domingo, 27 de fevereiro de 2011

Os paralíticos


Por Anacleto González Flores
El Plebiscito de Los Mártires 



Até agora nosso catolicismo tem sido um catolicismo de verdadeiros paralíticos. Porque não temos feito, nem somos todavia capazes de fazer algo permanente, sério e tenaz para abrir passagem para que nossas idéias alcancem triunfo completo. Mas nosso catolicismo não começou a ser catolicismo de paralíticos nestes últimos tempos, senão que começou a ser desde tempos atrás.

Porque é um sinal inequívoco da inércia, da petrificação dos católicos o que lhes vai escapando a vida com todas as suas complexidades, até chegar ao extremo da prostração e de desonra que hoje nos encontramos colocados.

Somos, pois, os herdeiros paralíticos do catolicismo, que tem a quase todos os católicos de nosso meio atados a inércia em tudo, é a causa de nossa escravidão e de nossa prostração.

Os paralíticos do catolicismo, entre nós, são de duas classes: os católicos que sofrem uma paralisia total, porque se limitam a crer em verdades fundamentais e jamais tem feito nem fazem nada sério em relação a suas idéias, a não serem atos rotineiros de culto ; e os paralíticos que se deixam em êxtases diante de seus devocionários e que nunca fazem nem tem feito nada por seus princípios e para que Cristo volte a ser o Senhor de tudo: da imprensa, da escola, do livro, da rua, da praça, enfim, de tudo.

Está claro que quando uma doutrina não tem mais que paralíticos, se tem que estancar, se tem que bater em retirada das batalhas da vida pública e social, e a volta de pouco tempo terá que ficar reduzida a categoria de múmia inerte, muda e derrotada.

A paralisia dos católicos explica suficientemente nossa desonra, derrota, prostração e fracasso.

Ninguém duvida que se creia e se professem os princípios luminosos do catolicismo; é bom também saber manejar devocionários; mas reduzir o catolicismo como temos feito entre nós, a uma convicção encarcerada pela paralisia ou o êxtase de um livro de Missa; sem voltar os olhos a torrente da vida para apoderar-se dela, para conquistá-la e para oferece - lá a Deus purificada, transfigurada com o contato de Cristo e de sua Igreja, é entrar pelo caminho de todas as derrotas  e todas as desonras.

Chegado o instante em que sobre a face de cada paralítico, sobre os músculos desgastados e estirados pela paralisia de nosso catolicismo, passe vibrante, despertando, como o estouro de um vento que desce dos cumes até areia do deserto, colocando em marcha todas as batalhas e o anúncio de todas as vitórias.

Arranquemo-nos de toda paralisia; deixemos que o fogo de nossas idéias de católicos se converta em fogueira de paixão imensa e profunda e coloquemos em marca até a reconquista da vida.

Chesterton, talvez o mais profundo dos escritores convertidos ultimamente ao catolicismo, em seu livro chamado vida de São Francisco de Assis, disse que a atitude dos católicos diante da vida, diante do mundo, não deve ser de renuncia e sim de conquista.
 Voltamos nossos olhos, músculos para a vida; travemos com ela corpo a corpo, uma luta encarniçada e tenaz para redimir baixo o golpe de nosso braço e para voltá-la toda inteira para Cristo, que anunciou que atrairia até Ele todas as coisas.

A paralisia significa escravidão, desonra miséria e esquecimento. A volta ao caminho da ação e ao combate, é enobrecimento, reconquista, vitória segura e esmagadora.

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FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 310-311.

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