domingo, 31 de janeiro de 2010

Documentário sobre a cruz da Jornada Mundial da Juventude (JMJ)


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Fonte:; http://www.youtube.com/amigodacruz

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Para os jovens!

Para os jovens!
  
(Autoria de Anacleto González Flores.
 Editoriales de la palabra,
17 de novembro de 1918) 

Que a juventude é a força, a energia mais poderosa da humanidade, é coisa que salta a vista e brilha diante de nós com evidência claríssima, e que por isto pesa sobre os jovens uma responsabilidade imensa, é uma verdade que só se atreverão a negar os que jamais tiveram nem sequer uma remota idéia da nobreza incomparável da missão da juventude. Praticamente se há chegado a crer que nessa idade em que treme o coração agitado pelas veemências enlouquecedoras que se despertam em nossa alma quando tudo é ritmo, canção, harmonia, sorriso, horizonte azul carregado de esperança, que voam desordenadas todas as ilusões, se há chegado a crer que então devemos dobrar o joelho, inclinar a cabeça diante do superficial, diante de tantos sonhos que rapidamente se esvaem, diante de tantas e tantas quimeras que depois de realizar sua marcha triunfal por nosso coração, se pia para deixar-nos mudos, desnorteados e entristecidos.

E se há chegado a pensar que as coisas austeras, graves e santas, são dignas só da velhice que já experimentaram os desenganos da existência e da força física, e é a época em que contra nosso desejo começamos a ver o lado sério da vida. Tudo isto há sido e é uma grande aberração, um erro imperdoável, uma das causas dos esquecimentos que tem arruinado os povos. Em todos os instantes do tempo, a vida individual e coletiva tem tido necessidade de grande e forte poder, de uma força que mantenha inquebrantável e firme o equilíbrio, que contenha o desdobramento das tendências demolidoras e canalize vigor indomável todas as energias e as empunhe até a verdade, até o bem, até Deus, que é a ordem eterna, a harmonia absoluta.

Veja bem, esse poder não o chamamos na velhice que é a impotência do músculo devorado pelo cansaço; não o encontramos nas crianças, fase que começa a despertar a luta, mas sim na juventude, onda que se choca para golpear a rocha endurecida, torrente que rompe o leito e transborda sobre planícies, tormenta em meio a trovões que tudo obscurece, tempestade que humilha e sopra impetuosamente sobre a frente altiva e orgulhosa das montanhas, paixão capaz de todos os sacrifícios e de todas as dores, braço, nervo, músculo forte que pode derrubar ou levantar de um só golpe as construções mais fortes e sólidas, que é, ainda quando incorremos em uma repetição, corrente de energias vivas da humanidade.

Esta força titânica, ímpeto de força, músculo gigante, não há prestado seu apoio a realização dos sistemas salvadores nem há influído como deveria nos movimentos transcendentais, todo tem sido arrebatado pelas loucuras do furação desordenado e tem sido impossível construir algo sólido. Já é tempo de que a juventude, que até agora tem vivido uma vida trunca, mutilada, dolorosamente mutilada, porque não tem reconhecido sua missão, porque não tem querido assumir sua responsabilidade, se detenha um instante na metade do caminho, lance seus olhos no futuro e medite seriamente que no momento atual a humanidade busca energias para se reconstruir.

E por isso da aridez dos campos entristecidos, das planícies embranquecidas com os ossos dispersos dos guerreiros vencidos, das oficinas enegrecidas do lugar ameaçado pela ruína, da boca dos oprimidos, dos lábios da pátria escarnecida e dos sentimentos maternais e sagrados da Igreja caluniada e perseguida, brota um grito que ao passar sobre a humanidade, faz ouvir uma ressonância que é canto de guerra, vibração que flutua acima dos cumes, estrofe que desperta entusiasmos, ritmo sonoro que redime e encoraja, hino que chama a luta, e arrasta a todos os combatentes, que treme, e se agita em torno da juventude com sacudidos do “Deus assim o quer” dos cruzados e que faz vibrar poderosamente esta palavra de esperança: sursum corda (Levantemos o coração!).

