quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Para os jovens!

Para os jovens!
  
(Autoria de Anacleto González Flores.
 Editoriales de la palabra,
17 de novembro de 1918) 

Que a juventude é a força, a energia mais poderosa da humanidade, é coisa que salta a vista e brilha diante de nós com evidência claríssima, e que por isto pesa sobre os jovens uma responsabilidade imensa, é uma verdade que só se atreverão a negar os que jamais tiveram nem sequer uma remota idéia da nobreza incomparável da missão da juventude. Praticamente se há chegado a crer que nessa idade em que treme o coração agitado pelas veemências enlouquecedoras que se despertam em nossa alma quando tudo é ritmo, canção, harmonia, sorriso, horizonte azul carregado de esperança, que voam desordenadas todas as ilusões, se há chegado a crer que então devemos dobrar o joelho, inclinar a cabeça diante do superficial, diante de tantos sonhos que rapidamente se esvaem, diante de tantas e tantas quimeras que depois de realizar sua marcha triunfal por nosso coração, se pia para deixar-nos mudos, desnorteados e entristecidos.

E se há chegado a pensar que as coisas austeras, graves e santas, são dignas só da velhice que já experimentaram os desenganos da existência e da força física, e é a época em que contra nosso desejo começamos a ver o lado sério da vida. Tudo isto há sido e é uma grande aberração, um erro imperdoável, uma das causas dos esquecimentos que tem arruinado os povos. Em todos os instantes do tempo, a vida individual e coletiva tem tido necessidade de grande e forte poder, de uma força que mantenha inquebrantável e firme o equilíbrio, que contenha o desdobramento das tendências demolidoras e canalize vigor indomável todas as energias e as empunhe até a verdade, até o bem, até Deus, que é a ordem eterna, a harmonia absoluta.

Veja bem, esse poder não o chamamos na velhice que é a impotência do músculo devorado pelo cansaço; não o encontramos nas crianças, fase que começa a despertar a luta, mas sim na juventude, onda que se choca para golpear a rocha endurecida, torrente que rompe o leito e transborda sobre planícies, tormenta em meio a trovões que tudo obscurece, tempestade que humilha e sopra impetuosamente sobre a frente altiva e orgulhosa das montanhas, paixão capaz de todos os sacrifícios e de todas as dores, braço, nervo, músculo forte que pode derrubar ou levantar de um só golpe as construções mais fortes e sólidas, que é, ainda quando incorremos em uma repetição, corrente de energias vivas da humanidade.

Esta força titânica, ímpeto de força, músculo gigante, não há prestado seu apoio a realização dos sistemas salvadores nem há influído como deveria nos movimentos transcendentais, todo tem sido arrebatado pelas loucuras do furação desordenado e tem sido impossível construir algo sólido. Já é tempo de que a juventude, que até agora tem vivido uma vida trunca, mutilada, dolorosamente mutilada, porque não tem reconhecido sua missão, porque não tem querido assumir sua responsabilidade, se detenha um instante na metade do caminho, lance seus olhos no futuro e medite seriamente que no momento atual a humanidade busca energias para se reconstruir.

E por isso da aridez dos campos entristecidos, das planícies embranquecidas com os ossos dispersos dos guerreiros vencidos, das oficinas enegrecidas do lugar ameaçado pela ruína, da boca dos oprimidos, dos lábios da pátria escarnecida e dos sentimentos maternais e sagrados da Igreja caluniada e perseguida, brota um grito que ao passar sobre a humanidade, faz ouvir uma ressonância que é canto de guerra, vibração que flutua acima dos cumes, estrofe que desperta entusiasmos, ritmo sonoro que redime e encoraja, hino que chama a luta, e arrasta a todos os combatentes, que treme, e se agita em torno da juventude com sacudidos do “Deus assim o quer” dos cruzados e que faz vibrar poderosamente esta palavra de esperança: sursum corda (Levantemos o coração!).

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Transcrito e traduzido do livro:
FLORES, Anacleto González. Obras de Anacleto González Flores. Guadalajara: Ayuntamiento de Guadalajara, 2005. p. 571-573.

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