sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Frases de santos: São Felipe Neri

São Felipe Neri (Florença, 22 de julho de 1515 — 26 de maio de 1595)
"Guarde-se o moço da luxúria e o velho da avareza: e ambos serão Santos".

"Os que desejam avançar no caminho de Deus, sujeitem-se a um sábio confessor e obedeçam-lhe como a Deus".

"Quem quiser que lhe obedeçam muito, mande pouco".

"Quanto de amor pomos nas criaturas, tanto tiramos de Deus".

"Não tardes em bem obrar; porque a morte não tarda em vir".

"A tentação revelada ao diretor espiritual já é vencida pela metade".

"Não pode acontecer coisa mais gloriosa a um Cristão do que padecer por amor de Cristo".

"Quem não puder dedicar longo tempo a oração deve, pelo menos, elevar muitas vezes o seu coração a Deus".

"Neste mundo não há purgatório: ou é paraíso ou é um inferno. Os que suportam com paciência os sofrimentos desta vida gozam o paraíso. Quem assim não o faz, sofre o inferno".

“É possível restaurar as instituições com a santidade, e não restaurar a santidade com as instituições".

"Se quisermos nos dedicar inteiramente ao nosso próximo, não devemos reservar a nós mesmos nem tempo nem espaço".

"A devoção ao Santíssimo Sacramento e a devoção a Santíssima Virgem são, não o melhor, mas o único meio, para se conservar a pureza".

"Somente a Comunhão pode conservar puro um coração aos vinte anos! Não pode haver castidade sem Eucaristia".

"Com a oração pedimos mais graças a Deus; mas na Santa Missa obrigamos a Deus a no-las dar".

"Então, caro amigos, quando é que começaremos a amar a Deus?"


Retirado do livro Ensinamentos dos santos. Felipe Aquino. Editora Cleófas, 2003. 

Frases de santos: São João Vianney (Cura d'Ars)

(São João Vianney (Cura d'Ars). Lion, Dardilly, 8 de maio de 1786 - Ars-sur-Formans, 4 de agosto de 1859)



"Meu Deus, aqui está tudo: tomai tudo, mas convertei a minha querida paróquia. Se Vós não a converterdes, será porque eu não terei merecido. Meu Deus, eu quero sofrer tudo o que queirais, por todo o tempo da minha vida... durante cem anos... e até as dores mais agudas... mas convertei-os..."


"Na alma unida a Deus", "é sempre primavera".

O difamador é parecido com uma lagarta que, passeando sobre as flores, deixa lá sua baba e as suja, 

Nossa língua deveria ser utilizada somente para rezar, nosso coração para amar, nossos olhos para chorar.

Nós somos a obra de Deus. Somos sempre a obra de Deus. Entender isso é fácil; que a crucifixão de Deus seja nossa obra, isso é incompreensível.

O homem foi criado para o céu; o demônio quebrou a escada que levava ao céu. 


Que você diria de um homem que trabalhasse no campo do vizinho e deixasse o seu sem cultura? Mas é isso que você faz. Você se preocupa com os pecados alheios e se esquece de si próprio. 


Como é belo, como é grande conhecer, amar e servir a Deus! Não temos outra coisa a fazer no mundo. tudo o que fazemos fora disso é tempo perdido.


As pessoas do mundo dizem que é muito difícil salvar-se. Ao contrário, não há nada mais fácil: basta observar os mandamentos de  Deus e da Igreja, evitar os sete pecados capitais ou, se preferir fazer o bem e evitar o mal...


Eis uma boa regra de conduta: não fazer senão aquilo que podemos oferecer a Deus. 


É necessário trabalhar neste mundo, é necessário combater. Teremos toda a eternidade para descansar. 


Se nós soubéssemos alimentar sempre o fogo do amor de Deus, pelas orações e pelas boas obras, ele nunca se apagaria. 


O bom Deus nos colocou na terra para ver como vai nossa conduta, e saber se nós O amamos; mas ninguém fica na terra. 


Quando vamos confessar-nos, é preciso compreender o que é que vamos fazer; pode-se dizer que vamos despregar Nosso Senhor da cruz. Uma confissão bem  feita acorrenta o demônio. Os pecados que nós escondemos reaparecerão todos. 


Nossas culpas são grãos de areia ao lado da grande montanha que é a misericórdia de Deus. 


As tentações mais comuns são o orgulho e a impureza;  um dos meios pelo qual se resiste é uma vida ativa para a glória de Deus. 


Não imagine que existe um lugar na terra onde possamos escapar da luta contra o demônio, se tivermos a graça de Deus, que nunca nos é negada, podemos sempre triufar. 

Frases de santos: São Vicente de Paulo

Pouy, 24 de abril de 1581 — Paris, 27 de setembro de 1660)

Quando receberes Jesus em vossos corações poderá ainda haver algum sacrifício impossível para vós?

Se quisermos nos dedicar inteiramente ao nosso próximo não devemos reservar a nós mesmo nem tempo nem espaço. 

É possível restaura as instituições com a santidade, e não restaurar a santidade com as instituições. 

Meus irmãos amemos a Deus, mas amemo-lo às nossas custas, com fadiga de nossos braços, com o suor do nosso rosto. 

Não podemos garantir melhor a nossa salvação do que vendo e morrendo a serviço dos pobres.

Para os superiores não há meio de se fazer obedecer do que a mansidão.

O gosto de ser elogiado, de aparecer, o desejo de que seja louvado o comportamento, de que se diga que somos bem sucedidos e que fazemos maravilhas, é um mal. 

A conformidade com a vontade divina é o termo do cristão e o remédio para todos os seus males, porque contém a renúncia de si mesmo, a união com Deus e todas as virtudes. 

Retirado do livro Ensinamentos dos santos. Felipe Aquino. Editora Cleófas, 2003. 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

“Em direção ao alto”: biografia de Píer Giorgio Frassati

“Em direção ao alto”: biografia de Píer Giorgio Frassati

Disponível para baixar em PDF



INTRODUÇÃO


Os jovens de hoje em dia que buscam viver uma vida de santidade, que desejam apaixonadamente viver como nosso Senhor e Amigo Jesus Cristo o qual nos convida com a promessa segura e fiel de uma verdadeira vida e plena felicidade, não podem de forma alguma desconhecer a vida e o exemplo do Beato Píer Giorgio Frassati.

