sábado, 2 de novembro de 2013

Igreja e Estado - por José Pedro Galvão de Sousa

Igreja e Estado* 


por José Pedro Galvão de Sousa (*1912 - +1992)

A Sociedade civil tem um fim temporal. Os homens nela reunidos, através das famílias e de outros grupos que a compõem, procuram os bens de que carecem, mediante um esforço comum coordenado pela autoridade que a governa. 

Esse mesmos homens têm um fim sobrenatural. Acham-se de passagem neste mundo. Peregrinos em demanda da Eternidade, conforme o seu viver terreno receberão a eterna recompensa ou o castigo eterno.

A graça de Deus permite-nos vencer a nossa própria natureza, que, em consequência da queda dos nossos primeiros pais, se tornou rebelde e inclinada para o mal. Essa vitória sobre o "eu", sobre o homem velho do pecado, que está em cada um de nós, significa o vivermos a vida do homem novo pela graça de Cristo Redentor. É, pois, uma vitória sobre a natureza corrompida pelo pecado; é a elevação do homem, alcançando a sua perfeição, pela união com Deus, a cuja imagem e semelhança ele foi criado.

A ordem da graça é infinitamente superior à ordem natural dos sentidos (vida corporal) ou à da inteligência.

O naturalismo dos nossos dias quer reduzir a vida humana a estas ordens inferiores. Daí provém, na organização das sociedades políticas, a concepção do Estado leigo ou secularizado, que fecha os olhos ao fim sobrenatural do homem.

O Estado tem um fim precipuamente temporal, que, por isso mesmo, se subordina ao fim superior e último do homem. Cabe-lhe, pois, proporcionar a todos condições de ordem temporal que não prejudiquem, mas antes favoreçam o bem espiritual.

Daí as relações entre a sociedade política e a sociedade religiosa ou a Igreja.

*Excerto do livro SOUSA, J. P. Galvão. Iniciação à teoria do estado : roteiro de princípios. São Paulo: J. Bushatsky, 1967. Pág. [37]-38

Dom Vital, Os Jesuítas e a Maçonaria

Estão disponíveis no site da Biblioteca Digital do Senado Federal várias obras raríssimas para baixar gratuitamente.

Dentre elas:

A Maçonaria e os jesuitas : instrucção pastoral aos seus diocesanos do Bispo de Olinda

Oliveira, Vital Maria Gonçalves de, Bispo de Olinda
Publicador: Rio de Janeiro : Typ. do Apostolo
Data de publicação: 1875
Paginação: 204 p.
Assunto: Maçonaria | Jesuítas

A questão religiosa do Brazil perante a Santa Sé, ou, A missão especial a Roma em 1873 à luz de documentos publicados e ineditos

Antônio de Macedo Costa, bispo católico brasileiro, foi nomeado em 1860 como Bispo do Pará; depois foi arcebispo da Bahia. Juntamente com D. Vital, bispo de Olinda, iniciou a luta contra o tradicional regalismo da Igreja no Brasil, que tivera como conseqüência a interferência da maçonaria nos sodalícios (irmandades e ordens terceiras). Suspendeu padres maçons e interditou a atividade dos leigos maçons nas irmandades. Foi atitude de oposição ao governo, sendo o Primeiro-Ministro, Visconde do Rio Branco, Grão-Mestre da Maçonaria. A Questão dos bispos, nome dado a essa disputa, durou de 1873 a 1875. O Imperador D. Pedro II tomou o partido de Rio Branco. Os bispos foram presos, processados e condenados a quatro anos de prisão com trabalhos forçados, depois recolhidos, para prisão simples, na fortaleza da ilha das Cobras e, enfim, anistiados. D. Macedo Costa foi notável pregador e escritor.
Costa, Antonio de Macedo, Bispo do Pará, 1830-1891.
Edição: Nova ed. com accrescimos e mais corr.
Publicador: Lisboa : Lallemant Freres, 1886.
Data de publicação: 1886
Assunto: Igreja Católica. | Igreja e Estado, Brasil. | Questão religiosa (1872-1876), Brasil. | Maçonaria, Brasil.



