terça-feira, 7 de setembro de 2010

Compreenda o que é o gramscismo e marxismo cultural

"As duas últimas décadas conheceram, todavia, uma evolução importante na ideologia (a praxis) do marxismo. Trata-se da obra que o marxista Antônio Gramsci (1891-1937) escreveu durante seus útimos anos nos cárceres da Itália fascista. Nela se da uma moderação das tesis rigorosas do materialismo histórico com fins mais táticos. Para Gramsci as idéias e crenças não são simples emanação passageira da economia, se não que possuem uma realidade que constitui a cultura em que cada homem e cada povo vive imerso.

A idéia propulsora do pensamento gramsciano é a de que Revolução nunca se realizará verdadeiramente enquanto não se produza de um certo modo orgânico e dialético dentro do que  Gramsci chama uma cultura, que é o que haverá que desmontar e substituir ao próprio tempo que se utiliza. Se a revolução brota de um ato violento ou de uma ocupação militar, sempre será superficial e precária, e se manterá assim mesmo em um estado violento. O homem não é uma unidade que se justapõem a outras para conviver, se não um conjunto de inter-relações ativas e conscientes. Todo homem vive imerso em uma cultura que é organização mental, disciplinada através de uma autocrítica, que será motor de mudança. A vida humana é um emaranhado de convicções, sentimentos, emoções e idéias; ou seja, criação histórica e não natural. Daí o interesse de Gramsci pelo cristianismo ao que considera germe vital de uma cultura histórica que penetra na mente e na vida dos homens, suas reações profundas. Será preciso, para que a revolução seja orgânica e “cultural”, adaptar-se ao existente e, pela via da crítica e a autoconsciência, desmontar os valores útimos e criar assim uma cultura nova. O aríete para essa transformação será o Partido, vontade coletiva e disciplinada que tende a fazer-se universal. Sua missão será a infiltração na cultura vigente para transformá-la em outra nova materialista, a margem da idéia de Deus e de tudo de valor transcendente.

Sua arma principal será a lingüística (a gramática normativa) que penetre na linguagem coloquial, alterando o sentido das palavras e suas conotações emocionais, até crer em quem fala uma nova atitude espiritual. Se se muda os valores, se modifica o pensamento e nasce assim uma cultura distinta. O meio em que esta metamorfose pode realizar-se é o pluralismo ideológico da democracia, que deixa indefeso o meio cultural atacado. Porque, nela só existem “opiniões” e todas são igualmente válidas. Esse trabalho se alcançará atuando sobre os “centros de irradiação cultural” (universidades, foros públicos, meios de difusão, etc.) nos que, aparentando respeitar sua estrutura e ainda seus fins, se inoculará um criticismo que lhes leve a sua própria autodestruição. Se se consegue infiltrar a democracia e o pluralismo na própria Igreja (que tem nessa cultura o mesmo papel reitor que o Partido na marxista), o êxito será fácil. A democracia moderna será como uma anestesia que impossibilitará toda reação no paciente, ainda quando esteja informado do sistema que está sendo penetrado em sua mente.

Esta é a revolução cultural, meta principal do atual marxismo, e movimentos como Cristiano para el socialismo e outros semelhantes que desejam o que se tem chamado autodemolizione da Igreja.

Traduzido do espanhol pelo Amigo  da Cruz.
CIUDAD, Rafael Gambra. Historia sencilla de la filosofia, Madrid: Rialp. 22 ed., 1997, p. 212-214

sábado, 4 de setembro de 2010

Oração, frases, Biografia, fotos, vídeo e sites sobre Pier Giorgio Frassati

Pier Giorgio Frassati

Oração a Deus, com a intercessão do Bem-aventurado Pedro Jorge Frassati

Pai Celeste, nós vos agradecemos pela vida do Bem-aventurado Pedro Jorge Frassati, cujo zelo pela vida e o comprometimento à sua fé estavam unidos ao amor pelos pobres, doentes e necessitados. Que nós possamos imitar esta caridade alimentada pelo seu amor à Eucaristia, devoção à Nossa Santa Mãe e uma confiança inabalável em Vós, Pai.
Graças a seu testemunho comprometido de alegria e verdade; e fortalecido pelo Espírito Santo, Pedro Jorge viveu a vida como maravilhosa aventura provando que a santidade é possível a todos. Que nós possamos também, através de suas orações e testemunho do Evangelho, viver uma vida que alcance o alto! Nós vos pedimos por Cristo, nosso Senhor, Amem.

Bem-aventurado Pedro Jorge Frassati, rogai por nós.