Temos a imagem de que os santos foram pessoas que viveram muitos anos atrás, que eram pessoas que fugiam das boas coisas da vida, eram reclusas, solitárias e tímidas, que passavam o dia todo entre missa, adoração e a reza do terço. É claro, o próprio Píer Giorgio nos diz isso, que a vida de intensa oração é o caminho seguro “para obter de Deus a graça sem a qual as nossas forças são vãs”, no entanto podemos ver que aquelas imagens presentes em muitas das Igrejas de santos como pobrezinhos, no sentido de coitadinhos e de expressão triste não é condizente com a realidade. Os santos foram homens e mulheres que souberam e reconheceram suas fraquezas se entregando completamente aos cuidados de Deus.

G.K. Chesterton, um dos maiores escritores do século XX, que se vê às margens do processo de beatificação, escreveu uma vez que: “[o] que separa um santo dos homens ordinários é sua disposição habitual de se confundir com os homens ordinários". E continuava: “O Santo é um medicamento, porque ele é um antídoto. Certamente é por isso que o santo é muitas vezes um mártir, ele é confundido com um veneno, porque ele é um antídoto. Ele geralmente será procurado para restaurar a sanidade do mundo, exagerando o que o mundo ignora, que nem sempre é o mesmo elemento em todas as idades. No entanto, cada geração procura o seu santo por instinto, e ele não é o que as pessoas querem, mas sim o que o povo precisa”. (...) ”Por isso, é o paradoxo da história, que cada geração é convertida pelo santo que contradiz mais.

Píer Giorgio é um exemplo de homem extraordinário nas coisas diárias e comuns da vida. Ele foi o medicamento para os seus amigos – termo que ele usava para chamar os pobres doentes-, pois além da atenção material, ele os ajudava com o seu testemunho e lhes dava esperança. O Santo de fato é o paradoxo!

Píer Giorgio nos demonstrou que a santidade é uma meta alcançável para todos. Ele é exemplo de que podemos nos santificar fazendo coisas simples do dia a dia. Que, apesar de nossas fraquezas e misérias, podemos contar com a Providência Divina. Se você acha que a santidade está longe ou que é impossível, pense que em toda a história da Igreja ela está repleta de homens e mulheres generosos que humildemente se deixaram conduzir pela Graça. Pense que se existiram no passado - e a Igreja caminha firme hoje e até a volta de Nosso Senhor – também no meio de nós devem existir pessoas que caminham para essa meta.

Não diga nunca que ser santo é algo impossível! Nunca diga “isso não é para mim”. Um conselho para atingir essa meta é se espelhar na vida de Píer Giorgio Frassati que temos a alegria de apresentar abaixo.


SUA VIDA

Pedro Jorge Frassati nasceu em Turim, Itália, em 6 de abril de 1901. Sua mãe, Adelaide Ametis, era pintora. Seu pai, Alfredo, agnóstico, foi fundador e diretor do jornal liberal “La Stampa”. Homem influente entre os políticos italianos, desempenhou também os cargos de Senador e Embaixador da Itália na Alemanha. O Senador Frassati era agnóstico falando, mas sua mãe Adelaide, pintora de profissão, era católica, ainda que não muito comprometida.

Se a situação econômica da família era feliz, não o foi tanto desde o ponto de vista afetivo: os pais nem sempre estavam de acordo e educaram seus filhos rigidamente. A irmã de Píer Giorgio, Luciana dizia que “a casa senhorial que vivíamos, parecia um quartel”, com um sistema duro de regras e deveres. Sendo o pai agnóstico, a fé foi transmitida unicamente pela mãe.


SEUS ESTUDOS


Estudo inicialmente em casa, depois em uma escola estatal junto com sua irmã, um ano mais nova que ele. Como não demonstrou muito entusiasmo pelos estudos, foi reprovado e o inscreveram no liceo clássico “Mássimo D’Azeglio”; confiado ao sacerdote salesiano Antônio, que o acerco a espiritualidade cristã.

Depois passou a uma escola dirigida pelos Padres Jesuítas, onde se associou a Congregação Mariana e ao Apostolado da Oração. Graças a isso ele se apaixonou pela Eucaristia, a qual passou a receber diariamente.

Decidiu contra a vontade de seus pais estudar engenharia de minas na Real Universidade Politécnica de Turín, para poder “servir melhor a Cristo entre os mineiros”, como disse a um amigo. Apesar de considerar os estudos a primeira obrigação, não se afastou de suas atividades sociais e políticas.

Um dia, no painel de anúncios da Universidade de Turín pois, entre os muitos cartazes e folhetos que anunciavam festas e diversões, um cartaz convidando os universitários a Adoração Noturna. Os anticlericais reagiram rapidamente furiosamente arrancando que consideravam como uma provocação, mas Píer Giorgio defendeu energicamente seu direito de expressar suas próprias convicções. Depois de violentos esforços, o painel ficou completamente destruído e o anúncio de Píer Giorgio terminou em pedaços.

Em 1914 deu começo a Primeira Guerra mundial e ano seguinte, a Itália entrou no conflito. Uma das camareiras da família, chamada Natália, havia perdido um irmão na guerra. Um dia Píer Giorgio lhe perguntou: “Natália, não darias a vida para a guerra terminar?”, diante da dúvida da mulher, ele contestou decididamente: “Eu sim daria a minha hoje mesmo!

Ainda menor de idade se inscreveu, em 1919, na Federação Universitária Católica Italiana (FUCI), dependente da Associação Católica e que compreendia também a conferência de são Vicente de Paula para servir aos pobres e a doará imediatamente 1.000 libras, uma quantia enorme.


SUAS AMIZADES


Junto com seus melhores amigos fundou o círculo chamado “Tipi Loschi” (Os tipos arruaceiros) que tiveram como lema “Poucos, mas bons como o macarrão” e que por trás deste estilo brincalhão, ocultava o desejo de fundar uma amizade sobre bases profundas. Dizia: “Eu queria que nós jurássemos um pacto que não conhece-se confins terrenos e limites temporais: a união na oração”.

No dia 23 de outubro de 1924 escreveu a seu amigo Marco Beltramo: “Subirei a Oropa e aos pés da Virgem Morena: vou rezar por ti e depois te enviarei uma lembrança que nos deverá unir sempre com um vínculo imaterial: um rosário feito com as sementes do jardim”.

Na vida terrena, depois dos pais e das irmãs, uma das mais bonitas formas de afeição é a amizade. Eu deveria agradecer a Deus porque me deu amigos tão bons, que são para mim, uma preciosa para toda minha vida”.