O Barão de Penedo e a sua Missão a Roma

Costa, Antonio de Macedo, Bispo do Pará, 1830-1891.
Publicador: Rio de Janeiro : Typ. G. Leuzinger, 1888.
Data de publicação: 1888
Paginação: 263 p. ;24 cm.
Assunto: Penedo, Francisco Ignacio de Carvalho Moreira, Barão de, 1816-1906. | Igreja católica, Brasil. | Igreja e estado, Brasil.


A egreja e o estado

Tratam-se de artigos que apareceram no Jornal do Commercio, sob o pseudônimo de Ganganelli, aqui organizados em forma de livro. Segundo Innocencio, foram motivados pela Questão Religiosa e pelo discurso do senador Cândido Mendes de Almeida, no Senado, sendo a obra "[...] notavel contra o jesuitismo e ultramontanismo." Blake, por sua vez, informa que estes escritos foram procurados com avidez durante a contenda. Sairam publicadas, em volumes, uma segunda, terceira e quarta série, nos respectivos anos de 1874, 1875 e 1876.
Marinho, Joaquim Saldanha, 1816-1895
Publicador: Rio de Janeiro : Typ. Imp. et Const. de J.C. de Villeneuve
Data de publicação: 1873
Paginação: v. ;21 cm.
Assunto: Igreja e Estado, Brasil | Questão religiosa (1872-1876), Brasil

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Google e o controle de nossas vidas...


Teoria da conspiração ou não, fato é que nunca fomos tão vigiados, fiscalizados e controlados quanto nestes tempos. De fato, a quantidade de informação é absurdamente enorme, a internet oferece-nos muitas possibilidades. Qualquer pessoa pode escrever ou baixar informação da internet.

Minha intenção, como um cirurgião que não perde tempo com detalhes, é ir direto ao ponto.

Todo cidadão é vigiado hoje em dia. Todos nós estamos sujeitos ao controle direta ou indiretamente. Antigamente as informações eram armazenadas em papel e arquivos, não havia possibilidade de instantaneamente fazer a recuperação de informações de um cadastro de dados interligado ao outro. Quem nunca pesquisou seu nome no Google? A probabilidade de encontrar algo é enorme. Quase certa!

Temos e-mail, conta em Redes Sociais, cadastros em sites, fundações, ONGs, Bancos, Faculdades, Universidades etc. Temos muitos dados pessoais sob os cuidados de terceiros e sujeitos a todos os tipos de uso indevido.

Impressiona-me ver que os celulares modernos têm vários aplicativos que visam facilitar nossa vida e ajudar nosso dia a dia. Não digo que seja ruim, mas fico preocupado com os riscos que corremos. Certo dia depare com um serviço do Google chamado Google Now. Este serviço possibilidade muitas facilidades, como instantaneamente informar o que há próximo a você. Por exemplo: ao acordar para ir para o trabalho ele já te informar a situação do trânsito, qual a melhor rota; na hora do almoço, caso queira comer uma massa, ele informar o restaurante mais próximo; quer pagar uma conta? Ele informa agência bancária mais próxima.

Enfim, faça uma pesquisa e confira as muitas facilidades que o sistema oferece. Se há pontos positivos, temos que questionar o lado negativo. O Google conseguirá saber toda sua rotina, seus contatos, suas preferências, seus gostos... Conseguirá todas as informações da sua vida. Será que vale apena nos submetermos a isto? O que poderá ser realizado com nossas informações? Estamos em uma iminência de um controle global? Ficam no ar as dúvidas. Como tudo na história, o que são gritos isolados contra monstros enormes que se aproximam para ficar? 

Se as indústrias da informação quiserem todos os nossos dados ela tem e terão, pois estamos caminhando para a exposição de nossas vidas. Estes passos são dados com uma alegria infantil de acharmos que estamos no lucro, mas no fundo, quem ganha são as elites globalistas.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Novos lançamentos da Edições Cristo Rei


A excelente editora Edições Cristo Rei, que tem coragem de em sua página inicial apresentar sua face e expressar palavras tão raras de encontrar em uma editora Católica - assim se apresenta ao público brasileiro:

"Nós prezamos pela completa fidelidade ao atual sucessor de Pedro, o papa Francisco, e ao Magistério de todos os sumos pontífices."