Oração pela Canonização de Pedro Jorge

Ó Deus misericordioso, que em meio aos perigos do mundo
conseguistes preservar por Vossa graça o Vosso servo Pedro Jorge Frassati puro
de coração e ardoroso na caridade, escutai, nós Vos pedimos, às nossas orações e, se for de Vossa vontade que ele seja glorificado pela Igreja, mostre-nos o Vosso querer, nos dando as graças que Vos pedimos, por sua intercessão. Pelos méritos de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.”

Imprimatur, 1932 + Maurillo, Arcebispo de Turim


 FRASES E TRECHOS SELECIONADOS

“Jesus vem a mim a cada manhã na Santa Comunhão e eu O retribuo de uma maneira pequena visitando os pobres” (disse Pedro Jorge a um amigo)

“Ele testemunha que a santidade é possível para todos...Esforçai-vos para conhecê-lo! Eu confio vosso compromisso missionário a ele” (João Paulo II)
Se meus estudos permitirem, quero passar dias inteiros nas montanhas, contemplando naquele ar puro a grandiosidade do Criador” (carta a Marco Beltramo, 6 de agosto de 1923)

Impressionada, as pessoas viam esse jovem nas ruas de Turim  ajudando os pobres a procurar uma casa; puxando carroças cheias com seus pertences”.

Quando um amigo o perguntou como ele podia agüentar os odores e a sujeira das favelas, ele respondeu: “Nunca esqueça que mesmo sendo a casa miserável, você está se aproximando de Cristo. Em meio aos doentes e desafortunados, vejo uma luz peculiar, uma luz que não temos.

Viver sem uma fé, sem um patrimônio para defender, sem um esforço constante, pela verdade, não é viver mas somente existir.” (carta a I. Bonini, 27 de fevereiro de 1925)

Não são aqueles que sofrem violências que devem temer, mas aqueles que as praticam. Quando Deus está convosco, nós não precisamos ter medo.”

A fé dada a mim no batismo me sugere com uma voz segura: Por suas próprias forças, você nunca fará nada, mas se você tiver Deus como centro de suas ações, então sim, você alcançará o objetivo.” (carta a I. Bonini,, 15 de janeiro de 1925)

Na oração a alma se eleva acima da tristeza da vida.” (uma dedicação em um livro dado por Pedro Jorge a um amigo)

Quanto mais alto formos, melhor nós ouviremos a voz de Cristo.”

Nós costumávamos visitar os leprosos do Hospital de São Lázaro – nos deparamos com um jovem, 20 anos, cuja face estava destroçada pela lepra...temos o dever de colocar nossa saúde a serviços daqueles que não a tem; pois agir de outra forma seria trair o dom de Deus e de Sua bondade.” (T. Vigna, amiga de Pedro Jorge)

Eu não hesitaria em dizer que o segredo da perfeição espiritual de Pedro Jorge deve ser encontrado em sua devoção a Maria...Nunca se passou um dia sem que ele estivesse aos pés de sua Mãe celestial com seu terço, sua oração favorita, entrelaçado em seus dedos...” (Marco Beltramo, amigo de Pedro Jorge)

Eu suplico a vocês com toda a força da minha alma que se aproximem da Mesa Eucarística tanto quanto possível” (Aos jovens católicos de Pollone, 1923)

Eu também amei assim” (Pedro Jorge sofreu por não ter conseguido concretizar seu amor por uma garota em particular e teve que entregar isso a Deus)

E peço que reze para que Deus me dê a força cristã para suportar tudo isso serenamente e que Ele a dê toda alegria terrena e a força para finalmente alcançar o fim para o qual fomos criados.” (de uma carta a I. Bonini, 28 de dezembro de 1924)

Na vida terrena, depois dos pais e das irmãs, uma das mais bonitas formas de afeição é a amizade.” (carta a I. Bonini, 10 de abril de 1925)

Você me pergunta se eu sou feliz. Como não poderia ser, enquanto minha fé  me der força...pois o sofrimento é algo bem diferente da tristeza, que é a pior doença de todas. É quase sempre causada pela falta de fé”. (Carta à sua irmã Luciana, 14 de fevereiro de 1925)

Verso l’alto – “Em direção ao alto” (frase profeticamente escrita por Pedro Jorge atrás de uma foto poucas semanas antes de morrer. Esse tornou seu lema.)

“A glória de Deus é o homem completamente vivo” (Santo Irineu. Adv. Haeres 4, 20)

Luciana Frassati se recorda que, nas útimas horas de sua vida, Pedro Jorge “mal conseguia falar, mas um traço de vida permanecia em seus olhos, que estavam fixos na face de Nossa Senhora.”

