Video PRODUZIDO pela ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE para promover BH como sede da XXIX Jornada Mundial da Juventude de 2014. Um cópia deste video foi enviada ao Santo Padre Papa Bento XVI. Aguardamos ansioso a decisão de sua Santidade. A Jornada Arquidiocesana da Juventude será realizada no dia 28 de março, Domingo de Ramos. Confira mais informações no blog: http://www.jajbh.blogspot.com/
“Quanto mais alto formos, melhor nós ouviremos a voz de Cristo.” Beato Pier Giorgio Frassati
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
A juventude e a organização
A juventude e a organização
(Autoria de Anacleto González Flores.
Editoriales de la palabra,
16 de fevereiro 1919)
Editoriales de la palabra,
16 de fevereiro 1919)
Até aqui temos falado da nobre e elevada missão da juventude e ainda temos assinalado a índole, a natureza dos esforços que devem fazer os jovens para conseguir que a humanidade e as sociedades alcancem proveitosos resultados das obras intentadas pelos que ainda respiram o sopro perfumado da primavera da vida. Agora vamos assinalar o meio supremo de que há de se servir a juventude para que sua ação dê resultados verdadeiramente reconstrutores: falamos da organização.
É certo que esta questão, a da organização, tem sido tratada uma e cem vezes e também é inegável que nós a temos tratado em muitíssimas ocasiões; no entanto, tem-se que ter em conta que se até agora quase não nos tem ouvido, este fato, muito longe de nos desanimar, nos faz entender que é preciso insistir, que é necessário continuar a obra de difusão; chegará um instante em que nosso meio saturado de nossas idéias nos preste seu apoio para conquistar as gerações e ponha em nossas mãos a eloqüência e o vigor inigualável que dá aos sistemas o conjunto de circunstância em que se nasce e se vive. Mas voltemos ao ponto capital: dizíamos que a juventude não poderá influir decisiva e vitoriosamente nos destinos da humanidade se antes não se organiza, se antes não soma esforços individuais para moldar o esforço coletivo, se antes não busca a coordenação de todas as energias para canalização ao longo do caminho que leva a vitória, se antes não procura que se forme um todo que aspire a realização de um mesmo fim com o emprego de meios idênticos de caráter geral.
A luta no isolamento nunca nos colocará em posição de vitória, e sim quase sempre nos arrasta a derrota e nos cobre de desonra. E para dar uma demonstração desta verdade não é necessário fazer uma minuciosa investigação, basta o feito eloqüente com a eloqüência da dor de que a nós católicos se tem pisoteado bárbara, selvagem: impunemente, enquanto temos permanecidos isolados e sem organização. E si a somarmos os triunfos obtidos, por meio da organização incipiente que temos e que por desgraça não tem sido destacado com o entusiasmo que deveria ser, chegará a enraizar a convicção de que para combater com vantagem tem que se ter antes a organização.
Os jovens devem sair de seu isolamento, devem buscar o contato com outros jovens que trabalham e lutam por reivindicar os direitos de Deus e do homem. Não devem permanecer indiferentes diante das distintas agrupações formadas com o fim de dar o bem uma arma de caráter social, já que o mal a tem como muito poderosa. Agrupai-vos, jovens católicos! Afastai-vos do isolamento que degrada, que envelhece que mata, que leva indefectivelmente a derrota. Ide prontamente a organização [católica], pois assim vossos brilhos e vossas energias cresceram enormemente e Cristo reinará apesar dos tiranos.
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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 588-589.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
A Igreja e os Capitalistas
"Este é um tema muito recorrente. A Igreja, além de ter a dificílima e árdua tarefa de evangeliza povos com os corações frios e "cabeças duras", sofre, ainda, muitas críticas e perseguições. Muitas delas se devem a uma visão preconceituosa e pouco fundamentada. O artigo abaixo analisa a relação da Igreja com os capitalistas e como a ela tem mantido a defesa dos direitos dos menos favorecidos sem absolutizá-lo, o que é um dos muitiformes erros da Teologia da Libertação marxista, e que somente com uma visão fundada no princípio Personalista da diginidade da pessoa humana, como exposto no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, se pode defender integralmente os menos favorecidos." (Amigos da Cruz.)
