terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O combate da alma

A alma é, portanto, teatro de uma luta sem tréguas entre o bem e o mal. Durante os anos da juventude, esta luta é particularmente encarniçada. Com o tempo, torna-se menos dura; nunca, porém, podemos dizer que ela terminou.

E quem é que combate em nós e contra quem?... Mal tinhas atingido os 5 ou 6 anos, quando o inimigo se anunciou por não sei que atrativo, até então desconhecido, que te levava para o mal. Era como que um peso invisível que te arrastava contra tua vontade para as profundezas vertiginosas do pecado. Esta herança nefasta que a religião cristã conta entre as consequências do pecado original, chama-se a inclinação para o mal.

É bom que saibas, meu filho, que, por sua natureza, o homem pende muito mais para o mal que para o bem. É natural que, já mais de uma vez, tenhas disso a experiência. Quantos obstáculos se nos deparam no caminho quando queremos formar a nossa alma segundo os preceitos de Deus! Conhecemos o ideal sublime que Nosso Senhor assinou à vida humana - à nossa por consequência.

Sentimo-nos possuídos de admiração pela sua doutrina; bem quereríamos realizá-la em nossa vida... Mas, ai! que trágica herança descobrimos em nós! Se o bem nos agrada - e agrada certamente - o pecado atrai-nos ainda mais. Se a virtude nos convida às alturas, o vício mantém-nos em baixo. Nós quereríamos voar bem alto para os cimos nevosos da perfeição, e a tentação prende às nossas asas um peso de chumbo... Dize-me, meu filho, não sentiste ainda em ti esta luta, este combate encarniçado que um jovem, de oito anos apenas, exprimia ingenuamente nestes termos: "por que é tão doce ser mau e tão amargo ser bom?"...

Já vês agora que aquele que fica vencedor neste combate é um herói.

Mas, então, há jovens que sucumbem?...

Sim, infelizmente! E são em grande número! Um estudante passa na rua; um colega põe-se a arreliá-lo: dentro em pouco agridem-se a soco e a pontapé. Isto não é heroísmo. Heroísmo é o domínio da própria natureza e de suas más inclinações. É necessário heroísmo para desviar bruscamente os olhos de um anúncio imoral ou de uma figura indecente lobrigada na vitrine de uma loja de comércio; é-o ainda necessário para pedir imediatamente perdão, quando se ofendeu a alguém; mas ele é, sobretudo, necessário para permanecer fiel a Deus em todas as ocasiões do pecado.
------------------------------------------------
*Extaído do livro: TOHT, Tihámer. O jovem de caráter. [S.L]: Coimbra, 1963.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Receba nossas atualizações