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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayuntamiento de Guadalajara, 2005. p. 571-573.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

"Devemos (...) encorajar mais uma vez o conceito de um "Jesus histórico"

[Esta carta foi transcrita do livro "Cartas de um Diabo a seu Aprendiz", de C.S. Lewis. Esta correspondência se dá entre o experiente diabo (Fitafuso) e o seu sobrinho Vermebile. Lewis nos dá uma aula de como são as artimanhas e arapucas utilizadas pelo diabo para nos confundir. Hoje, Lewis se surpreenderia como nós demos tão rapidamente ao diabo o maior prêmio que ele poderia receber: não acreditar na existência dele; ou, acreditar em demasia e se sentir atraído por ele! Amigo da cruz]


Querido Vermebile,


Através dessa moça e de sua família asquerosa agora o paciente passa a conhecer mais e mais cristãos todos os dias, e cristãos bastante inteligentes também. Durante um bom tempo, será praticamente impossível eliminar a espiritualidade da sua vida. Pois bem; sendo assim, devemos corrompê-la. Sem dúvida você muitas vezes já se transformou num anjo de luz como mero exercício de exibicionismo. Agora é hora de fazer isso diante do Inimigo. O Mundo e a Carne nos desapontaram; resta um terceiro Poder. E a vitória que ele nos dá é a mais gloriosa de todas. No Inferno, um santo corrompido, um fariseu, um inquisidor ou um mago é ainda melhor passa-tempo do que um simples tirano ou um libertino.

Observando os novos amigos do seu paciente, descubro que o ponto mais vulnerável dele ao ataque é a fronteira entre a teologia e a política. Vários de seus novos amigos estão bastante interessados nas implicações sociais da religião deles. Isso, por si só, é uma coisa ruim; mas podemos tirar proveito disso.

Você perceberá que muitos escritores políticos Cristãos pensam que o Cristianismo começou a dar errado bem cedo, afastando-se da doutrina do seu Fundador. Devemos fazer uso dessa ideia para encorajar mais uma vez o conceito de um "Jesus histórico", que só será encontrado quando eles se livrarem dos "acúmulos e perversões" posteriores, para depois compará-lo com toda a tradição Cristã. Na última geração de seres humanos, nós conseguimos estimular uma interpretação do tal "Jesus histórico" em linhas mais liberais e humanitárias; agora formulamos um novo "Jesus histórico" em linhas Marxistas, catastróficas e revolucionárias. As vantagens dessas interpretações, que esperamos modificar a cada trinta anos mais ou menos, são inúmeras. Em primeiro lugar, todas tendem a direcionar a devoção dos homens para algo que não existe, pois cada "Jesus histórico" não existe na história. Os documentos dizem o que dizem, e não podem ser alterados; cada novo "Jesus histórico", portanto, tem de ser criado a partir desses documentos, suprimindo certos aspectos e exagerando outros, e também fazendo certas suposições (genial é o adjetivo que ensinamos os humanos a aplicar à coisas) nas quais, na vida comum do dia-a-dia, ninguém apostaria nem dez centavos, mas que são suficientes para produzir uma safra de novos Napoleões, novos Shakespeares e novos Swifts na lista dos novos títulos das editoras.

Em segundo lugar, cada uma dessas interpretações confia a importância do seu Jesus histórico a alguma estranha teoria que supõe-se que Ele tenha pregado. Ele tem de ser um "grande homem", no sentido moderno da expressão - um homem no fim de uma linha de raciocínio centrífuga e desequilibrada - um excêntrico que vende uma panaceia. Desse modo, conseguimos distrair a mente dos homens daquilo que Ele é e daquilo que Ele fez. Primeiro, fazemos d'Ele um simples mestre, e depois escondemos a própria semelhança essencial que existe entre Seus ensinamentos e aqueles de todos os outros grandes mestres morais. Pois não devemos permitir que os humanos percebam que todos os grandes moralistas são enviados pelo Inimigo - não para informar os homens, e sim para relembrá-los, para restabelecer aquelas obviedades morais primordiais, opondo-se ao contínuo obscurecimento que fazemos delas. Nós criamos os Sofistas; Ele cria um Sócrates para responder a eles.

