terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Educa-te a ti próprio!

Formar a nossa alma segundo os desígnios de Deus a nosso respeito, eis a tarefa sublime a que chamamos auto-educação. Neste labor, meu filho, ninguém pode substituir-vos; deve ser realizado pessoalmente por cada um de nós.

Os outros podem dar-te conselhos, indicar-te o caminho a seguir; mas és tu que deves sentir a necessidade de fazer realçar na tua alma a magnífica imagem de Deus nela escondida, és tu que deves desenvolver o desejo de te tornares nobre, forte e puro. Deves conhecer-te a ti próprio: saber o que há em tua alma que a prejudique, e as qualidades boas que lhe faltam.

Deves tu mesmo fazer esta educação da tua alma, sabendo perfeitamente que o bom êxito te custará muitos esforços, abnegação, auto-domínio. É necessário que te recuses, muitas vezes, aquilo que gostarias de dizer, e que faças, também muitas vezes, o que te não é agradável. Depois de tudo isto, ser-te-á preciso cerrar os lábios, e levantar corajosamente a fronte para permanecer firme, ainda que os teus projetos e boas intenções venham a falhar algumas vezes.

A formação do teu caráter, em toda a tua vida, depende destes esforços. "Do pensamento nasce o desejo; o desejo gera a ação; a ação cria o hábito; o hábito forma o caráter; o caráter prepara o teu destino". O teu destino, como vês, é no fim de contas preparado por estes pensamentos e estas ações que julgavas sem importância.

"Volta constantemente o teu olhar para a virtude com amor e respeito; não deixes passar uma só oportunidade de praticar o bem: e se acontecer, alguma vez, que tal ação contrarie o teu desejo - a tua aspiração superior - faze triunfar a vontade. É assim que o teu caráter se tornará apto a realizar grandes coisas e a trabalhar não menos para o presente que para o futuro. Deste modo serás estimado e honrado pelos teus contemporâneos". (F. Kolcsey). Mas é também necessário que levemos a nossa vontade a identificar-se com a vontade de Deus. A mais sublime escola do caráter é poder dizer sinceramente: "Senhor: seja feita a vossa vontade e não a minha!".

A melhor forma de auto-educação é perguntar, sempre que possível, depois de cada ação, de cada palavra e mesmo de cada pensamento: "Senhor: foi, de fato, a Vossa vontade que eu exprimi ou fiz agora? agradou-Vos o que eu disse ou acabo de fazer?"
E
é agora que deves iniciar esta educação do teu caráter, meu filho, agora, durante a tua juventude. Se esperares até à idade em que forem homem, será demasiado tarde. O caráter não se desenvolve no caos da vida. Aquele que se lança no turbilhão da vida sem um caráter firme, perde facilmente o pouco que tinha.
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*Extaído do livro: TOHT, Tihámer. O jovem de caráter. [S.L]: Coimbra, 1963.

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