sábado, 18 de dezembro de 2010

Constância no trabalho de hoje

 Por Anacleto González Flores
Editoriales de La Palavra
17 de março de 1918

Nota do blog: Anacleto, em seus artigos, reforça a exigência dos católicos serem constantes e determinados em suas atividades e, sobretudo, em seu caráter, para que assim Cristo possa reinar na sociedade e em nossos corações. Sabemos que um defeito que sofremos é o de nos empolgarmos e logo em seguida, por diversos motivos, largamos nossos trabalhos inacabados por preguiça, caráter débil ou falta de constância. Indicamos para leitura do artigo abaixo e de outro artigo intitulado A Constância. Boa leitura!


As transformações sociais exigem, para sua realização, dois elementos importantes, dois poderes que devem ser conhecidos pelos que se dedicaram e se dedicam ao nobre trabalho de regenerar as sociedades e encaminhá-las até a prosperidade e a seu florescimento.

Esses poderes são a constância e o conhecimento profundo do meio que se deseja transformar. Sem a constância será possível entusiasmar-se, enlouquecer-se, fazer propósitos atrevidos e tomar resoluções as mais generosas; mas não é, nem tem sido, nem será possível jamais chegar até o coroamento de uma obra, de uma empresa por insignificante que seja.

Por isto, quem faz a regeneração dos povos o ideal supremo de sua existência deve começar por sincronizar sua alma com o vigor incontrastável, com a força invencível que presta a todos os espíritos fixação invariável na realização de um fim, ou seja, a constância. De tal maneira que o fracasso de ontem, o desengano de hoje e a desilusão de amanhã não sejam um motivo para desistir, uma causa de derrota, senão uma lição que nos revele o caminho que temos de seguir para chegar à vitória. Muitas vezes o fracasso vem do fato de não se conhecer profundamente os males que se deseja combater, nem os meios mais adequados para combatê-los; daí a necessidade grande, urgente de se fazer esforços decisivos e vigorosos com o objetivo de ter uma idéia, a mais exata possível, da sociedade cuja transformação se deseja.

Não falta na história das transformações sociais o testemunho de homens integrados como o padre Rutten, na Bélgica, que sacrificam seu bem estar para passar parte de sua vida em companhia dos trabalhadores, para conhecê-los melhor, para palpar suas dores, suas amarguras, suas misérias, suas tendências e poder assinalar um remédio seguro e eficaz.

Nós, idealistas por temperamento e muito pouco práticos, gostamos muito de remontarmos as alturas incomensuráveis do abstrato, e carecemos de tato para levar os fatos e as coisas por determinado caminho. Este defeito nos há impedido ter uma visão exata da estrutura de nossa sociedade e nos há feito buscar sua salvação por caminhos que quase sempre vai para o desengano, ao mais ruidoso fracasso.

Por isso é indispensável modificarmo-nos neste ponto consagrando, assim, nossas energias para sermos mais práticos, para estudar a luz da realidade o ambiente social que respiramos, para avançar assim em pleno dia pelas rotas que nos levará diretamente a restauração da ordem das sociedades sobre as bases inabaláveis das doutrinas da Igreja.

Sejamos constantes como a firmeza do granito; investiguemos nosso meio social até descobrir suas enfermidades e seus remédios. 

----------------------------------------------
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 521-522.


Leia também: A constância 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Receba nossas atualizações