terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Nota biográfica sobre Chesterton


Nota biográfica sobre Chesterton*


Um “Pai da Igreja, forçado pela necessidade dos tempos e do mistério a pregar num estilo burlesco às multidões dos céticos e dos gaudérios”, um novo “Abram de Domenico Cavalca, que enfiou um capuz sobre a armadura e ataviou-se com belas vestes, para entrar no local de perdição a fim de converter a sobrinha”, um “bispo vestido palhaço“ (E. Cecchi), um “gênio colossal”, o “Chesterbelloc” (G.B.Shaw), “tão alegre que se poderia quase ficar tentando a acreditar que ele de fato encontrou Deus” (F. Kafka), “um presente oferecido à comunidade católica (e a toda humanidade) diretamente por Deus” (Cardeal G. Biffi), “um dos melhores que existem” (E. Hemingway), “talvez nenhum autor me tenha proporcionado tantas horas felizes como Chesterton” (J. L. Borges), “Crianchesterton”  (PE. J.O’Connor), “Defensor fidei” (papa Pio XI).

Partindo das mil maneiras utilizadas para definir esse homem, logo perceberemos que estamos diante de um gênio, um homem excepcional sob todos os pontos de vista. “ Gilbert Keith Chesterton foi excepcional de verdade. Em sua Autobiography [Autobiografia] ele afirma, mostrando toda sua personalidade amável e polêmica, humorística e cheia de alegria:

Curvando-me com certa credulidade, como costumo fazer, ante a mera autoridade e a tradição de meus antepassados, fruindo superticiosamente uma história que, quando aconteceu, não me foi possível controlar como experiência pessoal, tenho a mais convicta opinião de ter nascido no dia 29 de maio de 1874, em Campden Hill, Kensington, e de ter sido batizado, segundo as fórmulas da Igreja Anglicana, na igrejinha de São Jorge, situada na frente da torre da caixa d’água que domina aquela paisagem elevada.

Mas de onde provêm essa personalidade tão vivaz e essa alegria profunda e contagiante que deixaram nos leitores marca tão forte? A pergunta se faz óbvia diante de homens de tal quilate. Tudo leva a pensar que se trata de um presente, como diz o cardeal Biffi, um presente inesperado. É como uma semente caída numa terra que não esperava outra coisa. Uma feliz intuição de liberdade da razão e otimismo em relação à vida; germina num contexto familiar afetuoso e receptivo ao bom, cresce primeiro nas margens e depois no lugar onde tudo isso se sente em casa, a Igreja. Assim nasce um autêntico gênio do pensamento e da vida, Chesterton.

Nasce numa família não comum: o pai Edward trabalha no setor imobiliário, sócio com seu irmão Sidney de uma agência que existe até hoje; sereno e despreocupado, transmite aos filhos o amor pela arte e literatura, o gosto pelo fantástico e uma desenfreada paixão por brinquedos, em primeiro lugar pelo teatro de marionetes. “Inglês no grau máximo”, uma espécie de Sr. Pickwick, dirá Gilbert; liberal e unitarista, mais propenso às discussões que ao fervor religioso.A mãe é Marie Louise Grosjean, cujo pai era suíço (pregador leigo calvinista) e a mãe escocesa. A avó escocesa é que vai abrir para Gilbert as portas do “ensolarado país das fábulas”, para o ele tecerá pela primeira vez em The Defendant [O réu] e ao qual atribuirá um fundamental valor moral e teórico em Ortodoxia. Terá a seu lado outro irmão, Cecil, ele também jornalista, nas batalhas jornalísticas e culturais.

Sua infância é serena, cheia de brinquedos e de afeto; não brilha de modo especial nos estudos e no fim da escola superior precisa acertar as contas especial nos estudos e no fim da escola superior precisa acertar as contas com a solidão e a depressão: desorientado diante da vida e do futuro, tenta a universidade sem obter nenhum êxito, em seguida uma escola de arte (será também bom pintor e desenhista); perde o contato com seus caros amigos do Junior Debating Club, todos na universidade, e fecha o jornal que juntos haviam fundado, The Debater; pratica o espiritismo, do que se arrependerá amargamente.

