segunda-feira, 5 de julho de 2010

As boas leituras

As boas leituras

(Autoria de Anacleto González Flores.
(Editoriales de la palabra,
6 de fevereiro de 1918)


Se é necessário evitar os maus livros e periódicos, é, também, conveniente e indispensável buscar com grande afinco e ardor as boas leituras. Porque não podemos duvidar que nossa natureza caída [pelo pecado] é muito propensa a tudo o que degrada, envelhece e que encerra nossas almas nos abismo insondáveis do crime e do vício. E para fazer o mal é necessário antes de o fazer pensar mal e corromper de alguma maneira nosso pensamento com os maus desejos e ensinamentos perversos; e, para fazer o bem e viver uma vida virtuosa, santa e honrada é necessário antes que a verdade tenha tomado posse de nossa inteligência, e em nada devemos colocar mais cuidado do que em fazer grande, poderoso esforço, em buscar as doutrinas que santificam nossos pensamentos e nos levam a afastar enquanto seja possível dos caminhos errados que a iniquidade nos leva.

Uma inteligência mal orientada impulsiona ao mal o coração e todas as demais faculdades; um entendimento bem dirigido e embuido da verdade poderá facilmente nos levar por caminhos que estejam longe da degradação moral.

Veja bem! As boas leituras, sobretudo quando são frequentes, exercem um influxo em nossos espíritos que nos impulsiona a fazer o bem; pois ninguém pode negar que as leituras possuem a capacidade de nos fazer iguais aos livros e periódicos que lemos; e se o contato íntimo com os homens nos faz semelhantes a eles intelectual e moralmente, porque nós assimilamos, absorvemos suas tendencias e seus ideias, com maior razão podemos dizer isso da leitura. Nela concorre a beleza e elegância do estilo; a superioridade de quem escreve; o desenvolvimento de um plano perfeitamente preparado; a ignorância de quem lê; a afimarção de muitas coisas que facilmente são acreditadas; a falta de critério para discenir; a tendência em se acreditar em tudo o que diz alguém de que se tenha "ar de sábio" mesmo que não o seja; enfim, esse acúmulo de feitos que rodeia o influxo da imprensa e que contribui para difundir um sistema com a leitura de um só livro.

Daí que, se concluimos que o periódico e o livro são duas poderosas fontes que estão exercendo o domínio sobre a sociedade, convém aproveitá-los, não na defesa do mal e do erro, e sim, para propagar e sustentar as doutrinas salvadoras da verdade e do bem. Para isto é preciso consagrar uma grande parte do nosso tempo, e isto com muita frenquencia, para ler todos aqueles livros que, além de terem sido escritos com muito brilhantismo e magnificência de estilo, podem deixar em nossas almas um rastro de luz. Assim evitaremos o estado lamentável em que alguns se encontram envoltos nas sombras da ignorância e estão expostos a serem enganados pelo primeiro que lhe fale; assim elevaremos o nível de nosso espírito as alturas em que irradiam  verdade, o bem e beleza; assim iremos contrapor a propensão de nossa natureza ao mal; assim teremos santificado nossos pensamentos com o contato das ideias que de verdade regeneram e salvam, e os atos de nossa vidas será reto, santo, irá diretamente até a virtude, até o bem.

Não podemos perder de vista que para conquistar a verdade é necessário fazer grandes esforços, padecer grandes fadigas; de igual manera, para ensinarmos, para  acostumarmos-nos a fazer o bem é preciso sacrificar-nos, trabalhar com verdadeiro entusiamo, e entre outras coisas, proucurar as boas leituras. Quem l ê bons livros caminha a metade do caminho até a virtude; aquele que nunca lê livros nem periódicos bons está em perigo de extraviar-se e já está no começo dessa jornada. Queremos vencer o mal? Consagremos as nossas leituras as boas obras!

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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 508-509.

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