------------------------------A Igreja e os Capitalistas
(Autoria de Anacleto González Flores.
Editoriales de la palabra,
25 de novembro de 1917)
Em nada se há colocado tanto empenho, sobretudo nestes últimos tempos, como colocar a Igreja Católica como inimiga dos pobres e como defensora incondicional dos ricos. Para que todos se convençam de que isto é ignorância, má fé e consequentimente uma difamação imperdoável, vamos dar a conhecer a doutrina da Igreja sobre as relações entre os ricos e os pobres, e vamos demonstrar, principalmente aos socialistas e, sobretudo aos desequilibrados do Mundial, que ninguém tem se preocupado mais com o bem dos pobres do que a Igreja Católica.E como não só os socialistas e liberais ignoram esta doutrina, senão também são muitos os ricos que não a conhecem ou aparentam ignorá-la, bom será se que todos ponham atenção ao que vamos dizer para que assim cumpram com seu dever. As seguintes palavras foram tiradas literalmente da Encíclica que sua Santidade Leão XIII escreveu para tratar a questão social e fazer a defesa dos trabalhadores: “No geral recordem os capitalistas que nem as leis divinas nem as humanas permitem que se oprima os necessitados e infelizes, ou comercialize com a miséria do próximo. Negar o justo salário é culpa tão grande que clama vergonha na presença de Deus”. Segundo isto, a Igreja tem ensinado e ensina que aos trabalhadores não só se lhe tem que pagar pontualmente, senão o que em justiça corresponde, porque ao empregar a palavra defraudar se quer dar a entender que se pague o que o indispensável para a subsistência e as necessidades do trabalhador, e não porque ele se aparenta débil e cansado de trabalhar se lhe pague como melhor se lhe agrade ao patrão ou ao capitalista.
Há que fazer um esclarecimento, se disse que lucrar com as misérias e necessidades do trabalhador é um pecado que clama vingança ao céu, disse-se isto porque são pecados que a Igreja coloca entre os mais graves. Por isto enquanto Aristóteles e Cícero, apesar de seu grande gênio, chegaram a menosprezar as classes trabalhadoras e a dizer que o trabalho é indigno ao homem livre: o liberalismo, como disse Donoso Cortês, foi feito por ricos e para os ricos; o socialismo quer exagerar o valor dos proletariados sem fazer outra coisas que extravia-los; a Igreja, com uma ternura imensa e uma sabedoria que assombra, tem ensinado que no uso das riquezas ninguém é absoluto e que em nada se deve colocar mais solicitude do que ajudar aos pobres e sobretudo lhes pagar que é de justiça do trabalhador.
Mentem, caluniam, os socialistas contra a Igreja, quando a chamam exploradora dos pobres e do proletariados, e quando ensinam que ela está de acordo com os ricos para lucrar com as misérias dos trabalhadores, e cometem e estão cometendo um pecado dos mais graves, dos que clama vingança ao céu, todos os ricos, os patrões que não querem pagar nem pagam o salário justo, que exige a ordem natural e que estabelece o Cristianismo com base nas relações entre o capital e os homens trabalhadores.
Meditem isto, e muito seriamente tantos ricos que crêem cumprir seus deveres assistindo a algumas práticas religiosas e esquecendo, todavia, de cumprir com essas exigências de justiça com as pessoas que lhes servem e tornando-se reis de uma iniqüidade, de um crime que como ensina a Igreja, clama vingança ao céu.
Nós não ensinamos, como o socialismo que a propriedade é um roubo, nem sequer a odiar os ricos; o que fazemos é, seguindo o espírito do Cristianismo, chamar a atenção de tantos inchados com sua prosperidades e acastelados em sua riqueza e em seu poder esquecer de seus direitos de que o proletariado, como todos os homens, é um dos principais fatores do progresso.