O dia de minha morte será o dia mais bonito da minha vida.” (falado rotineiramente por Pedro Jorge)

o melhor homem do mundo está morto” (do diário de Alberto Falcheti um menbro italiano do parlamento quando Pedro Jorge morreu)

Oração e contemplação, silêncio e recepção dos sacramentos deram o tom e a substância para seus variados apostolados; e  sua vida, animada pelo espírito de Deus, é transformada em uma aventura maravilhosa.” (Papa João Paulo II – Roma, 20 de maio de 1990)



 BIOGRAFIA

Os que pensam que os santos são pessoas tímidas e solitáras, que desprezam esta vida só pensando na outra, ficarão surpreendidos diante da figura do beato Pedro Jorge Frassati.

Verdadeiro brincalhão, apelidado de “Robespierre” por seus amigos, com quem formou a associação denominada “Tipi Loschi”, os tipos de arruaceiros. Frassati foi um amigo dos pobres e via neles o Cristo. São especialmente os jovens, que, em sua busca por um modelo, encontram alguém com quem se identificar. Pedro Jorge fez de sua curta vida uma “aventura maravilhosa”.

Pedro Jorge Frassati nasceu em Turim, Itália, em 6 de abril de 1901. Sua mãe, Adelaide Ametis, era pintora. Seu pai, Alfredo, agnóstico, foi fundador e diretor do jornal liberal “La Stampa”. Homem influente entre os políticos italianos, desempenhou também os cargos de Senador e Embaixador da Itália na Alemanha.

Pedro Jorge estudou em casa antes de ingressar em uma escola estatal junto com sua irmã Luciana, posteriormente freqüentou uma escola dirigida por jesuítas. Ali se associou à Congregação Mariana e ao Apostolado de Oração, chegando a comungar diariamente.

Pedro Jorge desenvolveu uma profunda vida espiritual que nunca deixou de compartilhar com seus amigos. A Santa Eucaristia e a Virgem Maria foram pólos de seu mundo de oração. Aos 17 anos de idade, em 1918, ingressou na Sociedade São Vicente de Paulo e dedicou a maior parte de seu tempo livre ao serviço dos doentes e necessitados, cuidando dos órfãos e dos soldados da primeira guerra mundial que voltavam para suas casas. Decidiu se graduar em engenharia mineral na Universidade Politécnica de Turim, com a finalidade de “servir melhor a Cristo entre os mineiros”, como expressou a um amigo.

Mesmo seus estudos, que considerava sua prioridade, não o apartaram da sua inflamada atividade social e política. 1919 se associou à Federação de Estudantes Católicos e à Ação Católica. Diferenciando-se das idéias políticas de seu pai, chegou a ser membro verdadeiramente ativo do Partido Popular, que promoveu os ensinamentos da Igreja Católica embasados nos princípios da “Rerum Novarum”. Também concebeu a ideia de unir a Federação de Estudantes Católicos à Organização Católica de Trabalhadores. “A caridade não basta: necessitamos de uma reforma social”, costuma dizer trabalhando para ambas.

Os pobres e os sofredores eram seus donos e ele foi para eles um verdadeiro servo, vivendo essa ocupação como um privilégio. Em Pedro Jorge, a caridade não consistia só em entregar algo para os demais, mas, antes em se entregar a si mesmo por  inteiro. Essa caridade se sustentava diariamente com Jesus Cristo Eucaristia, com a freqüente adoração noturna, com a meditação do hino da caridade de São Paulo e com férias na casa de verão da família Frassati, no vilarejo de Pollone, já que “Se todos saem de Turim, quem vai se encarregar dos pobres?”.

Pedro Jorge era um entusiasta esportista: um dos seus esportes favoritos o alpinismo.
As excursões que organizava com seus amigos, os “Tipi Loschi”, eram para ele uma ocasião concreta de apostolado.

Costumava ir ao teatro, à ópera e aos museus: amava a arte, a música e proclamava versos inteiros de Dante. Os veementes sermões de Savaranola e os escritos de Santa Catarina de Sena o impulsionaram a ingressar em 1922 na Terceira Ordem Dominicana. Quis se chamar Jerônimo, como o missionário dominicano e reformador do Renascimento florentino, Jerônimo Savanarola. “Sou um fervoroso admirador desse frei, que morreu como santo na fogueira” escreveu um dia a um amigo.