Essa é uma confusão desgastante para um homem fundamentalmente bom e inocente como ele é e será a vida inteira. Mas no fim sai de modo milagroso (essa é a expressão mais adequada) desse túnel aparentemente sem saída (no qual acalentou, como ele mesmo admite, até a idéia mais insana), graças à leitura do livro bíblico de Jó. A esse respeito contará depois numa carta a um amigo algo bastante estranho, uma experiência mística: “Tenho certeza de que cada coisa é o que é porque assim deve ser. Agora a visão está se desvanecendo na vida do dia a dia e me sinto feliz por isso. É embaraçoso falar com Deus cara a cara, como se fala com um amigo.”

A partir de então, a partir da inesperada granítica certeza (ou melhor, confirmação depois da prova) da intrínseca positividade da existência, enveredada por uma vida totalmente nova, sentindo um desejo incontrolável de dizer ao mundo que a vida é bela, que estamos aqui e poderíamos não estar e que se pode preservar o dom inestimável da inocência sem renunciar a nada da vida. São os motivos que fundamentam o pensamento de Chesterton, e deles nascerá toda sua vasta reflexão.

Isso é o que alegrará todos os anos de sua vida, literalmente dedicados à máxima difusão da feliz descoberta, sem poupar energias. São intuições naturais, que percorrem sem trégua sua obra inteira, como um rio subterrâneo que aparece     e desaparece, mas que sabemos estar sempre por trás de cada linha, cada palavra.

Descobre seu talento de escritor e começa a colaborar com muitos jornais; consegue em pouco tempo um sucesso imprevisto. Cresce cada vez mais o número de pessoas que se perguntam quem será esse “GKC” que assina aqueles artigos tão originais, bem escritos, cheios de inelutáveis paradoxos e bom-senso. Os primeiros artigos resultam no volume The Defendant [O réu] de 1901 (uma defesa do indefensável, desde as pastorinhas de porcelana aos thrillers de dez tostões...), e depois de alguns textos poéticos ele assina em 1904 seu primeiro romance, The Napoleon of Notting Hill [Napoleão de Notting Hill], narrativa surreal onde encontramos o seu amor pelas pequenas pátrias que o caracterizará por toda a vida, a coragem de letar pela própria casa e o próprio altar, princípio de toda ousadia, e os ecos da guerra anglo-bôer. Paradoxalmente Chesterton ganha notoriedade opondo-se ao imperialismo britânico, considerado pelos ingleses mais do que uma fé religiosa, e colocando-se na defesa dos camponeses bôeres num país em que isso é comparável a uma blasfêmia e alegremente provocando, junto com Hillare Belloc, seu amigo de toda a vida, até mais do que algum materialíssimo safanão por essa causa.

Desse ponto em diante temos um homem novo que delineará uma imagem absolutamente inédita do escritor, brilhante e apaixonado amante da verdade e do bom humor, jamais separados.

Não deixa de ser verdade o que dele disse Emilio Cecchi: é um bispo vestido de palhaço, alguém obrigado a pintar o nariz de verde a fim de atrair nosso olhar para a verdade. Ele se faz paladino da vida normal, da família, da ordem contra o caos, do senso comum. Mostra ao mundo com o entusiasmo de um apóstolo e a alegria de uma criança que há mais aventura na vida “normal” do que em qualquer romance de aventura, mesmo numa família onde nenhuma “aventura” acontece.

O padre Ian Boyd, presidente do Chesterton Institute for Faith and Culture, sublinha que “a exuberância e o modo divertido que caracterizavam o jovem Chesterton foram elementos decisivos na criação de sua imagem pública. Ele chegava a ser citado por quem nunca havia lido nenhuma de suas obras. As suas frases tornaram-se rapidamente proverbiais.” Sua fama de arguto debatedor rapidamente se faz enorme. Ele é “a delícia dos cartunistas” (Ian Boyd) por seu perfil inconfundível (ele, que na adolescência era um sujeito alto e enxuto, com o passar dos anos torna-se um gigante com mais de um metro            e noventa de altura pesando cento e trinta quilos (ou mais), que alimenta histórias e lendas de todos os tipos (uma delas é a seguinte: Chesterton se levantava no ônibus e de repente havia espaço para que três mulheres se sentassem...).