A ignorância religiosa, se havia eclipsado, o sol eu havia iluminado a fronte de Napoleão Bonaparte com os fulgores da vitória, e o capitão que havia sabido conter a torrente da Revolução Francesa e restaurar a religião em todo seu esplendor, vivia profundamente triste na qualidade de prisioneiro dos ingleses na ilha de Santa Helena. Em certa ocasião quis o grande imperador fazer a um soldado que o vigiava, esta pergunta: você sabe quem é Jesus Cristo? Não, respondeu o guarda; tenho muita coisa a fazer e não pude averiguar quem foi esse homem. Como que tu, pensou Napoleão, que é batizado e se chama cristão não sabes quem é Jesus Cristo? Pois eu vou te dizer: e depois de fazer uma comparação entre Alexandre Cezar e Jesus Cristo concluio o grande guerreiro francês com estas palavras: eu não conheço os homens e Jesus Cristo era mais que um homem. Isto de fato desgraçadamente está se repetindo em nossos dias e nada há de tão comum como que tanto os que odeiam a religião como os que crêem e se dizem defensores dela, estejam envoltos na mais profunda ignorância. Isto se comprova ao fazer algumas perguntas sobre religião a algumas pessoas e então se comprovará como nem sabe sequer os facílimos ensinamentos do Catecismo, ou se sabem é muito superficialmente e sem ter um conhecimento mais profundo acerca das questões religiosas.
Se dirá que não é possível, que cada um seja um teólogo consumado e que dedique a estudar estes assuntos com grande empenho e com grande entusiasmo, porque são muitas as ocupações que é necessário atender. Se considera tudo isso, mas há de convir em que não se exige que todos os homens tenha, conhecimentos que adquirem os teólogos a força de estudos e de noites de estudos e discussões, não; o que se exige, o que urge e é indispensável é que, se tenha as noções mais básicas para saber nossa origem, nosso fim e a missão que temos nessa vida. E neste ponto a Igreja Católica, como em tudo, é muito pouco exigente e todos sabem que são muitos os que nem sequer sabem estas verdades.
Porém, se esta claro que são muitas as coisas para fazer e muitas as ocupações de cada um, com segurança não são tantas que não permitam consagrar sequer meia hora, ao estudo da religião seja em um lugar lendo um livro que trate dessas graves questões, ou seja, ouvindo em alguma igreja uma conferencia de algum sacerdote. E queremos conceder que sejam muitíssimas as ocupações das pessoas, porém será que há ocupação maior do que a salvação de nossa alma? Em nada tem colocado Deus tanto empenho nem tanta solicitude como em procurar a salvação de nosso espírito, e é por pura preguiça e não por falta de tempo, e se em outra ocasião temos provado a necessidade de lugares onde se ensinem religião, agora sustentamos com muita razão que todos devem consagrar-se a estudar as questões religiosas para fazer frente ao erro e não ser vencido por ele jamais.
A ignorância religiosas deve ser combatida quanto antes não só para as crianças, senão também para os jovens e os idosos, porque todos padecem este perigo, que é uma das principais causas de incredulidade.
De tal maneira, que se averiguarmos os motivos pelos quais se maldizem a religião, encontraremos que entre eles há uma grade ignorância, sobretudo em uma época de grandes discussões como a presente, há só um passo. Se queremos, pois, acabar com as fontes da impiedade devemos consagrar nossas energias a toda nossa vida a instruirmos os demais em matérias religiosas.
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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 498-501.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
A GRANDEZA DO NOME: "AMIGO DA CRUZ"
"Amigo da Cruz é aquele que Deus escolhe entre dez mil pessoas que vivem ao sabor dos sentidos e da simples razão, para transformá-lo num homem espiritual, que fique acima da razão pura e em total oposição com os sentidos, com vida e uma fé pura ardente pela Cruz."
"Amigo da Cruz é aquele que, tal como um rei poderoso e verdadeiro herói, vence o demônio, o mundo e a carne nas suas três conscuspicência (1 Jo 2, 16). Com o amor pelas humilhações, vence o orgulho de Satanás; com o seu amor pela pobreza triunfa sobre a avareza do mundo; com o seu amor pelo sofrimento apara a sensualidade do corpo."
