sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Um dever de todos

Um dever de todos

(Autoria de Anacleto González Flores.
Publicado no Editoriales de La palabra,
7 de julho de 1918)


A reconstrução da sociedade é algo que interessa a todos os homens, porque a sociedade é o meio providencial do qual temos de nos servir para conseguir alcançar nosso desenvolvimento e o bem-estar de nossos filhos. Em uma sociedade extraviada, corrompida, muito longe de esperar a elevação espiritual, científica, moral, artística de que temos necessidade para alcançar o máximo de nosso desenvolvimento, corremos o perigo eminente de cair na mais vergonhosa das degradações, de atrofiar nossas faculdades, de sermos arrastados pela corrente devastadora que deixa os povos a beira da ruína. Convém, pois, trabalhar com afinco e se quisermos que nossa perfeição chegue a ser uma realidade; devemos querer o quanto antes que a corrente intelectual que inunda nosso país se purifique e deixe longe o lodo que transborda dos lábios e das canetas dos propagadores do erro e do mal, dos que merecem acertadamente serem chamados de enganadores do povo.

Visto isso, o dever em se consagrar a ação social pesa sobre todos; sobre os homens, sobre as mulheres, sobre os sábios, sobre os ignorantes; em fim, sobre todos. É claro que a forma como cada irá fazer varia muitíssimo; uns como pais de família se dedicaram ao trabalho social cumprindo com seus deveres do lar, preocupando-se de coração em educar seus filhos; as mulheres podem colocar em ação suas energias para contribuir para o estabelecimento da ordem social; os homens sem trabalho procurando emprego, as leituras e os meios que lhes permitirá sair de sua ignorância e de sua miséria; em fim, cada um dentro de suas possibilidades poderá ajudar na reconstrução da sociedade. Ao tocar neste ponto não podemos deixar de dar ênfase sobre  o peso do dever que pesa sobre as classes que dirigem e sobre os que podemos chamar de aristocratas. 

Sobre estes pesam uma obrigação maior que sobre os demais homens, pois sua missão é orientar, dirigir, indicar, fixar o caminho que os demais terão de seguir, e sacrificar-se constantemente para servir de modelo, com sua vida cheia de amor ao bem e a virtude, a toda a sociedade. Sem a ação das classes dirigentes que canalizem e orientem as energias humanas até a ordem isso será impossível e os esforços que façam os demais não serão tão fortes como desejado. Para as classes dirigentes foram escritas estas palavras formidáveis, que traçou a caneta do insigne Giuseppe Toniolo[i]: reformar ou desaparecer. 


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[i] Sociólogo e economista italiano de fama internacional (1845-1918), fundou em 1889 a União Católica para os Estudos Sociais na Itália; em 1894 sentou as bases da primeira Democracia Cristã. Escreveu em 1908 a obra Tratado de Economia Social. 

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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 544-545.

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