Tal qual seu pai, foi um vigoroso antifascista e nunca escondeu suas idéias políticas. A princípio se viu envolto em disputas contra os anticlericais, comunistas primeiro e fascista depois. Ao participar de uma demonstração organizada pela Igreja em Roma, sofreu a violência e foi preso pela polícia.

“Em Píer Giogio vemos o homem das oito bem-aventuranças, que traz consigo a graça do Evangelho, da alegria da salvação oferecida pelo Cristo”. João Paulo II.

Seu funeral foi um triunfo, as ruas da cidade se encheram de gente que chorava sem consolo e que sua família não conhecia: eram os pobres e necessitados que ele havia atendido sem desânimo durante sete anos; muitos deles ficaram surpreendidos ao se inteirarem de que o jovem que conheciam pertencia a uma família tão poderosa. Numerosos peregrinos, em especial jovens estudantes, vão ao túmulo de Pedro Jorge para solicitar favores e coragem para seguir seu exemplo. Em 1982, como última etapa do Processo Apostólico, foram exumados seus restos mortais, encontrando-se o corpo de Pedro Jorge intacto, com um sorriso iluminado.

O  Papa João Paulo II, depois de ter visitado seu túmulo em Pollone, em 1989 disse: “Quero render homenagem a um jovem que soube ser testemunho de Cristo com singular eficácia no nosso século. Eu também conheci, na minha juventude, a benéfica influência de seu exemplo cristão”.

Em 20 de maio de 1990, na Praça de São Pedro, diante de dezenas de milhares de fiéis, o Papa João Paulo II beatificou Pedro Jorge Frassati, considerando-o como “O Homem das oito Bem-Aventuranças”. Seus restos mortais foram trasladados do túmulo da família Frassati em Pollone para Catedral de Turim.

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Retirado do folhetim entregue aos jovens reunidos na Jornada Mundial da Juventude em Sidney, Austrália, no ano de 2008. O mesmo possuía autorização da Associazione Píer Giorgio Frassati

FOTOS

VÍDEO EM ESPANHOL



segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Um fator do problema social

Um fator do problema social

(Autoria de Anacleto González Flores.
Publicado no Editoriales de La palabra,
1 de julho de 1917)

Depois de termos visto o verdadeiro conceito da questão social (Leia o artigo A Questão social), convém assinalar suas causas. Para isto começaremos, por assim dizer, mostrando que este grande problema tem sido gerado em primeiro lugar pela desorientação religiosa. Os espíritos superficiais e, sobretudo os que se crêem admiráveis destes tempos, vão sorrir com lástima desta constatação; mas facilmente se tranqüilizarão se souberem e se recordarem que Proudhon*, que esta muito longe de ser um clerical, encontrava, como ele dizia, um problema teológico através de toda questão social e política. Por nossa parte, vamos entrar sem dúvida no campo da racionalidade com o fim de demonstrar que nossa constatação se apóia na realidade.

O extravio dos espíritos no campo religioso pode ser considerado sobre dois aspectos: como poder formidável de dispersão das energias das coletividades, ou também como um conceito errôneo acerca da vida humana e de tudo o que tem contato com ela, com seu fim e seus destinos. Sobre o primeiro ponto de vista, as agitações profundas que tem sofridos os povos, e, sobretudo as catástrofes internas e o estado constante de lutas dos países em que tem sido imperceptível a unidade em matérias religiosas, são um argumento imbatível que demonstra que o desequilíbrio das sociedades sai principalmente das discrepâncias tão profundas que agora de um modo especial se tem apoderado dos homens. Seria muito diferente a situação das relações sociais e a unidade, que é e tem sido sempre a alma da civilização e das coletividades, reinasse majestosamente e soberanamente sobre as consciências em questões tão importantes como as que se estão próximo da religião. Diante disso, seguramente poderíamos pronunciar de novo esta frase célebre do insigne sociólogo Federico Le Play, conseguida graças a seus estudos profundos e imparciais: "Onde reina o Decálogo não existe a questão social".

Mas, contudo, a desagregação dos elementos sociais na ordem religiosa gera uma grande calamidade e um perigo constante de dissolução e uma fonte inesgotável de discórdias e divisões; o falso conceito acerca dos destinos da vida humana assinala as discrepâncias antes assinaladas, torna impossível o equilíbrio nas relações políticas, jurídicas e econômicas que entram na formação das sociedades.