"Amigo da Cruz é o homem santo e desapegado dos bens terrenos, que eleva o seu coração acima de tudo quanto é caduco e perecível. A sua pátria está no céu (Fil 3, 20); vive neste mundo como estrangeiro e peregrino (1 Ped 2, 11), sem deixar-se do alto com olhar indiferente e as fixa com desdém."
"Amigo da Cruz é aquele que, no Calvário, se torna nobre conquista de Jesus Cristo crucificado e de sua santa Mãe; é um Ben-Oni ou Benjamim, ou seja, filho da dor e da dextra, concebido no coração doloroso de Jesus e gerado no seu flanco trespassado e coberto inteiramente pela púrpura do seu sangue. Devido a este nascimento cruento não respira senão Cruz, sangue e morte ao mundo, à carne e ao pecado (Rom. 6, 2.8.11; 1Ped 2,24), a fim de levar no mundo uma vida escondida com Cristo e em Deus (Col. 3,3)."
"Amigo da Cruz é, enfim, aquele que leva Cristo consigo, ou melhor, que é um outro Cristo; por isso poderá repetir com toda autoridade: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.” (Gal 2,20)
"Pergunto-vos, caros Amigos da Cruz: será que o vosso comportamento corresponde efetivamente ao grande nome que trazeis? Ou, pelo menos, tendes um desejo sincero e uma vontade decidida a que seja assim, com a graça de Deus, à sombra da Cruz e na companhia de Maria “a Virgem Dolorosa”? Recorrestes, de fato, aos meios necessários para alcançar tal fim? Será que vos colocaste no caminho correto da vida (Prov. 10, 17; Jer 21, 8), que é a via estreita e espinhosa do Calvário? Ou foste colocar-vos, sem pensar, na via da perdição? Estais deveras convencidos que “há caminhos que ao homem parecem retos e no fim, conduzem à morte?” (Prov. 14, 12)
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Trecho retirado do livro Carta aos amigo da Cruz, publicado pela Editora Cleófas.
MONFORT, São Luis Maria Grinion. Carta aos amigos da cruz. Lorena: cleófas, 2007. p. 21-22.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Documentário sobre a cruz da Jornada Mundial da Juventude (JMJ)
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Fonte:; http://www.youtube.com/amigodacruz
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Para os jovens!
Para os jovens!
(Autoria de Anacleto González Flores.
Editoriales de la palabra,
17 de novembro de 1918)
Que a juventude é a força, a energia mais poderosa da humanidade, é coisa que salta a vista e brilha diante de nós com evidência claríssima, e que por isto pesa sobre os jovens uma responsabilidade imensa, é uma verdade que só se atreverão a negar os que jamais tiveram nem sequer uma remota idéia da nobreza incomparável da missão da juventude. Praticamente se há chegado a crer que nessa idade em que treme o coração agitado pelas veemências enlouquecedoras que se despertam em nossa alma quando tudo é ritmo, canção, harmonia, sorriso, horizonte azul carregado de esperança, que voam desordenadas todas as ilusões, se há chegado a crer que então devemos dobrar o joelho, inclinar a cabeça diante do superficial, diante de tantos sonhos que rapidamente se esvaem, diante de tantas e tantas quimeras que depois de realizar sua marcha triunfal por nosso coração, se pia para deixar-nos mudos, desnorteados e entristecidos.
E se há chegado a pensar que as coisas austeras, graves e santas, são dignas só da velhice que já experimentaram os desenganos da existência e da força física, e é a época em que contra nosso desejo começamos a ver o lado sério da vida. Tudo isto há sido e é uma grande aberração, um erro imperdoável, uma das causas dos esquecimentos que tem arruinado os povos. Em todos os instantes do tempo, a vida individual e coletiva tem tido necessidade de grande e forte poder, de uma força que mantenha inquebrantável e firme o equilíbrio, que contenha o desdobramento das tendências demolidoras e canalize vigor indomável todas as energias e as empunhe até a verdade, até o bem, até Deus, que é a ordem eterna, a harmonia absoluta.
