "Quem confia em Maria jamais será iludido".

27. "Amai esta vossa mãe celeste, recorrei a ela de coração".

28. "Em todo perigo, invocai Maria; eu vos asseguro que sereis ouvidos".

29. "Um sustentáculo grande para vós, uma arma poderosa contra as insídias do demônio tende, caros jovens, na devoção a Maria santíssima".

30. "Maria foi verdadeiramente constituída por Deus auxílio dos cristãos".

31. "Eu recomendo que diga todas as noites, antes de se deitar, três vezes a seguinte oração: querida mãe, virgem Maria, fazei que eu salve a minha alma".

32. "Maria nos mantenha todos firmes e nos guie pelo caminho do céu".

33. "Maria protege todos os seus devotos, em todas as necessidades, mas os protege especialmente na hora da morte".

34. "Amai, honrai e servi a Maria".

35. "Prometi a Deus que até meu último suspiro seria para os jovens."

36. "O que somos é presente de Deus; no que nos transformamos é o nosso presente a Ele"

37. "Ganhai o coração dos jovens por meio do amor"

38. "A música dos jovens se escuta com o coração, não com os ouvidos."

39. "Suporta de bom grado os defeitos alheios, se queres que os outros suportem os teus."

40. "Tudo eu daria para ganhar o coração dos jovens e assim poder apresentá-los como presente ao Senhor."

41. "Se queres fazer-te bom pratica apenas três coisas e tudo andará bem. Ei-las: alegria, estudo e piedade."

42. "Eu não quero outra coisa dos jovens senão que sejam bons e
estejam sempre alegres."

43. "Desejo ver os meus jovens correr e pular alegremente no recreio."

44. "Alegria, oração e Santa Comunhão são nosso amparo".

45. "Se querem que nossa vida seja sempre alegre e tranquila procure
viver sempre na graça."

46. "Vivam o máximo a alegria, contanto que não façam pecado."

47. "Quero ensinar um método de vida cristã que seja alegre, mostrando os verdadeiros prazeres de modo que vocês possam dizer: Sirvamos ao Senhor com alegria."

48. "Quero que todos sirvam de boa mente ao Senhor com santa alegria, mesmo no meio das dificuldades."

49. "Mostrarmeei contente com o alimento que me foi servido contanto que não seja nocivo à minha saúde."

50. "Sobriedade no alimento, nunca além do necessário, para se conservar a saúde de corpo e de alma."

51. "Aquele que se interessa pela salvação de uma alma, tem fundadas esperanças de salvar a própria."

52. "Aja de modo que, pelas suas ações e pelas suas palavras, qualquer pessoa saiba que você procura o bem das almas."

53. "Quando vocês entrarem no céu. Deus lhes mostrará as almas que vocês ajudaram a salvar."

54. "Dom Bosco não se negaria a tirar o chapéu ao Diabo, contanto que o deixe passar para salvar uma alma."

55. "Uma das últimas frases escritas por Dom Bosco: Quem salva a alma salva tudo; quem perde a alma perde tudo."

56. "Quem anda com gente virtuosa, será também virtuoso. Se vocês
andarem com os bons irão para o céu."

57. "Andando com maus companheiros vocês acabam se perdendo, pondo em risco a própria salvação."

58. "Será grande o dia para aquele que conseguir dobrar um inimigo e conquistar um amigo."

59. "O amor às coisas terrenas diminui, muitas vezes até apaga o desejo das coisas do céu."

60. "Nas tentações invoque seu anjo. Ele deseja ajudar você mais do que você deseja ser ajudado por ele."

61. "Coragem e reze: o seu Anjo reza também por você e você será ouvido."

62. "Se vocês encontrarem-se em algum perigo de alma e de corpo, invoquem o Anjo da Guarda e eu tenho certeza que eles os assistirá e livrará."

63. "Não adianta nada ficar lamentando os males, é preciso arregaçar as mangas e dar de tudo para eliminá-los."

64. "Respeite todas as autoridades constituídas como cidadão."

65. "Quando vocês se levantarem pela manhã, repitam sempre: Ave Maria."

66. "Não fomos criados para comer e beber, mas para amar a Deus e salvar a alma."

67. "Para fazer o bem, ocorre ter um pouco de coragem e estar disposto a alguma mortificação."

68. "Nunca deixem para amanhã o fazer o bem que vocês podem fazer hoje, porque amanhã poderá ser tarde."