Cada vez que trato a Clementina fico admirado com sua grande bondade e penso no bem imenso que fará uma alma assim de beleza. Certamente a Divina Providência em seu admirável designo se serve as vezes de nós, míseros galhos, para fazer o bem; nós, entretanto, não queremos reconhecer e até ousamos negar sua existência, mas os que graças a Deus tem fé, quando se encontram diante de uma alma assim de bela, alimentada na fé, não podemos menos que encontrar um evidente sinal da existência de Deus, porque uma bondade igual não se poderia ter sem a graça de Deus.

“E que dizer de Laura e Tina, almas generosas diante das quais penso tantas vezes na ingratidão que tenho com Deus, correspondendo pouco as grandes graças que o Senhor em sua grande misericórdia me concedeu sem ver meus pecados.

“O exemplo destas três almas tem sido para mim valiosíssima, em especial em certos momentos da vida nos quais a carne prevalece sobre o espírito”.



SUA VIDA ESPIRITUAL

Foram a Santa Eucaristia e a Virgem Maria, os dois pilares de sua profunda vida espiritual, que nunca duvidou em compartilhar com seus amigos. Aos 17 anos ingressou também na Sociedade de São Vicente de Paula e dedicou a maior parte de seu tempo livre ao serviço dos enfermos e necessitados, cuidando do órfãos e soldados da primeira guerra mundial.


Em 1922, ingressou também na terceira Ordem de Santo Domingo impactado pelos escritos de Santa Catarina de Siena e de Savonarola. Quis chamar-se de Jerônimo, mas não como o tradutor da Bíblia, se não como Savonarola que tinha esse nome. “Sou um fervente admirador desse frei, que morreu como um santo na fogueira”.

Disse uma vez a um amigo: “Jesus vem a mim a cada manhã na Santa Comunhão e eu O retribuo de uma maneira pequena visitando os pobres”.

Quando um amigo o perguntou como ele podia agüentar os odores e a sujeira das favelas, ele respondeu: “Nunca esqueça que mesmo sendo a casa miserável, você está se aproximando de Cristo. Em meio aos doentes e desafortunados, vejo uma luz peculiar, uma luz que não temos.”

Em outra ocasião escreveu a um amigo: “Viver sem uma fé, sem um patrimônio para defender, sem um esforço constante, pela verdade, não é viver mas somente existir.

A Isidoro Bonini escreveu: “A fé dada a mim no batismo me sugere com uma voz segura: Por suas próprias forças, você nunca fará nada, mas se você tiver Deus como centro de suas ações, então sim, você alcançará o objetivo.

Em uma dedicatória de uma livro ele escreveu: “Na oração a alma se eleva acima da tristeza da vida.”

Escalando uma montanha disse: “Quanto mais alto formos, melhor nós ouviremos a voz de Cristo.

Seu amigo Marco Beltramo declarou: “Eu não hesitaria em dizer que o segredo da perfeição espiritual de Pedro Jorge deve ser encontrado em sua devoção a Maria...Nunca se passou um dia sem que ele estivesse aos pés de sua Mãe celestial com seu terço, sua oração favorita, entrelaçado em seus dedos...

Aos jovens da Ação Católica em Pollone, em 1923, disse: “Eu suplico a vocês com toda a força da minha alma que se aproximem da Mesa Eucarística tanto quanto possível”.

A sua irmã Luciana respondeu um dia: “Você me pergunta se eu sou feliz. Como não poderia ser, enquanto minha fé me der força...pois o sofrimento é algo bem diferente da tristeza, que é a pior doença de todas. É quase sempre causada pela falta de fé”.

Luciana recordava que nas últimas horas de sua vida, já não podia falar, mas com esforço fixava seus olhos na imagem da Virgem Maria.

Eu suplico a vocês com toda a força da minha alma que se aproximem da Mesa Eucarística tanto quanto possível”. Escreveu aos jovens católicos de Pollone, 1923.

Quando Píer Giorgio morreu, o Deputado italiano Alberto Falchetti escreveu em seu diário: “o melhor homem do mundo está morto


SEU COMPROMISSO POLÍTICO


Opondo-se as idéias de seu pai, chegou a ser membro verdadeiramente ativo do Partido Popular, que promovia os ensinamentos da Igreja Católica baseados na encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XVIII e concebeu a idéia de unir a Federação de Estudantes a Organização de Trabalhadores. Costumava dizer: “A caridade não basta: necessitamos de uma reforma social”, costuma dizer trabalhando para ambas.

Frassati viveu em momentos agitados da política italiana. Não somente os comunistas eram sumamente ativos e agressivos, senão que surgiu o facismo com grande violência anticlerical. Píer Giorgio intui o caráter anti-católico e anti-humano da nova ideologia e não duvidou em enfrentar-se com os novos inimigos. Se irritava especialmente quando via alguns católicos manifestarem simpatia pelos facistas.

Sua fama de inimigo do novo poder chegou a ser conhecida até o ponto que em um domingo, quando Píer Giorgio comia com sua mãe, um esquadrão de facistas tentaram entrar em sua casa para destruir tudo, mas ele apareceu no salão de entrada e arrancando o bastão de um dos agressores colocou os facistas para correr.

Sendo um obstinado antifacista, como seu pai, nunca ocultou seus idéias políticas. De fato sempre esteve envolvido em conflitos contra os comunistas e depois contra os facistas anticlericais. Participando em uma demonstração organizada pela Igreja em Roma, sofreu a violência da polícia e se pois ao lado dos jovens agarrando a bandeira que a polícia havia tomado deles. Ele levantou ainda mais, usando a madeira da bandeira para parar os golpes dos guardas.


PÍER GIORGIO E OS POBRES

Os pobres e os sofredores eram seus donos e ele foi para eles um verdadeiro servo, vivendo essa ocupação como um privilégio. Em Pedro Jorge, a caridade não consistia só em entregar algo para os demais, mas, antes em se entregar a si mesmo por inteiro. Essa caridade se sustentava diariamente com Jesus Cristo Eucaristia, com a freqüente adoração noturna, com a meditação do hino da caridade de São Paulo e com férias na casa de verão da família Frassati, no vilarejo de Pollone, já que “Se todos saem de Turim, quem vai se encarregar dos pobres?”.

Apesar da riqueza da família, Píer Giorgio andava sempre sem um centavo no bolso porque seus pais não lhe davam mais que o estritamente necessário e ele mesmo assim doava para as obras de caridade. Era comum seus amigos o virem ele voltando para a casa a pé por ter doado por caridade o dinheiro que tinha. Um dia lhe perguntaram o porque ele sempre viajava de terceira classe: “Porque não há a quarta”, respondeu.