Veja bem, esse poder não o chamamos na velhice que é a impotência do músculo devorado pelo cansaço; não o encontramos nas crianças, fase que começa a despertar a luta, mas sim na juventude, onda que se choca para golpear a rocha endurecida, torrente que rompe o leito e transborda sobre planícies, tormenta em meio a trovões que tudo obscurece, tempestade que humilha e sopra impetuosamente sobre a frente altiva e orgulhosa das montanhas, paixão capaz de todos os sacrifícios e de todas as dores, braço, nervo, músculo forte que pode derrubar ou levantar de um só golpe as construções mais fortes e sólidas, que é, ainda quando incorremos em uma repetição, corrente de energias vivas da humanidade.
Esta força titânica, ímpeto de força, músculo gigante, não há prestado seu apoio a realização dos sistemas salvadores nem há influído como deveria nos movimentos transcendentais, todo tem sido arrebatado pelas loucuras do furação desordenado e tem sido impossível construir algo sólido. Já é tempo de que a juventude, que até agora tem vivido uma vida trunca, mutilada, dolorosamente mutilada, porque não tem reconhecido sua missão, porque não tem querido assumir sua responsabilidade, se detenha um instante na metade do caminho, lance seus olhos no futuro e medite seriamente que no momento atual a humanidade busca energias para se reconstruir.
E por isso da aridez dos campos entristecidos, das planícies embranquecidas com os ossos dispersos dos guerreiros vencidos, das oficinas enegrecidas do lugar ameaçado pela ruína, da boca dos oprimidos, dos lábios da pátria escarnecida e dos sentimentos maternais e sagrados da Igreja caluniada e perseguida, brota um grito que ao passar sobre a humanidade, faz ouvir uma ressonância que é canto de guerra, vibração que flutua acima dos cumes, estrofe que desperta entusiasmos, ritmo sonoro que redime e encoraja, hino que chama a luta, e arrasta a todos os combatentes, que treme, e se agita em torno da juventude com sacudidos do “Deus assim o quer” dos cruzados e que faz vibrar poderosamente esta palavra de esperança: sursum corda (Levantemos o coração!).
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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayuntamiento de Guadalajara, 2005. p. 571-573.
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leitura
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
"Devemos (...) encorajar mais uma vez o conceito de um "Jesus histórico"
[Esta carta foi transcrita do livro "Cartas de um Diabo a seu Aprendiz", de C.S. Lewis. Esta correspondência se dá entre o experiente diabo (Fitafuso) e o seu sobrinho Vermebile. Lewis nos dá uma aula de como são as artimanhas e arapucas utilizadas pelo diabo para nos confundir. Hoje, Lewis se surpreenderia como nós demos tão rapidamente ao diabo o maior prêmio que ele poderia receber: não acreditar na existência dele; ou, acreditar em demasia e se sentir atraído por ele! Amigo da cruz]
Querido Vermebile,
Através dessa moça e de sua família asquerosa agora o paciente passa a conhecer mais e mais cristãos todos os dias, e cristãos bastante inteligentes também. Durante um bom tempo, será praticamente impossível eliminar a espiritualidade da sua vida. Pois bem; sendo assim, devemos corrompê-la. Sem dúvida você muitas vezes já se transformou num anjo de luz como mero exercício de exibicionismo. Agora é hora de fazer isso diante do Inimigo. O Mundo e a Carne nos desapontaram; resta um terceiro Poder. E a vitória que ele nos dá é a mais gloriosa de todas. No Inferno, um santo corrompido, um fariseu, um inquisidor ou um mago é ainda melhor passa-tempo do que um simples tirano ou um libertino.
Observando os novos amigos do seu paciente, descubro que o ponto mais vulnerável dele ao ataque é a fronteira entre a teologia e a política. Vários de seus novos amigos estão bastante interessados nas implicações sociais da religião deles. Isso, por si só, é uma coisa ruim; mas podemos tirar proveito disso.