E o nosso terceiro objetivo é destruir, com essas interpretações, a vida devocional. Substituímos a presença real do Inimigo, experimentada pêlos homens na prece e no sacramento, por uma figura pouco plausível, remota, obscura e esquisita, alguém que falava numa língua estranha e que morreu há muito tempo. Tal objeto certamente não é digno de adoração. Em vez, do Criador adorado pela sua criatura, em breve você terá apenas um líder aplaudido por um partidário, e finalmente um ilustre personagem aprovado por um historiador criterioso.

E, em quarto lugar, além de não possuir uma base histórica para esse Jesus que descreve, esse tipo de religião prova-se também falsa em outros aspectos históricos. Nenhuma nação, e pouquíssimas pessoas, chegam até o Inimigo pelo estudo histórico da mera biografia de Jesus. Na verdade, os fatos necessários para uma biografia completa foram ocultos dos homens. Os primeiros adeptos do Cristianismo se converteram por causa de um único fato histórico (a Ressurreição) e uma única doutrina teológica (a Redenção) que estava de acordo com um entendimento de pecado que eles já possuíam - pecado, deve-se ressaltar; não algo baseado em alguma lei falsa apresentada como novidade por algum "grande homem", e sim na velha e corriqueira lei moral universal que lhes foi ensinada por suas mães e amas-secas. Os "Evangelhos" vieram mais tarde e foram escritos não para criar Cristãos, e sim par edificar os Cristãos já existentes.

Portanto, devemos sempre promover o "Jesus histórico", por mais perigoso que isso possa parecer para nós em certos momentos. Mas, quanto à ligação existente tente entre o Cristianismo e a política, nossa posição um pouco mais delicada. Obviamente, não desejamos que os homens permitam que o Cristianismo domine sua vida política, porque estabelecer qualquer coisa parecida com uma sociedade realmente justa seria uma grande tragédia. Por outro lado, devemos desejar ardentemente que os homens tratem o Cristianismo como um meio para alcançar determinados fins; de preferência, é claro, como um meio para benefício próprio; mas, se não conseguirem isso, como um meio para qualquer coisa - mesmo que seja para a justiça social. Você deve fazer com que os homens primeiro vejam a justiça social como algo que o Inimigo exige, e fazer com que eles depois cheguem ao estágio no qual dão valor ao Cristianismo porque ele pode gerar a justiça social; pois o Inimigo não deseja ser usado como mera conveniência. Se assim fosse, os homens ou as nações que acreditam que devem restaurar a fé para criar uma sociedade justa poderiam muito bem utilizar o caminho que leva ao Céu como um atalho para a farmácia mais próxima. Felizmente, é bem fácil seduzir os humanos a pensar assim.

Hoje mesmo encontrei urna passagem na obra de um escritor Cristão na qual ele recomenda aos leitores a sua própria versão de Cristianismo, argumentando que "apenas essa fé pode sobreviver à morte das culturas antigas e ao nascimento de novas civilizações". Percebe a diferença? "Creia em tudo isso, não por ser algo verdadeiro, mas por alguma outra razão." Esse é o jogo.

Afetuosamente, seu tio, FITAFUSO

CLIVE STAPLES LEWIS, Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, Carta 23, Oxford, 1942.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