Militando nas conferências de São Vicente de Paulo, freqüentemente visitava os pobres entrando em suas casas sujas e mal cheirosas. “Ajudar os necessitados, disse a sua irmã Luciana, é ajudar a Jesus”.

Um dia convidou um de seus amigos a um maior compromisso de caridade, fazer visitas aos pobres. O amigo lhe disse que tinha medo de entrar em casas tão miseráveis, onde tudo é sujeira e onde as doenças contagiosas estão por todos os lugares, mas Píer Giorgio lhe respondeu: “Visitar os pobres, é visitar a Jesus!”.

Em 1921 esteve em Rávena ajudando com entusiasmo na organização do Congresso Pax Romana, Associação Católica que se propunha unificar todos os estudantes católicos do mundo para trabalhar unidos pela paz universal.


SEU ESPORTE FAVORITO: ESCALAR MONTANHAS


Seu esporte favorito era o alpinismo. Turín se encontra no norte da Itália, cerca dos Alpes. Píer Giorgio organizava com freqüência com os Tipi Loschi, no Valle de Aosta, excussões que era para ele uma oportunidade de fazer apostolado. Existem várias fotografias de Píer Giorgio escalado roças, fazendo rappel ou no cume de alguma montanha. Em uma das fotos, descendo de rappel por meio de uma corda, escreveu de próprio punho: “Montanhas, montanhas, montanhas, as amo!”.

Cada dia que passa – disse a um amigo – me apaixono perdidamente pelas montanhas. Sua beleza me atrai. Quando se vai a escalar, é necessário ter limpa a consciência, porque não se sabe nunca se volta. Apesar de tudo isso não me assusta. Ao contrario, desejo sempre os montes, alcançar os pontos mais difíceis, sentir aquela glória pura que só se encontra na montanha”.

“Como não sabemos que dia a morte nos chamará, é prudente cada dia preparamos para morrer nesse mesmo dia”.

Em uma excursão lhe disseram que era sem ritmo para cantar e ele respondeu alegremente: “O importante é cantar”.


SUA MORTE

Segundo os médicos, visitando os pobres, Píer Giorgio se contagiou de Poliomielitis fulminante, que o levo a morte em uma semana. No dia 30 de junho de 1925, voltando para casa, sentiu uma estranha dor de cabeça e falta de apetite. Como nesses dias sua avó estava morrendo, ninguém, nem ele mesmo para não incomodar, deu importância a enfermidade.

Quando seus pais se deram conta do que sucedia, já era muito tarde: o soro que pediram para do Instituto Luis Pasteur de París, França, não chegou a tempo para salva-lo. Morreu no dia 4 de julho, com apenas 24 anos de idade.

Com a humildade e desapego com que vivia enfrentou na sua plena juventude a morte. Ou melhor, encontrou Jesus a quem amava, pelo qual havia lutado na Universidade e nas ruas, entre os pobres e na montanha.


SEU FUNERAL


Os primeiros a se assustarem em seu enterro foram seus próprios pais: não somente vieram muitíssimos amigos, mas também milhares de pobres. Compreenderam, que seu filho era muito amado e viram a grandeza que foi Píer Giorgio Frassati. Os pobres a quem Frassati cuidou por sete anos, também se assustaram ao saber que o jovens pertencia a uma família tão rica.

Foi seputado a princípio no tumulo da família Frassati em Pollone, onde foi visitado por ninguém menos que João Paulo II em 1989, que disse:

Quero render homenagem a um jovem que soube ser testemunho de Cristo com singular eficácia no nosso século. Eu também conheci, na minha juventude, a benéfica influência de seu exemplo cristão”.

Depois seus restos mortais foram trasladados a Catedral de Turín, aonde milhares peregrinos visitam para agradecer e pedir favores e se espelhar em seu exemplo.

Seu processo de beatificação foi iniciado em 1932. Na última etapa foi aberta seu túmulo e os testemunhos do evento ficaram admirados ao descobrirem que seu corpo estava incorrupto e seu rosto estava sereno e com um sorriso.

Em 20 de maio de 1990, na Praça de São Pedro, diante de dezenas de milhares de fiéis, o Papa João Paulo II beatificou Pedro Jorge Frassati, considerando-o como “O Homem das oito Bem-Aventuranças”. Ninguém melhor do que ele para receber tamanha honra.

No nosso século, Píer Giorgio Frassati, a quem em nome da Igreja eu tive a alegria de proclamar Beato, encarnou na própria vida estas palavras de São Pedro. O poder do Espírito da Verdade, unido à Cristo, tornou-o moderna testemunha da esperança, que provém do Evangelho, e da graça de salvação operante no coração do homem. Deste modo, ele tornou-se a testemunha viva e o defensor corajoso desta esperança, em nome dos jovens cristãos do século XX.

“A fé e a caridade, verdadeiras forças motrizes da sua existência, tornaram-no ativo e operoso no ambiente em que viveu, na família e na escola, na universidade e na sociedade; transformaram-no em alegre entusiasta apóstolo de Cristo, em apaixonado seguidor da sua mensagem e da sua caridade.

“O segredo de seu zelo apostólico e de sua santidade deve ser buscado no itinerário ascético e espiritual por ele percorrido; na oração, na adoração perseverante, também noturna, do Santíssimo Sacramento, na sua sede da Palavra de Deus, perscrutada nos textos bíblicos; há serena aceitação das dificuldades da vida, mesmo familiares; na castidade vivida com disciplina alegre e sem comprometimentos; na predileção cotidiana pelo silêncio e pela “normalidade” da existência. É precisamente nestes fatores que nos é dado descobrir a fonte profunda da sua vitalidade espiritual.

“Com efeito, é por meio da Eucaristia que Cristo comunica o seu Espírito; é mediante a escuta de sua palavra que cresce a disponibilidade a acolher os outros, e é também través do abandono orante na vontade de Deus que amadurecem as grandes decisões da vida. Só adorando a Deus presente no próprio coração, o batizado pode responder àquele que lhe perguntar a razão da sua esperança. E o jovem Frassati sabe-o, experimenta-o, vive-o . Na sua existência fé funda-se com a caridade; sólido na fé e operante na caridade, porque a fé sem obras é morta (Tg. 2,20).

“Certamente, a um olhar superficial, o estilo de Pier Giorgio, um jovem moderno cheio de vida, não apresenta grandes coisas extraordinárias. Mas precisamente esta é a originalidade das suas virtudes, que convida a refletir e impele à imitação.