69."Fazer o bem quanto podemos, e depois não esperar o reconhecimento do mundo e sim de Deus."

70. "Sejam firmes no propósito de impedir o mal e fazer o bem, mas sejam sempre dóceis e amáveis, perseverantes e prudentes."

71. Umas das últimas palavras ditas por D. Bosco, em 13 de janeiro de
1888. "Façamos o bem a todos e o mal a ninguém."

72. "Fazer o bem sem aparecer. A violeta fica escondida, mas a gente acha o perfume."

73. "Felizes aqueles que se entregam a Deus, para sempre, na sua juventude."

74. "Quem atrasa a própria entrega a Deus corre o risco de perder a alma."

75. "Se fizermos o bem, encontraremos o bem nesta vida e na outra."

76. "Causa-me mais dor escutar uma blasfêmia do que tomar um soco."

77. "Ser bom não consiste em não cometer falhas, mas na vontade de corrigir-se."

78. "A bondade é estimada também pelos homens maus, ainda que não as pratiquem."

79. "Mostrem-se bons cristãos e homens retos. Assim demonstrarão ser verdadeiros filhos de D. Bosco."

80. "Nas contradições, o principal remédio é a tranquilidade e a caridade."

81. "É preciso paciência contínua, constância, perseverança, fadiga."

82. "A pressa costuma estragar todas as coisas."

83. "A caridade suporta tudo. Por isso não haverá verdadeira caridade quem não se dispuser a suportar os defeitos dos outros."

84. "Se ofenderem alguém, procurem logo acalmálo aliviando-lhe o coração de qualquer rancor contra vocês."

85. "Quem quiser trabalhar com o fruto deve ter caridade no coração e paciência nas obras."

86. "Meios positivos para se conservar a castidade: oração, faça do ócio, frequência dos sacramentos, vigilância nas pequenas coisas."

87. "Amem muito a castidade. Lembrem-se, para conservá-la é precioso trabalhar e rezar."

88. "Se você quiser conservar a castidade, evite as más leituras."

89. "O mais eficiente defensor da castidade é o pensamento da presença de Deus."

90. "Esqueça os serviços que prestou, mas não os que recebeu."

91. "Não fique desculpando seus defeitos, procure corrigilos."

92. "Fale pouco de você e menos ainda dos outros."

93. "Os dois mais fortes sustentáculos para a caminhada até o céu são os sacramentos da confissão e da comunhão."

94. "A vocação se conserva com uma vida recatada e com a santa comunhão."

95. "É preciso que o Senhor tome posse do coração dos jovens antes que o pecado o faça."

96. "O que falta radicalmente em tantos jovens que se confessam é a firmeza de propósitos."

97. "A árvore se conhece pelos frutos. Da melhora da nossa vida aparecerá a bondade de nossas confissões."

98. "Confessem-se como se sua confissão fosse a última de suas vidas."

99. "O confessor é um amigo que não deseja outra coisa senão o bem de nossas almas."

100. "O coração de um jovem que está em pecado é como um mar em contínua agitação."

101. "Do próximo, ou falar o bem ou calar a boca."

102. "Vamos seguir essa palavra de ordem, fazer o bem e deixar falar."

103. " A nossa cruz são os sofrimentos que todos encontramos na nossa vida."

104. "Sempre há amarguras para se sofrer: destas sairemos vitoriosos dando uma olhada no crucifixo."

105. "O demônio não tem medo da penitência e sim da obediência."

106. "O demõnio quer que fiquemos no ócio, se estamos no ócio ele diz: não preciso trabalhar mais."

107. "Onde existe trabalho, não está o demônio."

108. "O demônio faz de tudo para impedir a oração"

109. "Devemos fazer Deus passar no coração dos jovens, não somente na porta da Igreja, mas também da escolar."

110. "Seja com Deus como o passarinho que sente tremer o ramo, mas continua a cantar, porque sabe que tem asas."

111. "Deus manifesta seus poder especialmente no compadecer e no perdoar."

112. "Neste mundo a gente não encontra a felicidade, se não houver a paz com Deus."

113. "Nunca se divirtam ficando no ócio ou perdendo o tempo inutilmente."

14. "A palavra escândalo quer dizer tropeço, se chama escandaloso aquele que dá aos outros ocasião, com palavras e fatos, de ofender a Deus."