Você perceberá que muitos escritores políticos Cristãos pensam que o Cristianismo começou a dar errado bem cedo, afastando-se da doutrina do seu Fundador. Devemos fazer uso dessa ideia para encorajar mais uma vez o conceito de um "Jesus histórico", que só será encontrado quando eles se livrarem dos "acúmulos e perversões" posteriores, para depois compará-lo com toda a tradição Cristã. Na última geração de seres humanos, nós conseguimos estimular uma interpretação do tal "Jesus histórico" em linhas mais liberais e humanitárias; agora formulamos um novo "Jesus histórico" em linhas Marxistas, catastróficas e revolucionárias. As vantagens dessas interpretações, que esperamos modificar a cada trinta anos mais ou menos, são inúmeras. Em primeiro lugar, todas tendem a direcionar a devoção dos homens para algo que não existe, pois cada "Jesus histórico" não existe na história. Os documentos dizem o que dizem, e não podem ser alterados; cada novo "Jesus histórico", portanto, tem de ser criado a partir desses documentos, suprimindo certos aspectos e exagerando outros, e também fazendo certas suposições (genial é o adjetivo que ensinamos os humanos a aplicar à coisas) nas quais, na vida comum do dia-a-dia, ninguém apostaria nem dez centavos, mas que são suficientes para produzir uma safra de novos Napoleões, novos Shakespeares e novos Swifts na lista dos novos títulos das editoras.
Em segundo lugar, cada uma dessas interpretações confia a importância do seu Jesus histórico a alguma estranha teoria que supõe-se que Ele tenha pregado. Ele tem de ser um "grande homem", no sentido moderno da expressão - um homem no fim de uma linha de raciocínio centrífuga e desequilibrada - um excêntrico que vende uma panaceia. Desse modo, conseguimos distrair a mente dos homens daquilo que Ele é e daquilo que Ele fez. Primeiro, fazemos d'Ele um simples mestre, e depois escondemos a própria semelhança essencial que existe entre Seus ensinamentos e aqueles de todos os outros grandes mestres morais. Pois não devemos permitir que os humanos percebam que todos os grandes moralistas são enviados pelo Inimigo - não para informar os homens, e sim para relembrá-los, para restabelecer aquelas obviedades morais primordiais, opondo-se ao contínuo obscurecimento que fazemos delas. Nós criamos os Sofistas; Ele cria um Sócrates para responder a eles.
Você perceberá que muitos escritores políticos Cristãos pensam que o Cristianismo começou a dar errado bem cedo, afastando-se da doutrina do seu Fundador. Devemos fazer uso dessa ideia para encorajar mais uma vez o conceito de um "Jesus histórico", que só será encontrado quando eles se livrarem dos "acúmulos e perversões" posteriores, para depois compará-lo com toda a tradição Cristã. Na última geração de seres humanos, nós conseguimos estimular uma interpretação do tal "Jesus histórico" em linhas mais liberais e humanitárias; agora formulamos um novo "Jesus histórico" em linhas Marxistas, catastróficas e revolucionárias. As vantagens dessas interpretações, que esperamos modificar a cada trinta anos mais ou menos, são inúmeras. Em primeiro lugar, todas tendem a direcionar a devoção dos homens para algo que não existe, pois cada "Jesus histórico" não existe na história. Os documentos dizem o que dizem, e não podem ser alterados; cada novo "Jesus histórico", portanto, tem de ser criado a partir desses documentos, suprimindo certos aspectos e exagerando outros, e também fazendo certas suposições (genial é o adjetivo que ensinamos os humanos a aplicar à coisas) nas quais, na vida comum do dia-a-dia, ninguém apostaria nem dez centavos, mas que são suficientes para produzir uma safra de novos Napoleões, novos Shakespeares e novos Swifts na lista dos novos títulos das editoras.