“Nele, a fé e os acontecimentos cotidianos fundem-se de maneira harmoniosa, tanto que a adesão ao Evangelho se traduz em atenção amorosa aos pobres e aos necessitados, num crescendo contínuo até aos últimos dias da doença que o levará à morte. O gosto do belo e da arte, a paixão pelo desporto e pela montanha, e a atenção aos problemas da sociedade não lhe impedem a relação constante com o absoluto.

“Toda imersa no mistério de Deus e toda dedicada ao constante serviço ao próximo: Assim se pode resumira sua jornada terrena.

A sua vocação de leigo cristão realizava-se nos seus múltiplos empenhos associativos e políticos, numa sociedade em agitação, indiferente e às vezes hostil à Igreja. Com este espírito, Píer Giorgio soube dar impulso aos vários movimentos católicos, aos quais aderiu com entusiasmo, mas, sobretudo à Ação Católica, e também à FUCI, na qual encontrou verdadeiro treinamento de formação cristã e campos propícios para o seu apostolado. Na ação Católica ele viveu a vocação cristã, com alegria e orgulho e empenhou-se em amar Jesus e em divisar nele os irmãos que encontrava pelo caminho ou buscava nos lugares de sofrimento, da marginalização e do abandono, para fazer com que eles sentissem o calor da sua solidariedade humana e o conforto sobrenatural da sua fé em Cristo. Morreu jovem, ao término duma existência breve, mas, extraordinariamente rica de frutos espirituais, encaminhando-se para a verdadeira pátria a cantar os louvores a Deus.”


SUA IMPORTÂNCIA PARA OS JOVENS

O Papa Bento XVI elegeu Frassati como um dos 10 patronos da Jornada Mundial da Juventude celebrada em Sidney, Austrália, de 14 a 20 de julho de 2008, e para o evento, foi levado suas relíquias para veneração. E para surpresa de todos encontraram seu corpo, depois de sessenta anos, incorrupto, como um sinal de Deus. Seu corpo ficou na Catedral de St. Mary para veneração.


Milhares de jovens se apaixonaram pela vida e testemunho desse jovem que fazia apostolado montando a cavalo, escalando montanha, indo a festas ou nadando em uma piscina. Sua devoção foi propagada por diversos países.

Píer Giorgio escreveu em uma de suas cartas: "Nós - que, por graça de Deus, somos católicos - não devemos gastar os anos mais belos da nossa vida como desgraçadamente fazem tantos jovens infelizes que se preocupam com gozar os bens terrenos e não produzem nada de bom, mas que apenas fazem frutificar a imoralidade da nossa sociedade moderna.Devemos treinar- nos, a fim de estarmos prontos para travar as lutas que, seguramente, teremos de combater pela realização do nosso programa e para, assim darmos á nossa Pátria,num futuro não muito longínquo, dias mais alegres e uma sociedade moralmente sã. Mas para tudo isto, é preciso: a oração contínua para obter de Deus a graça sem a qual as nossas forças são vãs; organização e disciplina para estarmos prontos para a ação no momento oportuno e, finalmente ,o sacrifício das nossas paixões e de nós mesmos,porque sem isso não se pode atingir o objetivo."

[1] Traduzido do folheto E.V.C. (El Verdadeiro Catolicismo), México, D.F.. Por  R.P. Pedro Herrasti, S.M.. Acréscimos e modificações foram feitas pelo tradutor.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O verdadeiro sentido da vida

Por Anacleto González Flores

Discurso pronunciado no dia 26 de agosto de 1916, na primeira sessão celebrada  pela A.C.J.M. (Asociación Católica de la Juventud Mexicana), na cidade de Guadalajara.



Senhores:

Entre a “multidão” de ideias que se movem nos cérebros e que todos os dias escapam e se precipitam por todos os rumos, como aves de luz em busca de um céu que ilumina e de um espaço azul para bater suas assas, tem umas que apenas levantam poeira da terra, que apenas tocam a superfície dos corpos e que passam longe, muito longe das almas e vão a perder-se, desaparecer nos confins em que caem condenadas, impotente; outras, como a luz que vem do céu aquecer as plantas, a rejuvenescer os troncos envelhecidos como água que cai do firmamento e umedece e faz brotar os germens. Vão ao mais alto e baixo do espírito humano, tocam as distâncias, se estendem a todos os confins e sob o influxo incontrastável dos atos, se tornam orientação suprema das inteligências, dos corações, das vontades, em fim, dos homens e das coisas.

E aquelas ideias, ou seja, as que desaparecem e somem, tem um caráter de todo acidental e acessório e não importa para a humanidade senão de muito longe, e caso se faça uma discussão sobre elas deve ser breve para abandoná-las e fixar profundamente a visão do espírito nos princípios de poder decisivos e de força transcendental. Ah! E em torno delas devem-se travar as mais ardentes batalhas, deve livrar-se o possível das discussões e deve-se engajar na mais formidável e acalorada das discussões, porque batalhar, lutar e discutir ao redor dos grandes pensamentos, é o mesmo que batalhar, lutar e discutir em torno dos grandes destinos do gênero humano. 

Ai, pois, onde se inicie uma afirmação, onde surja um sistema e onde se levanta uma doutrina dessas que pretendem arrancar a verdade ou erro da supremacia sobre as mentes e os corações, devem estar juntos todos os soldados do pensamento, todos os lutadores da idéia; devem levantar todas as bandeiras, devem relampear no campo de batalhas todas as espadas, devem brilhar todas as baionetas, devem iluminar todas as trincheiras e deve combater feroz e ardentemente ao redor de todas as posições. Aí do que queira guarda a espada! O estigma dos covardes cairá sobre sua face como uma maldição. Aí dos espíritos desgastados pelo sofisma, pela inércia e pela podridão do coração!

A mão de Deus que tem acumulado a luz do pensamento no cérebro da classe governante saberá descarregar golpes formidáveis sobre todas as eminências e saberá fundir todos os cumes de montes; e a humanidade que cansada e transpirando espera pelos raios do sol que irão romper a sombra que escurece o horizonte, se precipitará por caminhos desconhecidos e extraviados; mas no dia do cataclisma, encontrará os pensadores gastados pelo sofisma e pela podridão do coração e os derrotará, com a ignorância e a força fundidas, em só poder de dissolução: a barbárie.

Frente a frente com os pensamentos de caráter transcendental todos os homens devem parar, ficar de pé e perplexos; o gênio deve interrogar todos os confins até que sua palavra, como luminar esplendoroso acendido dobre a planície, ilumine todos os caminhos que vão parar diretamente o por vir e o resto dos mortais sem temor e sem indecisão deverá precipitar pelas rotas traçadas desde os riscos da imanência.

