segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

OUTRA QUESTÃO

OUTRA QUESTÃO

Por Anacleto González Flores
Editoriales de La Palavra 
28 de abril de 1918.

Se a doutrina católica responde satisfatoriamente o problema religioso e a questão moral, igualmente oferece uma solução para o problema político que está compreendido na questão social.

O liberalismo, aproxima deste ponto como aproxima dos demais, ensina que a liberdade corrigirá tudo e que os governos não devem jamais intervir nas relações entre os trabalhadores e patrão. Pelo contrário, o socialismo, que é a teoria mais absurda e tirânica que se pode imaginar, sustém que tudo deve ser absorvido pelo Estado como sucedeu em Esparta e que todas as energias devem ficar sob comando imediato e estrito dos governos. Como se vê, os ensinamentos do liberalismo não podem nem devem ser admitidos, tanto porque a reta razão ensina que os governos devem se empenhar em ajudar de um modo especial os mais débeis e em legislar para formá-los e defender-los, como porque os fatos com eloqüência incontrastável nos demonstram que as tendências liberais a respeito deste ponto fracassaram em todas as partes, e contribuíram poderosamente para colocar as classes trabalhadoras em uma situação ainda mais dolorosa e degradante que a dos escravos.

Além disso, basta lançar brevemente o olhar sobre a legislação dos países mais avançados, e ainda sobre a de nossa pátria para convencer-nos de que as exigências da realidade têm impulsionado muito fortemente a criação de um corpo de leis em que se faça menção especial aos assuntos do trabalho e se regula até onde é possível as relações entre patrão e os homens do trabalho. E assim é como o liberalismo, por mais que alguns ignorantes o professam, chega ao mais completo dos desastres.

Não pode ser admitida jamais a teoria dos socialistas, porque a missão dos governos não é outra que preencher as deficiências da iniciativa privada e nunca poderá demonstrar-se que a absorção da energia social por um só poder o grupo de homens seja indispensável para criar e manter o equilíbrio das sociedades.

Pelo contrário, seria de tão funesta conseqüência um regime assim, que, como o demonstram os grandes sociólogos, o estancamento viria inevitavelmente, as fontes principais de produção ficariam ceifadas posto que ao trabalho se lhe arrebataria o estímulo da propriedade privada e sobreviveria uma tirania que ninguém poderia tolerar.

A sociologia cristã, colocada diante destas duas teorias igualmente absurdas e que levam os povos ao desequilíbrio de um modo inexorável e fatal, ensina uma doutrina que se pode considerar um como um termo médio e que estabelece o princípio de que os governos não devem abster-se absolutamente de intervir nas questões do trabalho nem absorver tudo; senão que seguindo a tendência sabia da natureza devem exercer sua ação suplementar; mas claro, que pelo geral se lhe deixe a iniciativa privada o papel de procurar o equilíbrio e a harmonia nas relações entre classes trabalhadoras e o patrão, e que quando os particulares sejam insuficientes o Estado tome a ingerência que não fira nem menospreze os direitos e interesses dos associados.

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FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 532-533.

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