SITES DAS PARÓQUIAS DA ARQUIDIOCESE DE BH

"É inclusivamente importante que as pessoas, a todos os níveis da Igreja, lancem mão da Internet de maneira criativa, para assumirem as responsabilidades que lhes cabem e para ajudarem a Igreja a cumprir a sua missão. Na perspectiva das inúmeras possibilidades positivas apresentadas pela Internet, não é aceitável hesitar timidamente, por medo da tecnologia ou por algum outro motivo. « Os métodos de melhoramento das comunicações e do diálogo entre os seus membros podem reforçar os vínculos de unidade entre eles. O acesso imediato à informação torna-lhe [para a Igreja] possível aprofundar o seu diálogo com o mundo contemporâneo... a Igreja pode mais prontamente informar o mundo sobre o seu credo e explicar as razões da sua posição sobre cada problema ou acontecimento. Ela pode escutar mais claramente a voz da opinião pública e estabelecer uma discussão contínua com o mundo em seu redor, “para assim se envolver mais imediatamente” na busca comum da solução dos problemas mais urgentes da humanidade (cf. Communio et progressio, 114) ». (Cf. Igreja e internet, 10)


LISTA DE SITES DAS PARÓQUIAS DA ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE

REGIÃO EPSICOPAL NOSSA SENHORA DA PIEDADE(RENSP)

Arquidiocese de Belo Horizonte
http://www.arquidiocesebh.org.br/site/
Paróquia Santa Efigênia
http://www.santaefigeniabh.org.br/
Paróquia Nossa Senhora Rainha
http://www.nsrainha.com/home/index.php
Paróquia Nossa Senhora da Consolação
http://www.igrejaconsolacaocorreia.com.br/home/index.php
Paróquia São José
http://www.igrejasaojose.org.br/
Paróquia São Sebastião
http://www.igrejasaosebastiao.com.br/
Paróquia Santa Luzia
http://www.igrejasantaluzia.org/
Paróquia Santa Cruz
http://www.parsantacruz.org.br/
Paróquia Nossa Senhora da Glória
http://www.portaldagloria.org.br/site/
Paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso
http://www.pnsbs.com.br/
Paróquia São Judas
http://www.saojudasbh.com.br/
Paróquia Nossa Senhora de Nazaré
http://www.paroquiansnazare.org.br/
Paróquia Senhor do Bom Jesus
http://www.senhorbomjesus.org.br/
Paróquia Santo Inácio
http://www.paroquiasantoinacio.com.br/

REGIÃO EPISCOPAL NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO (RENSC)
Nossa Senhora das Neves
www.nsneves.com/
Paróquia Santa Maria Mãe de Deus
http://www.santamariamaededeus.org.br/
Paróquia São Francisco Xavier
http://www.psfx.org.br/
Paróquia São Sebastião e São Vicente
http://www.psssv.blogspot.com/

REGIÃO EPISCOPAL NOSSA SENHORA DA ESPERANÇA (RENSE)

Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz
http://www.rainhadapaz.org.br/
Paróquia São Luiz Gonzaga
http://www.pslg.com.br/
Paróquia Santa Clara de Assis
http://www.portalsantaclara.org.br/
Paróquia Santíssima Trindade
http://www.santissimatrindade.org.br/
Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus
http://www.teresinha.com/2009/

REGIÃO EPISCOPAL NOSSA SENHORA APARECIDA (RENSA)
Paróquia Cristo Redentor
http://www.cristoredentor.org.br/

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A Igreja Católica: Construtora da Civilização

Série da EWTN apresentada por Thomas E. Woods, autor do livro Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental (Quadrante).

Thomas Woods graduou-se na Universidade de Harvard e é doutor em História pela Universidade de Columbia.

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1.1 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Introdução


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1.2 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Introdução

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1.3 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Introdução

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2.1 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Igreja e Ciência

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2.2 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Igreja e Ciência

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2.3 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Igreja e Ciência

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3.1 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Padres como pioneiros da ciência

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3.2 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Padres como pioneiros da ciência

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3.3 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Padres como pioneiros da ciência

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4.1 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - O Caso Galileu

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4.2 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - O Caso Galileu

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4.3 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - O Caso Galileu

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5.1 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - O Sistema Universitário

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5.2 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - O Sistema Universitário

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5.3 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - O Sistema Universitário

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12.1 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Atrocidades anticatólicas

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12.2 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Atrocidades anticatólicas

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12.3 A Igreja Católica: Construtora da Civilização - Atrocidades anticatólicas

COMO ESTRAGAR A LITURGIA

COMO ESTRAGAR A LITURGIA*
(Autor desconhecido)


[Confesso que a primeira vez que li este artigo senti como que estivesse lendo uma nova carta do livro: Cartas de um diabo ao seu Aprendiz, de C.S. Lewis. Muito interessante o artigo. Amigo da Cruz.]