E bem: houve uma época de pavor e obscura como a noite que põem nos céus a obstinação das grandes tempestades: essa época é conhecida na história com o nome de paganismo (1).  Durante ela, a humanidade gemeu desolada baixo o peso enorme do erro transcendental. Conceitos extraviados, sistemas errôneos e opiniões falsas acerca do que está acima ou abaixo, do céu ou da terra, de Deus e da matéria; a sobram haviam baixado sobre todos os abismos, havia subido a todos os cumes, havia enegrecido todos os horizontes e havia envolvido a gerações nos densos nevoeiros dos erros transcendentais.

Houve outra época luminosa e brilhante como as irradiações que o dia põem nos céus nas manhãs úmidas, claras e tranqüilas da estação de verão. Durante elas tiveram idéias precisas e exatas acerca de Deus e do homem, do espírito e da matéria; do que está longe ou próximo; se viu com claridade esplendorosa o ponto remoto de nossa partida, o confim longínquo em que encontraremos repouso e o lugar em que se livram os combates da vida. O Verbo luminoso de Deus partiu do Calvário, baixo a todos os abismos, prendeu seus fulgores em todos os cumes, acendeu todos os horizontes, tocou todas as longínquas e envolveu as gerações no oceano  de luz da verdade. Mas o erro não supôs nem quis declarar-se vencido e continuou, segundo a expressão do Conde de Maistre (2), preparando a grande conspiração contra a verdade. A rebelião estalou há um tempo e em todos os pontos, removeu todos os sistemas, sacudiu todas as doutrinas e removeu todas as idéias.  Os que ontem em apertadas multidões e com passo firme e seguro marchavam com a face voltada para o oriente, tiveram que deter-se um instante, entraram na confusão do pensamento que é mais obscura e mais negra que a confusão da palavra, não puderam se entender e se dispersaram para buscar a verdade, uns lá onde o sol se põem todos os dias; e outros, lá nos confins onde a luz não acende nem apaga jamais.

Tem vindo à desagregação dos espíritos; tem multiplicado e individualizado os sistemas; foi quebrado o feixe apertado e forte da inteligência e do coração formado pela verdade; tem sobrevivido a dissolução das idéias e se tem apoderado da humanidade inteira a anarquia dos entendimentos que é a causa geradora de todas as anarquias. A vida dos povos se derrama pelos caminhos extraviados e a época presente se encontra baixo o peso enorme do erro trancendetal.

Assinalar aqui todos os erros de caráter transcendental que padecemos nesses dias, seria cansar bastante vossa atenção e ir demasiado longe, por isto só analisarei por agora o verdadeiro sentido da vida.

Que o conceito da vida é força transcendental, o diz bem claro o fato de que dela depende a orientação individual e coletiva dos homens; e que as gerações de agora sofrem um grande erro sobre este ponto, nos demonstra o espetáculo doloroso que oferecem as sociedades modernas com o emprego que fazem de suas energias.

A questão pode ser colocada da seguinte forma: Qual é o verdadeiro sentido da vida? Ou, em outros termos: que emprego devemos fazer desta torrente de energias que circula por nossas artérias e que todos temos chamado vida? Teodoro Jouffroy (3),  esse grande filósofo que gemia desoladamente ao sentir em seu cérebro o vazio que abre a negação religiosa, escreveu estas ou semelhantes palavras:

“Há um livro pequeno que é posto nas mãos do homem nos primeiros anos de sua existência e nele se coloca a resposta e solução satisfatória aos grandes problemas que inquietam os pensadores e aperta fortemente o coração: se quer saber de onde vem, onde está e para onde vai? Pois não há mais que abrir o catecismo e se saberá o ponto fixo para a solução dessas questões.”

Bom, agora para resolver o problema do sentido da vida, poderia fazê-lo repetindo uma vez mais o que tantas vezes se tem dito: o homem foi posto no mundo para que ame a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Mas ainda que a verdade só se alcance por um ponto, no entanto, a ela se pode chegar por diversos caminhos, e nós agora vamos fazer um esforço para resolver este problema apelando a um procedimento, se não desconhecido de todo, quando menos não muito seguido.

Mas de uma vez tem passado por vossos olhos essa visão esplendorosa traçada com a mão mestra pelo pincel do autor Quo vadis? E vocês sabem da velha Roma envolvida em torrentes de sua voluptuosidade, de sua glória, de seu poder e de sua força, e perceberam também duas grandes figuras: uma que é o símbolo de um povo em dissolução e outra que é o símbolo do ressurgimento da humanidade caída: São Petrônio (4) e Paulo de Tarso. (5) o discípulo de Cristo e de Epícuro (6) se encontraram frente a frente e começou a discussão: “Grécia, - disse Petrônio -, nos contornos geniais de seus mármores, nos traços magníficos das pinceladas de seus pintores e no ritmo sonoro de suas estrofes imortais, tem lhe dado a beleza a humanidade; Roma no ímpeto avassalador de suas legiões, no esplendor de suas conquistas e na espada de seus capitães a deu poder e glória. E vocês cristãos, que vos atrai o gênero humano?” Paulo de Tarso se ergueu tão alto como era, fixou profundamente no pagão aqueles olhos que haviam visto sem reclamar a todos os tiranos, e logo, como torrente que se despenca, fez ouvir sua voz grave, solene e incontrastável e disse: “Nós trouxemos o amor”.

Veja bem, o problema proposto sobre o verdadeiro sentido da vida se resolve com a resposta de Paulo de Tarso; e nós podemos afirmar que esse sentido da vida se encontra no amor. E não é questão de meras palavras, nem misticismo, nem muito menos dogmatismo filosófico, não: é uma verdade que lança análise sobre as inteligências e que caem sobre os espíritos para não levantar-se jamais.

Nós surpreendemos a vida com diversos graus de poder e de força nos distintos seres que formam o universo. Ao longo da planície imensa e nos declives do pico, a encontramos nos momentos precisos em que os germens brotam a luz do dia e quando as ramas rejuvenescem e cobre os troncos desfolhados com o verde da primavera. Ah! Mas em torno dela e em seu centro não há queixas que se elevem, nem alegrias que se despertem, nem amarguras que se levantem, nem dores que se recordem, e por isso lá vão se perder e morrer os ecos dispersos pelos cantos de guerra o das harmonias que se escuta próximos dos mortos. Surpreendemos-nos a vida com diversos graus de poder e de força no animal: e entre o verde das folhas e os troncos da selva há pupilas que ascendem, olhos que se iluminam e se dilatam, quando o estrondo dos céus e as canções dos ninhos despertam mil sensações.