A Editora tem publicado livros de conteúdos excelentes. Vale marcar a qualidade das edições, livros bem formatados e editados convida ao leitor a leitura. E o melhor! Os preços estão  bem acessíveis. Publicaram o livro 'Francisco O Papa dos confins da terra' (2013); a primeira publicação da  'Carta Encíclica Quas Primas' (2012) no Brasil; o excelente livro sobre a 'A Guerra dos Cristeros' (2013) (Evento histórico em que o Governo Comunista-Maçônico perseguiu e matou milhares de Cristão (Cristeiros como foram chamados) mexicanos.) Entre outros livros. Confira aqui: http://edicoescristorei.com.br 

Fico esperanço ao ver que há um reflorescimento Católico do Brasil. Convido o leitor a ler este extraordinário artigo do Beato Anacleto Gonzáles Flores: As boas Leituras - "Se é necessário evitar os maus livros e periódicos, é, também, conveniente e indispensável buscar com grande afinco e ardor as boas leituras". Anacleto Gonzáles Flores.

CitizenGO - Nova plataforma para o cidadão expressar sua opinião

Democracia, liberdade de expressão, cidadania...Palavras como estas estão em nosso dia a dia. Fazem parte de nossos vocabulários e as utilizamos muitas vezes sem consciência. Pois bem, incosnciente tem sido nosso catolicismo. Resumimos nossa vida - se pelo menos fizéssemos isso - às práticas de oração e caridade. 

Os católicos no Brasil, muitas vezes, ficam perplexos com as afrontas e desrespeitos que todos os dias e de todos os lados nossa doutrina e Igreja sofrem. Alongaria muito este pequeno intróito com os exemplos. São milhares. 

Não é de hoje que nosso catolicismo se confunde a meros atos sentimentais incoscientes. Homens como Dom Sebastião Leme e o Papa João Paulo II (em suas visitas), perceberam que nosso catolicismo é amorfo pela desorientação e má formação dos católicos; indeciso em suas decisões de cunho político; indefesso em seus planos social, cultural e intelectual. Receosos de nossas responsabilidades, sufocados pela mau hálito dos inimigos que gritam em nossa cara, seguimos impávidos colossos descompromissados com nossas responsabilidades para a defesa de nosso patrimônio de Fé.

Acordemos e tomemos consciência de que a defesa dos pilares cristão começa agora, hoje. Tomemos a peito nossas responsabilidades e não fiquemos calados diante de tantas injúrias. Gostaria de escrever mais e melhor tudo o que sinto. Me faltam as palavras adequadas. Deixo ao leitor o convite para ler a Carta Pastoral de Dom Leme: http://amigocruz.blogspot.com.br/2010/01/carta-pastoral-de-dom-leme-de-1916.html

Enquanto isso, façamos o que pudermos. Há uma plataforma para o cidadão expressar sua indignação às afrontas de as formas e meios aos princípios mais basilares de uma civilização. A que ponto chegamos de termos que lutar para defender a VIDA desde sua concepção! Não vamos nos deixar os inimigos vencer em nosso campo de batalha! Não vamos esmorecer acovardados. Não nos encastelemos em nosso comodismo e mediocridades. Não há coisa pior do que resumir a vida a fazer tudo para si mesmo, aos próprios caprichos e egoísmo. 

