domingo, 13 de junho de 2010

Os Católicos de hoje

Os Católicos de hoje
5 de maio de 1918

Se fosse necessário traçar um quadro que revelasse mais ou menos a fisionomia dos católicos de nossos dias, nos veríamos obrigados a dizer que são gentes que, em sua maioria, tem se despojado do elemento essencial da vida cristã, para ficarem com apenas algumas manifestações externas, que quase sempre se cumpre por rotina que por outra coisa. Se assiste o santo sacrifício da Missa mais pelo fato de ser um costume longamente enraizado; e, se confessa ou comunga é para não contrariar abertamente a mãe ou a esposa. Fora desses atos religiosos que nada valem pelo estado de espirito com que se praticam, não se faz outra coisa que divertir-se, dedicar, sobretudo os dias destinados a Deus, à procura de maiores deleites.

É assim que muitos católicos de hoje levam uma vida pagã; Este estão fechando o ouvido ao que há de fundamental no catolicismo que é o amor de Deus e o amor ao próximo, para ficarem com algumas partes que, por carecer do substancial, não tem valor, nem significação alguma. Ser católico, é ser discípulo daquele que passou pelo mundo fazendo o bem e consagrando todos os instantes de sua vida mortal a amar a Deus e a ajudar os demais. Isto é ser católico não só de palavra senão de verdade, de fato isto é o religioso cumprimento de nossa missão como homens cristãos.

Constatamos que se os católicos de hoje querem merecer este nome devem começar por deixar de fazer os grandes males que estão fazendo com seu exemplo, porque, se o exemplo dos ímpios e dos inimigos da verdade é demolidor, com maior razão será dos que se dizem filhos fiéis da Igreja, e são, sem dúvida, em seus atos, modelos de corrupção e de iniquidade. É muito comum encontrarmos pessoas que se dizem católicos fiéis, mas só de palavra, pois na primeira oportunidade os vemos entrando em um cinema que corrompe as almas ou frequentando alguns bailes e seguindo ostentando a falta de pudor apesar das exortações dos sacerdotes; além de usar trajes que não revelam outra coisa se não o debilitamento do sentido moral e grande falta de respeito a honestidade natural.

Por toda parte se veem católicos degenerados rendendo homenagem de adoração a Deus com a inteligência, mas escarnecendo e pisoteando com seus atos, o que são uma contradição vivente das doutrinas que professam. E são estes mesmo que se espantam de que se persiga a Igreja, de que se odeie a Cristo, de que se blasfemem e de que a impiedade o inunde todo um rio imenso que transborda; pois tenham claro que as gerações, por cima do influxo das ideias, se formam com o contato e exemplo dos demais, portanto, se os católicos muito longe de viver sua fé e de observá-la no máximo possível em seus atos continuam como até agora trabalhando em oposição mais ou menos aberta com sua doutrinas e seu critério, seguindo sendo responsáveis da depravação profunda que trava nossa sociedade e que é obra das más ideias e dos exemplos corruptores.

Por agora, já que a desmoralização é tão grande, convém fazer esforços decididos por abster-se de um mal para não contribuir com uma conduta corruptora para a degeneração das massas. Comecemos por não darmos o exemplo vergonhoso de viver um vida pagã; ter valor suficiente para não ir a lugares onde se escarnecem a moral e se depravam os costumes; preocupe-se com que suas roupas e suas relações reflitam a doutrina salvadora do cristianismo se não quiser ser um dos responsáveis pelo decaimento da sociedade.

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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 533-534.

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