quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A juventude e a organização

A juventude e a organização

(Autoria de Anacleto González Flores.
Editoriales de la palabra,
16 de fevereiro 1919)


Até aqui temos falado da nobre e elevada missão da juventude e ainda temos assinalado a índole, a natureza dos esforços que devem fazer os jovens para conseguir que a humanidade e as sociedades alcancem proveitosos resultados das obras intentadas pelos que ainda respiram o sopro perfumado da primavera da vida. Agora vamos assinalar o meio supremo de que há de se servir a juventude para que sua ação dê resultados verdadeiramente reconstrutores: falamos da organização.

É certo que esta questão, a da organização, tem sido tratada uma e cem vezes e também é inegável que nós a temos tratado em muitíssimas ocasiões; no entanto, tem-se que ter em conta que se até agora quase não nos tem ouvido, este fato, muito longe de nos desanimar, nos faz entender que é preciso insistir, que é necessário continuar a obra de difusão; chegará um instante em que nosso meio saturado de nossas idéias nos preste seu apoio para conquistar as gerações e ponha em nossas mãos a eloqüência e o vigor inigualável que dá aos sistemas o conjunto de circunstância em que se nasce e se vive. Mas voltemos ao ponto capital: dizíamos que a juventude não poderá influir decisiva e vitoriosamente nos destinos da humanidade se antes não se organiza, se antes não soma esforços individuais para moldar o esforço coletivo, se antes não busca a coordenação de todas as energias para canalização ao longo do caminho que leva a vitória, se antes não procura que se forme um todo que aspire a realização de um mesmo fim com o emprego de meios idênticos de caráter geral.

A luta no isolamento nunca nos colocará em posição de vitória, e sim quase sempre nos arrasta a derrota e nos cobre de desonra. E para dar uma demonstração desta verdade não é necessário fazer uma minuciosa investigação, basta o feito eloqüente com a eloqüência da dor de que a nós católicos se tem pisoteado bárbara, selvagem: impunemente, enquanto temos permanecidos isolados e sem organização. E si a somarmos os triunfos obtidos, por meio da organização incipiente que temos e que por desgraça não tem sido destacado com o entusiasmo que deveria ser, chegará a enraizar a convicção de que para combater com vantagem tem que se ter antes a organização.

Os jovens devem sair de seu isolamento, devem buscar o contato com outros jovens que trabalham e lutam por reivindicar os direitos de Deus e do homem. Não devem permanecer indiferentes diante das distintas agrupações formadas com o fim de dar o bem uma arma de caráter social, já que o mal a tem como muito poderosa. Agrupai-vos, jovens católicos! Afastai-vos do isolamento que degrada, que envelhece que mata, que leva indefectivelmente a derrota. Ide prontamente a organização [católica], pois assim vossos brilhos e vossas energias cresceram enormemente e Cristo reinará apesar dos tiranos.

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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 588-589.

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