quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

COMO ESTRAGAR A LITURGIA

COMO ESTRAGAR A LITURGIA*
(Autor desconhecido)


[Confesso que a primeira vez que li este artigo senti como que estivesse lendo uma nova carta do livro: Cartas de um diabo ao seu Aprendiz, de C.S. Lewis. Muito interessante o artigo. Amigo da Cruz.]

1. Como esconder o altar
Esconda o altar debaixo de uma grande toalha branca com rendas, como se usa em banquete de casamento novo-rico. Aperfeiçoe a camuflagem pondo à frente do altar uma mesinha com bacia e jarra tamanho GG para lavar as mãos, cadeiras de presidente e ministros, caixa de som, tronco do dízimo e estandarte da irmandade. Sobre o altar, ponha seis castiçais barrocos, com velas coloridas e rendas na base da vela, como também alguns conjuntos de flores (artificiais, para economizar), um grande pão (pode ser pão-de-açúcar), uma bandeja com frutas (de preferência jaca), uma imagem de Nossa Senhora e uma estante para receber a Bíblia que será trazida em procissão dançante. Se sobrar espaço, coloque também uma estante ou uma almofado (da cor do time do padre) para o missal.

2. Como abafar a palavra
Ponha o microfone no volume máximo. Provoque regularmente microfonia, sem ter pressa de acertar o som. Introduza o maior número possível de comentários. Evite usar o lecionário litúrgico e leitores treinados. Fale ao povo para acompanhar no folheto, pode ser um exercício de alfabetização coletiva. Use o folheto ainda para ventilar. Antes das leituras, apresente o leitor como nome e sobrenome, inclusive da sogra. Substitua a primeira leitura por um texto de Paulo Coelho. Na homilia, fale as últimas notícias da Igreja e não mencione o evangelho, a não ser para introduzir o relatório de sua recente viagem à Terra Santa.

3. Como esvaziar os símbolos
Faze uma procissão com símbolos no início, no meio e no fim. Explique amplamente os símbolos, para lhes dar um sentido, já que pode não ser evidente. Não tenha medo de repetir sempre os mesmos símbolos novos, mas, para não sobrecarregar, esqueça os símbolos que a liturgia já tem de si mesma.

4. Como matar o canto
Confie a parte musical a uma banda de rock. Tente imitar Padre Marcelo ou, ao menos, Roberto Carlos. Escolha melodias que na América do Norte são autóctones. Não dê a letra ao povo e cuide de que ele não a entenda. Cante tudo com a mesma força máxima, e todas as estrofes até o fim; desconheça a diferença entre estrofe e refrão, solista e canto geral. Alterne os cantos cantados ao vivo com músicas de CD, com o acompanhamento mais chinfrim possível.

5. Como banir o silêncio
Construa sua igreja rente à rua principal e deixe a porta bem aberta durante a celebração. Prepare o ambiente da missa, tocando música religiosa meio hora antes (no tempo comum, o Coro dos Escravos de Verdi; na Semana Santa, o Aleluia de Haendel; na Páscoa, o final da Nona Sinfonia de Beethoven). Se depois da missa houver festa da comunidade no pátio ao lado, peça que os jovens testem o som durante a missa. Não deixe um segundo de silêncio durante a ação litúrgica. Se casualmente houver algum momento sem outro barulho, contrate umas mães para que ponham seus filhos a chorar. Depois da comunhão, dê a palavra a um candidato político.

6. Como desfigurar o celebrante
O celebrante seja vestido de maneira ecléctica, pós-moderna: túnica axê, casula romana, estola andina, cruz de bispo oriental no peito. Se sofrer de resfriado, pode usar turbante hindu. Treine a voz escutando as rádios apropriadas para ela ficar melosa. Nunca fale em tom de quem preside, pois isso seria antidemocrático. Comece cada frase com “Vamos...”. Não use o microfone na oração eucarística, pois essa não precisa ser ouvida, já que não tem nenhuma novidade. Dê instruções aos ministros, não com antecedência, mas a cada momento da missa, interrompendo ostensivamente a ação sagrada. Se for capaz, ou também se não o for, puxe o canto tocando violão ou teclado posto sobre o altar. De vez em quando corra à sacristia para levantar mais ainda o som.