Finalmente, no homem encontramos a vida em um grau superior; não é o ímpeto que rejuvenesce as selvas e que rompe a resistência da terra e saca a luz os germens fecundados; não é o sentido que ao colocar-se em contato com a matéria se estremece e depois sacode e empurra poderosamente o sangue de nossas artérias, não: é o pensamento que relampeja em nosso cérebro, como o raio nas noites tormentosas; é a idéia que através das sombras em que nos envolve o mundo dos corpos, fagulha e traz seus rastros resplandecente que não  se apagam; é, em fim, esse poder que leva ao mais profundo de nossos ossos e põem no mais profundo de nosso ser; um estremecimento sentido por todos e conhecido por todos e que dilata o coração, que enlouquece a cabeça e que faz saltar a alma de júbilo: o amor. A análise, pois, de nossa natureza nos ensina que todos os poderes acumulados no homem, devem ter um só fim e devem reconcentrar-se em só ponto; o amor. O poder vegetativo seria inútil se não estivesse ordenado ao poder sensitivo; este por sua vez o seria, se não o estivesse ao intelecto e este se não se ordena pela vontade.

O amor constitui pois verdadeiro sentido da vida; mas esse amor deve ter por desejo o infinito e o homem. O infinito, porque o homem que é capaz de conceber o imenso e também o deseja, e, como a felicidade, tem que resolver-se na posse do que não se esgota nem perece jamais, do que é a plenitude do poder, da força e do ser, pois de outra sorte surgiria de novo o desejo e não terminaria a inquietude do espírito humano; o amor deve terminar ou ter por ponto objetivo o infinito, isto é, Deus. Com muita verdade dizia Santo Agostinho: Inquietum est cor nostrum donec requiescat in Te: inquieto está nosso coração até que não descanse em Ti.

Dirá vocês que o amor do homem deve terminar no infinito, em Deus. Isso está correto, mas o que é amor ao homem?; Que é o homem? Não é por acaso uma barreira que se rompe? Não é uma sombra que desaparece? Não é um fantasma que passa, um pouco de poeira que se dispersa como o sopro mais leve? Não é isso tudo o homem? Oh, sim! O homem é tudo isso, no entanto há entre o homem o grande poder da semelhança, o grande poder da fraternidade e, sobretudo, o grande poder de sua missão social.

Estava errado Aristóteles (8), apesar de todo seu gênio, quando não percebeu ou na quis perceber, a igualdade entre os homens; mas Cristo, que não em vão disse que Ele mesmo é a verdade e a vida, lançou sua palavra sobre nós e hoje todos nos vemos iguais. Existe o poder da fraternidade: por nossas veias corre e se precipita sangue vermelho, branco ou azul, que cor é não sei, mas o certo, o exato e o indispensável, é que um mesmo é sua origem, um mesmo seu ponto de partida, e por isso cada um de nós não é mais que uma prolongação do primeiro princípio humano.

Existe, por último, o poder da missão social: essa corrente de energias acumuladas no pensamento e no coração humano, não pode subir as alturas incomensuráveis, se não como rogar, como uma petição, com um queixa; mas não pode cobrar o que está acima, o infinito; e se deve baixar as profundidades para levantar os caídos, iluminar os que vivem nas sobras, e por último preencher os inumeráveis vazios e deficiências criados pelas limitações de nossa natureza. E os poderes antes mencionados devem impulsionar fortemente o amor, e de um modo especial a missão social deve estar encorajada, sustentada com vigor por Ele. A razão, pois, não nos ensina que o amor ao infinito e ao homem constitui o verdadeiro sentido da vida.

Se quiser, descemos do mundo das abstrações e das regiões altíssimas da metafísica para nos colocar em contato com os fatos. Agora me pergunto qual tem sido a luz da história, o critério que tem a humanidade para saber que emprego se deve dar a vida?  Pois a história nos ensina que o gênero humano se dividiu em três grandes grupos: o dos que tem colocado todos seus desejos e energias ao serviço do mal e do terror; o dos que tem amado até o sacrifício a verdade e o bem e os mornos e indiferentes que assistem o grande combate de braços cruzados. A humanidade e a história têm lançado sobre os primeiros seus anátemas e maldições; sobre os que não são capazes de fazer amar ou odiar porque não sabem conquistar o sorriso dos céus nem os ataques do abismo o silêncio, o esquecimento que cai sobre os sepulcros e que é a morte última e definitiva sobre a terra. Oh! Mas a história e a humanidade têm querido reservar os aplausos, os louvores e a apoteose para os que amam com delírio, com loucura e até sacrifício, o grande, o nobre, o santo, o infinito e o que merece nossa compaixão, nosso apoio e nossa ajuda, em uma palavra: Deus e o homem.

Saber viver é, pois, saber amar; mas não a nós mesmo com exclusão do infinito e do próximo, se não, sobretudo, o infinito e logo o homem que é e deve ser o objeto, o foco de nossa missão social.

Senhores, conta à história que certa vez um dos maiores conquistadores de Roma foi surpreendido chorando aos pés da estátua de Alexandre o Grande. Quando o perguntaram qual era o motivo de suas lágrimas, ele respondeu: choro porque não sei viver, prova disso é que em minha idade Alexandre havia silenciado o mundo com suas conquistas, enquanto eu ainda não cingi minha face com os louros da vitória.  As gerações de agora deveriam chorar desoladamente porque não sabem viver, porque não sabem amar e não sabem amar porque recusaram e tem concentrado todos os seus desejos, seus afetos e suas esperanças em amar a si mesmas. E por isso ao longo da imensa estrada, mole e gentilmente encostado no canto do caminho está a figura grotesca de Sancho (9) e apenas se vê de quando em quando na nuvem empoeirada dos caminhos da glória a dom Quixote, ou seja, ao espírito fortemente apaixonado do grande, do nobre, do santo, da verdade, da justiça e do direito. E se pode dizer de um modo geral que as gerações de agora sabem amar; de um modo especial temos que dizer dos jovens dos nossos dias; eles fazem a jornada da vida envolta nas sombras desse abismo onde tudo envelhece e degrada, e vivem esquecidos e sem nome porque se tem os  braços lançados no redemoinho das paixões e dos prazeres materiais. Ah! Não sabem amar.