115. "Quem com palavras, conversas e ações der escândalos, não é um amigo, mas um assassino de almas."

116. "Enquanto alguém se conserva casto, tem sempre fé viva, firme esperança e ardente caridade."

117. "Tenham coragem diante de sua fé e suas convicções. São os maus que devem temer diante dos bons, e não os bons diante dos maus."

118. "Vocês leem no ofício de Nossa Senhora: "Meu nardo exalou um suave perfume. O nardo só exala perfume quando é amassado, por isso não se importem se forem maltratadas pelo mundo."

119. "Quando você tiver espinhos, ponha-os na coroa de Jesus."

120. "A formação dos jovens consiste em duas coisas: doçura e comunhão e confissão frequentes."

121. "Tratemo-nos uns aos outros com gentileza, cortesia e caridade."

122. "Infelizes são aqueles que ouvindo bater as graças de Deus em seu coração fecharam-na."

123. "Se quiserem que suas vidas sejam alegres e tranquilas, procurem viver na graça de Deus."

124. "Não é possível que quem é grato não possua também outras virtudes."

125. "Não devemos nos admirar de encontrar ingratos: também entre os doze apóstolos houve um."

126. "Ai de quem trabalhe esperando os louvores do mundo; o mundo é um mau pagador, e paga sempre com ingratidão."

127. "A humildade é a fonte de toda a tranquilidade."

128. "Quem é humilde é amável, será amado por todos, por Deus e pelos homens."

129. "Faltando a moralidade, se perde a alma pra Deus e a honra para o mundo."

130. "Se persuadam desta grande verdade: onde esta o sucessor de Pedro, está a verdadeira igreja."

131. "A glória da igreja é a nossa glória."

132. "Maria Santíssima Imaculada odeia tudo aquilo que é contrário a pureza."

133. "Deus quer demonstrar nestes tempos tão depravados que sua Mãe Imaculada é onipotente através do seu divino filho."

134. "Os três inimigos do homem são: a morte que o surpreende, o tempo que escapa, e o demônio que nos arma seus laços."

135. "Fujam do pecado como seu maior inimigo."

136. "A pureza da intenção é fazer aquilo que agrada a Deus. Quem nos dá certeza disso é a obediência."

137. "A defesa mais segura contra a ira é a demora em desafogá-la."

138. "A leitura dos jornais rouba grande parte do tempo aos estudos sérios e atrai a alma para muitas coisas inúteis."

139. "As mentiras, além de ser uma ofensa a Deus, nos tornam filhos do demônio."

140. "É mentiroso quem se diz cristão e não se comporta como cristão."

141. "Lembre-se que neste mundo não temos tempo de paz, mas de guerra contínua."

142. "É preciso trabalhar como se a gente não fosse morrer nunca, e viver como se a gente devesse morrer todos os dias."

143. "O oratório sem música é um corpo sem alma."

144. "A música também serve para educar."

145. "Que triste ver cristãos fazendo pouco caso, ou mesmo nenhum do augusto sacrifício que é feito no altar."

146. "A mortificação dos olhos é o grande protetor da pureza."

147. "Quem não tem paz com Deus, não tem paz consigo mesmo nem com os outros."

148. "Continuem o caminho da virtude e sempre terão paz no coração."

149. "Quando um filho deixa os pais para seguir uma vocação, Jesus Cristo ocupa o lugar da família."

150. "Ninguém pode ser católico se não estiver unido ao Papa."

151. "O paraíso não é feito para os preguiçosos."

152. "Sabe o quê quer dizer cair em pecado mortal? Quer dizer renunciar o filho de Deus e ser escravo de satanás."

153. " A verdadeira causa de todos os males é o pecado. O pecado torna os povos infelizes."

154. "Maria Santíssima não quer a devoção daqueles que querem continuar vivendo em pecado."

155. "A vingança do verdadeiro católico é o perdão e a oração pela pessoa que ofende."