Mais uma vez é o padre Boyd quem nos diz que Chesterton “via a literatura como uma profecia; ele se tornara o depositário das e dos idéias de seus leitores. Expressava por eles o espírito de uma das épocas mais exuberantes desde o período isabelino. Personificava a energia e o otimismo edwardianos e o espírito que mais tarde foi definido em sua biografia de São Tomás de Aquino como ‘aquele que se alimentava de fatos universais e também de um forte apego à vida”’.

Em 1905, escreve Heretics [Heréticos], o ensaio que mostra, na crítica das idéias e das figuras em voga em seu tempo, seu distanciamento pessoal em ralação ao “pensamento” segundo o qual “a verdade cósmica tem um peso tão insignificante que nada do que alguém diga pode ter importância alguma”. E mais adiante: “Em volta de qualquer inocente mesa de chá, todos os dias acontece de ouvir-se alguém sentenciar”: ‘A vida não vale  a pena’. E ninguém acha que essa consideração difere desta outra: ‘Hoje o tempo está bom’; ninguém pensa que isso exerça algum efeito nos homens e no mundo”. Toda a sua vida será uma alegre luta contra esse mal de viver; dirá de fato em outra passagem: “Desentocar e combater o mal é o princípio de todas as alegrias.” Só assim é possível compreender Chesterton e seus vibrantes personagens.

Escreve num ritmo torrencial artigos sobre qualquer assunto que julgue dever discutir (Alberto Castelli dirá que sua vida foi uma única interminável discussão), praticamente sobre tudo, aonde quer que o empurre seu ela vital milagrosamente reconquistado. Trava batalhas em qualquer campo, como, por exemplo, na polêmica antieugênica. Sua produção jornalística é imensa, um “desperdiço de arte e de ideias” que “causa uma sensação quase angustiante” (Emilio Cecchi). Sua assinatura aparece, entre outros, em periódicos como “Daily News”, “The Speaker” e “The Ilustrade London News”. Também publica sólidos ensaios sobre literatura enfocando R. L. Stevenson, Browning, Tennyson, Blake e outros autores, e mais adiante lança The Victorian Age in Literature (A época vitoriana na literatura), obra que muitos consideram de grande valor.

Em 1908 Chesterton atinge um momento de extraodinária clareza acerca do objetivo de sua vida e obra, e dá à luz duas de suas obras-primas, nas quais talvez seja mais vibrante e eficaz toda a lucidez recebida como dom inesperado: The Man Who Thursday (O homem que era Quinta-Feira) e Ortodoxia, reelaboração literária e teórica das passagens fundamentais de sua experiência humana até aquele ponto: o renasceer a partir do absurdo e a redescoberta da fé cristã mediante a experiência da razão aberta à realidade. Essas obras foram com razão como “autobiográficas” (Ian Boyd).

A Primeira é uma espécie de romance policial metafísico – dizem empregando uma expressão feliz – com o significativo subtítulo de Um pesadelo. Obra visionária, entre o místico e o grotesco, altamente poética e simbólica, ela faz um relato muito autobiográfico da descoberta da beleza e bondade da vida que é um mistério, e da possibilidade real da felicidade para o ser humano. É um livro repleto de referências ao Livro de Jó, ao qual Chesterton deve sua salvação. Gabriel Syme, o protagonista, é no fundo Gilbert, o homem com olhar de poeta, que descobre o ponto de fuga, presente em toas as coisas, que conduz ao Mistério, à origem de tudo. O monsenhor Ronald Knox, amigo de Chesterton e, como ele, brilhante autor de romances policiais e convertido ao catolicismo, afirma: “Trata-se de um livro extraodinário: é como se o editor lhe houvesse pedido para escrever um romance do gênero O peregrino empregando o estilo de As aventuras do Sr. Pickwick”. É a história do homem, de cada um de nós, que depois de mil confusões de forte sabor policial (porque no fundo numa vida normal há muito mais aventura do que em qualquer romance de detetive...) descobre o segredo da vida.

Ortodoxia relata a tentativa do autor no sentido de encontrar respostas para o mistério da vida e sua descoberta de que tudo o que ele procurava está no Credo dos Apóstolos; é a intuição da razão que caminha assombrada e feliz rumo à fé, ocasionada pelo desafio de G. S. Street, que depois de ler sua obra Heretics  (Hereges) fizera o seguinte comentário: “Com a minha filosofia [...] começarei a preocupar-me depois que o Sr. Chesterton tiver apresentado a dele.”

