sábado, 8 de outubro de 2011

A ação da mulher

Por Anacleto González Flores
Publicado no Editoriales de La Palabra
23 dezembro de 1917


Em outra ocasião tratei brevemente sobre o influxo poderoso e decisivo que a ação da mulher poder fazer sentir nas sociedades e nos destinos da humanidade. Agora vamos indicar o mais exato que nos seja possível o programa prático que deve ser desenvolvido para que a beleza, a ternura, o amor e todos  os encantos da que tem sido dada ao homem como companheira, contribua para a regeneração da sociedade.

A primeira tarefa que cabe a mulher é a de formar a si mesma, porque de outra maneira seu influxo não será tão eficaz como é de esperar e sua ação muitas vezes resultará estéril. Para formar-se a si mesma, a mulher necessita dedicar com grande empenho a estudar detidamente tudo o que lhe corresponde saber, tanto no que se deve a seus deveres como filha, como esposa e como mãe, como no que concerne aos problemas sociais, pois seja uma vez mais dito que não deve haver nenhum membro da sociedade que ignore sua missão, e o pouco ou muito que  tem que fazer para que exista a ordem social.

Ao menos não deve faltar a mulher elementos para formar-se; como com isso já se haverá conseguido muito, quase tudo; e assim como temos dito em outras ocasiões que na fisionomia dos indivíduos nos encontramos sempre a mão da mulher, assim também não tememos afirmar que nos desastres que sofremos, muito se deve a indiferença da mulher. A história e a experiência diária nos ensinam que com uma resolução firme e decidida, a mulher tem conseguido superar todos os obstáculos e desarmar todas as vinganças e resistir todas as resistências; daqui que se no lar, no trabalho ou em qualquer outra parte, como sucede na Europa, a mulher chega a entender seu papel e a fazer-se apóstolo incansável da verdade e do bem, a transformação social tão desejada não esperaria tanto tempo. O que é que tem acontecido? Tem acontecido que a mulher, assim como o homem, não compreendeu plenamente sua missão, porque se isto houvesse acontecido a humanidade estaria muito avançada no caminho da civilização. Mas a preguiça, a apatia, as frivolidades e a ânsia de prazeres tem impendido que muitas mães vivam constantemente impulsionado a seus filhos até o bem, que muitas esposas com sua doçura  e seu amor conquistem a seus esposos para Deus e muitas filhas para seus pais. Venturia [1] salvou Roma, Clotilde [2] converteu seu esposo; de igual maneira, o dia que a mulher de nossos tempos queira ser Ventúria ou Clotilde a humanidade se salvará.

[1] Santa Clotilde, esposa do Rei Clóvis I  477 † 3 de Junho de 546, rei dos francos.

[2] Venturia a mãe de Coriolano, um lendário general romano que viveu no século V d.C., cuja história foi relatada por Plutarco, Lívio e Shakespeare

FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. 506 p.

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