Em segundo lugar, cada uma dessas interpretações confia a importância do seu Jesus histórico a alguma estranha teoria que supõe-se que Ele tenha pregado. Ele tem de ser um "grande homem", no sentido moderno da expressão - um homem no fim de uma linha de raciocínio centrífuga e desequilibrada - um excêntrico que vende uma panaceia. Desse modo, conseguimos distrair a mente dos homens daquilo que Ele é e daquilo que Ele fez. Primeiro, fazemos d'Ele um simples mestre, e depois escondemos a própria semelhança essencial que existe entre Seus ensinamentos e aqueles de todos os outros grandes mestres morais. Pois não devemos permitir que os humanos percebam que todos os grandes moralistas são enviados pelo Inimigo - não para informar os homens, e sim para relembrá-los, para restabelecer aquelas obviedades morais primordiais, opondo-se ao contínuo obscurecimento que fazemos delas. Nós criamos os Sofistas; Ele cria um Sócrates para responder a eles.
E o nosso terceiro objetivo é destruir, com essas interpretações, a vida devocional. Substituímos a presença real do Inimigo, experimentada pêlos homens na prece e no sacramento, por uma figura pouco plausível, remota, obscura e esquisita, alguém que falava numa língua estranha e que morreu há muito tempo. Tal objeto certamente não é digno de adoração. Em vez, do Criador adorado pela sua criatura, em breve você terá apenas um líder aplaudido por um partidário, e finalmente um ilustre personagem aprovado por um historiador criterioso.
E, em quarto lugar, além de não possuir uma base histórica para esse Jesus que descreve, esse tipo de religião prova-se também falsa em outros aspectos históricos. Nenhuma nação, e pouquíssimas pessoas, chegam até o Inimigo pelo estudo histórico da mera biografia de Jesus. Na verdade, os fatos necessários para uma biografia completa foram ocultos dos homens. Os primeiros adeptos do Cristianismo se converteram por causa de um único fato histórico (a Ressurreição) e uma única doutrina teológica (a Redenção) que estava de acordo com um entendimento de pecado que eles já possuíam - pecado, deve-se ressaltar; não algo baseado em alguma lei falsa apresentada como novidade por algum "grande homem", e sim na velha e corriqueira lei moral universal que lhes foi ensinada por suas mães e amas-secas. Os "Evangelhos" vieram mais tarde e foram escritos não para criar Cristãos, e sim par edificar os Cristãos já existentes.
Portanto, devemos sempre promover o "Jesus histórico", por mais perigoso que isso possa parecer para nós em certos momentos. Mas, quanto à ligação existente tente entre o Cristianismo e a política, nossa posição um pouco mais delicada. Obviamente, não desejamos que os homens permitam que o Cristianismo domine sua vida política, porque estabelecer qualquer coisa parecida com uma sociedade realmente justa seria uma grande tragédia. Por outro lado, devemos desejar ardentemente que os homens tratem o Cristianismo como um meio para alcançar determinados fins; de preferência, é claro, como um meio para benefício próprio; mas, se não conseguirem isso, como um meio para qualquer coisa - mesmo que seja para a justiça social. Você deve fazer com que os homens primeiro vejam a justiça social como algo que o Inimigo exige, e fazer com que eles depois cheguem ao estágio no qual dão valor ao Cristianismo porque ele pode gerar a justiça social; pois o Inimigo não deseja ser usado como mera conveniência. Se assim fosse, os homens ou as nações que acreditam que devem restaurar a fé para criar uma sociedade justa poderiam muito bem utilizar o caminho que leva ao Céu como um atalho para a farmácia mais próxima. Felizmente, é bem fácil seduzir os humanos a pensar assim.
Hoje mesmo encontrei urna passagem na obra de um escritor Cristão na qual ele recomenda aos leitores a sua própria versão de Cristianismo, argumentando que "apenas essa fé pode sobreviver à morte das culturas antigas e ao nascimento de novas civilizações". Percebe a diferença? "Creia em tudo isso, não por ser algo verdadeiro, mas por alguma outra razão." Esse é o jogo.
Afetuosamente, seu tio, FITAFUSO
CLIVE STAPLES LEWIS, Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, Carta 23, Oxford, 1942.
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