Chesterton, com uma comparação fulminante e engraçada – a história de um homem que deixa a Inglaterra em seu barquinho e aporta diante do pavilhão no litoral de Brigthon convencido de ter descoberto uma nova terra selvagem -, narra sua tentativa de inventar uma nova religião (é ele, portanto, o iatista... fantasioso, que vamos encontrar em outros textos) e a descoberta de que ela já foi “inventada”, é o cristianismo. Mais uma vez afirma o padre Ian Boyd:
           
Chesterton acreditava que no fundo de todas as realidades mais profanas cada um fosse capaz de encontrar a Deus. Poucas vezes ele escreveu sobre temas religiosos, mas nas ruas urbanas, ele conseguiu descobrir o mistério religioso presente no fundo de todas as coisas.

Chesterton chega assim à conclusão de que o cristianismo é para o ser humano “a maior fonte de sanidade mental”. Ortodoxia contém páginas inteiras de autêntica e agudíssima compreensão da vida, pela qual devemos ser eternamente gratos.

Dessa sua consciência nasce um fantástico romance, breve e muito intenso. Manalive (O homem vivo), publicado em 1911. Narra a história de Inocêncio Smith (nome e sobrenome nada casuais, personificação da inocência e da normalidade), que empreende uma viagem pelo mundo e também é iatista, e depois é acusado (pelo míope de alguns inquilinos da mesquinha Casa Beacon) de homicídio, furto, abandono da família, sua única e amada frente, que ele havia perdido na paralisia da rotina quotidiana. Um homem, diz Chesterton, que não aceitava estar morto enquanto ainda estava vivo. Em outras palavras, ele mesmo.

Essa, como praticamente todas as suas obras narrativas, apresenta aspectos nitidamente autobiográficos, embora dispersos no suerral. Sua intenção é falar da própria vida que é a vida de qualquer homem, e do mistério que nela existe, para não morrer.

Mas O homem vivo está em cada um de nós (um verdadeiro e adequado motivo poético para Chesterton) e precisa de ajuda; precisamos de alguém que nos empuree no Mistério e para o Mistério, e que do serviço quotidiano prestado ao Mistério tenha feito sua vida: padre Brown, sacerdote católico romano (como dizem os ingleses), detetive primeiro da alma e depois das coisas matérias. O primeiro de uma longa e feliz série de contos que têm como protagonista o semi-invisível padrezinho inglês foi lançado em 1911, e se inspira numa das pessoas mais importantes na vida de Gilbert e de sua mulher Frances Blogg, o padre Jonh O’Connor, sacerdote irlandês que se estabeleceu na Inglaterra, homem de extraordinária Inteligência e argúcia, bem descrito num capítulo memorável da Autobiography [Autobiografia], a primeira característica do padre Brown é o fato de ele ter não ter características, e sua importância consiste em não parecer importante, tudo contrastando com sua atenção e inteligência, graças a sua experiência de padre e confessor, na mente de quem cometeu o delito, compartilhando com ele tudo exceto o ato de delito final, como explica o próprio Chesterton em O segredo do padre Brown.

Em 1914 Chesterton foi acometido por uma grave enfermidade que quase lhe custou a vida, deixando aturdida aquela Inglaterra que, embora por ele muitas vezes criticada, correspondia sinceramente a seu amor. Nesse mesmo ano sai um romance profético e visionário, The Flying Inn (A pousada voadora); é a história de uma Inglaterra em que se instala um governo filoislâmico com o objetivo de eliminar no país todos os bares e casas onde se vendem bebidas alcoólicas, mas que encontra Patrick Dalroy o herói que – tendo atrás de si um barrilote de rum, uma peça de queijo e o distintivo do pub “O velho marinheiro” – conduz a rebelião contra a insensatez e desumanidade desse tipo de governo. É um hino ao bom humor cristão e contra os sincretismos impossíveis.

