domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Igreja e os Capitalistas

"Este é um tema muito recorrente. A Igreja, além de ter a dificílima e árdua tarefa de evangeliza povos com os corações frios e "cabeças duras", sofre, ainda, muitas críticas e perseguições. Muitas delas se devem a uma visão preconceituosa e pouco fundamentada. O artigo abaixo analisa a relação da Igreja com os capitalistas e como a ela tem mantido a defesa dos direitos dos menos favorecidos sem absolutizá-lo, o que é um dos muitiformes erros da Teologia da Libertação marxista, e que somente com uma visão fundada no princípio Personalista da diginidade da pessoa humana, como exposto no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, se pode defender integralmente os menos favorecidos." (Amigos da Cruz.)
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A Igreja e os Capitalistas

(Autoria de Anacleto González Flores.
Editoriales de la palabra,
25 de novembro de 1917)


Em nada se há colocado tanto empenho, sobretudo nestes últimos tempos, como colocar a Igreja Católica como inimiga dos pobres e como defensora incondicional dos ricos. Para que todos se convençam de que isto é ignorância, má fé e consequentimente uma difamação imperdoável, vamos dar a conhecer a doutrina da Igreja sobre as relações entre os ricos e os pobres, e vamos demonstrar, principalmente aos socialistas e, sobretudo aos desequilibrados do Mundial, que ninguém tem se preocupado mais com o bem dos pobres do que a Igreja Católica.

E como não só os socialistas e liberais ignoram esta doutrina, senão também são muitos os ricos que não a conhecem ou aparentam ignorá-la, bom será se que todos ponham atenção ao que vamos dizer para que assim cumpram com seu dever. As seguintes palavras foram tiradas literalmente da Encíclica que sua Santidade Leão XIII escreveu para tratar a questão social e fazer a defesa dos trabalhadores: “No geral recordem os capitalistas que nem as leis divinas nem as humanas permitem que se oprima os necessitados e infelizes, ou comercialize com a miséria do próximo. Negar o justo salário é culpa tão grande que clama vergonha na presença de Deus”. Segundo isto, a Igreja tem ensinado e ensina que aos trabalhadores não só se lhe tem que pagar pontualmente, senão o que em justiça corresponde, porque ao empregar a palavra defraudar se quer dar a entender que se pague o que o indispensável para a subsistência e as necessidades do trabalhador, e não porque ele se aparenta débil e cansado de trabalhar se lhe pague como melhor se lhe agrade ao patrão ou ao capitalista.
Há que fazer um esclarecimento, se disse que lucrar com as misérias e necessidades do trabalhador é um pecado que clama vingança ao céu, disse-se isto porque são pecados que a Igreja coloca entre os mais graves. Por isto enquanto Aristóteles e Cícero, apesar de seu grande gênio, chegaram a menosprezar as classes trabalhadoras e a dizer que o trabalho é indigno ao homem livre: o liberalismo, como disse Donoso Cortês, foi feito por ricos e para os ricos; o socialismo quer exagerar o valor dos proletariados sem fazer outra coisas que extravia-los; a Igreja, com uma ternura imensa e uma sabedoria que assombra, tem ensinado que no uso das riquezas ninguém é absoluto e que em nada se deve colocar mais solicitude do que ajudar aos pobres e sobretudo lhes pagar que é de justiça do trabalhador.

Mentem, caluniam, os socialistas contra a Igreja, quando a chamam exploradora dos pobres e do proletariados, e quando ensinam que ela está de acordo com os ricos para lucrar com as misérias dos trabalhadores, e cometem e estão cometendo um pecado dos mais graves, dos que clama vingança ao céu, todos os ricos, os patrões que não querem pagar nem pagam o salário justo, que exige a ordem natural e que estabelece o Cristianismo com base nas relações entre o capital e os homens trabalhadores.

Meditem isto, e muito seriamente tantos ricos que crêem cumprir seus deveres assistindo a algumas práticas religiosas e esquecendo, todavia, de cumprir com essas exigências de justiça com as pessoas que lhes servem e tornando-se reis de uma iniqüidade, de um crime que como ensina a Igreja, clama vingança ao céu.