E para que nossa alma fique convicta a este respeito, basta recontar, ainda que seja brevemente, os abismos insondáveis abertos em épocas paganas pelos ensinamentos sobre a igualdade. Ensinou-se então, utilizando-se de talentos como Aristóteles, de que havia homens que naturalmente nasciam escravos; acreditou-se que a mulher não poderia elevar-se à categoria do homem; que o pai teria direito sobre seus filhos o direito de vida e de morte, de fato o indivíduo se perdia totalmente em meios as coletividades e ficava despojado de sua própria personalidade; enfim, não temos que traçar com suaves nuances um quadro que com todos seus horrores e suas degradações, surge em nossa imaginação delineando com pinceladas vigorosas e profundas com o fato de remeter nossa vista ao passado. E bem, aquele caos que havia feito impossível a luz da verdadeira civilização, e que envolvia em plena desordem as almas e os corpos e havia criado e mantido a questão social, foi desfeito como nuvens que se dispersam e se diluem no diáfano azul em presença do sol, por um pensamentos eminentemente religiosos: o de Cristo. Disse-se então que os homens são iguais, porque sua origem é comum, porque tem os mesmos destinos e conseqüentemente, como homens, os mesmos direitos.

Ninguém se atreverá a negar que esta doutrina desde o instante mesmo em que fixa a origem e o fim da humanidade, tem um caráter essencialmente religioso. Portanto, o desequilíbrio enorme daquela idade, a pagã, tinha sua origem na desorientação religiosa. O da igualdade, tristemente celebrado pela revolução Francesa, é uma mentira histórica e um grande erro filosófico; nada mais. Os verbos deslumbrantes de Mirabeau, a rebelião das multidões sedentas de sangue, de pilhagem e da decapitação dos reis, nobreza e os sacerdotes, não puderam assimilar em nada a obra maravilhosa realizada pelo Catolicismo a favor da igualdade. O despotismo monárquico de Luis XIV foi impulsionado pelo despotismo republicano. Hipólito Taine o demonstra admiravelmente. Pelo que toca o momento atual e fixando-nos somente nas relações entre os trabalhadores, encontramos que estes estão em uma situação pior que as do paganismo; ouçamos Dárdano: "Os antigos compravam o trabalho e o trabalhador e cuidavam um do outro. Agora se compra unicamente o trabalho. Se prescinde do trabalhador, o qual, só, abandonado e indefeso, deve pensar unicamente em si mesmo, em seu presente e no seu amanhã". E este fato, afirmado com muitíssima razão pelo ilustre escrito acima citado, é, para os que refletirem um pouco, uma revelação de que o liberalismo, como demonstramos brevemente, modificou o verdadeiro conceito de vida humana em um grande erro, o da igualdade nas relações do trabalho com o que os sociólogos chamam homo economicus, ou seja, o homem máquina.

Ora, poderíamos ter afirmado sobre a igualdade considerando esta desde outros pontos de vista; mas o desequilíbrio social de nossos dias vem do conceito exato, verdadeiro acerca da origem, fim e direitos do homem, de que se tem perdido no grande desconcerto, na grande desorientação das energias sociais em questões de tanta transcendência como são as dos problemas religiosos.


*PROUDHON, Pierre-Joseph (1809-1865). Economista francés, pai do anarquismo teórico.

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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 466-469.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Nefandum crimen


 




Aborto: “nefandum crimen” GS, 51

Século I

“não matarás a criança mediante aborto” (Didaqué, c. II, 2)

Século II

“Não mates a criança no seio da mãe” (Epístola de Barnabé, XIX, 5)

“Os que praticam o aborto cometem homicídio e irão prestar contas a Deus, do aborto. Por que razão haveríamos de matar? Não se pode conciliar o pensamento de que a mulher carrega no ventre um ser vivo, e portanto objeto da Providência divina, com o de matar cedo o que já iniciou a vida” (Atenágoras de Atenas, Súplica pelos cristãos, 3, 35, col. Patrística, ed. Paulus)

“Quanto a nós, sendo-nos proibido o homicídio de uma vez por todas, tampouco nos é permitido fazer perecer a criança concebida no seio da mãe, enquanto o ser humano continua a ser formado pelo sangue. Impedir o nascimento é um homicídio antecipado, e pouco importa se a alma é arrebatada quando nascida ou se é destruída no momento em que ela nasce.” (Tertuliano, Apologeticum, 9, 6-8)

“Aquilo que deve tornar-se um homem, homem já é, do mesmo modo que todo e qualquer fruto já está no germe.” (Tertuliano, Apologeticum, Idem)

Século IV

"A mulher que destrói voluntariamente um feto se torna culpada de assassinato. Não nos interessa fazer uma investigação minuciosa para saber se ele estava formado ou não.” (São Basílio, Lettres, t. 2, Paris, p. 124)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A questão social