Em 1922 ele opta pelo catolicismo. Não faltou nisso a colaboração de amigos como o padre O’Connor, o padre Vicent McNabb (vibrante domenico irlandês defensor, como ele, do distributismo) e Hilaire Belloc. È o ancouradouro definitivo, nada fácil nem mesmo depois de toda um existência devotada a demonstrar ao mundo a sensatez da vida cristã. Naquele abençoado dia, em sua casa em Beaconsfield, Gilbert declara: “Os sábios têm mapas que desenham ao mundo universos densos como árvores, agitam a razão com mil peneiras que retêm a areia e deixam passar o ouro; para mim tudo isso ale menos que o pó porque meu nome é Lázaro e estou vivo”. A conversação origina também maior reflexão, e um Chesterton parcialmente diverso do brilhante jornalista em voga nos anos anteriores; isso lhe custará a perda de muitas amizades em sua prórpia casa (no fundo a desconfiança em relação ao Roman Catholic não morre facilmente nem nos dias de hoje).

No ano subseqüente à conversão Chesterton publica a biografia de São Francisco de Assis, talvez o santo por quem mais se apaixonará por seu poder de profecia e menestrel, de amante e forte contestador de seu tempo.

Em 1925 sai O homem eterno. Começa com o recorrente motivo da viagem e é uma excursão histórica do homem sobre esta terra, com a qual o nosso Autor prova que o cristianismo é o fator supremo de civilização em todas as épocas. Do mesmo modo que se fala do cristianismo como fonte de sanidade mental para o homem, nessa obra se fala do cristianismo como fator de civilização para o mundo. Se Ortodoxia é uma resposta ao desafio de Street, O homem eterno é a resposta a The Outline of History, de H. G. Wells, e seu “darwinismo histórico”.

A partir de agora Chesterton viaja muito, especialmente pelo Canadá e Estados Unidos, aquele país criticado por ele mas que lhe reserva acolhidas triunfais, em sua turnês que se tornarão proverbiais. Visita a Palestina, a França, várias vezes a Itália, que muito amava da mesma forma que amava os países católicos como a Irlanda e a Polônia (são “esses onde ainda se canta, se dança e se vestem roupas vistosas e onde a arte vive ao ar livre”, afirmava Chesterton), que também visita.

Em 1933 publica a biografia de santo Tomás de Aquino, definido por Etienne Gilson como a mais bela obra sobre o “Boi mudo”. “Ao lê-la não se pode pensar em outra hipótese que não seja a do gênio...” Colabora também em transmissões radiofônicas na BBC, conseguindo imensa popularidade.

Mas quem define Chesterton? Chesterton ama a gente comum porque Deus “criou muita gente assim”, sua querida mulher, a tradição por ser “a democracia dos mortos”, a cerveja e os bares “onde tinha seu trono” e “extravasava humorismo (R. Church)”; nele a liberdade e dogma são sinônimos; ele ri feito criança e é sábio como um velho de muitos séculos. Ama os bebês e a inocência (isso mesmo, a inocência!) que transforma na quintessência do homem verdadeiro e sobretudo vivo; participa das festas geralmente  entediado e mata o atirando cenouras no ar para depois apanhá-las com a boca fazendo rir as crianças presentes; ele é alguém que sai de casa para se casar, mas não deixa de passar pela padaria, freqüentada na infância com sua mãe, para beber um copo deleite, como também não deixa de levar consigo uma pistola, porque o casamento, senhores, é uma grande aventura e então é bom que se vá ao encontro dele devidamente armado...

Uns afirmam que ele é conservador, outros que é progressista: lamento dizer isso, mas rotulá-lo assim significa ter lido pouco ou apenas trechos de sua obra. Chesterton só descobriu a vida, seu segredo a ser defendido com o sacrifício e até com o próprio sangue, a ser difundido discursando sobre os telhados e chegando para isso até a loucura, a ser sempre defendido na vida sempre tendo em vista sua Fonte, o próprio Deus, cuja casa é a Igreja católica. Talvez ele não seja muito politicamente correto, tanto ontem como hoje. Mas está errado?

Morre em Beaconsfield (Buckinghamshire) no dia 14 de junho de 1936, onde está seputado até hoje, no pequeno cemitério católico junto à igreja paroquial de Santa Terezinha do Menino Jesus (uma santa quase menina, veja só...), junto com a mulher Frances e a quase filha e secretaria Dorothy Collins.

*Marco Sermarini
Presidente da Sociedade Chestertoniana da Itália


CHESTERTON, G.K. O homem eterno. Mundo Cristão. Tradução de Almiro Pisetta, São Paulo: Mundo Cristão, 2010. P. 291-300.

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