Mas posso ter me equivocado ao ter generalizado os jovens. Há alguns jovens e entre eles está você, que sabem viver e que tem feito e fazem todo o possível para saber amar.  Pois bem, vocês e eu, estamos profundamente convencidos de que o verdadeiro sentido da vida se encontra no amor. Eu afirmo que isso é uma grande verdade, consagremos hoje em diante todas as nossas energias, nossos desejos e nossas esperanças em nossa vontade para viver conforme o verdadeiro sentido da vida. E agora que a luta entre o bem e o mal, entre a verdade e o erro, tem se intensificado e tomado uma amplitude transcendental, faremos um esforço para assistir todos os combates, para lutar em todas as batalhas e estarmos juntos em todos os encontros.

Viva Deus! Não haverá trincheiras que nos segure, muralha que não sofra nossos ataques, posição que resista ao nosso entusiasmo, nem bandeira que resista a nossas espadas. Nos altos de todos os cumes das montanhas estarão os triunfantes estandartes de Cristo, estandartes da civilização.


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1. Pagánus, em língua latina, significa aldeão ou campesino. Quando o Império romano se converteu ao cristianismo, os agricultores resistiram a ele ao grado que o término passou a usar-se para designar os não cristãos de antes e depois.

2. MAIST RE, José de, escritor e filósofo francês (1753-1821)

3. JOUFFROY, Teodoro. Filósofo espiritualista francês (1796-1799). Foram célebres seus cursos em Sorbone sobre o direito natural, seu Curso de estética e seus ensaios, recolhidos  na obra Mélanges Philosphiques.

4. PETRONIO, Cayo, escritor latino (s.I.d.C). Célebre por seu refinamento e clareza, é autor de El satiricón, frescor social da Roma neroniana.

5. SAN PABLO. Chamado Saulo de Tarso e apóstolo dos gentios, martirizado em Roma no ano 67. Depois de sua conversão a caminho para Damasco, organizou a disciplina eclesiástica e de doutrina cristã.

6. EPICURO, filósofo grego (341-270 a.C.) ensinava que o prazer é o fim supremo do homem. O prazer não consiste, disse ele, nos gozos materiais dos sentidos, se não no cultivo do espírito na prática da virtude.

7 SANTO AGOSTINHO. Gênio do pensamento universal, Pai da Igreja e bispo de Hipona (356-430), trás uma juventude complicada, se converteu ao catolicismo escutando santo Ambrósio de Milão.

8. ARISTÓTELES. Célebre filósofo grego, nasceu em Estagira, Macedônia (381-322 a.C.), foi uma das inteligências mais vasta que já existiu.

9. SANCHO PANZA, escudero de Dom Quixote, tipo de criado fiel mas falador, simples e ignorante e cheio de sentido comum.  

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Carlo Acutis, um modelo para os jovens.

Em 12 outubro de 2006, Carlos Acutis tinha 15 anos de idade e sua vida se apagou por uma agressiva leucemia. O adolescente, oriundo de Milão, comoveu familiares e amigos ao oferecer todos os sofrimentos de sua enfermidade pela Igreja e pelo Papa.


"Eucaristia: Meu caminho para o céu. Biografia de Carlo Acutis" é o título do livro escrito por Nicola Gori, um dos articulistas de L’Osservatore Romano, e publicado pelas Pulinas na Itália. Carlo tinha uma verdadeira devoção a Eucaristia chegando a elaborar o site: www.miracolieucaristici.org.

Carlo "era um adolescente de nosso tempo, como muitos outros. Esforçava-se na escola, entre os amigos, era um grande apaixonado por computadores. Ao mesmo tempo era um grande amigo de Jesus Cristo, participava da Eucaristia diariamente e se confiava à Virgem Maria, era devoto do beato Pier Giorgio Frassati - www.piergiorgio.com.br - Depois de sua Primeira Comunhão, nunca faltou à celebração cotidiana da Santa Missa e da reza do Terço, seguidos de um momento de Adoração Eucarística".


"Com esta intensa vida espiritual, Carlo viveu plena e generosamente seus quinze anos, deixando em quem o conheceu um profundo sinal. Era um adolescente especialista em computadores, lia textos de Engenharia de Informática e deixava a todos estupefatos, mas este dom o colocava a serviço do voluntariado e o utilizava para ajudar seus amigos".

"Sua grande generosidade o fazia interessar-se por todos: os estrangeiros, os portadores de necessidades especiais, as crianças e os mendigos. Estar próximo a Carlo era esta perto de uma fonte de água fresca".

Recorda-se claramente que "pouco antes de morrer Carlo ofereceu seus sofrimentos pelo Papa e pela Igreja. Certamente o heroísmo com a qual confrontou sua enfermidade e sua morte convenceram a muitos que verdadeiramente era alguém especial. Quando o doutor que o acompanhava perguntava se sofria muito, Carlo respondeu: ‘Há gente que sofre muito mais que eu!".

"Fama de santidade"

Dra Francesca Consolini, postuladora para a causa dos Santos da Arquidiocese de Milão, acredita que no caso de Carlo há elementos que poderiam levar a abertura de um processo de beatificação, quando se fizerem cinco anos de sua morte, como o pede a Igreja.

"Sua fé, singular em uma pessoa tão jovem, madura e segura, levava-o a ser sempre sincero consigo mesmo e com os outros. Manifestou uma extraordinária atenção para o próximo: era sensível aos problemas e as situações de seus amigos, os companheiros, as pessoas que viviam perto a ele e quem o encontrava dia a dia", explicou Consolini.

Carlo Acutis "tinha entendido o verdadeiro valor da vida como dom de Deus, como esforço, como

resposta a dar ao Senhor Jesus dia a dia na simplicidade. Queria destacar que era um moço normal, alegre, sereno, sincero, que amava a vida, que gostava da amizade".

Carlo "tinha compreendido o valor do encontro cotidiano com Jesus na Eucaristia, e era muito amado e procurado por seus companheiros e amigos por sua simpatia e vivacidade”.

"Depois de sua morte muitos sentiram a necessidade de escrever uma própria lembrança dele e outros comentaram que vão pedir sua intercessão em suas orações: isto fez com que sua figura seja vista com particular interesse" e em torno de sua lembrança está se desenvolvendo o que se chama "fama de santidade". Em 2011 será o quinto aniversário de sua entrada no Paraíso é o momento em que a Igreja de Milão estará abrindo o processo de beatificação.

Para Eduardo Henrique, Assistente Social da Faculdade Santa Marcelina, “Carlo Acutis é um verdadeiro santo! Um modelo para todos nós. Um adolescente que nos deixou um valioso legado; o amor pela vida, a alegria de viver e a coragem de ser fiel a Deus em todos os momentos”.

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