A questão social

(Autoria de Anacleto González Flores.
Publicado no Editoriales de La palabra,
24 de junho de 1917)



Os grandes problemas que interessam profundamente a humanidade devem ser conhecidos até em seus últimos detalhes e pelo maior número possível, já que a solução teórica e prática, para ser uma realidade esplendorosa, exige o esforço de todos os homens. Por isto agora vamos nos fixar com toda a precisão sobre o verdadeiro conceito da questão social. Os sociólogos a formulam da seguinte maneira: é um problema que consiste em ordenar as energias sociais em uma forma total que satisfaça as exigências racionais dos associados; ou também: é o problema do restabelecimento da paz entre as classes antagônicas da sociedade e de um modo especial entre os representantes do capital e do trabalho.

A questão social, como se vê, é um feito, um grande feito que tem por caráter saliente o desequilíbrio das forças coletivas, e um estado de luta entre os distintos elementos que formam o organismo social. É certo que há profundas discrepâncias acerca de sua natureza, mas no fundo a definição antes dada delineia exatamente o problema que temos resolvido estudar.

Os socialistas pensam e ensinam que a questão social é de caráter eminentimente econômico, e que não envolve nenhum outro problema fora do que se relaciona com a distribuição mais ou menos perfeita da riqueza; mas isto é um grande erro, porque ainda que é certo que a parte mais sensível do desequilíbrio social seja seu aspecto econômico, há que convir que também abarca questões de outras ordens e que em última análise são sua verdadeira causa. Para  se convenser disso basta pensar que as energias sociais tomam sua direção correta ou fatal do pensamento, e este, por sua vez, segue o rumo assinalado pelos sistemas e as relações que encadeiam os indivíduos para mover a coletividade será inevitavelmente o que seja da orientação do espírito. Colocados, pois, diante de um fato social, devemos passar da análise superficial das coisas às profundidades que encerram o verdadeiro segredo que explica o fenômeno, e para isto temos de nos perguntar o que é que pensam as gerações; e uma vez conhecida a idéia ou a doutrina que reside nas almas, veremos com claridade meridiana que todo desequilíbrio, assim como a fisionomia dos povos, não é mais que a cristalização de um pensamento.

E que os corpos sempre tem sido e serão arrebatados pelo movimento que agita os espíritos, e eles vão impetuosamente pelas vias traçadas pelos sistemas. A respeito deste ponto de vista, nem o homem nem a huminidade são divisíveis: tem um só fisionomia; a de seu pensamento que, impulsionado irresistivelmente para reinar sobre tudo, cria leis, instituições, costumes, enfim, esse conjunto complicado que por conveção chamamos sociedade.

Daí resulta que a questão social, mais que uma questão de atos, é um questão de princípios, e que seu aspecto econômico não é o problema total, se não um de suas faces, se se quiera a que mais impreciona e mais fortemente se faz sentir. Se segue além, segundo o que foi exposto antes, que o desequilíbrio dos povos deve ser buscado no desequilíbrio do pensamento, depois nas leis e costumes difundidos por elas, e daí vamos encontrar a desorganização que se tem aponderado das relações materiais que entram na estrutura do corpo social.

Ao querer delinear, pois, com traços vigorosos e precisos o que os mais grandes sociólogos tem chamado a única e verdadeira questão das sociedades, devemos dizer que nos encontramos não só diante do abismo aberto pelo ódio e pelo orgulho entre o capitalismo e o proletariado; não só diante do caos que envolve as relações econômicas, não, o problema se extende a regiões mais altas e toca pontos mais profundos; arranca a linha mesma em que nasce o pensamento e vai a parar longes confins onde se encontram os corpos e onde se alça o império das idéias.

Propriamente em toda a desorganização social não há mais que um desequilíbrio: a dos espíritos, causados pelos falsos sistemas e cristalizados nos atos que formam a vida prática da humanidade. Em última análise o desequilíbrio de fundo ou da parte material das coletividades, é o desequilíbrio de frente ou das almas, levadas ao mundo dos corpos [Faz referência ao pecado do homem].

E com isto chegamos ao ponto em que aclarado os conceitos até aqui sinalizados e sintetizando as idéias expostas, podemos dizer que a desorientação suprema de todas as energias socias (desorientação religiosa, política, moral, jurídica e econômica) que vão precipitadamente ao grande cataclisma da manhã com todas suas agitações, suas tempestades e suas catástrofes desoladoras como as do oceano, vigorosas com as dos céus e fundas como as das almas, é e se chama questão social.