Nós não ensinamos, como o socialismo que a propriedade é um roubo, nem sequer a odiar os ricos; o que fazemos é, seguindo o espírito do Cristianismo, chamar a atenção de tantos inchados com sua prosperidades e acastelados em sua riqueza e em seu poder esquecer de seus direitos de que o proletariado, como todos os homens, é um dos principais fatores do progresso.

A ignorância religiosa, se havia eclipsado, o sol eu havia iluminado a fronte de Napoleão Bonaparte com os fulgores da vitória, e o capitão que havia sabido conter a torrente da Revolução Francesa e restaurar a religião em todo seu esplendor, vivia profundamente triste na qualidade de prisioneiro dos ingleses na ilha de Santa Helena. Em certa ocasião quis o grande imperador fazer a um soldado que o vigiava, esta pergunta: você sabe quem é Jesus Cristo? Não, respondeu o guarda; tenho muita coisa a fazer e não pude averiguar quem foi esse homem. Como que tu, pensou Napoleão, que é batizado e se chama cristão não sabes quem é Jesus Cristo? Pois eu vou te dizer: e depois de fazer uma comparação entre Alexandre Cezar e Jesus Cristo concluio o grande guerreiro francês com estas palavras: eu não conheço os homens e Jesus Cristo era mais que um homem. Isto de fato desgraçadamente está se repetindo em nossos dias e nada há de tão comum como que tanto os que odeiam a religião como os que crêem e se dizem defensores dela, estejam envoltos na mais profunda ignorância. Isto se comprova ao fazer algumas perguntas sobre religião a algumas pessoas e então se comprovará como nem sabe sequer os facílimos ensinamentos do Catecismo, ou se sabem é muito superficialmente e sem ter um conhecimento mais profundo acerca das questões religiosas.

Se dirá que não é possível, que cada um seja um teólogo consumado e que dedique a estudar estes assuntos com grande empenho e com grande entusiasmo, porque são muitas as ocupações que é necessário atender. Se considera tudo isso, mas há de convir em que não se exige que todos os homens tenha, conhecimentos que adquirem os teólogos a força de estudos e de noites de estudos e discussões, não; o que se exige, o que urge e é indispensável é que, se tenha as noções mais básicas para saber nossa origem, nosso fim e a missão que temos nessa vida. E neste ponto a Igreja Católica, como em tudo, é muito pouco exigente e todos sabem que são muitos os que nem sequer sabem estas verdades.

Porém, se esta claro que são muitas as coisas para fazer e muitas as ocupações de cada um, com segurança não são tantas que não permitam consagrar sequer meia hora, ao estudo da religião seja em um lugar lendo um livro que trate dessas graves questões, ou seja, ouvindo em alguma igreja uma conferencia de algum sacerdote. E queremos conceder que sejam muitíssimas as ocupações das pessoas, porém será que há ocupação maior do que a salvação de nossa alma? Em nada tem colocado Deus tanto empenho nem tanta solicitude como em procurar a salvação de nosso espírito, e é por pura preguiça e não por falta de tempo, e se em outra ocasião temos provado a necessidade de lugares onde se ensinem religião, agora sustentamos com muita razão que todos devem consagrar-se a estudar as questões religiosas para fazer frente ao erro e não ser vencido por ele jamais.

A ignorância religiosas deve ser combatida quanto antes não só para as crianças, senão também para os jovens e os idosos, porque todos padecem este perigo, que é uma das principais causas de incredulidade.

De tal maneira, que se averiguarmos os motivos pelos quais se maldizem a religião, encontraremos que entre eles há uma grade ignorância, sobretudo em uma época de grandes discussões como a presente, há só um passo. Se queremos, pois, acabar com as fontes da impiedade devemos consagrar nossas energias a toda nossa vida a instruirmos os demais em matérias religiosas.

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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayundamento, 2005. p. 498-501.

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