quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Prefácio da obra São Francisco de Assis e São Tomás de Aquino, de G.K. Chesterton.

Prefácio de  Joseph F. Girzone

É divertido observar uma criança brincando. As crianças vivem em seu mundinho próprio e o vêem como algo sério, dotado de muito sentido. Sorrimos para elas; As crianças conseguem aceitar nossos sorrisos. Se zombamos delas, porém, elas fogem de nós e não hesitam em se esconder. Como adultos, há muito perdemos a chave que abre as portas da beleza desse mundo infantil. Podemos observá-lo à distância, sentir a alegria e a atmosfera de aventura que fluem tão espontaneamente da imaginação da criança, mas já não podemos entrar nesse mundo. Nós o perdemos para sempre. Já estivemos nele um dia, mas, ao longo do caminho da vida, perdemos a chave para abrir as portas desse mundo.
Poderíamos ser tentados a considerar o mundo da criança como um mundo de faz-de-conta. Mas seria um erro. É faz-de-conta para nós, que descobrimos este outro mundo que não ousamos chamar de faz-de-conta. O mundo infantil assim como nosso mundo doentio para nós, nada tem de fantasia para a criança.
Quando examinamos a vida dos santos, deparamos esse mesmo fenômeno. A vida deles parece quase ficção, faz-de-conta, e não realidade. Dizemos que são sonhadores. Ou psicóticos. Atribuímos a eles uma série de nomes, pois somos incapazes de perceber o significado ou a relevância de suas ações para nosso mundo de faz-de-conta. Fazemos estátuas de São Francisco e rezamos sua Oração pela Paz. Nosso mundo assustado se apega desesperadamente à sua lembrança, numa frenética tentativa de proteger o meio ambiente da poluição; mas não o levamos a sério. Apenas o adotamos como sinal de estimação ou mascote, sem entender o verdadeiro sentido de sua vida.

Ler sobre a vida de Francisco nos relatos da maioria dos biógrafos é como ler uma série de episódios quase tão estranhos como os que vemos em Os caçadores da arca perdida ou num filme de James Bond. A história de Francisco é curiosa, mas não é para ser levada a sério,  e se – Deus não o permita! – um dos nossos filhos começasse a fazer algumas das coisas que ele fez, nós certamente levaríamos a criança aos gritos, não ao bispo, como fez o pai de Francisco, mas a um psiquiatra, algo desconhecido da época.

O notável gênio de G. K. Chesterton, nesta pequena biografia de São Francisco, reside em ter encontrado a chave para entrar no mundo aparentemente de faz-de-conta do santo, permitindo que o leitor compreendesse a lógica subjacente à resposta que Deus pôde dar a um homem que O levou a sério, tocando sua vida com uma magia proveniente de um outro mundo real.

Nesta pequena história, São Franscisco não é um sonhador. Ele via o mundo tal como era de fato em sua época, um mundo que, embora professasse a crença em Deus, zombava d’Ele na vida cotidiana. Francisco encontrou Deus e por acaso se apaixonou por Ele. Com isso, pode ver o mundo tal como Deus o via, passando a zombar desse mundo e de todo o absurdo que havia nele. Assim, pode aproveitar ao máximo o seu todo o absurdo que havia nele. Assim, pôde aproveitar ao máximo o seu papel de jongluer (malabarista) de Deus, procurando levar os filhos de Deus a compreender realmente o que significa ser filho de Deus. 

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