1. Como esconder o altar
Esconda o altar debaixo de uma grande toalha branca com rendas, como se usa em banquete de casamento novo-rico. Aperfeiçoe a camuflagem pondo à frente do altar uma mesinha com bacia e jarra tamanho GG para lavar as mãos, cadeiras de presidente e ministros, caixa de som, tronco do dízimo e estandarte da irmandade. Sobre o altar, ponha seis castiçais barrocos, com velas coloridas e rendas na base da vela, como também alguns conjuntos de flores (artificiais, para economizar), um grande pão (pode ser pão-de-açúcar), uma bandeja com frutas (de preferência jaca), uma imagem de Nossa Senhora e uma estante para receber a Bíblia que será trazida em procissão dançante. Se sobrar espaço, coloque também uma estante ou uma almofado (da cor do time do padre) para o missal.

2. Como abafar a palavra
Ponha o microfone no volume máximo. Provoque regularmente microfonia, sem ter pressa de acertar o som. Introduza o maior número possível de comentários. Evite usar o lecionário litúrgico e leitores treinados. Fale ao povo para acompanhar no folheto, pode ser um exercício de alfabetização coletiva. Use o folheto ainda para ventilar. Antes das leituras, apresente o leitor como nome e sobrenome, inclusive da sogra. Substitua a primeira leitura por um texto de Paulo Coelho. Na homilia, fale as últimas notícias da Igreja e não mencione o evangelho, a não ser para introduzir o relatório de sua recente viagem à Terra Santa.

3. Como esvaziar os símbolos
Faze uma procissão com símbolos no início, no meio e no fim. Explique amplamente os símbolos, para lhes dar um sentido, já que pode não ser evidente. Não tenha medo de repetir sempre os mesmos símbolos novos, mas, para não sobrecarregar, esqueça os símbolos que a liturgia já tem de si mesma.

4. Como matar o canto
Confie a parte musical a uma banda de rock. Tente imitar Padre Marcelo ou, ao menos, Roberto Carlos. Escolha melodias que na América do Norte são autóctones. Não dê a letra ao povo e cuide de que ele não a entenda. Cante tudo com a mesma força máxima, e todas as estrofes até o fim; desconheça a diferença entre estrofe e refrão, solista e canto geral. Alterne os cantos cantados ao vivo com músicas de CD, com o acompanhamento mais chinfrim possível.

5. Como banir o silêncio
Construa sua igreja rente à rua principal e deixe a porta bem aberta durante a celebração. Prepare o ambiente da missa, tocando música religiosa meio hora antes (no tempo comum, o Coro dos Escravos de Verdi; na Semana Santa, o Aleluia de Haendel; na Páscoa, o final da Nona Sinfonia de Beethoven). Se depois da missa houver festa da comunidade no pátio ao lado, peça que os jovens testem o som durante a missa. Não deixe um segundo de silêncio durante a ação litúrgica. Se casualmente houver algum momento sem outro barulho, contrate umas mães para que ponham seus filhos a chorar. Depois da comunhão, dê a palavra a um candidato político.

6. Como desfigurar o celebrante
O celebrante seja vestido de maneira ecléctica, pós-moderna: túnica axê, casula romana, estola andina, cruz de bispo oriental no peito. Se sofrer de resfriado, pode usar turbante hindu. Treine a voz escutando as rádios apropriadas para ela ficar melosa. Nunca fale em tom de quem preside, pois isso seria antidemocrático. Comece cada frase com “Vamos...”. Não use o microfone na oração eucarística, pois essa não precisa ser ouvida, já que não tem nenhuma novidade. Dê instruções aos ministros, não com antecedência, mas a cada momento da missa, interrompendo ostensivamente a ação sagrada. Se for capaz, ou também se não o for, puxe o canto tocando violão ou teclado posto sobre o altar. De vez em quando corra à sacristia para levantar mais ainda o som.


