(Imagem retrata a forma como os cristão eram martirizado em Roma no início nos séculos I e II)
Carta Encíclica Fides et Ratio, nº 32, por João Paulo II)
“Quanto mais alto formos, melhor nós ouviremos a voz de Cristo.” Beato Pier Giorgio Frassati
"Minha queridíssima mãe:
Talvez pense que esse modo de proceder seja exageradamente excêntrico. Pois está sentada diante de mim e falando sobre Mrs. Beline. Mas decidi dirigir-me a ti desta maneira porque penso que talvez deseje refletir sobre assunto antes de dar-me uma resposta oral ou escrita.
Tratarei de explicar sobre uma situação, na qual acredito ter feito o certo, ainda que não esteja absolutamente seguro, e te pedir sua opinião sobre a mesma. Era algo complicado, e insisto que não poderia ter feito de outro jeito; mas ainda que fosse o maior tonto dos três reinos e tivesse me metido em uma confusão, há uma pessoa que recorreria sempre porque confio nela. As mães conhecem melhor que os demais as estupidez de seus filhos, e isto é verdadeiro em seu caso. Nunca me envergonhei disso, ao contrário, me alegro porque isso me passa segurança. É mais fácil escrever isso que dizer, mas você sabe que o que digo é verdade.
Não posso dizer o quanto ansioso estou de que compreendas que me comporto assim pensando sempre em sua possível reação a esta carta. Espero que me compreenda.
Faz oito anos que fizeste uma observação. Verás nisto que, ainda que nós ríssemos de tuas ‘observações’, nos recordaríamos delas. A observação se referia à hipotética jovens de que eu haveria de me apaixonar e concretizou nesta frase: “Se é boa não me importo quem seja.”
Não se quantas vezes repeti essas palavras nos últimos três dias, quando tomei a decisão de escrever esta carta.
Não te assuste, nem pense que ocorreu algo sensacional e definitivo. Não estou casado, querida mãe, nem comprometido. Quero seu conselho antes de suas deliberações. E se me permite te contarei brevemente a história.
É, segundo creio, a pessoa mais sagaz em dar-se conta das coisas, e conseqüentemente imagino que não pensas que vou todos os domingos a Bedford Park para contemplar a paisagem. Não me estranharia que já soubesse tanto sobre o assunto que eu possa te explicar agora. Bastará que te diga (pois nenhum de nós dois somos comunicativos, e esta carta na tem nada a ver com as de Mrz. Ratcliffe) que a primeira etapa de minha relação com os Blogg, enquanto líamos, conversava e gozávamos juntos a vida ao passo que descobríamos grandes afinidades em todos os terrenos; e que posteriormente descobri, tão emocionado e cheio dolorosas responsabilidades, de que não era mais platonismo o que dominava por completo o panorama. Nisto estamos agora. Ninguém sabe, exceto sua família e tu.
Queridíssima mãe, estou seguro de que ao menos não verá com desagrado. Realmente nos amamos mais do que ambos saberíamos expressar. Evito nesta carta qualquer sentimentalismo, porque sei que não gosta desse tipo de manifestação. Mas o amor é algo muito distinto do sentimentalismo, e creio que não irá rir de mim. Não direi que estou seguro de que Frances te agradará, porque é o que todos os jovens dizem a suas mães, ainda que estas, como é natural, não acreditem. Alem do mais estou convencido que ficaria mais satisfeito que descobrisse por ti mesma. Na realidade é, como certeza, o tipo de mulher que te agrada, que se pode chamar, segundo creio, ‘mulher das mulheres’, com bom humor, pouca lógica e muita simpatia, e não está contaminada por nenhum excesso ofensivo de saúde física.
Não tenho mais que dizer; exceto que tu e ela ocuparam meu espírito por completo durante a última semana, como tem notado por minha abstração, e que ela me pediu por carta que te transmitisse esta mensagem: ‘Por favor, diga logo a tua mãe; diga que não sou tão tonta como para que possa esperar que eu seja suficientemente boa para ti, mas que de verdade procurarei ser’."
Aspiração que me obriga sorrir.
Neste momento se aproxima como uma taça de chocolate. Obrigado.
Teu afetuosísimo filho,
Gilbert.