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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 465-466

segunda-feira, 5 de julho de 2010

As boas leituras

As boas leituras

(Autoria de Anacleto González Flores.
(Editoriales de la palabra,
6 de fevereiro de 1918)


Se é necessário evitar os maus livros e periódicos, é, também, conveniente e indispensável buscar com grande afinco e ardor as boas leituras. Porque não podemos duvidar que nossa natureza caída [pelo pecado] é muito propensa a tudo o que degrada, envelhece e que encerra nossas almas nos abismo insondáveis do crime e do vício. E para fazer o mal é necessário antes de o fazer pensar mal e corromper de alguma maneira nosso pensamento com os maus desejos e ensinamentos perversos; e, para fazer o bem e viver uma vida virtuosa, santa e honrada é necessário antes que a verdade tenha tomado posse de nossa inteligência, e em nada devemos colocar mais cuidado do que em fazer grande, poderoso esforço, em buscar as doutrinas que santificam nossos pensamentos e nos levam a afastar enquanto seja possível dos caminhos errados que a iniquidade nos leva.

Uma inteligência mal orientada impulsiona ao mal o coração e todas as demais faculdades; um entendimento bem dirigido e embuido da verdade poderá facilmente nos levar por caminhos que estejam longe da degradação moral.

Veja bem! As boas leituras, sobretudo quando são frequentes, exercem um influxo em nossos espíritos que nos impulsiona a fazer o bem; pois ninguém pode negar que as leituras possuem a capacidade de nos fazer iguais aos livros e periódicos que lemos; e se o contato íntimo com os homens nos faz semelhantes a eles intelectual e moralmente, porque nós assimilamos, absorvemos suas tendencias e seus ideias, com maior razão podemos dizer isso da leitura. Nela concorre a beleza e elegância do estilo; a superioridade de quem escreve; o desenvolvimento de um plano perfeitamente preparado; a ignorância de quem lê; a afimarção de muitas coisas que facilmente são acreditadas; a falta de critério para discenir; a tendência em se acreditar em tudo o que diz alguém de que se tenha "ar de sábio" mesmo que não o seja; enfim, esse acúmulo de feitos que rodeia o influxo da imprensa e que contribui para difundir um sistema com a leitura de um só livro.

Daí que, se concluimos que o periódico e o livro são duas poderosas fontes que estão exercendo o domínio sobre a sociedade, convém aproveitá-los, não na defesa do mal e do erro, e sim, para propagar e sustentar as doutrinas salvadoras da verdade e do bem. Para isto é preciso consagrar uma grande parte do nosso tempo, e isto com muita frenquencia, para ler todos aqueles livros que, além de terem sido escritos com muito brilhantismo e magnificência de estilo, podem deixar em nossas almas um rastro de luz. Assim evitaremos o estado lamentável em que alguns se encontram envoltos nas sombras da ignorância e estão expostos a serem enganados pelo primeiro que lhe fale; assim elevaremos o nível de nosso espírito as alturas em que irradiam  verdade, o bem e beleza; assim iremos contrapor a propensão de nossa natureza ao mal; assim teremos santificado nossos pensamentos com o contato das ideias que de verdade regeneram e salvam, e os atos de nossa vidas será reto, santo, irá diretamente até a virtude, até o bem.

Não podemos perder de vista que para conquistar a verdade é necessário fazer grandes esforços, padecer grandes fadigas; de igual manera, para ensinarmos, para  acostumarmos-nos a fazer o bem é preciso sacrificar-nos, trabalhar com verdadeiro entusiamo, e entre outras coisas, proucurar as boas leituras. Quem l ê bons livros caminha a metade do caminho até a virtude; aquele que nunca lê livros nem periódicos bons está em perigo de extraviar-se e já está no começo dessa jornada. Queremos vencer o mal? Consagremos as nossas leituras as boas obras!

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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 508-509.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Biblioteca dos amigos da cruz