7. Como alienar o povo
Organize sua liturgia de modo que possa competir com os shows da TV. Evite tocar em assuntos melindrosos, como sejam a justiça, a educação, o desemprego, a corrupção (especialmente a da própria cidade). Diga que tudo vai bem quando tudo vai mal. Ensine que Jesus é bom em vez de justo, pois a justiça não é boa para os donos deste mundo. Ensine que Jesus lava nossos pecados com seu sangue e que, portanto, podemos abastecer a lavanderia à vontade. Não confronte as pessoas com Deus nem consigo mesmas.

8. Como desfigurar o sentido da eucaristia
Logo após o relato institucional, conduza um momento de adoração, com muitos gritos e louvores, terminando com derramamento de lágrimas ao som de músicas como "Ninguém te ama como eu" ou "Jesus está aqui, Aleluia, tão certo como o ar que eu respiro..." (o povo gosta...).

Ao final da missa, tome um ostensório de meio metro (ou mais, depende da situação econômica da comunidade; aliás, nem tanto, pode ser pago em leves prestações, no campo religioso temos bondosas casas comerciais, cheias do melhor espírito evangélico de ajuda aos pobres), coloque-o sobre o altar antes da missa e conduza uma oração de cura e libertação. Em seguida, caminhe com ele em meio à multidão, instigando-a a tocá-lo com carteiras de trabalho e fotos, bem ao estilo “Universal catolicizado”.

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* Se alguém pensa descobrir nestas orientações uma crítica à inculturação luso-afro-brasileira ou ameríndia, ou às celebrações das capelas pobres e das comunidades populares, asseguro que essa não é a intenção.

Um comentário:

  1. A SOLENE CELEBRAÇÃO DA SANTA MISSA DE SÃO PIO E MAUS EXEMPLOS DE OUTROS LOCAIS
    O mundanismo e o relativismo infiltraram-se na Igreja sob vários disfarces, oriundos de interpretações proposital-fraudulentas do Vaticano II: sincretismos religiosos, tentativa de nivelar o povo a Deus e muitas adaptações e interpretações pessoais secular-sectarizantes; note-se que a Igreja possui sérias infiltrações da Internacional Socialista, um dos subfrutos atuantes e nocivos é a Teologia(Heresia) da Libertação - TL - que, por meio de alguns membros ordenados, socializam a doutrina da Igreja e desvirtuam a sociedade.
    Porém, mais um desses é a dessacralização do Mistério Eucarístico na Santa Missa, transformando-o apenas em ceia fraterna - TL - deixando de lado o respeito, devoção e recolhimentos, tão necessários à sacralidade e sacrificialidade do Memorial da Paixão e Morte incruento de Jesus na cruz; acaso a SS Virgem Maria junto à cruz batia palmas, alegrava-se àquele momento, em tão dolorosíssima situação?
    Há, por sinal, muitos católicos de comportamentos superficiais e alienados à fé, adeptos das seguintes idéias: gosto de ir a uma missa animada...cheia de situações atraentes... um cantor e orquestra lindos... que "missa boa" do padre fulano, choro de emoção, isso é que é missa!; a do outro padre, nem me falem, monótona demais, cansativa...
    Vejam abaixo o atual e oportuníssimo comentário do S. Padre Bento XVI da Carta Apostólica do S. Padre e Beato João Paulo II - Domenica Coena - datado de 24/02/1980.
    “A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado. Muitos pensaram e disseram que a liturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém , terminou por dispersar o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer. Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a Igreja inteira pode atribuir-se : o que nela se manifesta é o absolutamente Outro que, através da comunidade chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável : discursos, palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão… Mas ficou no esquecimento que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio, em certos ritos, não sobrou nenhum vestígio.

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