7. Como alienar o povo
Organize sua liturgia de modo que possa competir com os shows da TV. Evite tocar em assuntos melindrosos, como sejam a justiça, a educação, o desemprego, a corrupção (especialmente a da própria cidade). Diga que tudo vai bem quando tudo vai mal. Ensine que Jesus é bom em vez de justo, pois a justiça não é boa para os donos deste mundo. Ensine que Jesus lava nossos pecados com seu sangue e que, portanto, podemos abastecer a lavanderia à vontade. Não confronte as pessoas com Deus nem consigo mesmas.

8. Como desfigurar o sentido da eucaristia
Logo após o relato institucional, conduza um momento de adoração, com muitos gritos e louvores, terminando com derramamento de lágrimas ao som de músicas como "Ninguém te ama como eu" ou "Jesus está aqui, Aleluia, tão certo como o ar que eu respiro..." (o povo gosta...).

Ao final da missa, tome um ostensório de meio metro (ou mais, depende da situação econômica da comunidade; aliás, nem tanto, pode ser pago em leves prestações, no campo religioso temos bondosas casas comerciais, cheias do melhor espírito evangélico de ajuda aos pobres), coloque-o sobre o altar antes da missa e conduza uma oração de cura e libertação. Em seguida, caminhe com ele em meio à multidão, instigando-a a tocá-lo com carteiras de trabalho e fotos, bem ao estilo “Universal catolicizado”.

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* Se alguém pensa descobrir nestas orientações uma crítica à inculturação luso-afro-brasileira ou ameríndia, ou às celebrações das capelas pobres e das comunidades populares, asseguro que essa não é a intenção.

A Igreja e o Estado para Santo Tomás de Aquino



O fim do homem, para Santo Tomás, é o aperfeiçoamento de sua natureza, o que somente pode cumprir-se em Deus. A finalidade última das ações humanas transcenderia, portanto, ao próprio homem, cuja vontade, mesmo que ele não o saiba, leva-o a dirigir-se ao ser supremo.

Para que possa ser considerada boa, a vontade deve conformar-se á norma moral que se encontra nos homens como reflexo da lei eterna da vontade divina. Esta, no entanto, não pode ser conhecida pelo homem, de tal forma que ele deve limitar-se a obedecer aos ditames da lei natural, entendida como lei da consciência humana.

Em política, Santo Tomás distingue três tipos de lei, que dirigem a comunidade ao bem comum.

O primeiro é constituído pela lei natural (conservação da vida, geração e educação dos filhos, desejos da verdade); o segundo inclui as leis humanas ou positivas, estabelecidas pelo homem com base na lei natural e dirigidas à utilidade comum; finalmente, a lei divina guiaria o homem à consecução de seu fim sobrenatural enquanto alma imortal.

Quanto ao problema das relações entre o poder temporal e o poder espiritual, as idéias de Santo Tomás revelam a procura de equilíbrio entre as tendências conflitantes da época. O Estado (poder temporal) é concebido como instituição natural, cuja finalidade consistiria em promover e assegurar o bem comum.

Por outro lado, a Igreja seria uma instituição dotada fundamentalmente de fins sobrenaturais. Assim, o Estado não precisaria se subordinar à Igreja, como se ela fosse um Estado superior. A subordinação do Estado à Igreja deveria limitar-se aos vínculos de subordinação existentes entre a ordem natural e a ordem sobrenatural, na medida em que esta aperfeiçoaria a primeira.

A harmonização, no plano social e político, entre poder temporal e poder espiritual seria, portanto, análoga à que Santo Tomàs procura estabelecer entre filosofia e teologia, entre razão e fé.

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Coleção Os pensadores. Santo Tomás de Aquino . Pág 13-14.

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