156. "No evangelho está escrito, felizes os que choram, e não felizes os que vivem nos prazeres."

domingo, 2 de junho de 2013

MENSAGEM DO PAPA PAULO VI NA CONCLUSÃO DO CONCÍLIO VATICANO II AOS JOVENS

MENSAGEM DO PAPA PAULO VI 
NA CONCLUSÃO DO CONCÍLIO VATICANO II
AOS JOVENS
8 de Dezembro de 1965

Aos jovens,
É finalmente a vós, rapazes e moças de todo o mundo, que o Concílio quer dirigir a sua última mensagem - pois sereis vós a recolher a tocha das mãos dos vossos antepassados e a viver no mundo no momento das mais gigantescas transformações da sua história, sois vós quem, recolhendo o melhor do exemplo e do ensinamento dos vossos pais e mestres, ides constituir a sociedade de amanhã: salvar-vos-eis ou perecereis com ela.
A Igreja, durante quatro anos, tem estado a trabalhar para um rejuvenescimento do seu rosto, para melhor responder à intenção do seu fundador, o grande vivente, o Cristo eternamente jovem. E no termo desta importante «revisão de vida», volta-se para vós. É para vós, os jovens, especialmente para vós, que ela acaba de acender, pelo seu Concílio, uma luz: luz que iluminará o futuro, o vosso futuro.

A Igreja deseja que esta sociedade que vós ides constituir respeite a dignidade, a liberdade, o direito das pessoas: e estas pessoas, sois vós.

Deseja em especial que esta sociedade deixe espalhar-se o seu tesoiro sempre antigo e sempre novo: a fé, e que as vossas almas possam banhar-se livremente nos seus clarões benéficos. Tem confiança que vós encontrareis uma força e uma alegria tais que não chegareis a ser tentados, como alguns dos vossos antepassados, a ceder à sedução das filosofias do egoísmo e do prazer, ou às do desespero e do nada, e que perante o ateísmo, fenômeno de cansaço e de velhice, vós sabereis afirmar a vossa fé na vida e no que dá um sentido à vida: a certeza da existência de um Deus justo e bom.

É em nome deste Deus e de seu Filho Jesus que vos exortamos a alargar os vossos corações a todo o mundo, a escutar o apelo dos vossos irmãos e a pôr corajosamente ao seu serviço as vossas energias juvenis. Lutai contra todo o egoísmo. Recusai dar livre curso aos instintos da violência e do ódio, que geram as guerras e o seu cortejo de misérias. Sede generosos, puros, respeitadores, sinceros. E construí com entusiasmo um mundo melhor que o dos vossos antepassados.

A Igreja olha-vos com confiança e com amor. Rica de um longo passado sempre vivo, e caminhando para a perfeição humana no tempo e para os destinos últimos da história e da vida, ela é a verdadeira juventude do mundo. Possui o que constitui a força e o encanto dos jovens: a faculdade de se alegrar com o que começa, de se dar sem nada exigir, de se renovar e de partir para novas conquistas. Olhai-a, e encontrareis nela o rosto de Cristo, o verdadeiro herói, humilde e sábio, o profeta da verdade e do amor, o companheiro e o amigo dos jovens. É em nome de Cristo que nós vos saudamos que vos exortamos e vos abençoamos (AAS 58 (1966), p. 8-18).


Alegria de Cristo - Gilbert Keith Chesterton


“A alegria, que foi a pequena publicidade do pagão, é o gigantesco segredo do cristão. E no fechamento deste caótico volume torno a abrir o estranho livrinho do qual proveio o cristianismo; e novamente sinto-me assombrado por uma espécie de confirmação. A tremenda figura que enche os evangelhos erguese altaneira nesse respeito, como em todos os outros, acima de todos os pensadores que jamais se consideraram elevados.

A compaixão dele era natural, quase casual. Os estóicos, antigos e modernos, orgulhavam-se de ocultar as próprias lágrimas. Ele nunca ocultou as suas; mostrou-as claramente no rosto aberto ante qualquer visão do dia-a-dia, como a visão distante de sua cidade natal. No entanto, alguma coisa ele ocultou. Solenes super-homens e diplomatas imperiais orgulham-se de conter a própria ira. Ele nunca a conteve. Arremessou móveis pela escadaria frontal do Templo e perguntou aos homens como eles esperavam escapar da danação do inferno. No entanto, alguma coisa ele ocultou. Digoo com reverência; havia naquela chocante personalidade um fio que deve ser chamado de timidez. Havia algo que ele encobria constantemente por meio de um abrupto silêncio ou um súbito isolamento. Havia uma certa coisa que era demasiado grande para Deus nos mostrar quando ele pisou sobre esta nossa terra. As vezes imagino que era a sua alegria.” G. K. Chesterton - Ortodoxia