terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Folhas de outono no turbilhão

Um outro obstáculo à formação do caráter é a vida agitada, a louca precipitação que caracteriza a nossa época, as milhares impressões diversas que se sucedem em nós e que de modo algum são propícias a um trabalho sério.

Feliz o jovem que, sobretudo em nossos dias, consagra o mais tempo que pode à grande obra da sua formação espiritual, que, na oração da noite, sabe destinar alguns minutos para descer ao fundo da sua alma para verificar se algumas moléculas indesejáveis, sementes do mal, digamos mesmo pedregulhos ou pedras do pecado, se fixaram no cristal cuidadosamente vigiado da sua alma!

Aquele que se deixa arrastar pela corrente, sem de nada se preocupar, nunca se conhecerá a si próprio.

Que pena me dá pensar que muitos estudantes conhecem a fundo as regiões do Alaska, dizem, sem errar, os afluentes do Yang-tsé-Kiang, e ignoram por completo a sua própria alma! Porque, se eles a conhecessem, estremeceriam de horror à vista da quantidade de ervas daninhas que sufocam as árvores de suas vidas, e das feras rapaces - que outra coisa não são as suas paixões desenfreadas - que se alimentam do seu sangue e que se multiplicam na floresta virgem de suas ideias desordenadas. Estes jovens terão, muitas vezes, de pagar com a sua vida a despreocupação da sua juventude. Mesmo depois de adultos, não serão independentes.

As vagas de seus interesses materiais, de seus pontos de vista demasiado humanos e de suas paixões, atirá-los-ão contra os rochedos do pecado, como o vento forte de Novembro leva em torvelinho as folhas mortas das árvores.

Folhas de Outono em turbilhão! - almas de folhas mortas!
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*Extaído do livro: TOHT, Tihámer. O jovem de caráter. [S.L]: Coimbra, 1963.

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