terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O valor de um ideal

O jovem deveria sempre tomar a decisão de não permanecer ao nível do comum, de atingir um grande objetivo na vida. Também tu, meu filho, deves escolher um ideal, e este ideal nunca o esqueças; para o realizar emprega todas as tuas forças. Não prometo que o venhas a conseguir em poucos meses, ou mesmo em alguns anos. É até possível que nunca o realizes. Mas, que importa?! Concentrando nesse ideal os teus pensamentos e os teus planos, aproximar-te-ás certamente dele, mesmo se, de início, este ideal te parecer de altura inacessível. Aquele que emprega todas as suas forças para atingir um objetivo sublime descobre, dia a dia, novas forças cuja existência ignorava na véspera. Durante a guerra mundial de 1914, as incríveis privações das trincheiras revelaram-nos o que o corpo humano era capaz de suportar. Virás a saber que a alma é igualmente capaz de fazer prodígios quando pomos toda a nossa força e toda a nossa vontade ao serviço do ideal previamente fixado.

Poderias, por exemplo, tomar a resolução de debelar, custe o que custar, o teu defeito dominante...

Assim: o ano passado tiveste apenas um 9 e um 10: eras aluno medíocre. Este ano não terás menos de 14! Custe o que custar!... Mais ainda: estudarás o latim, nos momentos livres, meia hora por dia, - mas todos os dias sem exceção!... E assim por diante.

E eu queria ainda que fixasses um outro objetivo mais elevado. Os livros de estudo ingleses estão cheios de frases como esta: "Começa o teu trabalho onde milhões o abandonaram". "Nas alturas há ainda lugar para muitos". "Os melhores lugares do mundo não estão ainda ocupados". "O caráter e a inteligência são ainda procurados: estão sempre em alta no câmbio da vida".

Sim, eu desejaria encontrar em todos os rapazes a convicção profunda de que eles devem vir a ser alguém: espíritos cultos, caracteres impecáveis, almas de beleza empolgante. Nem todos poderão atingir este objetivo, bem sei; mas, se todos os seus pensamentos e esforços, à imitação das águias, dirigirem o seu voo para este fim supremo, certamente a aproximação será maior do que se se contentassem com voar roçando a terra, como fazem as andorinhas.

"Mas então todos os rapazes se tornariam insuportáveis crendo-se pessoas importantes", dirás tu, talvez... Disso não tenho receio. Estou mesmo convencido de que aquele cuja alma se encontra aquecida por tão nobre ideal poderá vencer mais facilmente que qualquer outro a tentação dos pensamentos baixos e de desejos sensuais. Muitos rapazes se deixam arruinar moralmente, pouco a pouco, precisamente porque não fixaram à sua vida um objetivo elevado, uma finalidade superior.

Aceito em absoluto a máxima de Carnagie - um dos homens mais ricos e também um dos mais trabalhadores da América; aconselha aos jovens: "My place is at the top!" - "O meu lugar é à frente!". Procura, meu filho, chegar lá com o teu próprio esforço assíduo, cumprindo com amor o teu dever de cada dia, e não com as muletas da proteção, do auxílio de teus pais ou amigos.

Eu bem sei que há também rapazes que não se esforçam por estudar e melhorar a sua situação, porque são "humildes", "modestos" e estão "contentes com o que têm"...

Alto, meu filho! A pusilanimidade está longe de ser uma virtude, e a preguiça nem de longe se assemelha à humildade! A verdadeira humildade leva-nos a dizer: "Nada sou, não tenho, de mim mesmo, valor algum", mas fazer-nos acrescentar imediatamente: "Nada há no mundo que eu não possa fazer com a ajuda de Deus".

Repete frequentemente esta frase magnífica, esta encantadora oração de um grande santo: "Deus meus, Deus meus! Nihil sum sed tuus sum!" "Meu Deus, Deus meu: nada sou, mas pertenço-te!". Sim, repete isto muitas vezes ao Pai Celeste. Verás que força espiritual te advirá desta invocação.

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*Extaído do livro: TOHT, Tihámer. O jovem de caráter. [S.L]: Coimbra, 1963.

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