Por Beato Ancleto González Flores
Publicado no Editoriales de la Palabra
20 de outubro de 1918, 566-568 p.
Sobre os escombros dos sistemas humanos que até agora não
fazem mais do que fracassar e converter em ruínas tudo o que tocam, se há
levantado e se levanta incontrastável o sistema proposto pela Igreja; sistema
que nada tem de humano, que é inteiramente divino e, portanto, o único e
verdadeiramente divino, ou seja, o único verdadeiramente salvador. É visível
que por ódio, por perversão e por ignorância maldizem a Igreja e pretendem
arrancar dela o prestígio que conquistou com sua santidade. Mas mesmo assim não
se conseguirá retardar o dia solene em que o equilíbrio social será um fato. E
se perguntarem, como o fez em certa ocasião Petrônio[1], a Paulo de Tarso: o que pode aportar a Igreja como elemento
salvador nas grandes catástrofes de agora, sobretudo como meio eficaz para
resolver o problema social? Nós repetiremos esta palavra sublime: o Amor.
Sim! A Igreja, muito longe de sustentar o conceito pagão da
civilização, que era o de escravizar; muito longe de ensinar a teoria liberal,
que visa por oprimir ao homem em nome da liberdade; muito longe de defender a
teses socialistas, que é a de odiar sem medida; é elevada com majestade
incomparável sobre todas as paixões e todas as tormentas para fazer vibrar a
palavra criadora do amor. Mas ao mesmo tempo ensina e predica o amor, injeta
nas almas que de verdade crêem e praticam as doutrinas católicas, uma corrente
transbordante de caridade que sempre e em todas as partes tende a suavizar as
dores dos delitos, a mitigar suas amarguras, a adoçar seus dissabores e,
sobretudo, a fazer com que os fortes, os grandes e os ricos se unam a todos no
abraço estreito de uma fraternidade sincera e ardente. Ainda que os sistemas
humanos possam predicar a fraternidade, sem dúvida, jamais conseguiram fazer
alguém acreditar nisso e nunca foram suficientes fortes para realizá-la.
Isto significa que, como a fraternidade, ou, para falar em
cristianismo, a caridade, pede, exige a imolação e esta é impossível sem Deus e
sem sua palavra e sem sua promessa. O amor ensinado pelas teorias dos homens é
somente um amor utópico, quimérico que não existe nem existirá jamais. Não sucede o mesmo com o
sistema proposto pela Igreja como norma suprema das relações sociais, pois
desde logo há que advertir que a palavra da Igreja se apresenta diante de nós
com todo o prestígio que brilha no grande, no imortal, no eterno, enfim, na
palavra de Deus. E assim, o homem que é incapaz de sacrificar-se somente pelo
homem chega a imolar-se por Deus, e isto explica esse florescimento do amor
produzido sob o influxo da Igreja e que há povoado o mundo com hospitais;
homens e mulheres que tem por modelo São Vicente de Paula[2] e as Irmãs de Caridade. Nada, nem ninguém
tem sido até agora, nem será jamais bastante forte para realizar esse trabalho
maravilhoso que é única na história e da que só pode ufanar-se a Igreja
católica.
O paganismo, com toda sua arte e sua filosofia, foi impotente
ainda para conceber as maravilhas do amor cristão; o protestantismo não tem
sabido mais que multiplicar o número dos pobres, diga-o a Inglaterra; o
liberalismo não tem sabido mais que suprimir as ordens religiosas que têm feito
mais pelos homens e pela civilização que todas as revoluções e todos os
revolucionários juntos. Somente a Igreja, instituição divina suficientemente
sábia para ver com intuição clara as necessidades da natureza humana e bastante
forte para cristalizar em fatos as ideias redentoras, sabe e tem sabido em todo
tempo dizer a palavra sublime do amor e fazer que surjam, floresçam
admiravelmente as obras e as instituições que tendem a que o amor seja uma
realidade vivente nas sociedades.
[1] Petrônio Cayo. Escritor italiano, autor de Satiricón,
interessante testemunho sobre a decadência da aristocracia romana. Apodado
Árbitro de la elegancia, morreu no ano 65.
[2] São Vicente de Paula (1581-1660) sacerdote Frances
fundador da Congregação da Missa, chama também ordem dos Vicentinos ou
Lazaristas

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