sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Papel humanista da Igreja durante a Idade Média

Agostino Nobile

Coisas da Idade Média! Mentalidade medieval! A Idade das Trevas de que a Europa deve ter vergonha! Isto, mais ou menos, o que podemos aprender com os mídia e nas escolas, afinal a mão pública dos maçons e dos marxistas. 

A historiadora Régine Pernoud, uma das principais especialistas da Idade Média, nas primeiras páginas do seu breve, mas bem documentado "0 mito da Idade Média" ( Ed. Europa-América) sobre a história ensinada nas escolas, escreve: «O contributo da história na educação poderia ser imenso para a maturidade intelectual (...) salvaguardando a condição de que a história escrita seja verdadeira e não opiniões pré-fabricadas daqueles que com generosidade as prodigalizam no ensino.» 

Chefes de Estado, ministros da cultura, professores, artistas, sacerdotes "modernos" até os lojistas, repetem a mesma rima dos "séculos obscurantistas". Escritores famosos corno Umberto Eco e Ken Follett, autores abertamente anti-católicos, fazem dinheiro descrevendo a Idade Média como um período rude, sujo e violento. 

Mas com um pouco de paciência e estudo podemos fazer emergir com clareza as razões pelas quais os maçons e os marxistas denigrem a Idade Média: os mil anos que vão desde o século V até o XV foram inspirados pela fé do Evangelho. 

Assim enlameando a instituição católica se valoriza tudo o que veio depois da Idade Média. Na realidade, o verdadeiro Renascimento (um termo criado pelo pintor e historiador Giorgio Vasari) não começou no século XV, mas durante a Idade Média. Não é por acaso que, a fim de sublinhar a beleza e a grandeza da arte medieval, o pintor Henri Matisse, com uma pitada de sarcasmo, disse: «O Renascimento é a decadência».

Os factos históricos

Vemos muito brevemente os factos históricos. 

Quando Alarico, rei dos Visigodos, a 24 de Agosto de 410 saqueou Roma, o Império caiu na desorganização e na miséria, foi então que as instituições da Igreja tornaram-se responsáveis por todas as funções sociais. 

No século VI São Bento, padroeiro da Europa, criou os mosteiros que durante séculos foram um refúgio seguro para os necessitados. Os monges não se limitaram ao acolhimento e à oração, as suas invenções levaram o desenvolvimento onde se estabeleciam. Se os nossos ancestrais tivessem feito uma pesquisa nas bibliotecas dos monges, especialmente nos mosteiros irlandeses, onde não sofreram a violência dos bárbaros, não teriam esperado pela chegada dos árabes para descobrir alguns textos dos mestres Gregos. 

A forma actual do livro, o codex, nasceu na "Idade das Trevas". No "scriptorium" os monges transcreveram Bíblias, copiaram os textos dos grandes escritores Gregos e Latinos, os escritos dos Padres da Igreja, obras de matemática, medicina e astronomia. 

Na "Idade das Trevas" inventaram os óculos (que, entre outras coisas, prolongaram a vida de trabalho dos artesãos), o relógio, o moinho de água, o papel realizado mecanicamente, a técnica de drenagem através dos moinhos de vento, e o arado com rodas que aumentou consideravelmente a produção agrícola. 

Os monges construíram bacias e lagos artificiais para a reprodução de peixes.
Através da invenção da chaminé foram criados os fogões e fomos. 
A bússola foi inventada na China onde era usada para rituais de magia, na Europa acrescentaram o quadrante e o visor usando-a para a navegação e, pouco depois, criaram os mapas gráficos náuticos. 
A anotação musical, a polifonia, e, em seguida, a harmonia, o cravo, o violino e outros instrumentos de corda, a forma do romance literário, foram inventados na "Idade das Trevas". 
Na arte bastaria lembrar a arquitectura: as catedrais românicas e góticas enriqueceram de beleza todos os cantos da Europa. 
A "Idade das Trevas" deu à luz as primeiras universidades, apesar de terem sido dirigidas somente por religiosos, também é verdade que qualquer pessoa poderia aceder e renunciar, possivelmente, à vida religiosa. 
Hoje as universidades, quase todas administradas por laicos, são verdadeiras escolas ideológicas, e as universidades mais cobiçadas só podem ser pagas por aqueles que têm um suporte económico substancial.

Dado que o Cristianismo proíbe o aborto e o abandono de recém-nascidos, na Idade Média foram criados asilos para crianças abandonadas. As "rodas dos expostos" situadas no exterior das igrejas e dos mosteiros, foram usadas para deixar os bebés que, doutra maneira, teriam sido mortos. 

Além de cuidar dos pobres, viúvas e estrangeiros, a Igreja Católica criou os hospitais, e os hospitalizados foram admitidos também nos mosteiros e os monges aprenderam a produzir medicamentos com ervas. As invenções e o desenvolvimento que ocorreram nesses séculos deram à Europa o impulso para se tornara a primeira expressão científica e económica mundial.

Defender a verdade

Apesar de tudo o que foi mencionado, hoje os representantes de algumas minorias, tais como feministas, homossexuais, pacifistas, manifestantes descontentes de todo o planeta, cientistas, humanistas, filósofos, ambientalistas, moralistas ateus, são todos contra a Igreja.
A este respeito, o grande historiador medievista Léo Moulin, avisa: «Vocês católicos deixaram de representar a História, muitas vezes adulterada ou falsificada até ao ponto de paralisar a vossa possibilidade de defesa. Todos os problemas, ou erros, ou sofrimentos que aconteceram na História foram sempre atribuídos aos católicos. E vocês, tantas vezes ignorantes do vosso passado, chegaram a acreditar neles, talvez para dar-lhes ajuda. Mas eu (agnóstico, mas historiador que tenta ser objectivo) digo que vocês têm de reagir, em nome da verdade. De facto, muitas vezes, os inimigos do catolicismo não dizem a verdade. E se também às vezes no seu discurso existir a verdade, é também verdade que num orçamento de vinte séculos de cristianismo, as luzes prevaleceram sobre as sombras. Mas então, por que não pedir contas a todos aqueles que sendo vossos inimigos vos acusam sistematicamente? Talvez porque certamente os resultados não seriam melhores! De que púlpitos vocês escutam, contritos e mortificados, certos sermões?»

O Contraste dos novos tempos

Vamos dar um gostinho dos "exemplos milagrosos" daqueles que acusam a Igreja.
Na Idade Média era proibido fazer guerras nas cidades, entre os civis, mas se os governantes queriam degolar-se, poderiam fazê-lo no "campo de batalha". Ainda hoje, os lugares de conflito são chamados assim, mas incorrectamente. De facto, após a Idade Média, especialmente desde a Revolução Francesa, exterminavam homens, mulheres e crianças indefesas.

No século passado, os filhos das ideologias ateias mataram, das formas mais horrendas, milhões de seres humanos, arrasaram cidades, juntamente com hospitais, escolas, estradas e pontes, tudo reduzido a cinzas pelos bombardeios indiscriminados. 

A escravidão, que desapareceu quase completamente na Idade Média, reapareceu depois do Renascimento. 
Hoje o tráfico dos escravos e da prostituição, ramificado em todo o planeta, é um mercado tão lucrativo que poderia ser cotado nas bolsas internacionais.
A isso somamos o tráfico de drogas que destrói as vidas de milhões de seres humanos. Se o mundo progredir no respeito pelo Homem, muito provavelmente os historiadores do futuro usarão o termo "Idade das Trevas" para indicar a história ateia dos últimos dois séculos.

Retirado do Jornal da Madeira

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