Conheça e divulgue (Pois isto também é importante para acordamos nossos parentes, amigos etc.) a plataforma CitizenGO


terça-feira, 15 de outubro de 2013

O VERDADEIRO E O FALSO DOM VITAL – Por Tristão de Athayde


Tristão de Athayde(Alceu Amoroso Lima)
Crítico literário, professor, pensador, escritor,Membro da Academia Brasileira de Letras


Há de todos os grandes homens, uma verdadeira e várias falsas efígies. Justamente por não caberem dentro dos moldes habituais, justamente por terem participado de lutas impiedosas e sofrido o louvor e o apodo de partidários e adversários, é que sua figura não pode nunca apresentar-se à história senão focalizada de modo antagônico e apresentando traços que se contradizem. Enquanto vivos, essa contradição é radical. Não é possível acomodação alguma. Levam consigo, até a morte, a tríplice visagem que a vida lhes empresta: a que os amigos veem, a que os inimigos traçam e a que julgam ter. E das três só é verdadeira… uma quarta. Pois só Deus sabe o que realmente somos. Só Ele dirá um dia, pela voz da posteridade e assim mesmo de modo aproximado – pois o nosso retrato verdadeiro só a visão beatífica revelará. – o que há de verdadeiro nos fragmentos de verdade de que é feita a imagem do homem neste mundo. O tempo é a voz de Deus. Dele vão lentamente emergindo os traços relativamente autênticos do que somos.
Há, portanto, dos grandes homens, ao menos uma verdadeira e várias falsas efígies. Dom Vital não podia escapar a esse fado universal. Sua vida foi uma luta contínua. E aqueles que assim vivem redobram as razões de equivocidades das imagens que deles tem o mundo.
Assim é que o grande Bispo foi apresentado, por muitos, e nem sempre os de fora, como sendo a própria expressão da truculência episcopal. Na farta messe literária e jornalística que a Questão Religiosa despertou, por todo o Império, a paixão extravasou de modo alucinante. A imagem que ficou, no público em geral, do Bispo de Olinda, foi a de homem intolerante e intratável, acostelado atrás dos seus privilégios, brandindo o báculo como um gládio, lançando anátemas como raios, querendo derrubar a Coroa para substituir por uma tiara, trocando a Constituição peloSyllabus e pretendendo varrer o liberalismo ambiente por uma onda de utramontanismo inquisitorial, que faria o Brasil retrogradar às fases mais sombrias do caos medieval. Esse é o falso Dom Vital. O verdadeiro não é a sua antítese. O Bispo de Olinda não era apenas a figura da mansidão. Ou antes, praticou a verdadeira mansuetude cristã, que não é apenas a negação da cólera, mas a sua temperança. João de S. Tomás nos diz que à mansuetude se opõem dois vícios, frutos, como todos os erros, dos extremismos contraditórios, do excesso ou da deficiência. “– À mansuetude se opõem: por excesso a iracundia e por deficiência um vício sem nome especial (sic), o das pessoas que são incapazes de cólera, embora tivessem para isso motivo razoável” (J. de S. Tomás – Isagoge ad Theologiam D. Thomae, II, IIae q. 158). No passo da Suma em que S. Tomás analisa esse “vício sem nome”, baseia-se ele numa sentença de S. João Crisóstomo, que diz: “Aquele que não se encoleriza quando tem razões para fazê-lo, peca”. Pois a paciência desarrazoada é o berço de muitos vícios, promove a negligência e provoca os maus e até os bons a procederem mal” (Hom. XI, in Math.).
E Santo Tomás raciocina: “A cólera deve ser entendida de dois modos. De um, como simples movimento da vontade, pelo qual alguém impõe uma punição, não por paixão, mas em virtude de um julgamento da razão. E, assim, sem dúvida, a falta de cólera é um pecado. Quando um homem se zanga com razão, sua cólera já não provém da paixão e por isso se diz que ele julga, não se enraivece. Em outro sentido, a cólera é tirada de um movimento do apetite sensível que acompanha uma paixão resultante de uma transmutação do corpo. Esse movimento é uma sequência necessária no homem, do movimento de sua vontade, desde que o apetite mais baixo acompanha necessariamente o movimento  do apetite mais alto, a menos que haja um obstáculo. Assim é que o movimento de cólera, no apetite mais alto, no apetite sensível, não pode faltar de todo, a menos que o movimento da vontade também falte ou seja fraco. Daí ser também um vício a falta de paixão da cólera, mesmo como falta de movimento na vontade dirigida à punição pelo julgamento da razão” (Sum. Theol. II, IIas, q. 158, art. 8).
