segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Pier Griogio Frassati, um jovem incomum

Diego G. Silva
Publicado no site: www.piergiorgio.com.br

Quando uma coisa nos impressiona ou nos deixa admirados, ela sempre nos vem à mente, mesmo com o passar de dias, meses e até anos. A imagem de algo que nos agrada e nos traz boas lembranças é como um despertar que nos motiva a continuar com alegria a vida. Traz-nos uma sensação de bem estar, ânimo e alegria.

Quando pensamos nos santos e em seus feitos, vemos a força, grandeza, heroísmo e amor que eles tinham para o com próximo e para com Cristo. Não se pode dizer que um santo seja melhor ou maior que outro. Todos possuem sua grandeza e são dignos de admiração. No entanto, assim como existem santos que são conhecidos por suas habilidades intelectuais, como Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, outros o são por sua dedicação à política como Thomas Morus, pela ajuda aos mais necessitados, como São Francisco, por dedicar ao amor ao sacerdócio, como são João Maria Vianney, e até por lutar em uma guerra, como Santa Joana d’Arc. São numerosos os santos, e cada um possui dons e carismas particulares.

Chesterton, um dos maiores escritores católicos, escreveu certa vez que o “que separa um santo dos homens ordinários é sua disposição habitual de se confundir com os homens ordinários.” Pier Giorgio Frassati é um evidente exemplo de jovem que se santificou nas coisas ordinárias, ou seja, no dia-a-dia, transformando-as em coisas extraordinárias. Sua dedicação aos mais necessitados, sua alegria contagiante (ele nos transmite isso até por meio de suas fotos), sua paixão pelos esportes e o amor ardente a Cristo Eucarístico, tudo isso o levou a ter uma vida extraordinária.

Se pensarmos em um exemplo e modelo para os jovens, não podemos de forma alguma esquecer a figura de Pier Giorgio. Este jovem, que nasceu na cidade de Turim, Itália, no dia 06 de abril de 1901, e que neste ano de 2011 completará 110 anos de nascimento, é um exemplo evidente de que a santidade pode ser alcançada sem limite de idade.

De família com posses, Pier Giorgio sempre teve consciência de que o que possuía deveria ser colocado à disposição dos mais necessitados. Todo dinheiro que seu pai lhe dava, generosamente doava aos pobres. “Ajudar os necessitados, disse a sua irmã Luciana, é ajudar a Jesus”. Seu testemunho impactava e assustava seus amigos, que não entendiam como ele podia fazer aquilo. Certa vez, um amigo lhe questionou como ele podia aguentar aquele odor das casas e dos doentes, ao que ele respondeu: “Nunca esqueça que mesmo sendo a casa miserável, você está se aproximando de Cristo. Em meio aos doentes e desafortunados, vejo uma luz peculiar, uma luz que não temos”. Com toda caridade visitava os doentes que moravam aos arredores de Turim e lhes prestava ajuda no que necessitassem. Era capaz de parar o trajeto que fazia para ajudar algum pobre a carregar seu carrinho com sucata para vender.

Desportista nato, apaixonado por escalar montanhas, Pier Giorgio utilizava disso para convidar seus amigos e com isso os evangelizava. Escreveu certa vez ao escalar uma montanha: “Quanto mais alto formos, melhor nós ouviremos a voz de Cristo.” Tinha consciência dos riscos que corria ao escalar: “quando se vai a escalar, é necessário ter limpa a consciência, porque não se sabe nunca se há volta.” Seu lema era "Verso l'alto" (Em direção ao alto).

Morreu em no dia 30 de junho de 1925, de poliomielite fulminante, que muito provavelmente pegou em uma de suas visitas aos doentes. “O melhor homem do mundo está morto”, escreveu o Deputado italiano Alberto Falchetti em seu diário. Este foi o sentimento com que milhares de pessoas foram ao seu velório e enterro. O fato surpreendeu seus pais, que não tinham dimensão de quão amado era seu filho. Por sua vez, os pobres e doentes que foram lhe prestar os últimos agradecimentos ficaram perplexos ao saber que aquele que lhes ajudava era de família tão rica.

Não me estenderei mais nos dados biográficos. Faço o convite para que leiam a biografia de Pier Giorgio Frassati e confiram os seus grandes feitos. Este jovem foi chamado por João Paulo II, durante a celebração da missa de sua beatificação, no dia 20 de maio de 1990, de “O Homem das oito Bem-Aventuranças”. Não bastasse isso, seu corpo está incorrupto e com um radiante sorriso. Somente Deus poderia deixar intocável até mesmo pelos menores dos seres vivos aquele que ama.

Frassati tinha consciência, como o mártir e beato Anacleto González Flores, um dos mais incansáveis defensores dos jovens e da juventude, de que somente o contato e a amizade com aqueles que partilham da mesma fé poderia ajudá-lo a vivenciar a sua. Anacleto González escreveu certa vez que: "Os jovens devem sair de seu isolamento, devem buscar o contato com outros jovens que trabalham e lutam por reivindicar os direitos de Deus e do homem. Não devem permanecer indiferentes diante das distintas agrupações formadas com o fim de dar ao bem uma alma de caráter social, já que o mal a tem como muito poderosa. Agrupai-vos, jovens católicos! Afastai-vos do isolamento que degrada, que envelhece, que mata, que leva indefectivelmente à derrota. Ide prontamente à organização [católica], pois assim vossos brilhos e vossas energias crescerão titanicamente e Cristo reinará apesar dos tiranos."

Pier Giorgio, não por menos, também escreveu um dos mais belos textos de motivação para os jovens. Devemos ter em mente estas palavras que refletem milimetricamente o que os jovens devem ser e pensar. Assim escreveu em uma de suas cartas: "Nós - que, por graça de Deus, somos católicos - não devemos gastar os anos mais belos da nossa vida como desgraçadamente fazem tantos jovens infelizes que se preocupam em gozar os bens terrenos e não produzem nada de bom, mas que apenas fazem frutificar a imoralidade da nossa sociedade moderna. Devemos treinar-nos, a fim de estar prontos para travar as lutas que, seguramente, teremos de combater pela realização do nosso programa e para assim darmos à nossa Pátria, num futuro não muito longínquo, dias mais alegres e uma sociedade moralmente sã. Mas para tudo isto é preciso: a oração contínua para obter de Deus a graça sem a qual as nossas forças são vãs; organização e disciplina para estarmos prontos para a ação no momento oportuno e, finalmente, o sacrifício das nossas paixões e de nós mesmos, porque sem isso não se pode atingir o objetivo." (Das cartas de Pier Giorgio)

Jovens, se querem ser santos, não vivam na mediocridade na qual tantos jovens vivem hoje. Nossa sociedade tende a nos oferecer o que há de pior. Não aceitem o que lhes é mostrado como bom e certo. Conheçam a vida de outros jovens que foram modelos de santidade, como Marcelo Callo, Alberto Marvelli, Albertina Berckenbrok (Brasil), Egidio Bullesi, Isabel Cristina Mrad Campos (Brasil), Isidoro Bakanja, Carlo Acutis, entre numerosos outros que devem ser seguidos por seu heroísmo na pureza da castidade, no amor a Cristo Eucarístico e por terem se destacado em uma coisa fundamental e que fez e faz toda a diferença: queriam ser santos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Receba nossas atualizações