LIVRO - AUTOR


Apologia de Sócrates -  Platão
A Arte de Ler -  Mortimer Jerome Adler
Admirável Mundo Novo - Adous Huxley
A Verdade - Santo Anselmo
A Verdade como Regra das Ações - Raimundo Farias Brito
A Vida Intelectual A. D. Sertillanges
A República - Platão
A Selva Santo Afonso de Ligório
Assim Pensava Santo Afonso de Ligório Compilado pelo Pe. Oreste Gregorio
Breve História das Heresias - Cônego Cristiani
Caminho de Perfeição - Santa Tereza Ávila
Cartas, Informações, Fragmentos Históricos e Sermões - Padre José de Anchieta
Comentários a Aristóteles - Santo Tomás de Aquino
Confissões - Santo Agostinho
Catecismo Maior de São Pio X Papa São Pio X
Imitação de Cristo - Tomás de Kempis
Introdução a Filosofia de São Tomás -  H.D. Gardiel
Livro da Vida - Santa Tereza de Ávila
Luz e Calor - Padre Manuel Bernardes
Luz Sobre a Idade Média Régine Pernoud
Maçonaria no Brasil -  Boaventura de Kloppenburg
Manual de Apologética A. Boulenger
Moradas ou Castelo Interior - Santa Tereza Ávila
Nacionalismo e Patriotismo Gustavo Corção
O Ente e a Essência - Sto. Tomás de Aquino
O Homem na Galeria - G.K. Chesterton
O Homem que Foi Quinta-Feira - G.K. Chesterton
Ortodoxia G.K. Chesterton
O Século do Nada - Gustavo Corção
Preparação para a Morte - Santo Afonso de Ligório
Primeiro, Cristo! - Plínio Salgado
Tratado da Castidade - Sto. Afonso de Ligório


ESPANHOL

O site http://librodot.com/ disponibiliza em espanhol livros de Chesterton. Para baixar basta se inscrever GRATUITAMENTE.

Anécdota mas bien improbable, Una 55.2 KB
Asís, San Francisco de 314.6 KB
Ausencia del señor Glass, La 138.3 KB
Candor del padre Brown, El 630.0 KB
Defensa de destino 210.7 KB
Dios de los Gongs, El 71.4 KB
Doce hombres 55.7 KB
El árbol del orgullo 239.9 KB
El cinco de espadas 308.8 KB
EL CLUB DE LOS INCOMPRENDIDOS. Cuatro granujas sin tacha 486.4 KB
El Club de los Negocios Raros 343.4 KB
El cuento de hadas del padre Brown 131.4 KB
El dios de los gongs 463.5 KB
El duelo del Dr. Hirsch 68.3 KB
EL ENEMIGO o Un asesinato 307.2 KB
El error de la máquina 68.9 KB
El espectro de Gideon Wise 64.2 KB
El extraño crimen de John Boulnois 157.1 KB
El hombre en el pasaje 71.6 KB
El Hombre que sabía demasiado 580.9 KB
El Jardín de Humo 231.7 KB
El lamentable fin de una gran reputación 107.2 KB
El milagro de la Media Luna 98.1 KB
El Napoleón de Notting Hill 567.4 KB
El Oráculo del Perro 87.3 KB
El paraíso de los ladrones 75.6 KB
El Poeta Y Los Lunáticos 1.1 MB
El puñal alado 118.9 KB
El sino de los Darnaway 105.3 KB
Ensalada del coronel Cray, La 65.3 KB
Funcionario loco, El 132.3 KB
Hombre común, El 785.1 KB
Hombre que fué jueves, El 490.5 KB
Hombrevida 602.6 KB
Jardin secreto, El 106.6 KB
La ausencia de Mr. Glass 74.6 KB
La cabeza del cesar 68.8 KB
La Cólera de las Rosas. Ensayos Escogidos 199.4 KB
La Cruz Azul y otros cuentos 1.1 MB
La ensalada del coronel Cray 213.4 KB
La extinción de los Pendragon 76.4 KB
La extraña reclusión de la anciana señora 102.2 KB
La maldición de la cruz dorada 106.1 KB
La pagoda de Babel 186.5 KB
La peluca morada 63.6 KB
La pintoresca conducta del profesor Chadd 134.0 KB
La Resurrección del Padre Brown 86.4 KB
La sabiduría del padre Brown 538.1 KB
La Saeta del Cielo 120.8 KB
La taberna errante 692.4 KB
La verdadera causa de la visita del vicario 110.7 KB
Las extraordinarias aventuras del Comandante Brown 137.2 KB
Las paradojas de Mister Pond 459.3 KB
Los árboles del orgullo 345.3 KB
Los tres jinetes del apocalipsis 63.0 KB
Muertes de los Pendragón, Las 456.2 KB
Ortodoxia 530.9 KB
Pequeña historia de Inglaterra 474.1 KB
Pesadilla, La 35.8 KB
Por los raros caminos del mundo 176.9 KB
Robert Louis Stevenson 374.0 KB
Tienda de los fantasmas, La 55.1 KB
Tolstoy 46.5 KB
Trozo de tiza, Un 74.0 KB
Una defensa de las novelitas de a penique 57.7 KB






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