Essa fina análise tomista da cólera, corrigida pela mansuetude, nos dá uma perfeita ideia do temperamento de um homem como Dom Vital, em sua verdadeira fisionomia. Não foi um fraco, um apático, um oportunista, que se acomodasse a qualquer situação, e confundisse a doçura e a mansidão de Cristo com a conivência com o mal. Por isso mesmo soube erguer-se varonilmente contra o erro, contra os poderosos, contra a iniquidade, sem temor do escândalo causado e particularmente das ameaças recebidas e postas em prática. Mas, ao mesmo tempo, jamais se deixou empolgar pela paixão, pela cólera apaixonada que é um vício tão grande quanto aquele “vício sem nome” de que nos falam S. João Crisóstomo, Santo Tomás e João de Santo Tomás, e que é a ausência da cólera quando há motivos de nos encolerizarmos. A mansuetude cristã não é um efeminamento. Não é um desfibramento do caráter. É apenas a educação da cólera, a afirmação de que o homem deve ser sempre senhor e não escravo de suas paixões.
O verdadeiro Dom Vital não foi, portanto, o homem truculento como pintam os seus adversários e como, por vezes, deixam de entender alguns dos seus próprios partidários. Foi, ao contrário, o perfeito filho de S. Francisco. Ao mesmo tempo, cheio de humildade, de pobreza, de renúncia, mas também inflexível na reação contra a iniquidade. Foi por isso mesmo um verdadeiro exemplo de cristão. Nele se conjugam, harmoniosamente, virtudes que o espírito do mundo apresenta como contraditórias: a energia e a mansidão, a firmeza e a renúncia, a inflexibilidade e a prudência, o espírito de ação e o espírito monástico de silêncio e oração. Conta-se que passava hora esquecidas rezando, alheio a tudo e a todos, a tal ponto que os coroinhas se divertiam em atirar, no bom frade, bolinhas de papel que iam ficando pregadas em seu hábito, sem que ele nem desse pela coisa, enquanto mergulhava em oração diante do Santíssimo.
Foi bispo contra a vontade. Defendeu-se, quanto pôde, contra a indicação da Santa Sé. Mas quando não houve outro remédio, foi Bispo de verdade, inteiramente devotado ao seu múnus pastoral, sem olhar a quaisquer interesses e conselhos de ordem subalterna ou utilitária. Sempre, porém, extremamente cuidadoso e sereno. Nunca partiu dele uma só provocação. Aguardou quanto pôde. Adiou qualquer solução mais forte enquanto foi possível e procurou trazer as Irmandades rebeldes ao reino da razão com boas maneiras. Só quando esgotou todos os meios pacíficos, como manda as Sagradas Escrituras, é que se dispôs a empregar as punições de ordem canônica.
Durante o processo, seu comportamento nunca foi o de um impulsivo. Exatamente o oposto. Sempre sereno, sempre superior, sempre conservando uma calma inalterável no meio dos acontecimentos catastróficos que abalavam todo o Império e toda a Igreja no Brasil, como só era possível a quem realmente vive uma vida de absoluto domínio de toda impulsividade inferior.
O retrato de Dom Vital, portanto, como um impulsivo, um apaixonado, um reacionário ultramontano, é tudo quanto há de mais contraditório com a verdade histórica e psicológica. Bravura e mansuetude foram as duas grandes virtudes desse varão realmente apostólico, exemplo perfeito da alma cristã que pôde compor, em perfeita harmonia, virtudes que o mundo geralmente dissocia, da violência arbitrária e da mansuetude uma ataraxia importante.
Não é, pois, o Dom Vital truculento, dos falsos retratos, que devemos colocar numa das culminâncias da nossa história espiritual e temporal, mas o verdadeiro Dom Vital, síntese incomparável de virtudes do coração manso, do caráter firme e da inteligência lúcida, reunidas num equilíbrio humano realmente sobrenatural.
(Texto publicado na Revista Dom Vital, ano XIII, n. 1, p. 8-10)

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